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	<title>SoniaMelier</title>
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	<description>Espaço para as mulheres que apreciam um bom vinho - e para as que querem entender melhor sobre esse universo</description>
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		<title>Entre secos e molhados</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 19:03:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Entenda, de vez, a diferença entre os vinhos secos e doces]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Vinho seco? Como um líquido pode ser seco? Essa dúvida esteve na cabeça de meu sobrinho, o Fábio, por muitos anos. Agora, depois de um ano trabalhando no Canadá, ele conseguiu tirar essa história a limpo.</p>
<p>O ceticismo a respeito da “secura” ainda campeia na cabeça de muita gente. Acontece que seco, neste caso, diz respeito ao sabor: tecnicamente é o oposto de doçura. Em vinhos completamente secos, o levedo conseguiu converter em álcool todo o açúcar natural contido nas uvas, durante a fermentação. Quando a fermentação é interrompida (natural ou forçadamente), o açúcar que resta (chamado de “açúcar residual”) alivia a sensação de secura do vinho, deixando-o mais agradável.</p>
<p>Por sua vez, vinho doce é aquele nem todo o açúcar foi convertido em álcool. E a expressão “seco” gera confusão a percepção de doçura varia muito de pessoa para pessoa. Meu sobrinho acaba de visitar com sua mulher, a Renata, uma das regiões vinícolas mais importantes do Canadá, em Niágara, Ontário. O casal experimentou alguns vinhos. Será que o Fábio, que não muito de beber, conseguiu tirar sua dúvida?</p>
<p>Primeiro, os “secos” (e depois os “molhados”). Pelo que li, a maioria das pessoas começa a perceber o doce nos vinhos a partir de concentrações de 0,5% de açúcar. Alguns vinhos são fermentados quase que totalmente secos, mas podem dar a impressão de doçura, sensação que tem origem não necessariamente no tal “açúcar residual”, mas no sabor de uvas maduras, eventualmente das notas de baunilha dos barris de carvalho ou ainda por fatores como acidez, taninos, álcool e glicerol (também subproduto da fermentação, contribui com um pouco de corpo e doçura para o vinho).</p>
<p>O açúcar que restou no vinho é medido em gramas de açúcar por litro de vinho, normalmente abreviado como g/l ou g/L. É muito raro encontramos vinhos com menos de 1g/L, pois certos tipos de açúcar não conseguem fermentar, como a pentose (tem esse nome por conter cinco átomos de carbono em seu núcleo).</p>
<p>Segundo a regras da União Europeia, os vinhos secos são aqueles com até 4 g/L (mas se bem equilibrados com acidez, até 9g/L), os meio-secos, até 12g/L (ou até 18 g/L se bem balanceados com a acidez), os meio-doces até 45g/L e os doces com mais de 45g/L.</p>
<p>Os espumantes apresentam especificações diferentes: um brut nature (quando não há adição de açúcar), de 0 a 3 g/L; extra brut, de 0 a 6 g/L; brut, de 0 a 12g/L; extra sec (extra seco), de 12 a 17 g/L; sec (seco), 17 a 32 g/L; demi-sec (semi-seco), 32 a 50 g/L; doux (doce), mais de 50g/L.</p>
<p>Qualquer vinho com mais de 45g/L, portanto, pode ser considerado doce. O famoso Château d’Y, mencionado aqui na última, tem entre 100 e 150g/L. O Tokaji Eszencia vem com 450g/L. São divinamente doces, em nada enjoativos, pois suas uvas conseguem equilibrar deliciosos: feitos com uvas que conseguem reter a sua acidez. Os Château d’Y quem são feitos a partir de uvas afetadas pela Botrytis cinerea, um fungo que consome toda a água da uva, deixando apenas açúcar e ácido, fato conhecido como Podridão Nobre. Os Sauternes, os Tokaji Eszencia e os doces de Vouvray são, entre outros, feitos a partir desse fungo. Sua fermentação é muito lenta e a quantidade de açúcar é tão alta o processo é interrompido naturalmente deixando grande quantidade de açúcar residual.</p>
<p>Os vinhos fortificados, como os Porto e Xerez, têm também a fermentação interrompida – só que através da adição de um destilado de vinho (um brandy, uma bagaceira). É bom que se diga que os dois principais açúcares envolvidos na criação do vinho são a frutose e a glucose. Como, em geral, as uvas para esse tipo de vinho são colhidas muito tarde (daí o nome de “late harvest”, colheita tardia, para esses vinhos), a quantidade de frutose é muito alta, pois a glucose é convertida em primeiro lugar. E a frutose pode ser duas vezes mais doce do que a glucose.</p>
<p>E, finalmente, chegamos ao vinho que encantou meus sobrinhos no Canadá: o icewine, (vin de glace, eiswein em alemão ou “vinho de gelo”) – o que faltava falarmos aqui. Ele é feito do suco de uvas congelado. O fruto é colhido lá pela época natalina, quando as temperaturas ficam na marca dos -8º C. Para garantirisso, as são colhidas à noite, num demorado e penoso processo. Estão tão duras quanto bolas de gude. Vão imediatamente para a prensa para a retirada do suco. Nesse processo, a água contida em cada uva permanece congelada na forma de cristais, restando apenas um pouco de concentrado de ácidos e açúcares da uva, o que resultará num vinho excepcionalmente doce e muito acre. Ele vai fermentar vagarosamente nos próximos meses e eventualmente se transformará no “vinho de gelo”, somando no final apenas 10-15% do total de vinhos de mesa produzidos no país.</p>
<p>O eiswein começou a ser feito sistematicamente na Alemanha a partir dos anos 60. E ao final de 1980 no Canadá, quando uns poucos vinhateiros perceberam que o icewine poderia transformar-se num trunfo para a indústria vinícola do país.</p>
<p>Fábio e Renata visitaram num fim de semana recente a área ao redor da cidade de Niagara-on-the Lake, à beira do rio Niágara, do lago Ontário e bem pertinho da mais famosa cachoeira da América do Norte. A região é linda e abriga 26 vinícolas, das quais meus sobrinhos destacaram duas: o Château des Charmes, da família Bosc, de raízes alsacianas, em Ontário, situada mais próxima das quedas. E a Vinícola Reif, mais ao norte, à beira do rio, ao lado da mais famosa (pelo menos para mim, que conheço o vinho), a , a principal produtora de icewine do país ou pelo menos uma das pioneiras. Mas essa, pelo que entendi, não foi visitada. O que sei é: do casal, o Fábio é o mais arredio às bebidas alcoólicas. O que não acontece com a Renata. Essa chegou muito “feliz” em casa, em particular depois de degustar e degustar e degustar vinhos doces nessas vinícolas. Eles provaram um Riesling Icewine Paul Bosc Estate Vineyard 2007 e outro, do mesmo ano, feito com a uva Vidal (essa e a Riesling são as mais utilizadas no país, pelas cascas mais resistentes às baixas temperaturas). Na Reif, devem ter degustado um icewine feito com a Cabernet Franc, o que dar uma cor rosada ao vinho (coqueluche entre os chineses): o Cab Franc Icewine 2008.</p>
<p>O Fábio comentou da “Renata alegrinha”, “nunca vi a Renata assim”, “pra lá de alegre”, muitas vezes. E repetiu o que todos reclamamos: “pena que esses vinhos são muito caros”. Ele ficou só na base da degustação nos wine bars das vinícolas. Não trouxe vinho para a casa.</p>
<p>Do Canadá só conheço o Inniskilin e o filme “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0046126/" target="_self">Torrente de Paixão</a>”, com a Marilyn Monroe corneando o marido na cidade de Niágara, lado americano. O filme é de 1953, vi tarde da noite numa dessas sessões da TCM. A história é um suspense com direito ao clichê do “bandido” morrendo cachoeira abaixo (depois de matar a traidora). Ninguém ali experimentou vinhos doces. Acho que agora o Fábio aprendeu mais sobre os vinhos secos, mas a partir do outro lado da moeda: os molhados.</p>
<p>Da Adega</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Povo educado sabe beber</strong></em></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. Vale a pena dar uma lida no post do Mauricio Tagliari de mesmo título. É sobre certas leis no Brasil, como a Lei Seca, tortas pelo seu falso conteúdo moralista, com uma aparência de apreço pela vida das pessoas, cega com a campanha do tolerância zero. Se o bafômetro for tão intolerante como a lei, você pode beber um copo d’água que ele vai constatar álcool em seu corpo. </em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>O corpo humano produz naturalmente o seu próprio suprimento de álcool, de modo contínuo, 24 horas por dia, sete dias por semana. Os níveis normais dessa produção ficam entre 0,01 e 0,03 mg de álcool na corrente sanguínea. Como diz o Maurício: lei seca sem um programa de educação </em></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>torna-se pouco mais que um tormento para os bebedores educados. </em></span></span><span style="color: #0044aa"><span style="text-decoration: none"><span style="font-size: small"><span><a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5305420-EI13996,00-Povo+educado+sabe+beber.html"><span style="font-family: Georgia,serif"><span style="font-size: x-small"><em>Leia o post</em></span></span></a></span></span></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>.</em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><br />
</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Meu pai, esse cometa</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 21:01:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Pai, não põe limão na salada!” Lá estava eu, nos meus seis anos, reclamando como sempre. Não aguentava essa história de temperos – dos quais, por seu lado, o pai não abria mão. E olha que eram só umas gotinhas de limão, substituindo o detestável vinagre. Eu tolerava os verdes apenas com um pouco de [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-1242" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/08/vinho2-300x197.jpg" alt="vinho2" width="300" height="197" /></p>
<p>“Pai, não põe limão na salada!” Lá estava eu, nos meus seis anos, reclamando como sempre. Não aguentava essa história de temperos – dos quais, por seu lado, o pai não abria mão. E olha que eram só umas gotinhas de limão, substituindo o detestável vinagre. Eu tolerava os verdes apenas com um pouco de azeite e sal.</p>
<p>Daqui a pouco vinha o prato principal: uma carne salteada com legumes, obra de minha mãe, que incluía, além das tiras de alcatra, gengibre fresco ralado, alho picado e pimentão vermelho em fatias (fora os aspargos, a acelga, as rodelas de cebola). Minha mãe ainda colocava vinagre branco. E meu pai entrava com vinho Madeira. Na mesa quase que obrigatoriamente uma garrafa de vinho, ora tinto, ora branco, que tomava com minha mãe, só os dois, demonstrando grande prazer. Observava com um misto de curiosidade e um respeito tangenciando o temor ante aquele líquido lindo, pois na taça poderia estar o equivalente ao gengibre, alho, cebola, pimentão e alho. Argh!</p>
<p>Mas eu tremia e cuspia essa temperada toda. Separava tudo, e ficava apenas com a carne, assim mesmo a contragosto, pois o tempero estava todo lá. Minha vontade era sair correndo. Sair da mesa, porém, era falta grave. Limão, cebola, gengibre, pimentão, alho eram sabores violentos para mim. Meus pais ficavam desorientados, sem graça. Mas insistiam.</p>
<p>Bem menina já distinguia todos esses temperos. Para mim, só faltava conhecer os vinhos. E isso só aconteceu bem mais tarde. Crescemos e nosso paladar cresce junto, mas sua capacidade de discriminar estímulos atinge a maturidade bem antes de nos reconhecermos adultas. Acho que nossa percepção de sabores chega ao máximo já pelos 15 anos.</p>
<p>Hoje, repito a receita de minha mãe (agora usando uma wok) e acho tudo muito sutil. Sim, a verdade é que a partir dos 20 anos, começamos a ir ladeira abaixo, pelo menos em termos de paladar. A turma que degusta vinho profissionalmente e está na quadra dos 50 anos evita esse assunto, insistem em desconhecer essa ladeira natural.</p>
<p>Reconhecer os sabores como o fazia com 15 anos, nunca mais. Contudo, os adultos possuem um trunfo na manga, uma vantagem que a turma mais jovem ainda não maneja devidamente. Podemos estocar em nossa memória praticamente tudo o que percebemos. Já pensou o que está lá registrado quando entramos nos cinquenta? O que não pode é um cinquentão desdenhar do paladar da garotada, capaz de descobrir detalhes surpreendentes.</p>
