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Folias

Uma encomenda, quatro vinhos e um grande mistério a ser desvendado, ou melhor, degustado.

by soniamelier em 10 de março de 2011 | 17:59

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Aquele susto quando cheguei em casa nesse domingo de carnaval. A caseira me entregou uma embalagem com vinhos que nunca ouvira falar: Ménage à Trois. Um tinto, um rosé e dois brancos: teria vinho novo para brincar o meu carnaval. E quem os mandou estava querendo assunto. No horizonte, a possibilidade de passar o carnaval acompanhada. E o meu mestre-sala estava a fim de sacanagem. Prometedor, não? Para quem chega cansada de viagem e sem tempo para se organizar (ou seria desorganizar?) para o carnaval, abriam-se as perspectivas de folia.

Mas quem foi o autor dessa proeza?

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Pernas abertas e bundas de fora

Nem só de pompa vivem os vinhos, alguns carregam nomes curiosos

by soniamelier em 11 de outubro de 2010 | 22:23

Nos anos 80, Wolf Blass, um australiano produtor de vinhos, criou um espumante tinto e o chamou de René Pogel. Ora, Wolf já era um empresário bem-sucedido, cheio das idéias. E continua assim até hoje: em 2006 lançou vinhos em garrafas de plástico (para reduzir peso, baratear transporte e aquecer menos o globo).

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Não evite o melhor

Combinar vinho e comida não é o fim e nem o principal da história. É apenas uma pequena parte.

by soniamelier em 21 de junho de 2010 | 21:13

Na  coluna passada eu aconselhava “evite o melhor”, o oposto do que afirmo agora. Em pleno Dia dos Namorados, tramei uma degustação pretendendo dar uma lição num candidato a namorado. Para mim, ele se apresentava como o bam bam bam do vinho. Cheia de brios, resolvi dar uma lição. Dei, mas o resultado foi o desaparecimento do futuro namorado. Faltou-me humildade. Eu deveria ter pensado mais em mim e menos nos vinhos. E a verdadeira combinação, no caso, não era vinho & comida. Era coisa muito melhor.

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Vinhos e Namorados: evite o melhor (parte 1)

No passado da Soninha, um pretendente esnobe trava uma batalha de conhecimentos sobre vinho. Quem sairá vencedor?

by soniamelier em 8 de junho de 2010 | 12:52

Ah, eu namorei muito. Talvez para compensar, eu hoje namore quase nada. Mas continuo de olho no Dia dos Namorados. Ele tem de ser festejado, se possível em mais de uma data, todas as semanas, quem sabe? Mas é preciso tomar alguns cuidados. No meu caso, evitar falar sobre vinhos. Sair para jantar no Dia dos Namorados, um vinho à mesa, devidamente escolhido pelo homem que te convidou – seu namorado ou forte candidato. Tudo isso é clichê, eu sei, e muito pouco feminista. Mas é assim que será. + Leia mais

Mamãe eu (não) quero

Entre caveiras, perfumes e queijo de leite materno…

by soniamelier em 16 de março de 2010 | 13:11

Acho que não estamos honrando Darwin e nossos genes não estão evoluindo lá essas coisas. Vejamos:

1. O vinho da caveira. Em 1805, o Tenente Gabriel Moraga foi enviado pelo governador da Califórnia para explora o Grande Vale Central e tirar de lá os nativos e dar nomes a tudo o que encontrasse. Um dia, Gabriel e seus cavaleiros chegaram a um rio, cujas margens estavam coalhadas de crânios. Ninguém conseguiu explicar como aquelas ossadas apareceram por lá. Talvez o que restou de alguma batalha ou de uma peste. Alguma coisa, muito tempo atrás tinha dado errado. Só que, honrando sua missão, Gabriel deu um nome ao rio recém descoberto. E conseguiu ser o mestre do óbvio: “El Rio de Las Calaveras” – “O Rio das Caveiras”.

Corta para os tempos atuais. Não é que um vinicultor, Jeff Stai, dono da Twisted Oak Winery, que funciona ali pertinho do rio, em Vallecito (na Califórnia, claro), resolveu dar a algumas de suas marcas o nome de caveira. Temos o “Calaveras County Viognier”, o “Calaveras County Grenache” etc. No rótulo, um fundo preto com a figura de uma caveira em vermelho.

