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Hormônios pouco feministas

by Ney Mario em 5 de março de 2013 | 11:12

mulher-chocolate-rosquinhaSeriam as mulheres meras escravas da sua condição hormonal? Claro que não. Os hormônios criam tendências e forçam o caminho, mas não são definitivos na ação consciente do cérebro feminino. Os hormônios fazem as mulheres agir com mais emoção e menos agressividade do que os homens, tornando-as também mais instáveis por conta das variações que acompanham o ciclo menstrual.

Nas primeiras duas semanas do ciclo, a predominância do estrogênio, em tese, tornaria as mulheres mais tranquilas, sociáveis e preocupadas com as pessoas com quem convivem. A socialização estimularia a produção de oxitocina e dopamina, substâncias que proporcionam uma sensação de profundo bem estar no cérebro feminino. Embriagadas pela química hormonal, as mulheres intensificariam ainda mais os vínculos sociais, os quais estimulariam a produção de mais oxitocina e dopamina, tornando-as cada vez mais dependentes desse processo durante o  tempo em que se mantiverem hormonalmente ativas.

Então, não é por acaso que as mulheres são como são. Por conta dos seus hormônios gastam grande parte do tempo cuidando da harmonia social e do bem-estar dos outros. Por outro lado, quando suas conexões sociais são postas em risco, os “bons hormônios” seriam anulados pelo cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, causando nas mulheres a sensação de que possam estar sendo rejeitadas. Sob estresse, elas seriam induzidas a buscar novamente os estímulos sensoriais produtores de oxitocina e dopamina, reiniciando o interminável esforço de conciliação social.

Nas últimas duas semanas do ciclo menstrual, há um aumento dos níveis de progesterona que deixaria as mulheres mais irritáveis e solitárias, situação que se agravaria nos últimos dias com a redução dramática de todos os níveis hormonais. Havendo fecundação do óvulo, o cérebro feminino entraria num estado de transe, remetendo todas as demais prioridades para num segundo plano absolutamente distante de tudo que possa ir contra os interesses do novo bebê. Mesmo assim, elas manterão um olho atento ao resto da família, evitando surpresas que poderiam ativar o cortisol e estragar o “barato” da maternidade.

Enquanto isso tudo acontece dentro do corpo feminino, os homens continuarão concentrados na sua rotina solitária, movidos por fluxos regulares de testosterona, pensando quase que exclusivamente em sexo, cerveja e futebol.

Em nome do bem-estar da humanidade, ainda bem que os hormônios femininos não são nada feministas, nem egoístas.

 

www.neyamaral.com.br

 

perfil

Ney Mário Brasil do Amaral é médico, empresário e escritor. É autor do livro CARTAS A UMA MULHER CARENTE.

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