<p>Meu pai, um aficionado dos vinhos, não parava de falar sobre eles. Alertava para as sutilezas de suas cores. Aquela história dos matizes de brancos e tintos quando são jovens e quando ficam mais maduros. Aquilo me encantava e excitava. Queria experimentar, o que era tão proibido quanto sair da mesa antes da hora. Havia exceções, datas especiais quando beber o vinho era quase que obrigatório. Nesses casos, só um pouquinho, misturado com água e açúcar.</p>
<p>É fácil medir as alterações em nosso paladar à medida que o tempo passa. Já mocinha, conhecia cerveja, nossa levíssima. Mas aí topei com a Guiness, numa das muitas mudanças da família. A secular cerveja preta irlandesa, amarga que só ela, um verdadeiro desafio para novatas. Hoje, desce fácil, prazerosamente.</p>
<p>Naqueles tempos, meu pai apenas comentava sobre os vinhos: as cores, como eram feitos e em particular, suas origens, onde se demorava mais, contando histórias sobre regiões que mal ouvira falar. Por exemplo, foi ele quem me falou do <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/File:Chianti_Classico.jpg">galo preto</a></span></span>, símbolo dos Chianti, que ele ainda tomava nos <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://it.wikipedia.org/wiki/Fiasco">fiaschi</a></span></span>, aquelas garrafas barrigudas semicobertas com palha (hoje, só aparecem penduradas nos tetos de pizzarias ou em sets de filmes e novelas).</p>
<p>Ele contava da hostilidade entre Florença e Siena, da guerra dos <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Guelfos_e_Gibelinos">Guelfos contra os Gibelinos</a></span></span>. Contava sobre aquelas duas repúblicas da Toscana na Itália do século XII e mostrava ilustrações com castelos, cidades muradas. Ficava maravilhada. Mas e o galo preto?</p>
<p>Florença queria fixar sua fronteira com Siena, mas seu objetivo era ficar com toda a região de Chianti. Siena não concordou e pediu que o assunto tivesse um árbitro neutro. O que foi feito, mas de modo curioso. Ficou acertado que um cavaleiro de Florença e outro de Siena cavalgassem de suas cidades assim que um galo em cada cidade cantasse. Onde se encontrassem seria fixada fronteira.</p>
<p>O povo de Siena selecionou um galo branco, bem roliço, pra lá de nutrido, um orgulho localmente. Já os florentinos escolherem um galo preto, que deram muito pouco o que comer – tão pouco que no dia da corrida, o galo desesperado de fome cantou muito cedo. Claro que o cavaleiro florentino chegou mais cedo, encontrou o oponente há poucos quilômetros de Siena. Não sei se tudo isso é lenda. Era meu pai quem contava, então era e continua sendo verdade. O fato é que toda a região do Chianti passou à jurisdição de Florença e o Galo Preto transformou-se em símbolo de Chianti.</p>
<p>O tempo foi passando e já madurinha brindava com meu pai os Madiran (terra do <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Savinien_de_Cyrano_de_Bergerac">Cyrano de Bergerac</a></span></span>, aquele narigudo, poeta e espadachim – eis como o velho me apresentava os vinhos), os da Borgonha (que Napoleão adorava), os Riesling, os argentinos antes dos chilenos, muitos vinhos do sul e, particularmente, os portugueses, inclusive os fortificados. Só bebia em casa. Na rua, nadinha.</p>
<p>Quando tive minha loja de vinhos na Serra, foi o velho quem mais me ajudou a formar a adega (e quem mais me levava garrafas “para experimentar”). Agora mesmo, quando o ex sommelier Christian Vanneque comprou uma garrafa do Château d’Yquem por US$ 117.000,00, safra de 1811, meu pai como que apareceu novamente diante de mim. Ah, como ele me falava sobre as safras. Por causa dele, sei que a safra de 1811 é uma das “<span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Comet_vintages">safras do cometa</a></span></span>”, nome aos anos em que ocorreu a passagem de algum cometa. Os produtores costumavam (e acho que ainda costumam) atribuir à passagem de um cometa antes da colheita às ótimas condições do clima e ao sucesso da safra e do vinho dela resultante. E, de fato, algumas das safras mais badaladas nos últimos duzentos anos foram as de 1811, 1826, 1845, 1852. 1861, 1985 e 1989 – em todas elas, apareceu um cometa.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">(Vanneque, que foi sommelier chefe do famoso Tour d’Argent, de Paris, declara que pagou 117 mil dólares justamente para beber o reputado vinho doce de Sauternes. Vanneque tem certeza de que vai adorar. Eu, por meu lado, invejo o salário dos sommeliers franceses).</p>
<p>Quando minha aventura na loja de vinhos terminou, o velho não hesitou em elogiar minha coragem em enfrentar as agruras do comércio. E recomendou que não vendesse os vinhos que sobrassem: iríamos bebê-los todos, juntos. O que foi feito. Ele dizia que não podemos descobrir novos oceanos sem perder de vista a praia. E que eu sabia o endereço da praia. Era um cometa, esse meu pai!</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Da Adega</strong></em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>A Speranza vive</strong></em></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. Pois é, conheci primeiro a famosa pizzaria, a Speranza do Bixiga. E logo pelas mãos de meu pai, que na época fazia de Sampa uma de suas bases de trabalho. E descobri o que era uma pizzaria. Foi no fim dos anos 60, nessa mesma época do ano, um fila de espera danada, um frio mais danado ainda. E não tinha passado cometa algum. Agora, o que comemos foi maravilhoso, inesquecível. Falou em Speranza, meu pai aparece novamente.</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Isso tudo para lembrar que nos tempos que correm temos a Cantina e a Pizzaria Speranza de Moema, mantendo a tradição de grandes pratos. Ambas participando mais uma vez do Restaurante Week, de 29 de agosto e 5 de setembro e cheias de novidades. </em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Experimente o cardápio da Speranza dessa semana especial: a Insalata de legume al forno, a torta napolitana de batata com salada de escarola, o gnocchi verdi com la mozzarella di búfala &amp; provolone, o risoto di calabrese e pomodori secchi.</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Isso sem falar da torta di limone e do cornettini di nutella.</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Imperdível! Speranza Moema: Av. Sabiá, 786, fones: (11) 5051-1229; </em></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.pizzaria.com.br/"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>www.pizzaria.com.br</em></span></a></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>, e-mail: </em></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="mailto:atendimento@pizzaria.com.br"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>atendimento@pizzaria.com.br</em></span></a></span></span></p>
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		<title>Taninos elegantes?</title>
		<link>http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/2011/08/02/taninos-elegantes/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 13:47:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
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		<category><![CDATA[taninos]]></category>
		<category><![CDATA[vinho]]></category>

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		<description><![CDATA[O termo "tanino" é largamente empregado no mundo dos vinhos. Explicá-lo é dar panos para manga]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1222" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/08/vinho.jpg" alt="vinho" width="200" height="300" />Logo abaixo, na seção “Da Adega”, publico um release da Vinitude sobre o vinho Doña Paula Los Cardos Cabernet Sauvignon. E lá estão eles: “Um vinho com taninos elegantes e final marcante.” Taninos o quê?</p>
<p>Se existem os elegantes, pode ser que existam também taninos esculachados, ou mesmo grosseiros, malcriados, alguns talvez mais potentes e outros definitivamente débeis, sem contar com os espírito de porco. A confusão pode aumentar quando nos deparamos com extensões dessa poética da crítica de vinhos e aprendemos que, além de elegantes, os críticos falam de taninos “redondos” (como, existem os quadrados?), suaves, maduros, aveludados, exuberantes, ásperos, “mastigáveis”. Já anotei até “taninos sensuais”, na certa de alguém perto de chamar cachorro de minha loura.</p>
<p>O termo “tanino” é largamente empregado no mundo dos vinhos e tenho certeza que muita gente não sabe exatamente o que seja, muito menos que ele possa ficar entre elegante e áspero. Explicá-lo é dar panos para manga. Tentarei.</p>
<p>São os taninos que causam aquela sensação de secura e até de amargor em sua boca quando bebe um vinho tinto. Formam um grupo de componentes químicos que podem ser achados em frutas, no chá e em cascas de árvores. Chegam aos vinhos via galhos, cascas e sementes de uvas – e, ainda, através da madeira dos barris. Desde o cultivo da vinha e até o processo de produção do vinho são sempre um fator de preocupação: dependendo de como são tratados, afetarão profundamente o estilo do vinho que chegará à sua mesa.</p>
<p>Eles têm a capacidade de ligar-se a vários outros materiais químicos, em particular com as proteínas. Se aplicados a peles de animais, os taninos unem-se às proteínas transformando uma pele macia, mole, num material duro o bastante para fabricar sapatos, solas, cintos e selas. Os taninos formam, também, uma classe de compostos químicos existentes no vinho, os fenóis – que, por sua vez, dividem-se em duas categorias: os flavonoides e os não-flavonóides. Os nossos taninos estão no primeiro grupo.</p>
<p>Na vinha, os taninos agem como uma defesa. O seu papel é o de defender as plantas: quando jovens, as uvas ainda verdes, com sabor extremamente ácido e amargo, pois as sementes do fruto são o meio de sua reprodução, mas a planta só permite que o fruto seja consumido quando suas sementes ficam maduras. Quando um pássaro ou inseto tenta mastigar uma uva, taninos são liberados tornando a fruta horrível, amarga, indigesta.</p>
<p>Na medida em que as uvas amadurecem, a cor da casca se altera, tornando-a mais sedutora. Ao mesmo tempo, ficam menos ácidas e mais doces. E os taninos menos amargos. (Na verdade, os taninos não têm sabor: você os percebe pela maior ou menos sensação de secura e adstringência na boca, o que chamo de amargor).</p>
<p>Nessa progressão, os taninos vão de verdes, muito jovens e amargos, quase que “mastigáveis”, a mais macios, sedosos, aveludados. Ou seja: ficam maduros, mais elegantes. São fundamentais para a qualidade dos vinhos tintos. Além de sua participação nos componentes de cor, aroma e sabor e na preservação, contribuem para a sensação do vinho na boca, sua percepção no palato, sua textura (sedosa, aveludada, redonda, macia, elegante?).</p>
<p>Logo, nossos taninos são fundamentais &#8211; como suportes da estrutura de um edifício. Se um vinho tinto tem carradas de fruto e de álcool, mas pouca acidez e taninos, não está bem estruturado.</p>
<p>Quanto aos taninos elegantes, podemos acreditar que já estão bem maduros, bem equilibrados num vinho pronto para ser degustado.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Da Adega</strong></em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Taninos elegantes II</strong></em></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. A Vinitude oferece o </em></span></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinitude.com.br/sistema/ListaProdutos.asp?IDLoja=14632&amp;Y=8546532004400&amp;Avancada=True&amp;Digitada=True&amp;texto=Los+Cardos&amp;Any=False&amp;IDCategoria=0&amp;PrecoDe=&amp;PrecoAte=&amp;Adicional1=0&amp;Adicional2=0&amp;Adicional3=0&amp;order=2&amp;Produtos=9&amp;Buscar=+Buscar+"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Los Cardos Cabernet Sauvignon 2009</em></span></a></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em> por um preço também elegante. Confira. Vinícola </em></span></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.donapaula.com/ingles/index.html"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Doña Paula</em></span></a></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em> é original do Chile e está na Argentina desde 1997. Nunca ganhou menos do que 90 pontos da Wine Spectator. </em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><br />