No mínimo de mau gosto. Mas dizem o que o vinho é até razoável. Não o beberia sozinha.

2. Perfume de vinho. Já pensou em usar perfumes inspirados em cepas? Digamos, aparecer num jantar com aromas de Sauvignon Blanc, Chardonnay, Riesling, Merlot?

Eu jamais me interessaria por essa novidade. Num jantar, por exemplo, quando certamente eu teria um vinho à minha frente, como poderia analisar ou desfrutar de seus aromas, com o nariz deformado por um dos tais perfumes de vinho. Ou por qualquer outro perfume.

O fabricante, Salud, confessa que conseguiu essas suas fragrâncias estudando várias cepas e tirando delas “suas notas individuais, como grama fresca, frutas vermelhas e taninos”. Como? Qual o aroma do tanino? No meu quintal, grama fresca tem um cheiro. Será que é igual em todo lugar?

Reconhece também que “o verdadeiro conhecedor de vinho nunca usaria perfume numa degustação em razão da interferência do bouquet da varietal”. E tenta remendar o soneto: “Acreditamos que (essa interferência) é que faz de nossos perfumes de vinho tão intrigantes, pois nossos blends vão na verdade destacar os atributos de ambos”. Inacreditável.

O pior, porém, é você, cheirando a vinho e dirigindo um carro. De repente, os guardas mandam que pare e, pronto: vai direta para o bafômetro. Ninguém vai acreditar que esteja transpirando um Merlot – ou qualquer das outras possibilidades.

Veja como funciona toda essa idiotice no site do fabricante: Salud Spa Bar.

3. Queijo de peito. A impressão que dá é de que o dono da Klee Brasserie, um bistrô especializado em pratos alemães e austríacos, no bairro de Chelsea, em Manhattan, NY, resolveu meter os peitos pra valer. Não só os dele, o da mulher também.

O chef Daniel Angerer está fazendo um queijo especialíssimo a partir do leite materno. Sim, do leite com o qual sua esposa, Lori, deveria estar alimentando sua filha, Arabella, hoje com dez semanas. Talvez, Lori seja muito produtiva e o queijo é produzido com uma sobra de seu leite.

Daniel divulgou a novidade do queijo humano em seu blog e logo os clientes começaram a pedir para experimentar. O chef preparou canapés feitos com figos, pimenta húngara para que os freqüentadores do restaurante experimentassem.

Diz o chef que a resposta tem sido positiva, na média. Algumas pessoas ficam um tanto melindradas. Muitos criticam o que acham uma combinação de sexo e queijo. Porém, argumenta a esposa: “Os seios estão aqui para produzir alimento”.

“Algumas pessoas aceitam a prova explicando que não foram amamentadas quando criança. E que essa é uma grande oportunidade para saciar essa necessidade”. (Não deram o nome de seus psicólogos).

O Departamento de Saúde norte-americano não proíbe essa prática explicitamente, mas aconselhou ao chef a evitar dividir o leite de sua mulher com o mundo. “O restaurante sabe que queijo feito com leite materno não é para o consumo do público, seja vendido ou ofertado”, disse um representante do departamento.

Você já percebeu que estão roubando o doce da criança. Talvez o casal, lembrando o sucesso da Carmem Miranda, esteja dando a chupeta para o bebê não chorar.

A estupidez humana é infinita, disse Albert Einstein. Temos aqui três exemplos.

Baião de dois

by soniamelier em 26 de novembro de 2009 | 15:56

Esse baião fala da gostosura que é misturar na mesma panela feijão de corda e arroz. E arroz e feijão é uma dupla que sempre deu certo, tal como a dupla que criou esse famoso baião, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
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Glossário em progresso II

by soniamelier em 19 de novembro de 2009 | 17:50

Estou meio perdida com os convites para as festas de fim de ano. Mais uma vez, não estou preparada para elas – pois não consegui perder os quilos desejados – mas vou ter que aparecer em alguns desses encontros. Rever amigas, bater bons papos, comer e beber bem. Depois eu me explico para a balança.

