Cultura Da Moda

Exposição “Prêmio Rio Moda Hype” no Fashion Rio

by Michelle Kauffmann em 10 de janeiro de 2012 | 10:45

Hoje abre uma exposição no lounge do SEBRAE no Fashion Rio que conta um pouco da história do Prêmio Rio Moda Hype. O Prêmio é um projeto incrível do Instituto Brasileiro de Cultura, Moda e Design que dá visibilidade para os novos talentos da moda brasileira.

Montagem da exposição, ontem no Pier Mauá

Montagem da exposição, ontem no Pier Mauá

Nós selecionamos alguns estilistas e roupas desfiladas por eles de várias edições do Prêmio. Ficou super interessante.

Se vocês forem pro Pier, não deixem de passar lá!

Exposições de moda pelo mundo

by Michelle Kauffmann em 29 de novembro de 2011 | 22:44

Saiu uma matéria hoje no site da Marie Claire com uma lista de exposições de moda que vão acontecer ano que vem. Para os que estão planejando uma viagem pro exterior, fica aí a dica!

Estados Unidos

Giorgio di Sant’ Angelo Fashion and Design

Phoenix Art Museum || Phoenix, Arizona
Até 12/2/2012

Charles James: Genius Deconstructed

Chicago History Museum || Chicago, Illinois
Até 16/4/2012

IMPACT: 50 Years of Fashion from the CFDA

Fashion Institute of Technology Museum || Nova Iorque

Até 18/4/2012

Yves Saint Laurent: The Retrospective

Denver Art Museum || Denver, Colorado
Abrertura: 25/3/2012

Elsa Schiaparelli and Miuccia Prada: On Fashion

Metropolitan Museum of Art || Nova Iorque

10/5 – 19/8/2012

Inglaterra

Catwalk to Cover: A Front Row Seat

Fashion and Textile Museum || Londres, UK
Até 25/2/2012

Christian Louboutin

Design Museum || Londres, UK
28/3 – 17/2012

Ballgowns: British Glamour Since 1950

Victoria & Albert Museum || Londres, UK
19/5 – 6/1/2013

Japão

Irving Penn and Issey Miyake: Visual Dialogue

21_21 Design Sight || Tokyo, Japão
Até 8/4/ 2012

Mais info: 10 Fashion-Focused Museum Exhibitions You Can’t Miss por Hannah Park: http://www.marieclaire.com/world-reports/opinion/fashion-museum-exhibitions?click=blog

O vestido de Salvador Dalí

A moda surrealista de Dalí e Schiaparelli.

by Michelle Kauffmann em 21 de novembro de 2011 | 17:31

Sabiam que o artista multimídia surrealista Salvador Dalí desenhou um vestido? A peça, que hoje compõe o acervo do MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) foi desenhada pelo artista em 1949 a pedido do próprio museu.

O vestido, chamado de “Costume do Ano 2045”, foi confeccionado na casa Dior em São Paulo por um costureiro russo chamado Karinski. Em 1950 ele foi apresentado ao público em um desfile – o mesmo que marcou a primeira coleção de Christian Dior no Brasil. O evento, claro, foi no próprio MASP.

Em 1951, o vestido foi doado ao museu por Paulo Franco, o antigo dono da Casa Vogue e representante da Dior no Brasil.

Olhem que incrível:

O Costume do ano 2045

O Costume do ano 2045

Salvador Dalí cruzou diversas vezes a linha que divide arte e moda e sua colaboração com a estilista Elsa Schiaparelli é bem famosa. Alguns exemplos interessantes do trabalho dos dois:

Telefone Lagosta, 1937. Salvador Dalí.

Telefone Lagosta, 1937. Salvador Dalí.

Vestido Lagosta, 1937. Elsa Schiaparelli.

Vestido Lagosta, 1937. Elsa Schiaparelli.

Schiaparelli disse em sua autobiografia: “desenho de moda pra mim não é uma profissão, e sim uma arte”.


Como negar?


Mais info: www.masp.art.br/masp2010/acervo_detalheobra.php?id=160

Museu Carmen Miranda

by Michelle Kauffmann em 2 de agosto de 2011 | 17:37

Muita gente não sabe, mas nessa nossa cidade Maravilhosa existe um museu dedicado à diva retrô, Carmen Miranda. O espaço fica no Parque do Flamengo, num prédio Modernista assinado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy (o mesmo que assinou o Museu de Arte Moderna do Rio).

O Museu conta a trajetória da cantora e atriz que conquistou o mundo na década de 1940 a partir de fotografias, figurinos, acessórios, e roupas do seu acervo particular.