</em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Para o Papai</strong></em></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. Quem sabe o Millésime Cabernet Sauvignon 2008, quinto Millésime da história da Aurora, ou o Pequenas Partilhas Cabernet Sauvignon, ou o Chardonnay Brut, que conquistou para a vinícola gaúcha a sua 12ª medalha internacional esse ano, no concurso Vinagora, na Hungria. </em></span></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinicolaaurora.com.br/"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Saiba mais</em></span></a></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em> sobre as ofertas especiais da vinícola. </em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><br />
</em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Dicas para Fondue</strong></em></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. Para fondue de carne, um Pinot Noir Swiss Valley 2007. Para o de queijo, um branco, o Petite Arvine Premium 2007 (medalha de prata no Wine &amp; Spirits Competition 2008, em Shangai). A Petite Arvine é uma uva branca natural do Valais, grande região vinícola da Suíça. </em></span></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinitude.com.br/prod,IDLoja,14632,Y,8546532004400,Det,True,IDProduto,2763804,vinhos-branco-petite-arvine-provins-premium-2007"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Saiba mais</em></span></a></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. Vamos aproveitar o frio enquanto ele ainda está por aqui.</em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><br />
</em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Wine Weekend 2011</strong></em></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em> A segunda edição desse evento vai acontecer de 18 a 21 de agosto, no Jockey Club de São Paulo. Um fim de semana prolongado, de degustação, aprendizado, compra de vinhos especiais, vinoterapia e galeria de arte (peças sobre vinho de Antonio Peticov, Zélio Alves Pinto, Guilherme de Faria).</em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><br />
</em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Vinícolas (com a Salton, Vila Francioni e Valduga), importadoras (Expand, D’olivino, Ravin, MS Import, entre outras) vão oferecer rótulos nem sempre encontrados com facilidade. </em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><br />
</em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Esse grande fim de semana vai acontecer de quinta a sábado das 12 às 22h e domingo das 12 às 20h. Os ingressos dão direito a uma taça de degustação (entregue no local). </em></span></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.wineweekend.com.br/"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Veja no site</em></span></a></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>.</em></span></span></p>
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		<title>Uma cesta com dois lances</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jul 2011 15:01:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>
		<category><![CDATA[cesta básica]]></category>
		<category><![CDATA[vinhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Brasil é segundo maior produtor de uvas por área plantada do mundo e o vinho entre as necessidades básicas alimentares]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A amiga tem outras coisas para pensar e talvez não dê muita bola para o fato de ser a Índia o país com a maior produção de uvas por área plantada do mundo: 25 toneladas por hectare. Agora, sabe quem vem em segundo lugar? Sim, no nosso Brasil, com 18 toneladas por hectare.</p>
<p>Ficamos na frente dos Estados Unidos (umas 17 toneladas), Rússia (mais ou menos 16 t.), China (15,5 t.), Uruguai (15 t.), Alemanha (14,5 t.), África do Sul (14.5 t.), Argentina (14 t.), Chile (14 t.) e muitos outros. São 32 países analisados por um estudo estatístico chamada Mercados Globais do Vinho – 1961-2009, um amplo trabalho realizado pelo economista Kym Anderson (com seu colega Signe Nelgen), do <a href="http://www.adelaide.edu.au/wine-econ/" target="_blank">Centro de Pesquisa sobre a Economia do Vinho</a>, da Universidade de Adelaide, Austrália.</p>
<p>Falar sobre números pode ser chato, mas as surpresas compensam. Quem diria que produzimos mais uvas por área cultivada que nossos vizinhos mais famosos no que diz respeito aos vinhos: Uruguai, Argentina e Chile?</p>
<p>Quem diria que um país como a França dedica apenas 4,3% da sua terra às uvas? Pela fama que o país tem, somos levados a pensar que na Champs-Élysées encontramos uma parreira a cada metro dos seus quase dois quilômetros. A Itália, sim a própria “Oenotria”, a “Terra da Uva”, só tem 7,8% de sua terra dedicada às uvas. Nessa categoria, em honroso primeiro lugar, temos Portugal, com 13,5%, seguido pelo Chile (11%).</p>
<p>Os dados sobre heterogeneidade das variedades nos espantam também. Eu pensava que nesse quesito a Itália seria imbatível. Mas não é bem assim: as cinco maiores variedades italianas (Trebbiano, Sangiovese, Catarrato, Montepulciano e Barbera) correspondem a 38,2% das plantações do país.</p>
<p>Mas é Portugal que, mais uma vez, se destaca. Entre os 12 maiores produtores mundiais, Portugal é o mais diverso. Nenhuma de suas cinco maiores variedades (Periquita, Fernão Pires, Tempranillo, Malvasia e Tinto Amarela) ocupa mais do que 7% da área de vinhedos. Juntas tomam apenas 24,6% das plantações.</p>
<p>Sempre pensei que fosse a Austrália onde a produção de vinho fosse dominada por grandes companhias: as quatro maiores lá têm 62,3% de participação nas vendas nacionais de vinho. Na verdade, é no Chile que esse tipo de dominância mais acontece: lá apenas três empresas detêm 80% das vendas nacionais de vinho, o que faz do país o menos diverso dos mercados, pelo menos comercialmente. Compare com a Itália, onde as quatro maiores empresas têm apenas 9,7% do mercado doméstico.</p>
<p>E a França, amiga, que se presumia ter a maior participação nas exportações mundiais de vinho, naturalmente liderada pelos rótulos de Bordeaux e Champagne. Mas isso só valeu até o início dos anos 90. Atualmente, é a Itália o exportador líder, com 21,3%. A França, é verdade, continua líder em termos de valor (relação de dólar por litro exportado), com US$ 6,22 em 2010. E você acha que para o país esse número é significativo? Que nada: o vinho lá representou apenas 1,62% das exportações. Campeã nesse quesito é a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mold%C3%A1via" target="_blank">Moldávia</a>: onde o vinho representa 10% das exportações.</p>
<p>Quanto ao volume de vinho, o Brasil fica em 15º lugar, com uma participação de 1,3% da produção mundial, à frente da Hungria (1,2%), Áustria (0,90), Ucrânia (0,9), Bulgária (0,9) e Nova Zelândia (0,8). Em termos de consumo, continuamos patinando. Entre 2000 e 2009, o consumo de vinho per capita caiu 1,32%. Em 2009 ficamos com 2,23 litros de vinho por adulto. Perdemos para a Itália, França, Espanha, Rússia, Argentina, Alemanha, Portugal, Chile, entre outros. Mas estamos na frente de Áustria, Ucrânia, Japão, Suécia.</p>
<p>Sim, em 2009, consumimos mais cerveja per capita (60,25 litros) e destilados (7,24 litros) do que vinho (2,23 litros). Mas dá para perceber que o consumo do vinho está aumentando. Não precisa nem de números para comprovar. Basta entrar num supermercado para sentir como a área dedicada a vinhos vem aumentando nos últimos anos. O que assusta é ver a Finlândia, que não produz vinho, com 12 litros per capita.</p>
<p>Quem quiser dar uma olhada nesse estudo é só <a href="http://www.adelaide.edu.au/wine-econ/pubs/databases/GWM/" target="_blank">consultar esse link</a> e baixar vários arquivos em PDF.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1212" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/07/vinho1.jpg" alt="vinho1" width="300" height="200" /> <strong>O vinho na cesta básica</strong></p>
<p>Não poderia deixar de comentar a isenção fiscal que o governo do Rio de Janeiro concedeu  à   Enoteca Fasano, uma faustosa importadora de vinhos. A medida foi fundamentada em decreto relativo à venda de alimentos da cesta básica, de 2002, que inclui os suspeitos de sempre: arroz, feijão, farinha, açúcar, café, carnes etc.</p>
<p>O que queria aqui é lembrar que, mais uma vez, o vinho volta a ser considerado como um alimento e não como uma bebida alcoólica – uma antiga pretensão de produtores e comerciantes. Como alimento, a alíquota seria menor e o produto poderia ser vendido mais em conta.</p>
<p>Projeto de um deputado gaúcho já andou por Brasília defendendo justamente esse ponto: o vinho faz parte da dieta de milhões de pessoas há milênios, ajuda a sustentar nosso organismo com vitaminas e minerais. Logo, seria também um alimento. O projeto não passou, ainda.</p>
<p>É bom que se diga que o Grupo Fasano nega ter solicitado benefício fiscal para a sua Enoteca. No <a href="http://www.enotecafasano.com.br/" target="_blank">site da Enoteca Fasano</a> só encontramos vinhos e algumas massas – essas da própria Fasano, originárias do Uruguai: 500 g por R$ 27,00 (no supermercado, a massa nacional fica por R$ 3,00). E por mais que o vinho alimente, não dá para imaginar uma dieta sem feijão, arroz etc. A garrafa mais barata lá, na minha busca, foi o Rey de Los Andes Reserva Sauvignon Blanc 2008, por R$ 29,00. O consumidor poderia comprar seis garrafas dessas mais uma massa uruguaia e chegaria aos R$ 202,00, preço médio de uma cesta básica com 20 itens. Mas não se aguentaria em pé por muito tempo.</p>
<p>Veja que coluna de hoje virou uma cesta: de números e dúvidas. Já disseram que se usa estatística com um bêbado se socorre num poste, mais para suporte do que para iluminação. O trabalho dos australianos está seguramente no segundo caso. Já o decreto estadual mostra que a cesta bateu no aro e não entrou. Mas a idéia do vinho como alimento e com alíquota reduzida é muito boa.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Da Adega</strong></em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Vinhos Bacalhôa premiados</strong></em></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. Nada menos do que 42 prêmios os vinhos Bacalhôa conseguiram no International Wine Challenge, de Londres (24 medalhas, uma de ouro, seis de prata, dez de bronze e dez recomendações) e no Concours Mondial de Bruxelles, na Bélgica (um ouro e duas medalhas de prata). Mais prêmios ainda foram concedidos na International Wine &amp; Spirits e no Decanter World Wine Awards (só aqui, nove medalhas).</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><br />
</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>A </em></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.portuscale.com.br/portuscale.htm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Importadora Portus Cale</em></span></a></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>, SP, já oferece alguns desses premiados: JP Azeitão Branco 2010 (Concours Mondial de Bruxelles – Prata); JP Azeitão Branco e tinto 2010 (Intern. Wine &amp; Spirits Competition – bronze); Tinto da Ânfora 2007 (International Wine &amp; Spirits Competition &#8211; bronze); Quinta da Bacalhôa Tinto 2008 (Concours Mondial de Bruxelles – prata); Quinta da Bacalhôa branco 2009 (no International Wine Challenge &#8211; prata); Bacalhôa Moscatel de Setúbal 2004 (Concours Mondial de Bruxelles – Ouro e Troféu no Decanter World Wine Awards); Bacalhôa Moscatel Roxo 2000 (International Wine Challenge – prata). </em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><br />
</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Saint Germain de roupa nova</strong></em></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. Uma das marcas de maior sucesso da Vinícola Aurora, a Saint Germain, substituiu a cortiça por tampa de rosca, passou a utilizar garrafas mais leves (menos vidro, mais vidro reciclado, menos efeito estufa, mais cuidado com o meio ambiente) e rótulos com identificação de cores por tipo de uva. </em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><br />
</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Gostei do resultado: agora ficou mais fácil identificar os Merlot, o Assemblage tinto, o Rosé de Noirs e o Cabernet Franc. Isso é igual a mais facilidades, segurança e elegância para o consumidor e mais carinho pelo planeta. Confira só no site da </em></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinicolaaurora.com.br/site/produtos.php?codmarca=13"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Aurora</em></span></a></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>.</em></span></p>
