Não há nada mais inconsistente do ponto de vista filosófico do que a maioria dos ditados populares. Como exemplo cito um que diz o seguinte: “quem gosta de homem é gay, mulher gosta mesmo é de dinheiro”. Meu Deus, tudo é possível, dinheiro é importante, mas não consigo acreditar que essa seja a prioridade número um na vida das mulheres.
Também não é sexo, para quem já antecipava a possibilidade de forma precipitada. O cérebro feminino tem menos conexões dedicadas ao impulso sexual do que o masculino, dominado por ilações desse tipo durante a maior parte do tempo em que está desperto (sem falar no que possa acontecer quando está adormecido).
Equipamentos de imagem comprovam que uma conversa banal entre um homem e uma mulher é capaz de estimular áreas sexuais do cérebro masculino de forma intensa, sem causar o menor efeito no cérebro feminino.
Obviamente, o cérebro feminino também é extremamente sensível a toda sorte de estímulos, mas com um viés bem diferente do cérebro masculino. Ele responde de forma instintiva a qualquer estímulo que traduza risco para sua família. Essa é a prioridade. O cérebro feminino foi estruturado para assegurar a sobrevivência da espécie a qualquer preço e toda a mulher que tem filhos irá concordar com isso sem muita dificuldade. Os demais estímulos, inclusive os sexuais, que levam os homens a cometer desatinos capazes de aniquilar rapidamente o que construíram ao longo de toda uma vida, devem estar para as mulheres em um segundo plano absolutamente desprezível em relação à segurança e ao bem-estar dos seus filhos.
Pode soar meio ridículo, mas em pleno século XXI as mulheres parecem continuar precisando de bons homens para serem estruturalmente felizes. Por esta razão, insisto em afirmar que o ditado popular acima mencionado é das coisas mais injustas de que já ouvi falar por aí. Não só deprecia a condição feminina, como interpreta de forma equivocada necessidades básicas na vida das mulheres: amor e proteção.
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