» 2011 » julhoCartas A Uma Mulher Carente

Os verdadeiros valores femininos

“Quem gosta de homem é gay, mulher gosta mesmo é de dinheiro”. Será?

by Ney Mario em 31 de julho de 2011 | 15:27


Não há nada mais inconsistente do ponto de vista filosófico do que a maioria dos ditados populares.  Como exemplo cito um que diz o seguinte: “quem gosta de homem é gay, mulher gosta mesmo é de dinheiro”. Meu Deus, tudo é possível, dinheiro é importante, mas não consigo acreditar que essa seja a prioridade número um na vida das mulheres.

Também não é sexo, para quem já antecipava a possibilidade de forma precipitada. O cérebro feminino tem menos conexões dedicadas ao impulso sexual do que o masculino, dominado por ilações desse tipo durante a maior parte do tempo em que está desperto (sem falar no que possa acontecer quando está adormecido).

Equipamentos de imagem comprovam que uma conversa banal entre um homem e uma mulher é capaz de estimular áreas sexuais do cérebro masculino de forma intensa, sem causar o menor efeito no cérebro feminino.

Obviamente, o cérebro feminino também é extremamente sensível a toda sorte de estímulos, mas com um viés bem diferente do cérebro masculino. Ele responde de forma instintiva a qualquer estímulo que traduza risco para sua família. Essa é a prioridade. O cérebro feminino foi estruturado para assegurar a sobrevivência da espécie a qualquer preço e toda a mulher que tem filhos irá concordar com isso sem muita dificuldade. Os demais estímulos, inclusive os sexuais, que levam os homens a cometer desatinos capazes de aniquilar rapidamente o que construíram ao longo de toda uma vida, devem estar para as mulheres em um segundo plano absolutamente desprezível em relação à segurança e ao bem-estar dos seus filhos.

Pode soar meio ridículo, mas em pleno século XXI as mulheres parecem continuar precisando de bons homens para serem estruturalmente felizes. Por esta razão, insisto em afirmar que o ditado popular acima mencionado é das coisas mais injustas de que já ouvi falar por aí. Não só deprecia a condição feminina, como interpreta de forma equivocada necessidades básicas na vida das mulheres: amor e proteção.

www.cartasaumamulhercarente.com.br

Sonhos eróticos

Sexo também é ternura, uma coisa para ser feita com cuidado e muita delicadeza

by Ney Mario em 13 de julho de 2011 | 21:44

Cento e sessenta e nove dólares por uma calcinha da Victoria‘s Secret? Pelo amor de Deus, cuida um pouco do patrimônio!

Mas concordo contigo, valem a pena. São sensuais, ergonômicas e cheias de protetores que tornam o ato de experimentá-las uma operação absolutamente sem riscos do ponto de vista microbiológico.

Sei que a maioria das mulheres acha isso superimportante porque odeiam falta de higiene. Também concordo. Sexo tem esse problema de higiene, o que faz com que elas se esfolem com esponjas de banho a cada perspectiva de um novo encontro.

Para algumas mulheres, sexo é como ler Flaubert ao som de violinos. Precisa ser lindo e cheiroso, apesar da conhecida interferência dos perfumes na ação dos feromônios, esses cheiros afrodisíacos que os animais liberam quando ficam excitados. Mas quem vai acreditar nisso?

Sexo também é ternura, uma coisa para ser feita com cuidado e muita delicadeza. Muitas exigem banho, barba feita e penteado antes de qualquer aproximação. Talvez exista um pouco de exagero nisso, mas não custa estar bem preparado, porque sexo é assim mesmo.

Quanto à questão estética, sem comentários. Sexo é beleza pura e só combina com aquilo que esteja absolutamente integrado na tendência cirúrgica do dia, ainda que isso possa gerar desarmonia estética no longo prazo. Sexo é hoje e agora.

Sexo também exige aqueles cuidados especiais com a liturgia de encerramento. Depois de terminar, é sempre interessante levar um papo legal, pródigo em palavras doces e românticas. Para fechar com chave de ouro, o clássico cigarrinho viria bem, mas o fumo caiu em desgraça e saiu completamente de moda.

Tomadas pelo cansaço, a maioria das mulheres então rola para baixo das cobertas e cai num sono profundo, muitas vezes povoado de sonhos com aquele vagabundo que vende contrabando na frente do hotel, rústico e repelente, que nunca ouviu falar em Flaubert, que não toma banho, que não é terno nem educado, que causa repulsa e nojo, mas que, na leveza bela de sonho, acalma essa mulher carente com um sexo de rua, pervertido, selvagem, sem protocolos ou simulação.

Sem querer ser irônico, espero que durmas bem essa noite e que tenhas bons sonhos.

www.cartasaumamulhercarente.com.br



perfil

Ney Mário Brasil do Amaral é médico, empresário e escritor. É autor do livro CARTAS A UMA MULHER CARENTE.