Carmem Miranda desembarcando em Nova York em 1939

Carmen Miranda desembarcando em Nova York em 1939

Apesar de pequeno, o Museu tem objetos incríveis como o turbante usado no filme “Romance Carioca” de 1950 e a pelerine que Carmen usou quando pisou na “Calçada da Fama” em 1941.

Turbante usado no filme “Romance Carioca” de 1950

Turbante usado no filme “Romance Carioca” de 1950

Pelerine “Calçada da Fama”

Pelerine “Calçada da Fama”, 1941

Quando o link entre a foto e o objeto dá certo

Ótimo exemplo de quando o link entre objeto e fotografia funciona..

O Museu, que tinha tudo pra ser incrível, peca em alguns pontos importantes: a instalação é descuidada e os textos são fracos. Mas o que mais me incomodou foi o numero alto de objetos não originais (copias).

A intenção é boa: contextualizar uma foto com um objeto – nesse caso, expor lado a lado uma foto da Carmen Miranda usando um vestido junto ao próprio vestido. Essa é a ligação que todo curador deseja mostrar – o objeto e o seu contexto, a roupa e a dona da roupa – mas os organizadores têm que tomar cuidado de não criar um mundo ideal que não existe. O visitante que ver a verdade, não uma cópia da verdade.

Cópia do figurino do musical “Streets of Paris” de 1939

Cópia do figurino do musical "Streets of Paris" de 1939

Apesar dos pesares, o Museu é interessante e vale a visita (ainda mais por ser de graça!). Quando tiverem passeando pelo Flamengo, não deixem de ir.
Mais info:

http://www.museusdoestado.rj.gov.br/mcm/museu.htm

Alexander McQueen

A retrospectiva de Alexander McQueen no Metropolitan Museum (NYC) quase bate recorde de público em seu primeiro dia.

by Michelle Kauffmann em 11 de maio de 2011 | 15:21

A exposição do Alexander McQueen que abriu semana passada no Metropolitan Museum em Nova York literalmente arrastou multidões. Mais precisamente, 5,100 pessoas visitaram a mostra somente no primeiro dia..

Um artigo do renomado jornal New York Times (“McQueen quase tão bom quanto Van Gogh”, publicado em 5/5/11) comparou a estréia da exposição do costureiro inglês com a do pintor pós-impressionista, que levou 5,400 pessoas na sua estréia em 2005.

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Depois dizem que moda não é arte…

Consumindo Moda

Quem segue as modas, quer estar na moda.

by Michelle Kauffmann em 6 de abril de 2011 | 12:14

Quem não gosta de ver fotos do tapete vermelho? Poder elogiar e criticar o que os famosos usam, sonhar com tal vestido para uma noite de gala, ou mesmo questionar o gosto alheio?

Até as pessoas que não se interessam por moda, se sentem intituladas à opinião, afinal ela é pessoal. Já os que se preocupam com moda, saber quem usou o que, e entender o porque, é primordial. A moda, afinal, só faz sentido se for contextualizada.

Voltando aos ricos e famosos, que tem acesso à tudo e que não necessitam de nada – eles tem super-poderes. O primeiro, é de escolha. Escolhem porque gostam, porque querem provocar, porque o designer é famoso, ou porque querem que ele se torne. Escolhem porque querem aparecer ou desaparecer em público, porque tem bom ou mal gosto.

E não é só isso. Imagina quantos designers existem no mundo. Desses, quantos sobrevivem? O porque disso é obvio (e muitas vezes triste): quem vende, vence. Não que não existam costureiros e estilistas talentosíssimos que fecharam suas portas (Elsa Schiaparelli, Edward Molyneux, Claire McCardell, Robert Piguet, entre muitos outros). Não estou aqui falando de talento e genialidade estética. Mas no mundo consumista em que vivemos, o consumidor é rei.

E assim voltamos ao red carpet. O que essas moças usam, é sim importante. Quem elas usam vira notícia, elas têm o tal poder de criar desejos. Nelas, vemos com mais clareza como a roupa é um objeto de comunicação. Mas o que elas querem dizer?

Primeiro, que tem bom-gosto. E o bom gosto leva a um tipo de superioridade social, porque bem ou mal, elas estampam revistas de moda, entram nas listas dos mais bem-vestidos. Fora do contexto social, a roupa também fala. Quem segue as modas, quer estar na moda. Quer estar em contato com o novo, mostrar que conhece o zeitgeist (clima da época), que tem conhecimento das novas tendências em um mundo que muda o tempo todo. Essas consumidoras de moda vivem uma vida voltada pra moda, se preocupam em laçar idéias e chegar primeiro, pra depois descartar e olhar de novo para o novo. É um ciclo que nunca termina.