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		<title>A cor do xixi</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 20:48:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Lei &#38; Vinho. Matéria recente da revista Wine Spectator informa que os crimes do vinho acabam de entrar da cultura pop, mais precisamente em séries de sucesso da TV americana. Num episódio de Law &#38; Order: Criminal Intent deste mês, temos o assassinato de um importador de vinho, logo após ter vendido falsas garrafas de [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="western" style="margin-bottom: 0cm" align="CENTER"><strong><img class="aligncenter size-medium wp-image-1202" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/07/vinho-300x200.jpg" alt="vinho" width="300" height="200" /><br />
</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><strong>Lei &amp; Vinho.</strong> Matéria recente da revista Wine Spectator informa que os crimes do vinho acabam de entrar da cultura pop, mais precisamente em séries de sucesso da TV americana. Num episódio de <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://br.axn.com/shows/law-order-criminal-intent"><em>Law &amp; Order: Criminal Intent</em></a></span></span> deste mês, temos o assassinato de um importador de vinho, logo após ter vendido falsas garrafas de Bordeaux datadas do século 18 e com iniciais de George Washington gravadas.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Em capítulo também recente de <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://redeglobo.globo.com/platb/colarinhobranco/"><em>White Collar (Crimes do Colarinho Branco)</em></a></span></span> acontece um assassinato quando dois falsificadores tentam uma garrafa de Bordeaux, também do século 18 – garrafa essa que supostamente teria sido presenteada por <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Antonieta"><em>Marie Antoinette</em></a></span></span> a <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Franklin"><em>Benjamin Franklin</em></a></span></span>. Já em <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bones_(s%C3%A9rie)"><em>Bones</em></a></span></span>, o corpo de um crítico de vinhos é encontrado num barril de Cabernet Sauvignon.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Os falsos Bordeaux do século 18 são uma clara referência ao escândalo das garrafas de Thomas Jefferson, quando em 1985 a bilionária família <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Forbes"><em>Forbes</em></a></span></span> arrematou um Château Lafite 1787 supostamente pertencente a <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Jefferson">Thomas Jefferson</a></span></span>, o terceiro presidente norte-americano. Foi a garrafa mais cara até hoje vendida: US$ 156.000,00, num leilão da Christie’s, em Londres. Mas tudo indica que a garrafa era falsa.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Nas duas primeiras séries, temos dois dos “pais fundadores” dos Estados Unidos: George Washington, o primeiro presidente, e Benjamin Franklin, diplomata, inventor, um dos líderes da Revolução Americana.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Thomas Jefferson, o terceiro dos “pais fundadores” aparece no Lafite 1787. Fazia parte de uma coleção de garrafas de 200 anos de idade, pertencentes a um alemão negociante de vinhos, Hardy Rodenstock. Diz ele que descobriu essas preciosidades escondidas numa adega em Paris, cujo endereço ele se recusa a revelar. As garrafas tinham gravadas as iniciais de Thomas Jefferson, “Th.J.”</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Além de Forbes, muitas dessas garrafas de Jefferson foram compradas também em leilão por um bilionário da Florida, William Koch, que começou a suspeitar sobre a autenticidade delas e envolveu a Scotland Yard e até um ex-agente do FBI para investiga-las e tentar alguma luz nessa adega. Por exemplo: as inicias do estadista foram gravadas por algo como uma broca de dentista, inexistente no século 18.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">O mistério e as ações legais continuam até hoje. Bill Koch tem tempo e dinheiro e é teimoso. Possui uma adega com 43 mil rótulos e estima que tenha investido entre quatro e cinco milhões em vinhos falsificados. O negociante alemão tem se mostrado uma senhora raposa, difícil de pegar. Essa história já rendeu até um delicioso livro, “<span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.amazon.com/Billionaires-Vinegar-Mystery-Worlds-Expensive/dp/0307338770"><em>The Billionaire’s Vinegar: The Mystery of the World&#8217;s Most Expensive Bottle of Wine”,</em></a></span></span> de Benjamim Wallace. Não é mistério algum que os bilionários que compraram esse Lafite experimentaram vinagre, mesmo sem beber do vinho.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Nada disso é muito novidade. Por exemplo, a série inglesa <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hustle_(s%C3%A9rie)"><em>Hustle</em></a></span></span> (“O Golpe”, aqui), no ar desde 2005, apresenta um time de vigaristas londrinos cuja característica é só dar golpes em outros vigaristas, um jeito meio Robin Hood de ser. Num dos capítulos (de 2007, se não me engano), descobrem que a gerente de um abrigo para idosos está roubando dos velhinhos. Acontece que ela tem um calcanhar-de-aquiles: adora vinhos, desde que muito caros. E conseguem enganá-la com um Yquem de 1787 avaliado em US$ 8.000,00. Reparem que a safra é o fatídico 1787, ano em que Jefferson servia como embaixador na França. Sabe-se que foi um verdadeiro amante e conhecedor de vinhos – de grandes vinhos.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Diferente de Jefferson, a maioria dos entusiastas do vinho mal sabem distinguir entre uma imitação, mesmo bem feita, e um original. Os crimes de falsificação existem há muitos e muitos séculos. Vão desde forjar rótulos, substituir o conteúdo de garrafas (até comprando garrafas vazias de vinhos cult de sommeliers) e rolhas do que antes foram vinhos caríssimos. Por falar nisso, o <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://cgi.ebay.com/Vintage-Empty-Wine-Bottles-3-/150623332232?pt=LH_DefaultDomain_0&amp;hash=item2311d9a788"><em>eBay</em></a></span></span> vende garrafas vazias de Lafite, Latour e outros vinhos cult bem baratinhas.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">A legendária <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.bbr.com/?linkid=header"><em>Berry Brothers &amp; Rudd</em></a></span></span>, casa inglesa que negocia vinhos desde 1698 não compra vinhos com safra anterior a de 2000; só oferece os que existem em seus vastos depósitos.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Em dois dos episódios citados, pessoas são assassinadas, o que não é muito comum acontecer no mundo dos vinhos. Mas os crimes atingem trepidantes níveis de filmes de ação e suspense. Recentemente, tentaram extorquir o mais famoso (e caro) vinhedo do mundo: o <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.romanee-conti.fr/#/Accueil">Domaine de La Romanée-Conti</a></span></span>, na Borgonha. Ou pagavam um resgate milionário ou os vinhedos seriam envenenados. Como prova disso, algumas parreiras foram danificadas. A carta pedindo o resgate demonstrava que o chantagista conhecia bem o vinhedo. Mas, como todos os golpistas, esse precisava mais de grana do que tinha talento. E foi pego justamente ao tentar apanhar a mala de dinheiro com o resgate pretendido. A entrega foi num cemitério. Tchan, tchan, tchan!!!</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Em tempos de grandes vendas, como agora, com o boom asiático, onde um milionário chinês compra um Latour 1961 por 200 mil dólares (e provavelmente vai bebê-la com Coca-Cola) dá para entender porque os falsificadores estão a todo o vapor.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">O encarregado das investigações sobre os vinhos do bilionário da Flórida, Brad Goldstein, revela que os Bordeaux e uns poucos Borgonha estão entre os vinhos mais falsificados do mundo. Os rótulos mais visados seriam:</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Château Cheval Blanc 1947 (existem mais garrafas desse vinho no mercado do que a vinícola produziu), Château D’Yquem 1811 (esse lendário Sauternes só chegou ao mercado em 1970; talvez o 1811 tenha sido produzido pela raposa alemã); Mouton Rothschild 1924 (esse foi o ano em que pela primeira vez a vinícola engarrafou seus vinhos; evidente que as centenas de garrafas com safras anteriores a 1924 e constando no rótulo que o vinho foi engarrafado na vinícola são falsas); Pétrus 1924 (é um dos favoritos dos fraudadores, criando cápsulas com a cor errada e rótulos feitos com papel artificialmente envelhecido) e o grande Domaine de la Romanée-Conti La Tache 1952 (é o alvo preferido dos falsários, quando buscam um Borgonha para vender).</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Acabaram-se os tempos em que os filmes destacavam mais cerveja e uísque, geralmente envolvendo a Máfia, a Lei Seca etc. O vinho é a bebida da vez, talvez em razão de sua maior presença em todo o mundo e de sua história e imagem um tanto exclusivista. Isso é igual e mais lucros para o crime, morador mais antigo nesse cenário.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">E se os vinhos fossem falsificados antes mesmo de fermentarem? E se, nesse caso, não existissem “bandidos” no sentido mais comum do termo?</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><strong>Um vinho qualquer coisa</strong>. Já pensou em tomar um vinho fluorescente? Pegaram um gene de água-viva (a medusa) e o transferiram para a folha de uma parreira, mais precisamente da <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vitis_vinifera"><em>Vitis vinifera</em></a></span></span> &#8211; a mais cultivada para a produção de vinhos finos em todo o mundo.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Pois esse gene fez com que a folha da parreira ficasse brilhando: um verde de letreiro de néon, sob uma luz ultravioleta. Não duvide, amiga, que daqui a pouco, transferem esse gene para uma uva e veremos uma garrafa de vinho brilhando na prateleira.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">O autor dessa proeza é o <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://mrec.ifas.ufl.edu/faculty/djg/gray.asp">Dr. Dennis Gray</a></span></span>, professor de biologia desenvolvimentista da Universidade da Flórida, Estados Unidos. E infelizmente seu interesse principal é a uva. O “pai das parreiras brilhantes” acha que a parte mais difícil de suas pesquisas está mesmo é na indústria e nos consumidores, relutantes em aceitar vinhos geneticamente modificados.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Já existe um fermento geneticamente modificado, o ML01, criado em 2006 por outro biólogo, da Universidade de Colúmbia. O ML01 é o único organismo geneticamente modificado aprovado para uso comercial por vinicultores pelos Estados Unidos, Canadá, <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mold%C3%A1via">Moldávia</a></span></span> e África do Sul. Em todo o resto do mundo está proibido. Essa cepa permite que se realize de uma só feita, a fermentação alcoólica e a malolática, encurtando o tempo de processamento do vinho: menos tempo, menos dinheiro.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Falam que com cepas geneticamente modificadas poderão tirar mais aromas e sabores dos vinhos. O que você acha, amiga? Se fermentos geneticamente alterados se espalharem, o vinho vai virar de vez um produto manufaturado, mais um refrigerante no mercado. Todos terão os mesmos sabores. Tudo o que o vinho tem de natural, tudo o que resulta de uma dádiva da natureza, onde o homem sempre teve muito pouco o que fazer; todas as características do lugar de origem, do famoso “<span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Terroir">terroir</a></span></span>”, que dão aos vinhos qualidades exclusivas se perderiam.