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Minhocas

by soniamelier em 19 de agosto de 2009 | 21:00

A questão do lote. Os rótulos de vinhos da Comunidade Europeia têm uma letrinha que pouca gente dá importância. Desde 1990, vêm com a letra L seguida por um número. É o L de lote. O que vem a ser isso? Lote é uma quantidade de vinho engarrafada quase sob as mesmas condições. O "quase" aqui é o que importa, realmente. Digamos que um determinado vinho resulte em 100 lotes. Um determinado crítico degustou o lote 14. Outro o lote 68. Um terceiro, o de número 97 e por aí vai. Pode ser que o primeiro tenha adorado o vinho, o segundo o colocado de lado como medíocre e o terceiro achado que a bebida poderia ser um pouco mais frutada, mas que tem qualidades.

Um negociante poderia ter experimentado apenas um exemplar do lote 14, gostado e feito uma grande encomenda que certamente englobaria exemplares de todos os outros lotes. Como ele é o especialista, comprou o que considerou que fosse o melhor para os seus clientes – quase sempre uma rede de lojas, de supermercados, um grupo de restaurantes ou mesmo o consumidor final. O resultado seriam possivelmente impressões contraditórias sobre aquele vinho.

A indicação do lote veio principalmente para facilitar o rastreamento do vinho no caso de queixas de consumidores ou mesmo da devolução de um ou mais lotes em razão de defeitos localizados pelo produtor (o que é comum em outras indústrias, como na automobilística).

O lote vai ajudar o vinicultor a estabelecer condições homogêneas de cultivo e de produção. Seus vinhedos ocupam uma determinada área de terra, onde as condições de insolação, vento, microclima e irrigação nem sempre são as mesmas em todas as seções da plantação. Surgem diferenças até mesmo de garrafa para garrafa.

Se essa prática pegar no Novo Mundo, em particular, poderá ter um efeito bastante educativo para os produtores que não cultivam, mas compram uvas de agricultores espalhados em diversas regiões. O caso dele é fazer vinho com, por exemplo, a Cabernet Sauvignon – que compram do agricultor A, do B e do C. É quase certo que o vinho que produzirá vai refletir as diferentes qualidades de uvas cultivadas em lugares e condições diferentes.

A indicação também lembrará ao crítico ou aos consumidores que eles podem tentar garrafas de outros lotes e não se limitar a uma prova. O vinho varia de garrafa para garrafa. O número de lote dá mais transparência ao produto e direitos aos consumidores.

Essa indicação de lote é obrigatória para todas as embalagens de alimentos (não apenas para os rótulos de vinhos) produzidos na União Europeia. Veja o decreto da EU aqui.

Vinhos Laranja. Ao lado do vinho tinto, do vinho branco, do rosado, temos o vinho laranja. Sabemos que o tinto ganha sua cor pelo longo tempo de contato das cascas da uva com o seu suco. Quando esse contato é pequeno, de algumas horas ou um dia, temos o vinho rosado.

No vinho branco, o comum é permitir umas poucas horas de contato das cascas com a uva. A maioria dos produtores tenta evitar que os pigmentos e os taninos contidos nas cascas emprestem adstringência à bebida.

Muita gente pensa que todo vinho branco é feito apenas dessa maneira. Mas existe uma categoria de brancos em que as cascas ficam macerando por dias, semanas, até meses – o que vai emprestar ao vinho cores que vão do rosa ao alaranjado. São vinhos com texturas bem cativantes.

Os vinhos laranja são feitos em várias regiões e com cepas diversas. Aparentemente o seu principal centro de produção está no nordeste da Itália (Friuli e Veneza Giulia). Podem ser encontrados também outras partes da Itália (na Sicília), Eslovênia, Croácia, França e até da Califórnia.

O crítico do New York Times, Eric Asimov (de quem tomei essas notas), experimentou alguns e considerou que "ofereceram uma das mais irresistíveis e fascinantes experiências a serem encontradas numa taça". Segundo Asimov, o nome "vinho laranja" foi criado pelo sommelier Levi Dalton, do restaurante Convivio, de NY, onde o crítico os degustou recentemente.