Olhar pra quem consome moda é muito importante, pois a moda só se torna real quando vai pras ruas. Sem a consumidora, não existe moda.

Colecionar moda?

Porque é importante relembrar o passado…

by Michelle Kauffmann em 3 de março de 2011 | 23:47

As pessoas colecionam moda para usar, os museus colecionam para expor. As empresas que desenvolvem e fabricam também colecionam, mas por outros motivos.

Hoje em dia a cultura da memória empresarial está bastante difundida entre grandes empresas. Marcas como Valentino, Gucci, Louis Vuitton e Calvin Klein já possuem verdadeiros museus corporativos e os utilizam como ferramenta estratégica e na construção da identidade da marca.

Campanha de 2010 da Gucci "Forever Now" utiliza uma fotografia do ateliê de bolsas dos anos 1950

Campanha de 2010 da Gucci "Forever Now" utiliza uma fotografia do ateliê de bolsas dos anos 1950

Preservar o passado da empresa é bom para todo mundo. As equipes de estilo e gráfica se inspiram nos clássicos para relançar produtos novos. O marketing usa a história em campanhas publicitárias e para melhorar o posicionamento da marca no mercado. E o consumidor, sempre ele, ganha um produto interessante, com memória.

As empresas estão vendo que em um mercado acelerado e pulverizado como o nosso, com milhões de produtos (anônimos e grifados) sendo lançados a cada estação, o consumidor busca uma marca, uma identidade, um estilo. Não nos satisfazemos mais com o ato de comprar; a gente quer ser seduzido pela marca e busca um relacionamento com os produtos. Veja por exemplo a excitação em torno das roupas/objetos vintage, que demonstram exatamente esse desejo de consumir um produto com memória.

Maiô da Jantzen da década de 1950 e outro de 2010

Maiô da Jantzen da década de 1950 e outro de 2010

No Brasil, a Hering é pioneira na área de moda e seu acervo corporativo já virou um museu público. O Museu Hering, que abriu recentemente, tem o “compromisso de compartilhar e contribuir com informações e principalmente com inspiração para que futuras gerações possam resgatar e reforçar seus laços com uma marca que passou a ser mais do que o nome da empresa, ou sobrenome da família, é hoje sinônimo de vestuário, com conceito, design e valor agregado.

A história só termina se a gente deixar..

Bom carnaval a todos!

Exposição “Casa Canadá”

A loja que era o sonho de Cinderella da elite

by Michelle Kauffmann em 3 de fevereiro de 2011 | 13:27

Consegui ir à exposição “Casa Canadá” no Sesc Flamengo na semana passada e achei bem interessante.

A loja, famosérrima por 20 anos, abriu suas portas em 1944 e vestia a elite endinheirada do Brasil. Foi uma das primeiras a importar modelos de Paris (Dior era o favorito) e seus desfiles eram verdadeiros shows.

Gostei do clima geral da exposição. O curador Danniel Rangel foi esperto na distribuição dos temas e eu passeei pelas salas como uma garota curiosa diante de uma história bem contada.

Minha sala preferida foi a das musas, que continha depoimentos em vídeo das mannequin du cabine mais famosas da loja. Cada modelo tinha seu próprio pedestal, que continha sua foto, seu nome e um ipad com seu depoimento. O espaço era organizado de maneira circular, que dava ao visitante a ótima impressão de estar sentado com moças numa conversa sobre moda, cultura e sociedade.

Mais um ponto alto da mostra foi a sala que mostrava clippings, muitos da extinta Manchete, que contextualizavam de maneira exemplar a importância da moda naquela época.

Apesar da qualidade dos textos, que eram acessíveis e pontuais, me frustrei com as etiquetas dos objetos. Faltaram informações básicas como data, artista/designer, dono da peça.

Por exemplo, o texto que acompanhava uma (micro) fotinho na sala “Canadá de Luxe” era: “Fotos de modelo criado por Christian Dior. Cerca de 1950.” Quem foi o fotógrafo? Quem era a modelo? Que ano/estação esta roupa foi lançada?

Estas perguntas são básicas mas não são bobas. Afinal de contas, é da pesquisa que vem a força de uma exposição.

Ainda sobre a (micro) fotinho: por que cargas d’água expor uma foto deste tamanho numa caixa de acrílico? Pendurá-la na parede não a tornaria mais visível?

A exposição, entre altos e baixos, foi um sucesso. Na tarde da terça-feira (25/1) que fui, muitos visitantes passeavam pelas salas repletas de imagens marcantes. Como bem disse a ex modelo Geórgia Quental, a loja “não era apenas uma casa de moda, era uma casa de cultura onde toda a intelectualidade do rio” se encontrava.

