Achei muito legal o impacto das últimas meditações. Se eu tinha um objetivo com esse blog era passar à frente um conhecimento que adquiri ao longo dos anos com diferentes mestres e que, acima de tudo, fez uma diferença fundamental na minha vida. É muito emocionante ver o mesmo acontecer com algumas pessoas que, por acaso, calharam de ler o que escrevi.
Pensando nisso, sigo adiante com o tema da meditação, que, espero, todas possam ter visto que não é nenhum bicho de sete cabeças e qualquer um pode fazer. E o melhor – não é preciso ter nada, apenas um pouquinho de tempo e um lugar tranqüilo.
Uma meditaçãao excelente que podemos fazer também diz respeito à verdadeira natureza desse “Eu” que nós somos. Normalmente confundimos esse Eu com os papéis que representamos ao longo da vida. E assim, somos muitos “Eus” – o “Eu-mãe”, que age, fala e tem obrigações diferentes do “Eu-filha”, que é distinto do “Eu-esposa ou namorada”, que é diferente do “Eu-funcionária”, e por aí vai. Viver a vida é representar papéis, pois lidar com o outro é colocar-se em um papel. Quando estamos à frente do nosso filho temos o papel de educador, à frente do trabalho temos que desempenhar bem nossa função, pela qual somos pagos (às vezes, mal pagos, ok…), quando estamos à frente da pessoa amada somos confidentes, amantes, amigos…
Até aí nenhum problema, tudo normalzinho. Porém, ao nos identificarmos profundamente com esses papéis, acabamos nos confundindo com eles. E quando o papel de mãe, ou de amiga, ou qualquer outro apresenta alguma falha, nós sofremos com ela. E nos consideramos um fracasso completo por causa dela. E nos esquecemos que, por mais importantes e fundamentais que sejam nossos papéis, eles não nos definem. Nós é que os definimos. Podemos ser um desastre completo como empregados ou patrões, ou pais e mães equivocados, mas isso são apenas funções que desempenhamos e que, certamente, devemos lutar para fazer o nosso melhor. Mas nossa felicidade e realização pessoal não podem depender de um papel. Se assim for, elas serão extremamente frágeis. Pois se nossa realização é sermos pais perfeitos, que faremos se as escolhas dos nossos filhos se mostrarem equivocadas? Se a nossa felicidade é o emprego, que fazer quando somos mandados embora? A nossa felicidade está em sermos nós mesmos, e estarmos satisfeitos com nós mesmos. E, aí sim, poder fazer qualquer coisa sem jogar nela a responsabilidade de nos fazer felizes.
E quando é que temos tempo para sermos nós mesmos? E mais, o que é “sermos nós mesmos”? Sempre que pensamos em nós é em referência a alguma outra coisa. Se você tentar falar alguma coisa sobre si sem o auxílio de algum outro objeto, você não vai conseguir dizer nada. Normalmente nos descrevemos para outras pessoas em termos do que gostamos, do que não gostamos, das nossas expectativas e das nossas experiências passadas.”Eu sou fulana, gosto de música, de sair com as amigas pra me divertir, não gosto de pessoas falsas, tenho 25 anos, já estudei Administração…”. Mas, afinal, quem é essa pessoa que fez isso tudo? Quem é que esse ser que se alegra e se entristece? Quem é esse que envelhece aprendendo (ou não) com os erros?
A meditação que eu vou colocar no próximo post, é uma reflexão sobre esse “Eu”, que não conseguimos alcançar com o intelecto, esse que já é completo em si mesmo, que é a fonte da felicidade que buscamos. É o eu que existe sem exigir nada de si mesmo e que não exige nada de mais ninguém. Ela foi retirada e traduzida livremente de um livro chamado “Talks and Essays” de um dos meus mestres, Swami Dayananda.
Em breve colocarei ela online. Espero que aproveitem!
Om Tat Sat.