Seu dinheiro de volta. É o que promete a publicidade do vinho Blackstone, da Constellation Brands nos Estados Unidos (o grupo é o maior produtor de vinhos por volume no mundo).

A campanha enfatiza confiança, segurança. "Estamos tão certos de que você gostará do sabor de Blackstone que, caso contrário, devolveremos seu dinheiro", afirma o anúncio. É um argumento importante, pois promete um vinho fino com preço camarada. Custa 9,99 dólares no varejo.

A ênfase não reside apenas na qualidade do vinho. A comunicação é bastante oportuna, pois busca dar mais confiança aos consumidores nesses tempos de crise econômica. Eles não estarão jogando seus dólares fora, pois a promessa de qualidade é amparada por essa inusitada garantia.

A Vinícola Blackstone, fundada em 1990, uma das muitas do grupo Constellation, aposta na "marca registrada" do seu vinho: "uma bomba de sabor", "rico em frutos".

Para ter o seu dinheiro de volta, os consumidores que não gostarem do vinho precisam baixar no site da vinícola um formulário em PDF, preenchê-lo e enviá-lo por e-mail para a empresa. Devem também incluir o recibo original de compra, além de nome, endereço e o telefone da loja. O reembolso será pago entre 6 e 9 semanas. Parece simples.

A promoção, que expira em 31 de agosto, é sem dúvida corajosa. Quem se arriscaria a submeter seu produto a esse tipo de prova?

Minhocas. O Blackstone é sem dúvida um produto da crise. O consumidor, nos Estados Unidos e na Europa parou com os importados. Só compra produtos locais, na faixa dos 5 a 10 dólares. As lojas andam vazias, os vendedores se desesperam. Li que alguns sommeliers estão temendo perder seus empregos. Na mesma situação devem estar os sommeliers de águas minerais, de saquê e os de cafés especiais (baristas).

Descobri um site que só trata dos piores empregos do mundo. É o worst-jobs.com

Pior que degustar vinhos, saquê e café? Na Inglaterra temos a categoria das degustadoras de minhoca. Existe um bom número de criadores de minhoca no país. Vendem principalmente para lojas de pesca, que por sua vez vendem as bichanas para seus clientes pescadores. São várias as espécies de minhoca. Umas mais, outras menos atraentes (para os peixes).

É aí que entram as degustadoras especializadas. Passam o dia cheirando, apalpando e, claro, comendo minhocas cruas, num esforço de descobrir quais espécies atrairão mais os peixes. O salário é muito baixo. Em compensação, a provadora pode levar quantas minhocas quiser para casa. Fazer tortas que todos pensem que estão comendo picadinho de carne.

Toda vez que encontrar um sommelier reclamando da vida, vou pedir que ele dê uma olhada no worst jobs.

Da Adega

Amigas do Vinho. A Confraria está de parabéns pelo seu sexto aniversário, celebrado no dia 1º de agosto, no Hotel Porto Bay, no Rio.

A Confraria Amigas do Vinho é filiada à prestigiosa International Women in Wine Association e também à FEBAVE (Federação Brasileira de Confrarias e Associações Femininas do Vinho). É provavelmente a maior confraria feminina nacional, pois chega a somar hoje mais de 5.000 associadas no Brasil, com adesões internacionais (como Portugal, Espanha, França, Argentina e dos EUA). Parabéns! Veja mais no site da Confraria.

Por que não…

by soniamelier em 3 de junho de 2009 | 21:00

….divertir-se com suas taças de vinhos? Veja como é provar um vinho branco na taça dedicada ao tinto. Ou o vinho tinto na taça do branco. Ou o branco e tinto na tulipa de espumante. Se amamos os vinhos, somos levadas por suas cores, aromas e sabor. Nem sempre, porém, consideramos as taças um instrumento importante para transmitir o que os vinhos têm para nos contar sobre suas cores, aromas e sabores. Sabe-se que o formato delas influencia em muito seus aromas e sabores. Afirma-se que um mesmo vinho oferecido em taças diferentes vai apresentar-se com características diversas. Teste os seus sentidos e veja se faz realmente diferença ter uma taça apropriada para cada estilo de vinho.