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Em troca, poderíamos ter vinhos “fashion”, mais amarelos, laranjas e vermelhos para o verão, mais violetas, cinzas e marinhos para o inverno. Talvez, nossas bochechas ficassem também amarelas (ou cinzas etc.) e todos saberiam que vinho bebêramos. Um show.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">E toda essa artimanha genética teria a capacidade de transformar o vinho numa bebida qualquer, que deixaria como única lembrança não os seus aromas e sabores, mas a cor e o brilho do nosso xixi.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Da Adega</strong></em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Aurora leva ouro em Bordeaux</strong></em></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. A Vinícola Aurora conquistou três prêmios no 11º concurso Les Citadelles Du Vin, durante a maior feira de vinhos do mundo, a Vinexpo, realizada em Bordeaux, França. No concurso, realizado de 28 a 30 de maio com o apoio da Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV), teve a participação de mais de 300 appellations, 76% delas fora da França, 20 países representados, o que garantia diversidade. O júri foi formado por mais de 70 especialistas internacionais, aprovados pela OIV.</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>A Aurora recebeu medalha de ouro com o seu Marcus James Brut e medalha de bronze com o Espumante Aurora Chardonnay Brut, além de um prêmio especial, conferido ao produto que obtém maior pontuação entre os inscritos pelo país. </em></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinicolaaurora.com.br/site/"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Saiba mais</em></span></a></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>.</em></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Também não aguento</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jun 2011 21:04:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Grande fatia do consumo do vinho se concentra em gente preocupada com saúde, gente que bebe vinho como remédio]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><img class="alignleft size-full wp-image-1189" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/06/dreamstime_9697-300.jpg" alt="dreamstime_9697-300" width="300" height="199" /> Leram o Artur Xexéo? O colunista <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://oglobo.globo.com/cultura/xexeo/posts/2011/06/19/nao-aguento-385299.asp">não aguenta</a></span></span> mais um bocado de coisas, como começar qualquer frase com a expressão “Na verdade&#8230;”, ou responder cansativamente “Com certeza&#8230;” O jornalista não aguenta mais o Luan Santana nem a Regina Casé bancando a simpática. Nem eu.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"> E como eu, Xexéo não aguenta mais “</span><span style="color: #000000">pesquisas científicas amaldiçoando o ovo e seus efeitos no colesterol, anos depois de o ovo ter sido abençoado por pesquisas científicas porque, afinal, o ovo tem bom colesterol, apesar de, anos antes, outras pesquisas já terem amaldiçoado o ovo etc, etc, etc.</span><span style="color: #000000">”</span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><br />
</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">E isso, claro, vale também para a alface, a beterraba, o agrião e o que mais quisermos incluir, e no caso presente, as uvas e os vinhos. Depois do fenômeno do <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradoxo_franc%C3%AAs">Paradoxo Francês</a></span></span>, em 1991, quando o resveratrol apareceu como o John Wayne da luta contra as doenças cardíacas, a pesquisas não pararam mais. E as vendas dos vinhos passaram a crescer como nunca, particularmente a dos tintos.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Por conta do resveratrol (e de mais alguns outros componentes), o vinho foi transferido para as prateleiras das farmácias, indicado para tratar de doenças circulatórias, hepáticas, metabólicas, renais, mentais, cancerígenas é curar cataratas e transformar-se numa nova fonte da juventude. Tal como a história do ovo mencionada pelo Xexéo, com frequência vemos que a pesquisa B, mais recente, invalida a pesquisa A, mais antiga. E fique certa que o vindouro estudo C vai desbancar a pesquisa B.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">O resultado é que grande fatia do consumo mundial do vinho se concentra em gente preocupada com saúde, gente que bebe vinho como remédio. Portanto, não é de estranhar que um novo comerciante de vinhos inglês, a <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinopic.com/">Vinopic</a></span></span>, esteja vendendo vinho (on-line) com base num baseado em suas qualidades para a saúde.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">A Vinopic criou uma espécie de placar, um <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinopic.com/index.php/roger-corder/roger-corder-intrinsic-quotient">Intrinsic Quotient</a></span></span> (“Quociente Intrínseco”), criado por um famoso pesquisador dos vinhos, o professor Roger Corder. Seu livro, “A Dieta do Vinho” (da editora Sextante) está até esgotado em português.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">O cientista considera que o que tornam os vinhos mais protetores são os polifenóis, componentes químicos encontrados nas cascas e sementes das uvas, os principais contribuintes da cor e sabor dos vinhos tintos. Entre os polifenóis, os mais significativos seriam as <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://revistavivasaude.uol.com.br/Edicoes/56/artigo68173-1.asp">procianidinas</a></span></span>, encontradas também nas sementes das uvas e que podem funcionar como vasodilatadoras e, assim, proteger contra doenças cardíacas.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">O professor descobriu também que certos vinhos contêm mais procianidinas do que outros e que, para a nossa saúde, deveríamos consumir de 300 a 500 mg delas diariamente. Verificou também que quanto menor a uva e maior o número de suas sementes, a quantidade potencial desse polifenol seria maior. E logo chegou aos vinhos com a uva <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tannat">Tannat</a></span></span>, uma das variedades tradicionais do sul da França (e, agora, também do Uruguai). Outras castas teriam também boas quantidades daquele componente: Cabernet Sauvignon, Malbec (argentino), a italiana Sangiovese, entre outras.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">O tal “Quociente Intrinsic” terá notas, exatamente como as que os críticos dão aos vinhos que degustam, à la Robert Parker e Wine Spectator. Podem ir de 50, para um tinto genérico, 80 para um tinto genérico com a “qualidade Vinopic”, 120 para um tinto de qualidade de <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Madiran_(AOC)">Madiran</a></span></span>, região das uvas Tannat. E não aguento igualmente esses excessos de pontos, marcas etc. para simplesmente falarmos de vinho.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Não tenho dúvidas que o site será um sucesso. Só não me vejo comprando vinhos em razão de saúde. Faço exercícios, como muita fruta e legumes, minha dieta é de colesterol reduzido. Não tenho nada contra a Tannat ou qualquer outra casta. Mas vinho é original e insuperável, a mais deliciosa e complexa das bebidas do planeta. Ele nos oferece estilos diferentes, do branco ácido ao rico tinto, ao encorpado sedoso, parados ou espumantes, secos ou doces. Podem ficar conosco de um dia a dez anos, a centenas de anos. Nenhuma outra bebida nos oferece tanta história, tantos costumes, tantas culturas e, de certa maneira, tanta espiritualidade. Quanto à geografia, o vinho é uma das poucas coisas no mundo da qual podemos identificar a sua origem. Vinho sobretudo é convívio, calor humano, um enlevo, uma ajudinha para irmos levando nossa vida numa boa.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Mas a turma de meia idade em diante não vai parar de comparar o seu tinto de 120 com outro de 110, como aquelas pessoas que trocam impressões sobre a qualidade da aplicação de injeção de suas farmácias preferidas.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Não aguento mais ouvir de vinho e medicina, que os tintos são mais saudáveis etc. E os Rieslings, os Sauvignon Blancs, os Chardonnays, os Viogniers? E a imensa tribo dos tintos não tão fartos dessas procianidinas? Não vou trocá-los por uma receita. Não me importo se papiros egípcios ou tabletes sumerianos já recomendavam vinho como ajuda para alguma aflição. Já pensou beber um copo d’água há 4 mil anos? Melhor o vinho, né? Ah, os soldados romanos só bebiam vinho. Aliás, de péssima qualidade, praticamente um vinagre, mas melhor que água, pois senão seriam varridos do mapa pelos Asterix do caminho.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Lembro que em dezembro de 2010, a empresa farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK), a segunda maior do mundo, interrompeu o desenvolvimento, em dezembro de 2010, da droga SRT501, baseada no resveratrol, destinada à prevenção de doenças circulatórias em razão de sua pouca eficácia e potencial em agravar problemas renais. <span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://biopharmconsortium.com/blog/2010/12/01/glaxosmithkline-stops-development-of-resveratrol-drug-srt501/">Veja mais</a></span></span>. Nada demais. Afinal, a empresa pesquisou, investigou e, por fim, verificou que ia morrer na praia. E pararam: nada mais profissional e ético. O problema está no consumidor: ele quer transformar a bebida num remédio e pode até remexer numa gaveta de saúde até então fechada.</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Que tal continuarmos a bebericar nosso vinho pensando em outros méritos? O colunista Dr. Vino diz que comprar vinho por motivos de saúde o deixa doente. Eu já disso que não aguento isso. E você, amiga?</p>
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<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Da Adega</strong></em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Vinexpo</strong></em></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. O grande salão mundial do vinho e destilados abriu domingo, 18, em Bordeaux, e vai até quinta-feira. Está reunindo 2.400 empresas produtoras de 47 países, mais de 50 mil profissionais de hotéis, bares, restaurantes, companhias aéreas, pessoal de imprensa. Uma </em></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinexpo.com/"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>senhora festa</em></span></a></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>.</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Wine Day Cantu</strong></em></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. A importadora apresentará algumas novidades de seu portfolio em evento no Hotel Porto Bay, dia 26, das 15 às 21 horas. Entre as novidades: </em></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>os italianos Tenute Folonari e Tenute La Poderina e os franceses da Le Grands Chais de France. Os supertoscanos da I Giusti e Zanza, os chilenos da Viña Ventisquero, os argentinos da Susana Balbo/Dominio del Plata e os portugueses da Quinta do Vallado também estão na carta de vinhos preparada especialmente para o evento. </em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Mas as novidades ainda incluem vinícolas francesas, espanholas, chilenas, argentinas e uruguaias. Esse será o primeiro </em></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.sudshop.com.br/loja/dept.asp?store=103563&amp;template_id=6&amp;partner_id=&amp;nome=Vinhos+&amp;dept_id=101"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Wine Day Cantu</em></span></a></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em> no RJ. Imperdível.</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Punto Final</strong></em></span><span style="font-family: Georgia,serif"><em>. Esse festejadíssimo Malbec, da</em></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em> vinícola Renacer, de Perdriel, ao dos Andes, está sendo oferecido por uma senhora barganha: R$ 39,00. Estamos falando do Punto Final Etiqueta Preta 2009. </em></span></span><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinhosweb.com.br/produtos.php?q=punto+final"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>Veja aqui</em></span></a></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Georgia,serif"><em>.</em></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">
