Um produtor da Califórnia está fazendo sucesso com os seus Recession Wines: os vinhos "Recessão", recém-lançados, que vendem muito bem por cinco dólares. Seria um bom presente natalino, caso essa brincadeira já estivesse chegado aqui. Afinal, o que comprar para amigos enófilos, nesses tempos de recessão? O dólar já chegou a R$ 2,50, a crise é mundial, os tempos estão mais difíceis. Mas estão mais difíceis para todos, não só para nós, consumidoras. Os restaurantes vão manter seus preços, a maioria deles com margens de lucros altíssimas? As lojas vão continuar insistindo em oferecer rótulos badalados, normalmente muito caros?
Acho que não. Agora mesmo, a rede Ville Du Vin, dos empresários Sidnei Brandão e Olavo Maciel Neto, vai inaugurar mais três lojas de sua rede, com duas unidades na cidade de São Paulo e uma no interior do Estado. Estão tendo sucesso remando contra essa maré de crise. É o que dá certo. Saiba mais aqui.
As vendas de Champagne e de vinhos parados de rótulos badalados estão em queda firme desde setembro. As casas de leilões de vinhos mais famosas não estão conseguindo desovar seus nobres estoques. E todos estão baixando seus preços para conseguirem vender.
Porém, o quadro para vinhos está bem parecido com o do mercado de ações. O mercado está comprador. As lojas começam a promover descontos, colocar nas prateleiras produtos mais em conta. É hora de aproveitar. Leia o belo trabalho de pesquisa feito pela Enoeventos em lojas de vinho, particularmente supermercados do Rio de Janeiro, e saiba onde gastar o seu dinheiro. Veja aqui.
Uma garrafa de vinho será sempre um grande presente, mas não o mais duradouro. Basta que sua garrafa seja consumida para que deixe de ser lembrada. O que fazer? Tente uma taça classuda, daquelas bem grandes, da Riedel ou da Spiegelau, com aquelas com bordas finíssimas, formatos apropriados para as mais importantes varietais, perfeitas para serem giradas sem que o vinho respingue. Consulte a Spicy. O preço de uma Riedel na Expand está por R$ 39,00. Nos EUA, fica por US$ 10,00. Considerando o custo de importação, taxas e margens da loja, é uma barganha.
Livros são sempre ótimos presentes. Só no site da Americanas encontrei 29 títulos, desde a "Bíblia do Vinho", da Karen Macneil, até "Vinhos: uma festa dos sentidos", de Rogério Dardeau de Carvalho. Boas opções para amadores e profissionais.
Nas lojas e sites citados, vamos encontrar ainda toda a tralha ligada aos vinhos: saca-rolhas etc. Não conheço ninguém que não precise de mais um desses instrumentos. Inventam um novo a cada dia.
Outro dia, falei do Vino Chapeau, um pequeno disco de plástico para ser colocado sobre a taça do vinho. Supostamente, ele "concentra os aromas" da bebida e captura os aromas antes que se evaporem. Pensei que fossem parar por esse simpático, mas inútil disquinho. Mas, não. Temos mais duas novidades.
A primeira delas parece realmente um achado: uma bebida criada especialmente para "limpar o paladar". Chama-se SanTásti, criada por dois químicos americanos e destinada a não deixar que outros paladares interfiram quando degustamos nossos vinhos. Feitar para beber entre um vinho e outro. Entre a degustação de um branco e um tinto. Uma excelente idéia!
Dois estudantes de enologia, Andrew Macaluso e Nicole Chamberlain (já formados em química e biologia), começaram a estudar sobre fadiga de paladar e como ela pode influenciar na avaliação de um vinho. Daí chegaram à SanTásti, uma espécie de água mineral (vem em vários sabores) para ser tomada entre degustações. A bebida até já ganhou prêmios. Saiba mais aqui.
Mas as novidades não param de acontecer. Agora, temos até uma varinha de condão para vinhos. É a Wine Wand: uma peça de cristal que colocamos na taça ou na garrafa de vinho permitindo um rápido arejamento da bebida, realçando seus aromas e sabores em poucos minutos (contra uma ou duas horas, sem a utilização do bastão milagroso).