Aproveito para falar sobre a ordem de taças de vinho e de água num jantar formal, motivo de várias perguntas.

Vamos começar com as taças ou copos de água: devem ficar à sua direita, logo acima da faca (o prato como centro, os garfos estão à esquerda e as facas à direita). As taças de vinho devem ser colocadas na ordem em que serão utilizadas, da esquerda para a direita. Então teremos: copo d'água, taça de vinho branco, taça de vinho tinto.

‘Quanto mais você experimenta, varia e diversifica, mais você fica sabendo sobre os vinhos e mais prazeres poderá tirar deles

Mas muita gente faz justamente o contrário: começam pela extrema direita, com o copo d'água e, na direção da faca, as taças de vinho branco e do tinto. Só precisamos prestar atenção para que os copos dos vizinhos de mesa não se confundam.

… experimentar uma varietal desconhecida? Que tal conhecer vinhos feitos com uvas completamente desconhecidas para você, que a essa altura deve estar farta da Cabernet Sauvignon, da Merlot, da Chardonnay etc? Por exemplo, prove o Casa Perini Ancellotta, uma uva tinta muito utilizada na região da Emilia-Romagna, Itália. Aparece como segunda uva do Lambrusco, um vinho popular na mesma região (feito tento a uva Lambrusco como a principal). Em boa hora a Perini trouxe e aclimatou a uva no sul e produziu um ótimo vinho. Pode também conhecer a Tempranillo feita pela Miolo (Fortaleza do Seival Tempranillo). A grande uva tinta espanhola sendo experimentada, como sucesso por uma respeitada vinícola nacional.

Quem sabe, um Alicante Bouschet, tal como produzido pela Pizzato Vinhas & Vinhos? É uma casta originária da França, embora mais cultivada em Portugal. Resulta de uma cruza da Grenache com a Petit Bouschet. Saiba mais sobre o Pizzato-Alicante Bouschet Reserva 2004 no site da vinícola.

A Pizzato também oferece outro vinho feito com uma casta "exótica", a Egiodola, originária do Languedoc e do sudeste francês e muito utilizada em blends. Aqui, conseguiu-se um tinto bem estruturado, de cor escura e com muita fruta. Egiodola em basco significa "sangue puro".

E a Humagne blanche, a Petite Arvine, a Heidar? Nunca ouviu falar? Pois dê uma olhada no "Da Agenda", ao final desta coluna, e aproveite.

… "desarmonizar" o seu jantar? Ou seja, em vez de harmonizar vinho branco com peixe, experimenta fazê-lo com um vinho tinto. Veja o que acontece e tome nota. Não fique presa a regras, a maioria delas ultrapassada em se tratando de harmonizar vinhos e comida.

… tentar um vinho que você não gosta? Digamos que no passado você tenha experimentado um vinho alemão e não gostou. O mesmo com outro da África do Sul. Além disso, acha que a Hungria não está com nada. Que tal tomar coragem e experimentá-los. Veja algumas ofertas de vinhos alemães, sul-africanos e húngaros. Quanto mais você experimenta, varia e diversifica, mais você fica sabendo sobre os vinhos e mais prazeres poderá tirar deles.

… escolher o vinho mais barato do restaurante? Será que você é daquelas que escolhe pelo preço? Os restaurantes sabem que a maioria dos fregueses não vai pedir o vinho mais barato para não parecer muito miserável ou ignorante. Daí que o segundo vinho mais caro costuma ser lastimável. Tente o mais barato: muitas vezes será surpreendida pela bela escolha que fez.

Há pouco tempo, cientistas da Califórnia fizeram um estudo onde se comprovou a relação entre os vinhos e seus preços. Os pesquisadores selecionaram um grupo de 20 pessoas para experimentar cinco diferentes vinhos (Cabernet Sauvignon).

Colocaram as pessoas em máquinas de ressonância magnética e fizeram com que cada uma experimentasse os vinhos enquanto ainda na máquina. Para cada pesquisado foi informado o preço dos vinhos que estavam experimentando. Solicitavam a cada um deles que se concentrassem apenas no sabor e se pronunciassem a respeito.

