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Meditação

Desmistificando uma prática que pode salvar você do stress, da insônia e da ansiedade

by leandro castello branco em 20 de julho de 2011 | 15:02

Muita gente fica pra conversar ao fim das minhas aulas de yoga. Papo vem, papo vai, o assunto sempre acaba girando em torno de Yoga, tradição e tudo que vem a reboque. Sempre me surpreendeu o número de pessoas que diz “puxa vida, eu queria ser capaz de meditar, mas a minha mente é muito agitada” e eu sempre me pego pensando “meu amigo, se a mente não fosse agitada não haveria meditação”. Meditar é super simples, não demora nada e os benefícios de uma prática constante vão desde o alívio da insônia até o controle da ansiedade aguda. Então eu achei que seria uma boa idéia deixar aqui umas dicas pros meditadores de primeira viagem.

Em primeiro lugar, vale dizer que a mente de todo mundo é agitada. É a natureza dela ser assim e por causa disso é que os pensamentos são possíveis, ora. Senão, das duas uma – ou sua mente seria um espaço em branco ou você teria que pensar sempre a mesma coisa o tempo todo. E Deus me proteja de pensar o tempo todo no Tiririca!

O truque aqui é como conduzir a sua mente pela meditação, e acho que aqui vai uma segunda coisa importante que vale dizer – meditação é técnica.

Não adianta nada você sentar de pernas cruzadas e “pensar em nada” como se ouve muito por aí. Se você simplesmente sentar e fechar os olhos e tentar pensa em nada, o máximo que você vai conseguir é uma dor de cabeça. É preciso um modo de conduzir a meditação e existem várias formas de fazer isso. Mas, calma que a gente já está indo rápido demais. Vamos começar do começo e eu garanto que em três passos simples, mesmo o mais estressado dos seres pode começar a meditar. E não é marketing, não – é fato.

Primeiro passo: arrumar uma hora e um local adequados.

A meditação é um momento em que você pode entrar em contato com você mesma sem o peso de responsabilidades, ansiedades, expectativas e das suas experiências passadas. Daí a importância de reservar um horário certinho pra ela todos os dias. Se você já sentar pra meditar pensando que dali a cinco minutos tem que escolher a roupa pra sair, não vai rolar. Uma vez escolhido, esse horariozinho tem de ser sagrado. Mais tarde, quando você já estiver acostumada, com certeza vai poder variar não só a hora, mas o lugar também, mas no início é bom regrar o seu esforço.

Existe uma hora mais propícia pra meditação? Sim, mas você gostaria de não ter perguntado isso, porque a melhor hora pra meditar é cedinho de manhã, quando a sua mente ainda não caiu na agitação do dia. A rigor, o melhor é meditar entre 4h e 6h (sim, da manhã!). Mas, ok, ninguém é de ferro, se não dá pra fazer isso, então, que tal reservar o seu tempo de meditação para “qualquer hora logo depois de você se levantar”? Quanto ao lugar, qualquer lugar silencioso e tranqüilo serve.

Segundo passo: boa postura.

Então, na mesma bat-hora, no mesmo bat-local, todos os dias, você vai sentar com a coluna reta e os olhos fechados. Para preservar sua coluna reta vale tudo: se você é capaz de sentar no chão com as pernas cruzadas pode apoiar as costas na parede, ou sentar numa almofada para facilitar o relaxamento das pernas e a subida da coluna. Se os seus joelhos ou a coluna doem só de você pensar em cruzar as pernas, vale uma cadeira, mas pelo menos os seus pés devem tocar o chão. Outra perguntinha boa: “dá pra meditar deitado?”. Resposta – até dá. Mas o perigo de meditar deitado é dormir loucamente em vez de meditar, razão, aliás, de procurarmos manter a coluna reta, pois assim fica mais difícil cair no sono. É clássica a imagem da pessoa meditando em postura de lótus (pernas cruzadas, cada pé em cima da coxa do lado oposto), isso é realmente necessário? Não, mas com certeza as posturas de pernas cruzadas, mesmo as mais simples, são bem estáveis e confortáveis e é exatamente isso que você precisa da sua postura de meditação – conforto e firmeza. Ok, temos até agora: hora, local, e postura apropriados. É hora de sentar e fazer alguma coisa. Ou seria não fazer nada?

Terceiro passo: técnica.

Então, levantamos, vestimos uma roupinha confortável, escovamos os dentes (pra dar uma acordada, pelo menos) e sentamos pra meditar no nosso cafofo zen. E agora? Bom, existem diversas maneiras de conduzir uma meditação. Mas, nesse ponto vamos lembrar (de novo) que todas as mentes são agitadas, não é só a sua, e é com essa agitação que nós temos de trabalhar. Estou batendo nessa tecla várias vezes pra você se preparar pra revelação bombástica que eu vou fazer agora. Ok, talvez não “bombástica”, é um pouco impressionante. Considere o seguinte: eu estou aqui na minha casa no Rio de Janeiro e nunca vi você na vida (provavelmente). Mas posso afirmar com a máxima precisão que a sua mente passa pelo menos 70% do tempo dela avaliando, projetando e imaginando como vai ser o futuro, ou revivendo o passado e comparando suas novas experiências com ele. Outros 10 ou 15% do tempo sua mente passa pensando abobrinha. Só nos outros 15% estamos vivendo o presente. É… pois é.

Posso até estar sendo simplista (e provavelmente estou). Mas, adivinhe só, vou ser ainda mais –você (e a maioria das pessoas) passa a maior parte do tempo vivendo e revivendo na mente situações que ainda nem aconteceram, situações que já aconteceram ou simplesmente viajando na maionese. E mais: isso é normal. Problema: a meditação precisa que você esteja no presente, lugar em que quase nunca estamos. Se fosse natural pra nós estarmos vivendo o presente, não seria preciso fazer nada. E é aí que entram dois fatores fundamentais pra meditação rolar: técnica e prática constante.

Como eu disse, existem várias formas de meditar. Tem duas que são super simples e vou passar elas pra vocês nos dois próximos posts. Fiquem ligadas!

Om Tat Sat.

www.saraswatistudio.com

perfil

Leandro Castello Branco é coordenador do Saraswati Studio de Yoga no Rio de Janeiro, pratica yoga há 10 anos. Morou seis meses na Índia e desde então teve a oportunidade de viajar estudando vedanta, yoga e meditação com diversos mestres como Swami Dayananda Saraswati, S.S. o Dalai Lama e o mestre zen Thich Nhat Hanh.

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