Isso é o que o fabricante, Philip Stein, promete. Acontece que o crítico Tom Wark, do blog Fermentation, experimentou essa enológica varinha de condão e… não é que ele aprovou? Tom Wark, sempre muito sério, mas uma pessoa de mente aberta, testou o bastão um tanto cético: serviu duas taças com um mesmo vinho. Colocou o bastão em apenas uma. Esperou de dois a três minutos, como recomendado pelo fabricante. E provou das duas taças. O vinho na taça que não recebeu o bastão "estava mais fechado" do que a outra, "mais aromática e até mesmo mais saborosa". Mas o crítico ficou perdido: "não sei a que forças místicas (ou naturais) atribuir a isso".
Diz a Phillip Stein, fabricante da varinha, que o vinho numa garrafa "é orgânico, está vivo; na garrafa, acontece um processo que ajuda o suco de uva fermentado transformar-se num néctar. Quando finalmente aberta a garrafa, o vinho é como uma pessoa vindo à tona: tem de respirar e harmonizar-se com o meio ambiente, já que ficara sem ar. Deixar o vinho respirar ajuda-o a livrar-se dos vapores de álcool, dos açúcares, taninos e ácidos que o ajudaram a fermentar. Somente ao respirar é que o vinho se transforma na obra de arte pretendida pelo vinicultor. Mas para isso precisamos esperar umas duas horas. Agora, podemos fazer isso em menos de cinco minutos."
O fabricante explica que o seu produto utiliza tecnologia baseada em "freqüências naturais". "O bastão foi criado para acelerar o processo de aeração do vinho replicando as freqüências naturais do ar e do oxigênio". E, pronto, em dois ou três minutos o seu vinho estará perfeito. É mágica, é misticismo? Será o Benedito?
A varinha mágica do vinho é bem cara: pode custar entre US$ 320 e 470,00, dependendo do tipo de embalagem desejada. Veja o produto no site da Philip Stein e saiba como comprar.
Fico pensando o que eu faria com uma varinha mágica dessas. Utilizaria apenas para encontrar o melhor vinho pelo menor preço? Conquistaria corações, transportaria todos os dólares de Fort Knox para o meu baú?
Incorpore a Maga Patalógica, leitora, deixe sua imaginação correr livre, que quando menos esperar estará diante do melhor presente para os seus amigos enófilos, mesmo nesses tempos mais difíceis.
Da Adega
Ville Du Vin. Sim, a rede de lojas que citamos no início da matéria vai inaugurar a unidade da Chácara Klabin, a primeira das três que serão abertas ainda este mês. No total, a rede é formada pelas seguintes lojas: Chácara Klabin (Rua Prefeito Fábio Prado, 1068, São Paulo, SP); Moema (Rua Gaivotas, 1295. Fone: 11-5561-2677); São José do Rio Preto (XV de Novembro, 4477 – Redentora); Alphaville (Alameda Tocantins, 75 – loja 2. Fone: 11-4208-6061), Vila Nova Conceição (Rua Diogo Jácome, 361. Fone: 11-3045-8137) e Santo André (Avenida Portugal, 749. Fone: 11-4994-9490).
As seis lojas oferecem uma grande variedade de rótulos, além de cursos, consultoria na hora da compra, degustações, serviço de bistrô com cardápio harmonizado, tudo supervisionado pelo sommelier Nelson Luiz Pereira e sua brigada de funcionários especializados.
Vinotage. Infelizmente, perdi o imperdível: o lançamento de uma linha cosmética exclusiva, à base de óleos e sementes de vitis viniferas, uvas utilizadas na elaboração dos vinhos finos. Chama-se Vinotage, que chega ao mercado com sabonetes, hidratantes, emulsões e esfoliantes preparados com ativos de Cabernets, Merlots e Pinots.
A Vinotage Cosméticos é uma sociedade entre uma enóloga, um executivo e a farmacêutica Morgana Pasini Franzoni, diretora e responsável pela empresa. Os extratos são preparados com resíduos da vinificação (em especial as sementes) das vinícolas da região do Vale dos Vinhedos. Os produtos da Vinotage Cosméticos podem ser adquiridos pelo site ou pelo telefone (54) 3462 3158.