‘Ao pedir a marca mais barata, você está colocando a lista do restaurante de cabeça para baixo e ensinando a você mesma que preço não é tudo

Porém, os pesquisadores fizeram um truque: na verdade, apenas três vinhos estavam sendo oferecidos, com dois deles aparecendo com preços diferentes. Havia o vinho de 5 dólares (o vinho 1, com o seu preço verdadeiro); o vinho de 10 dólares (o vinho 2, cujo preço real era de 90 dólares); o vinho de 35 dólares (vinho 3); o vinho de 45 dólares (vinho 1, com seu preço falsificado) e o vinho de 90 dólares (vinho 2, com seu preço verdadeiro).

Não houve surpresa que os participantes preferiram os vinhos 1 e 2, assim que eram informado dos seus preços reais, como comprovou o equipamento de ressonância magnética, com uma agitação extra nas partes do cérebro onde se registra a experiência do prazer.

O preço, portanto, pode alterar a natureza de sua percepção, leitora. Ao pedir a marca mais barata, você está colocando a lista do restaurante de cabeça para baixo e ensinando a você mesma que preço não é tudo, que você quer se relacionar com o vinho de maneira diferente.

O mesmo podemos afirmar sobre a influência da origem ("os vinhos importados são os melhores"), dos rótulos (é um Château, tem um "Dom" ou um "Reserva" no texto). Tente abstrair-se desses conceitos (que facilmente se tornam preconceitos): com os vinhos, o melhor aprendizado é experimentá-los todos. Da Adega

Mais sobre como retirar rótulos. Olha o que diz a Celiacm. "Sei como retirar rótulos de qualquer recipiente: não passe na água, simplesmente, espalhe azeite de cozinha sobre o rótulo e deixe por 24 horas. No dia seguinte, ele estará completamente solto".

Vinhos suíços. A Vitis Vinifera realizará dia 17 de junho, quarta-feira, às 20 horas, uma degustação de vinhos suíços, originários do Valais, talvez a mais importante região produtora do país. A apresentação será feita pelo diretor da cooperativa Provins Valais, Sebastien Ludy. O evento, que inclui jantar, será no Giuseppe Grill Leblon (Av. Bartolomeu Mitre, 370, Leblon, Rio). Mais informações pelos telefones: 21_2235-7670/2235-3968. Ou pelo e-mail.

Licor Advocaat. A Tania quer comprar o licor Advocaat, da Bols. Mas já pesquisou, inclusive pela internet e não encontrou. Pede ajuda. Tania, também procurei, mas só na internet. E não achei. No site da Bols, temos dezenas de licores, mas nenhum Advocaat. Mas não me incomodei muito com isso. O Advocaat é apenas um licor de ovo.

Na origem, é um licor holandês, mas com um pé no Brasil. Diz uma lenda que, lá pelos idos do século XVI, os índios da Amazônia faziam um licor de abacate que caiu no gosto dos marinheiros holandeses. Como? Índios fazendo licor de abacate? Outros mitógrafos substituem os índios brasileiros por nativos das Índias Ocidentais. O caso é que, de volta para o seu terrão natal, os holandeses não encontraram abacate. E pularam nas tamancas. Contudo, acharam de substituir o abacate por gemas de ovos. O nome lembra abacate, embora advocaat seja advogado, pois quem bebe esse licor, garantem os holandeses, não pára de falar. E eloqüentemente. Veja uma receita, que peguei no site da Ana Maria Braga.

Agora, Tania: só mesmo um advogado para explicar como os holandeses acharam de substituir abacate por gema de ovo.

Espumante da Valduga comparado aos champagnes. O Casa Valduga Gran Reserva Extra Brut 2002 foi o vencedor na categoria "Espumantes Nacionais" do concorrido Top Ten Expovinis Brasil 2009, concurso que elege os dez melhores vinhos em exposição no evento.

De acordo com o "Master of Wine" Dirceu Vianna Júnior (o único brasileiro a conquistar até agora esta importante graduação do mundo dos vinhos), o Gran Reserva Extra Brut mereceu esta premiação por apresentar a qualidade e supremacia dos grandes espumantes da região de Champagne. Dirceu fez parte do júri que acabou por eleger o Espumante da Valduga.



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