]]></content:encoded>
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		<title>Quem não bebe e não beija</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jun 2011 21:41:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Amiga de longa data está emitindo sinais de fumaça de que algo está para acontecer. Anda me perguntando sobre que vinhos combinam com peixes (e cita truta, salmão, linguado, dourado etc.), com carnes (assadas, ragus, de panela, rosbife, estrogonofe), galinhas (ao molho disso e daquilo). Quer saber também sobre vinhos como aperitivos: o que oferecer [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1184" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/06/vinho-300x216.jpg" alt="vinho" width="300" height="216" /></span></span></p>
<p lang="en-US" align="CENTER"><strong><span lang="pt-BR"><br />
</span></strong></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Amiga de longa data está </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">emitindo sinais de fumaça de que algo está para acontecer. Anda me perguntando sobre que vinhos combinam com peixes (e cita truta, salmão, linguado, dourado etc.), com carnes (assadas, ragus, de panela, rosbife, estrogonofe), galinhas (ao molho disso e daquilo). Quer saber também sobre vinhos como aperitivos: o que oferece</span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">r antes e depois de um jantar. Essas coisas. Hum&#8230;</span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Pra começar, ela </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">mal entra na cozinha. Seu filhote está naquela fase de comer papinhas. O que é, sem ironias, uma sopa. Comida mesmo, encomenda da cantina que funciona em seu condomínio: é tudo baratinho e bem variado. E, para ela, mais fácil, mais prático. Vive sozinha e trabalha. Deixa o filho numa creche e reserva as noites para se dedicar à cria. </span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Quanto </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">a beber, ela mal sabe diferenciar vinho de wine cooler. Como não sai, vive inventando reuniões com amigas: ver um DVD, jogar um biriba. É quando eu apareço com uma garrafa de vinho para acompanhar o papo. E ela mal consegue terminar uma taça.</span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">E os sinais de fumaça ficam mais intensos: a</span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">cabou de me ligar perguntado sobre uma música do Elton John, </span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://youtu.be/21NCH2sPlhc"><span lang="pt-BR"><em>Elderberry Wine</em></span></a></span></span></strong><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">. Quis saber se eu já tinha tomado vinho de sabugueiro (“elderberry”) Se a planta cura tudo, da caxumba ao resfriado. Se é verdade que sua frutinha vermelha dá sorte no amor. Hum, hum! Que eu saiba, os ânimos masculinos ficam quentes e de pé apenas na </span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.lyricsfreak.com/e/elton+john/elderberry+wine_20046695.html"><span lang="pt-BR">letra</span></a></span></span></strong><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal"> do Elton John.</span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Fucei mais e </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">descobri que a cara amiga está preparando um jantar para o Dia dos Namorados. Só para dois. Mora ela e seu filho, o ex já foi embora há tempos. O candidato a namorado ainda desconhece existência do herdeiro. O plano é realizar o jantar depois de colocar o garoto na cama. Ela tem certeza do que o inocente (veja como o batido termo está corretamente empregado) vai ficar sossegado no seu quarto enquanto rola o jantar. Vai arrumar sarna pra se coçar.</span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Os perigos não param por aí. </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Segundo ela, o convidado é um verdadeiro sommelier. Se ela não distingue um wine cooler de vinho, certamente não sabe bem o que seja um sommelier. “Ah, ele manja muito de vinho!” Por isso, me pede dicas de vinhos para combinar com o que ela não sabe, pois desconhece o cardápio da cantina para o dia 12, a grande data. </span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Só não entendi muito bem o que ela está querendo com o Elton John. Pergunto se está produzindo uma trilha sonora especial para o jantar. Olha que o garoto acorda e o ágape será a três</span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">, com direito a choradeiras. </span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Não, a idéia era a de criar um CD, só com músicas destacando os vinhos. Um presente para o convidado. Dei cartão vermelho ao que ela selecionou. Por exemplo: “</span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://youtu.be/Z_8Wu1EJI_o"><span lang="pt-BR">Bebendo Vinho</span></a></span></span></strong><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">” (com a Banda Ira), “</span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.topmusicas.net/adriana/agua-em-vinho.htm"><span lang="pt-BR">Água em Vinho</span></a></span></span></strong><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">”, da Adriana; “</span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://letras.terra.com.br/nei-lisboa/436846/"><span lang="pt-BR">Baladas</span></a></span></span></strong><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">” (Nei Lisboa), o infalível “</span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.lyrics007.com/Andy%20Williams%20Lyrics/Days%20Of%20Wine%20And%20Roses%20Lyrics.html"><span lang="pt-BR">Days of Wine and Roses</span></a></span></span></strong><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">” (Henry Mancini) e “</span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=wV4vAtPn5-Q"><span lang="pt-BR">Cálice</span></a></span></span></strong><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">”, de Chico e Gilberto Gil. </span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Pare por aí, amiga! “Bebendo Vinho” fala em alguém que quer morrer “bem velhinho, assim, sozinho, bebendo um vinho e olhando a bunda de alguém”. </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">A cantora gospel Adriana está num embrulho existencial, não sabe dizer direito o que se passa dentro dela e pede ao “Pai” que transforme a água em vinho, pois já não pode ir sozinha&#8230; </span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">A belíssima música do Mancini é um ótimo resumo do filme: os “dias de rosas e vinhos” te levam a uma porta do “nunca mais”. Um casal de apaixonados, onde o marido é alcoólatra, transforma a mulher amada numa parceira de birita. Ele consegue parar, mas ela não. E vinho mesmo não é o que não se bebe no filme: é uma metáfora para os </span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Brandy_Alexander"><span lang="pt-BR">Brandy Alexanders</span></a></span></span></strong><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal"> e Martinis consumidos em profusão. Uma história triste.</span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Em “Cálice”, </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">temos um belo manifesto contra a ditadura militar, onde cálice é homônimo de cale-se e a bebida um “vinho tinto sujo de sangue”. O que é isso companheira? A sedução aqui são os nossos direitos, em particular os de pensar e falar. Um cálice que temta na porrada nos afastar deles. </span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Pronto, deixei minha </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">amiga desanimada. Ela não cozinha, mal bebe, mas quer esse relacionamento. Afinal, vive só, vive em função do filhote. Acha um absurdo que não haja vinho no encontro já que esse, parece, é o dó-de-peito do rapaz.</span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Penso</span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal"> numa frase de Goethe, mas fico calada. Então, proponho um arranjo dos mais honestos. Vou contribuir com algumas garrafas de vinho: tintos, brancos, espumantes, além de um vinho do Porto. Ela arruma na cantina um cardápio que inclua uma entradinha, um peixe, digamos. E um prato principal, uma carne. Ela charmosamente abre os trabalhos com o espumante. E elegantemente pede que o rapaz selecione os vinhos que melhor combinem com o peixe e a carne. E encerra a festa, pelo menos nessa fase gourmet, com o Porto (um </span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.quintadoportal.com/main.php?setid=14&amp;produto=9&amp;id=18"><span lang="pt-BR">Quinta do Portal Tawny</span></a></span></span></strong><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">, 20 anos). Ela tem tudo para não ficar embaraçada. Precisa apenas prestar atenção no quanto beberá. Quanto ao resto, não me preocupo, ela já é bem grandinha. </span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Tem uma ligeira pegadinha: se o rapaz ainda for adepto de regrinhas de combinação, tipo vinho branco com peixe, vinho tinto com carnes, não haverá problemas. Mas se ele for um pouquinho mais atualizado e queira combinar comidas </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">com molhos muito ricos, muito presentes (o que eu acho não acontecerá, pois não é a norma das cantinas) a milha seleção inclui também vinhos ricos (mais encorpados). </span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Pode ser um clichê, mas amor e vinho sempre andaram junto. </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Mesa de namorados sempre terá flores, velas, taças e uma garrafa de vinho. A Bíblia já dizia que “o vinho faz a vida feliz” (Eclesiastes 10:19), ele também “alegra o coração do homem” (Salmo 104:15). Ele nos faz feliz, nos alegra e é seduz: “Seus lábios são como o melhor vinho” (“Cântico dos Cânticos 7:9-10).</span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">Acho que minha amiga se sairá bem. A frase de Goethe </span></span><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">que engoli é a que segue: “Uma jovem e um copo de vinho curam qualquer necessidade; quem não bebe e não beija está pior que morto”. Minha amiga mal bebe, mas sabe beijar. Morta é que ela não vai estar. Semana que vem conto o final desse jantar.</span></span></p>
