Consegui ir à exposição “Casa Canadá” no Sesc Flamengo na semana passada e achei bem interessante.
A loja, famosérrima por 20 anos, abriu suas portas em 1944 e vestia a elite endinheirada do Brasil. Foi uma das primeiras a importar modelos de Paris (Dior era o favorito) e seus desfiles eram verdadeiros shows.
Gostei do clima geral da exposição. O curador Danniel Rangel foi esperto na distribuição dos temas e eu passeei pelas salas como uma garota curiosa diante de uma história bem contada.
Minha sala preferida foi a das musas, que continha depoimentos em vídeo das mannequin du cabine mais famosas da loja. Cada modelo tinha seu próprio pedestal, que continha sua foto, seu nome e um ipad com seu depoimento. O espaço era organizado de maneira circular, que dava ao visitante a ótima impressão de estar sentado com moças numa conversa sobre moda, cultura e sociedade.
Mais um ponto alto da mostra foi a sala que mostrava clippings, muitos da extinta Manchete, que contextualizavam de maneira exemplar a importância da moda naquela época.
Apesar da qualidade dos textos, que eram acessíveis e pontuais, me frustrei com as etiquetas dos objetos. Faltaram informações básicas como data, artista/designer, dono da peça.
Por exemplo, o texto que acompanhava uma (micro) fotinho na sala “Canadá de Luxe” era: “Fotos de modelo criado por Christian Dior. Cerca de 1950.” Quem foi o fotógrafo? Quem era a modelo? Que ano/estação esta roupa foi lançada?
Estas perguntas são básicas mas não são bobas. Afinal de contas, é da pesquisa que vem a força de uma exposição.
Ainda sobre a (micro) fotinho: por que cargas d’água expor uma foto deste tamanho numa caixa de acrílico? Pendurá-la na parede não a tornaria mais visível?
A exposição, entre altos e baixos, foi um sucesso. Na tarde da terça-feira (25/1) que fui, muitos visitantes passeavam pelas salas repletas de imagens marcantes. Como bem disse a ex modelo Geórgia Quental, a loja “não era apenas uma casa de moda, era uma casa de cultura onde toda a intelectualidade do rio” se encontrava.