Fashion Business

Alexandre Herchcovitch & Mary Zaide

by Michelle Kauffmann em 12 de janeiro de 2011 | 16:49

O Fashion Business esse ano tá bem legal! O espaço é grande, mas tá super bem dividido. Na entrada, tem várias mini-exposições de objetos criados pelos alunos do SENAC. Uma ilustra o progresso dos alunos na técnica de ilustração, mostrando um desenho feito na primeira e outro na ultima aula. Outra bacana foi a “Memórias para se vestir” da Analu Prestes, que tem roupas feitas de papel.

Entre um estande e outro, tive a oportunidade de ouvir uma palestra do Alexandre Herchcovitch, que me fez pensar muito. Ele contou um pouco da sua história (de sucesso) e dos projetos futuros. Atualmente, a marca assina 500 produtos por temporada, entre licenciamentos e pret-a-porter. Ele confirmou que grande parte do lucro da empresa vem destes produtos (roupa de cama, óculos, jeans, sapatos, etc.), que contribuem com valores muito mais altos que os atingidos com as vendas de roupa. Apesar no numero de produtos, ele garantiu que todas as peças que levam seu nome passam pelo departamento de estilo da empresa.

Herchcovitch falou sobre suas inspirações e sobre a indústria da cópia: “Se a gente copiar um modelo vigente, vai surgir uma coisa parecida com o existente.” Mas não recriminou os que copiam dizendo que “se você quer atingir um publico maior, talvez seja melhor copiar e seguir as tendências propostas pelos bureaus.” Foi super aplaudido.

Depois da palestra fui no desfile da Mary Zaide, que tava cheio de objetos-desejo. As cores eram militares, metalizadas e alguns toques avermelhados. O desfile explorou o hi-low, misturando couro com renda, e brilho com fosco. As moças todas usavam peep-toe.

Na saída do evento, passei no estande da editora SENAC São Paulo e comprei o livro “Sociologia da Moda,” de Frédéric Godart. Depois conto se gostei.

Beijos em todos

Efêmero sim, superficial nunca!

A roupa não fala, grita..

by Michelle Kauffmann em 22 de dezembro de 2010 | 16:07

Cultura de Moda..? Vamos por partes: a Moda, a gente sabe que ama. Ama as novidades, ama usá-las e depois odiá-las, dando espaço para outras novidades, não é mesmo?

A Moda, por definição, tem essa característica de mudar, e não são só mudanças nas maneiras de se vestir. Tem o corpo da moda, a beleza da moda, o jeito da moda. Quando esse corpo/beleza/jeito se tornam ultrapassados, o que nós achávamos lindo, vira um horror pros olhos.

Como isso?

Na arte é a mesma coisa: aquele quadro ou escultura que eram totalmente incríveis no século XIX, hoje em dia parece ultrapassado. E aquela cadeira que costumávamos amar 2 anos atrás? E por aí vai…

Sabemos que a roupa é uma metáfora para o corpo, afinal é ela que tanto cobre nosso corpo nu quanto nos apresenta para o mundo. Por serem ao mesmo tempo tão íntimas e tão públicas, as roupas são ferramentas indispensáveis para a analise do comportamento humano.

Um bom exemplo são os espartilhos. Por séculos (c. 1550 até c. 1915) as mulheres usaram essa peça de vestuário, que, feitos de ossos de baleia e metais, moldavam e apertavam o corpo, proporcionando a curva desejada. O preço por atingir a beleza ideal da época eram as extremas restrições físicas. Alguns acadêmicos enxergam a ligação entre essas restrições físicas e as limitações sociais que eram impostas às mulheres. Curiosamente, na mesma época em que os espartilhos são deixados de lado, tornando a silhueta mais macia, as mulheres passam a lutar mais veementemente por seus direitos, trabalhando fora de casa e adquirindo o direito de votar.

Tem muita gente estudando esse fenômeno que é a Moda: de antropólogos a psicólogos, de economistas a historiadores: estudar a Moda ta na moda. Enquanto uns acreditam que a Moda é somente comércio, outros dão-lhe status de arte. Será que a Moda é um padrão de comportamento social, um modelo de expressão artística ou um culto secular?

perfil

Michelle Kauffmann acredita que a moda é mais que roupa. A moda é um movimento cultural do qual todos nós fazemos parte. Quando nos vestimos, elegemos um objeto que não só cobre o corpo: a roupa comunica pro mundo quem a gente é. Michelle é carioca, recém-chegada de uma temporada de cinco anos em NY, onde trabalhou em galerias de arte e leilões, fez pesquisas em museus, montou exposições e concluiu um mestrado de Historia da Moda.

Erro ao estabelecer uma conexão com o Banco de Dados