<p lang="pt-BR" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif"><em><strong>Da Adega</strong></em></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Para os namorados</em></span></span></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">. Eis o que selecioneis para mandar para a minha amiga. Foi fácil, pois a mídia especializada está sempre me enviando novidades. Por exemplo: enviei dois espumantes. Um, o </span></em></span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.domno.com.br/produtos_detalhes.php?idP=27"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Nero Rosé</em></span></span></a></span></span></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">, da Domno do Brasil, empresa do Grupo Famiglia Valduga, localizada no Vale dos Vinhedos (RS). No Rio, consulte a </span></em></span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.lidador.com.br/loja/"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Lidador</em></span></span></a></span></span></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">. Em Sampa, veja na </span></em></span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.guiamais.com.br/local/specialita+bebidas-vinhos-sao+paulo-sp-16220359-1"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Specialitá Vinhos</em></span></span></a></span></span></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">, </span></em></span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.metapunto.com.br/loja/"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Metapunto</em></span></span></a></span></span></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal"> ou na </span></em></span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://liquourstore.com.br/vitrine.aspx"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Liquor Store</em></span></span></a></span></span></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">. O outro, o premiadíssimo Baccio na versão Brut, safra 2010, produzido pela </span></em></span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.famigliazanlorenzi.com.br/"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Famiglia Zanlorenzi</em></span></span></a></span></span></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal"> (menção honrosa no The International Wine Challenge 2011, realizado em maio, em Londres).</span></em></span></span></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">Para tintos encorpados selecione</span></em></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">i o Aurora Reserva Tannat 2009 e o </span></em></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">Aurora Pequenas Partilhas </span></em></span></span><strong><strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Carmenère. Também da Aurora, separei o Reserva Chardonnay (veja onde encontrar no </em></span></span></strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.vinicolaaurora.com.br/site/"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>site</em></span></span></a></span></span><strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>) e o chileno Tabali Reserva Sauvignon Blanc (que ainda não experimentei; deixo por conta dos casal). </em></span></span></strong></strong></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><strong><strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Estou ainda catando mais um par de vinhos. Afinal, não quero que minha amiga apresente um batalhão de ofertas. Mas por hoje, chega.</em></span></span></strong></strong></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">Leo Bello</span></em></span></span></strong><strong><strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>. Vocês todas sabem que o rapaz é o grande campeão brasileiro de pôquer, o homem que está na origem do sucesso da modalidade de jogo que pratica, o Texas Hold’em, que se transformou-se numa coqueluche por aqui. </em></span></span></strong></strong></p>
<p lang="en-US" align="JUSTIFY"><strong><strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>Pois não é que o Leo Bello tuitou: “</em></span></span></strong></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal">Um dos blogs mais interessantes e divertidos sobre vinhos que conheço é o da Sonia Melier”. Veja em: </span></em></span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://twitter.com/#!/leobello"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em>http://twitter.com/#!/leobello</em></span></span></a></span></span></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><em><span style="font-weight: normal"> </span></em></span></span><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">E eu falando em biriba. </span></span></span><strong><span style="color: #0000ff"><span style="text-decoration: underline"><a href="http://www.leobello.com.br/"><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR">Aprenda a jogar pôquer com o Leo</span></span></a></span></span></strong><span style="font-family: Georgia,serif"><span lang="pt-BR"><span style="font-weight: normal">.</span></span></span></p>
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		<title>Um gás salvador</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 20:29:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma novidade promete transformar 6.500 anos de sufoco em solução caseira para a conservação de nossos vinhos]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-1176" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/05/vinho-msn-300x200.jpg" alt="vinho-msn" width="300" height="200" /></p>
<p>Conservar vinho é uma das mais antigas preocupações do homem. Tem 6.500 anos, pelo menos. Até hoje, ao tirarmos uma rolha ou uma tampa de rosca, sabemos que o vinho na garrafa vai ter pouco tempo de vida, mesmo que voltemos logo a tampá-lo. Por isso, sequer cogitamos em abrir uma garrafa e beber o <strong>vinho</strong> aos poucos, de tempos em tempos, deixar o que sobrou para semana seguinte ou mesmo para o próximo mês.</p>
<p>E desde que a Terra existe, a solução para esse problemaço sempre esteve diante dos nossos narizes. Melhor, sempre fez parte do ar que respiramos, na forma de um gás inerte, o <strong>argônio</strong>. <span id="more-1174"></span></p>
<p>Até aí nada demais: o argônio, um dos três principais gases componentes da atmosfera terrestre, ao lado do nitrogênio e do oxigênio, foi isolado ou “descoberto” em 1894 no Reino Unido e seu nome vem do grego “argon” ou “inerte”.</p>
<p>Que ele <strong>combate a oxidação</strong> também não é novidade: é usado para conservação de peças em museus, pelo seu comportamento inerte; em lâmpadas incandescentes, evita a corrosão do filamento de tungstênio e também de válvulas eletrônicas; é gás protetor para soldas e tem aplicação medicinal, através de lasers, em cirurgias dos olhos, entre outras.</p>
<p>Como conservante de vinhos, também não é novidade. Quem já não conheceu a <a href="http://www.enomatic.co.nz/home/" target="_blank"><strong>Enomatic</strong></a>, esse aparelho com várias garrafas de vinhos, próprios para o serviço em taças? Cada vez que cada taça é servida, automaticamente um jato de argônio é injetado na garrafa. São mais comuns em bares de vinho – onde (até em razão desse equipamento) podemos provar brancos, tintos, rosados e espumantes, à vontade. O que seria improvável fazermos em casa (pelo tamanho e pelo alto preço). O quê, abrirmos quatro garrafas num mesmo dia para dar apenas uma provadinha e deixarmos o que sobrou pra depois?</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-1178" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/05/vinho-2-msn-300x200.jpg" alt="vinho-2-msn" width="300" height="200" /></p>
<p>Nos bares de vinho e em alguns restaurantes, o argônio vai garantir que o vinho sobreviva por semanas, por meses até.<strong> E como nos viramos em casa?</strong> Voltamos à velha rotina de recolocar a rolha ou a rosca na garrafa e torcer para que o vinho suporte por uns dias.</p>
<p>Encomendei de uma amiga que foi conhecer a Califórnia. Ela incluiu na viagem uma excursão por algumas vinícolas do Vale de Napa. Imediatamente pedi que me trouxesse uma novidade que promete transformar esses 6.500 anos de sufoco em solução caseira para a conservação de nossos vinhos.</p>
<p>É a <em>Winesave</em>, que você pode ver <a href="http://winesave.com/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>. Criação australiana, a Winesave é uma elegante garrafinha de alumínio, bem leve, segura, fácil de manejar e baratinha contendo 100% de gás de argônio, que é inerte, inodoro, insípido, incolor, inócuo, e sem sabor.</p>
<p>Porém, ele é 2,5 mais pesado que o oxigênio. Assim que você serve o vinho e pousa a garrafa sobre a mesa, dá uma borrifadinha de um segundo dentro da garrafa (pelo link acima, você poderá assistir a uma demonstração dessa ação). O argônio, mais pesado, vai ocupar completamente o lugar do inimigo número um dos vinhos, oxigênio, e assentar-se sobre a camada superior do líquido. Melhor vedação, impossível.</p>
<p>A revista inglesa Decanter, onde pela primeira vez<a href="http://www.decanter.com/specials/511962/winesave" target="_blank"> li sobre o assunto</a>, afirma que a Winesave é indispensável nas casas dos amantes do vinho, até mesmo por sua simplicidade. E acho também que bares e restaurantes que não podem ter a Enomatic, por questões de tamanho e economia, a utilizarão pela sua praticidade, eficiência e economia.</p>
<p>O grande problema é que a Winesave, que pode ser encontrada em quase todo o mundo, ainda não tem que eu saiba representantes comerciais na América do Sul. Também ainda não vendem online para cá. O que é de tirar o nosso gás.</p>
<p><strong><img class="aligncenter size-medium wp-image-1179" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/05/vinho-3-msn-300x199.jpg" alt="vinho-3-msn" width="300" height="199" /></strong></p>
<p><strong>Mancadas. </strong>Mancadas em degustações de vinho, bem dizendo. A primeira delas é beber muito. A amiga que me trouxe a Winesave esteve uma vez em Napa, na Califórnia, o mais badalado centro vinícola do país. E pagou por uma excursão de ônibus a algumas vinícolas. E anotou o seguinte: boa parte das pessoas já descia dos ônibus com uma latinha ou garrafa de cerveja nas mãos. Estavam ali pra encher a cara. E ninguém com a cara cheia vai conseguir provar nada, o que me parece óbvio.</p>
<p>O ônibus parou em três vinícolas. Em cada uma, você tem uma provinha (digamos, um terço de taça) de vinho; se provar três-quatro vinhos, teremos aí uma taça completa. Em todos os salões de provas, temos um balde para que o vinho seja cuspido. Afinal, o objetivo é degustar e não beber, entornar o vinho. Alguém usou o balde. Não, ninguém. A turma estava mais a fim de chutar o balde. Minha amiga teve vontade de abandonar a excursão.</p>
<p>A segunda é também muito comum: pessoas tentando impressionar os colegas de excursão e os atendentes das vinícolas com um conhecimento sobre vinho que na verdade não têm. Não é vergonha alguma não conhecermos nada sobre vinhos. Por isso mesmo estamos ali, visitando as vinícolas. Algumas pessoas encheram o saco dos<em> sommeliers </em>da casa, dando palpite em tudo, atrapalhando a degustação. Veja como é fácil transformar-se num enochato, o dono da verdade, falando alto e imperativamente que aquele vinho “é muito ácido”, aquele outro “não é bem o meu estilo”. E vai por aí.</p>
<p>E as pessoas que aparecem super maquiadas e perfumadas. Os batons vão tornar qualquer taça difícil de lavar. Sua mancha só vai sair esfregando-a com as mãos. E os perfumes vão prejudicar nossa capacidade de degustar. A nossa e a das pessoas à volta. Nossos sentidos vão se afastar da taça. Voltaremos a esses probleminhas em breve.</p>
<p><em><strong>Da Adega</strong></p>
<p>Harmonizações lusitanas. O sommelier Daniel Lage, da Lusitano Import, experiente importadora de vinhos e azeites, apresenta aqui sugestões de harmonização de vinhos (portugueses e chilenos, as especialidades da Lusitano) e alguns pratos:</p>
<p>1. Quinta do Rocio 2007, que vem lá da Estremadura, das terras de Pedro Álvares Cabral, com carne vermelha e carne de caça. O vinho é um blend pouco comum de Shiraz, Merlot, Touriga Nacional e Grenache.</p>
<p>2. Paxis Douro 2007, da região do Douro: Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Harmoniza com carnes assadas, peixes no forno, pratos condimentados. E até queijos.</p>
<p>3. Paxis Lisboa 2006, também da Estremadura: Caladoc (um corte de Grenache com Malbec) e Tinta Roriz. Vinho encorpado, com aromas de cerejas pretas, framboesas e especiarias. Vai bem com carnes assadas e recheadas e massas.</p>
<p>4. Las Estrellas Carménere. Como o nome diz, com a cepa que faz a fama do Chile. Frutas vermelhas com notas de pimentão acompanhando carnes, massas e pizzas.</p>
<p>5. Las Estrellas Cabernet Sauvignon. Aromas de cereja e morango para fazer par com carnes grelhadas, massas com molhos vermelhos leves e até queijos meia cura.</p>
<p>Daniel Lage é sommelier formado pelo Senac-SP, tem experiência em hotelaria e restaurantes. Saiba mais sobre a <a href="http://www.lusitanoimport.com.br/" target="_blank">Lusitano Import.</a><br />
</em></p>
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		<title>Muito ou Pouco Álcool?</title>
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		<pubDate>Wed, 18 May 2011 18:01:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O nível elevado de álcool danifica o vinho? Veja o que dizem os críticos e revistas especializados]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-1161" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/05/vinho-alcool-3-msn-300x296.jpg" alt="vinho-alcool-3-msn" width="300" height="296" /></p>
<p>Dois dos mais respeitados veículos para a informação e educação sobre vinhos, o jornal americano San Francisco Chronicle e a revista inglesa Decanter já estão registrando as taxas de álcool dos vinhos que testam e recomendam. Desnecessário? Os consumidores podem saber dessas taxas diretamente nos rótulos dos vinhos. O problema é o nível elevado de<strong> álcool nos vinhos</strong>.</p>
<p>E nível elevado de álcool danifica o vinho? Muito consumidores estranham, reclamam que essa alta octanagem tornam o vinho cansativo, até enjoativo de se beber. Um crítico comentou que às vezes sente falta do seu travesseiro quanto num jantar enfrenta um Cabernet “xaropento”, com muito álcool.</p>
<p>Uma das razões desse maior conteúdo de álcool reside no clima mais quente do planeta. <strong>Quanto mais quente, uvas mais maduras, mais açúcar, mais álcool</strong>. Por outro lado, esse estilo de vinho encontrou na voz dominadora do maior crítico do mundo, Robert Parker, o seu maior incentivador. Seu palato é fã ardoroso das chamadas “Bombas de Frutas Hedonistas”, minha modesta tradução para “<em>Hedonistic Fruit Bombs</em>”, como o mestre os classifica: vinhos com pleno de frutas pra lá de maduras, muito tempo em barris de carvalho. E alto, altíssimo nível alcoólico. <span id="more-1159"></span></p>
<p>Como sabemos, tudo começa no processo de fermentação – quando o açúcar das uvas é convertido em álcool. Quanto mais madura, mais açúcar e, assim, mais álcool resultará da fermentação. E o álcool, além do soninho que poderá nos dar, ajuda na sensação de plenitude ou “corpo”, em nosso palato: quão denso ou oleoso ou fino ou aguado sentimos o vinho. Em algumas fichas de degustação temos categorias que vão de vinho “magro”, pouco corpo, bom corpo, muito encorpado e massudo. As “Bombas de Fruta” costumam pertencer a essas duas últimas classificações.</p>
<p>O álcool também nos fornece textura (na boca ele pode ser sedoso, aveludado, redondo, macio). E, além disso, uma sensação de doçura, por mais seco que seja o vinho. O <strong>etanol</strong>, também chamado de álcool etílico, é o principal álcool encontrado nos vinhos; daí ser referido apenas como álcool. Ele não tem sabor, mas cria uma sensação doce na boca, sua viscosidade é maior do que a da água e é ele o principal veículo dos aromas e sabores dos vinhos. Assim, quanto maior o teor alcoólico maior a percepção dessas características (doçura, maciez etc.).</p>
<p>O nível de álcool aumenta em várias regiões, não apenas naquelas mais quentes (mais calor, mais uvas maduras), inclusive em Bordeaux. Li na citada Decanter, um consultor de vinhos, Denis Dubourdieu, alertando para os altos níveis de álcool do Merlot, em Bordeaux. Tornaram-se tornaram tão altos que a famosa uva<a href="http://www.decanter.com/bordeaux-2010/en-primeur-coverage/521482/bordeaux-2010-alcohol-is-threatening-bordeaux-style-say-winemakers" target="_blank"><strong> periga de perder o seu caráter regional.</strong></a> As mesmas queixas são ouvidas por todo o canto.</p>
<p>Os editores da <a href="http://www.sfgate.com/wine/" target="_blank"><strong>San Francisco Chronicle</strong></a> e da Decanter, contudo, enfocam a questão por outro ângulo. “A maioria dos principais vinicultores norte-americanos passam seus dias fazendo vinho de sobremesa”. Pois é: o consumidor pensa que é um vinho seco, mas o produto tem outra característica, pelo menos legalmente.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-1162" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/05/vinho-alcool-2-msn-300x200.jpg" alt="vinho-alcool-2-msn" width="300" height="200" /></p>
<p>A legislação do vinho na maioria dos países, inclusive o Brasil, reza que os vinhos secos tenham um máximo de 14% de teor alcoólico. Ora, os vinhos de sobremesa, com destaque para os Porto, Xerez, Madeira têm entre 14 e 20%. Aqui a legislação chama esses vinhos de “licorosos”.</p>
<p>O que fazer com os <strong>Cabernet </strong>ou até mesmo <strong>Pinot</strong> (em particular os norte-americanos) com 15, 16, 17%? É bom que se diga que esse problema acontece numa faixa relativamente pequena, que responde por apenas 11% do total de litros de vinhos consumidos nos EUA. Acontece que nesses 11% concentram-se os vinhos do chamado segmento de ponta, os vinhos mais caros, mais procurados (porque uma parte da crítica adora bombas de fruta etc.). São as Ferrari do mercado. E são caros até por lei. Lá, passou de 14% de conteúdo alcoólico o governo taxa a garrafa de vinho de 750 ml em 31 centavos de dólar por garrafa. Até 14% a taxa fica em 21 centavos.</p>
<p>O editor do <strong>Chronicle,</strong> Jon Bonné, não acreditou muito no que os rótulos informavam e mandou testar 19 vinhos. E apenas num deles o que estava no rótulo batia com o resultado do laboratório e estava integralmente dentro da lei: 14%. Três deles diferiam dos 14% ora um pouco para cima, ora um pouco para baixo. Quanto aos outros: um com 14,1% no rótulo continha 15.17% de etanol; outro, registrando 14,5, continha 15,54; um Chardonnay tido como 14,8%, oferecia 15,79%; o que se pensava ser um vinho de 14,3% tinha 15,02; o que se pensava ser 14,3% continha 15,02; o vinho de 14,1 tinha 14,66%. Alguns produtores disseram que não mudavam a taxa nos seus rótulos pelo custo da burocracia (é preciso esperar pela aprovação de agências estatais e federais), fora o custo de produção gráfica.</p>
<p>A revista especializada<strong> Wine&amp;Spirits</strong>, também norte-americana fez o mesmo teste, porém bem mais vasto e variado. Mandou para laboratórios 7 caixas de vinhos (12 garrafas cada): uma seleção de rótulos norte-americanos, australianos, argentinos, chilenos, franceses, húngaros, italianos e espanhóis.</p>
<p>As análises revelaram que as taxas de metade dos rótulos informavam corretamente o nível de etanol nas garrafas (as diferenças eram de apenas 0,3%). Uma boa surpresa: nem todos mentem acerca desses níveis. <strong><a href="http://www.wineandspiritsmagazine.com/pages/features/0910_TaxingTrends.html" target="_blank">Veja aqui a matéria da W&amp;S.</a></strong></p>
<p>Agora, um vinho em cada dez ficou bem longe do que prometia no rótulo. E os consumidores que buscam exatidão podem se decepcionar. As leis norte-americanas definem uma dose de álcool como 44,36 mililitros de álcool a 40%, o que seria equivalente a 354 ml de cerveja (cerca praticamente uma latinha) ou 147 mil de litros de vinho. Isso funciona se o vinho tem 12% de álcool. Mas quando na taça temos um vinho com 14,2%, vamos beber quase 20% mais de álcool do que uma dose de uísque. Logo, pense duas vezes antes de se desculpar pro guarda de trânsito de que “foi só uma tacinha”. Um problemão para quem quer apenas tomar uma taça de vinho num bar – um inocente aperitivo antes de chegar em casa. Não damos bola para as taxas de álcool. As taças não dizem nada, nem os garçons.</p>
<p><img class="aligncenter  size-medium wp-image-1164" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/05/vinho-alcool_msn-300x199.jpg" alt="vinho-alcool_msn" width="300" height="199" /></p>
<p>A maioria da crítica, além do Chronicle e do Decanter registra que os consumidores vêm reclamando desses vinhos “quentes”. E porque vinho oferece prazeres que não têm relação com cara cheia, resolveram pelo menos informar seus leitores o quê e também o quanto estão recomendando.</p>
<p>Críticos dos vinhos muito alcoolizados falam que eles perdem a harmonia, a interação entre seus elementos constituintes, ficam enjoativos até.</p>
<p>O álcool é apenas mais um dos muitos componentes do vinho. Ele pode contribuir ou não para esse sentido de harmonia, assim com os ácidos, os taninos, os aromas etc. E gosto é coisa pessoal. Alguns vinhos com muito álcool são muito bons. Outros, não. Exatamente como os vinhos com 14%, 13, 8, 20% de álcool.</p>
<p>Por falar nisso, até hoje não descobri como chegaram aos 14% como teto demarcatório dos vinhos de mesa. O vinho que Ulisses ofereceu para o gigantesco ciclope Polifemo era fortíssimo. Botou o colosso fora de combate. Os vinhos da antiguidade eram “fortes” a ponto de<strong> gregos e romanos</strong> misturarem água a eles. Mas ninguém reclamava. Não havia uma linha demarcatória, o que só veio a acontecer muito recentemente.</p>
<p>Mas se a moda de informar sobre o conteúdo alcoólico pega, daqui a pouco vamos ter comentários ou até mesmo rótulos com quantidades de ácido tartárico, pH (alcalinidade), açúcar residual, acetaldeídos e assim por diante, além das taxas de álcool. Certamente, os consumidores ficarão ou confusos ou entediados. E talvez até mais assustados com a bebida. Será que para bebê-la é preciso saber disso tudo? Será que o gosto de cada um de nós não conta? Será que uma cerveja de 5% ou um vinho de 11% não embebedam?</p>
<p>Vamos aproveitar a diversidade e experimentar. No caso de muito álcool, vou sempre procurar pelo meu travesseiro. Beber pouco e bater em retirada.</p>
<p><em><strong>Da Adega</strong></em></p>
<p><em><strong>Ducasse e Don Laurindo.</strong> Ele é provavelmente o maior chef da atualidade. Tem 21 restaurantes em oito países, 1.400 funcionários, fatura anualmente em torno dos 30 milhões de euros. E é muito, muito estrelado: só do Guia Michelin tem três estrelas há anos. Pois Ducasse visitou o pavilhão brasileiro na Sial (Salon International de l&#8217;Agroalimentaire), em Paris, e não só provou como aprovou o Don Laurindo Reserva Tannat 2006. A Don Laurindo fica na Serra Gaúcha e faz vinhos pra Ducasse nenhum bota defeito. <a href="http://www.vinhosweb.com.br/produto.php?Id=326" target="_blank"><strong>Ache esse vinho</strong></a>.</em></p>
<p><em>Terroir argentino. Uma caixa com 6 garrafas (2 de cada vinho) com três tintos singulares: o Altosur Cabernet Sauvignon 2009, o Doña Paula Los Cardos Syrah 2009 e o Dolium Tempranillo 2006. É uma promoção especial da Vinitude. <a href="http://www.vinitude.com.br/" target="_blank"><strong>Saiba como botar a mão nessa caixa</strong></a></em></p>
<p><em>Festival de Sopa &amp; Suflês. Meu sobrinho, o Guilherme, está volta a São Paulo e decidiu que vai morar no Alto de Pinheiros. Lá vou eu ajudar na mudança, mais uma vez. O garoto não para. Desta vez, porém, vou cobrar uma ida ao La Marie, que está com um apetitoso Festival de Sopas &amp; Suflês. Já pensou, nesse friozinho? A promoção se encerra no fim desse mês. O cliente escolhe uma sopa (entre cinco opções), um prato principal (entre sete escolhas de suflês salgados) e um suflê doce como sobremesa (de chocolate ou Grand Marnier).</em></p>
<p><em>Já viu que os suflês são as especialidades do La Marie, um bistrô do chef Edison di Fonzo que funciona na Rua Francisco Leitão, 16, tel.: (11) 3086-2800. Guilherme me aguarde. Você pensa que está em Paris, mas é Pinheiros mesmo. <a href="http://www.lamarierestaurante.com.br/index.html" target="_blank"><strong>Veja aqui.</strong></a><br />
</em></p>
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		<title>O Champanhe Real</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 15:23:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>soniamelier</dc:creator>
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		<category><![CDATA[champanhe "casamento real" "bebida casamento real" "kate e william" vinho "bebida de casamento" "vinho branco"]]></category>

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		<description><![CDATA[Saiba qual a champanhe que o príncipe William e Kate Middleton vão beber no casamento]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-1156" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/04/champanhe-300x292.jpg" alt="champanhe" width="300" height="292" /></p>
<p>Não se fala em outra coisa: qual será o espumante a ser servido no produto turístico britânico, o casório do Príncipe William com a plebeia Kate Middleton? O crítico de vinhos do New York Times, Eric Asimov, chegou até a viajar para a Inglaterra para degustar os espumantes ingleses, novos e promissores atores no mundo das bolinhas. E, claro, dar o seu palpite. Os estimados convidados brindarão com que bolinhas?</p>
<p><span id="more-1144"></span><br />
Nas famosas casas de apostas inglesas, além da cor do chapéu da rainha ou do sapato da noiva, ou ser haverá algum   <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Streaking" target="_blank">streaking (pessoas correndo nuas em público)</a>, já deve ter gente fazendo uma fezinha sobre qual será o espumante.<br />
Qualquer casamento é sempre especial para noivas e noivos. Só que esse é ditado por séculos de protocolos. Em qualquer outro casório, poderíamos ter um espumante brasileiro, italiano, americano etc. Acontece que hoje os espumantes ingleses vêm fazendo a diferença: ufanistas ingleses já cantam o seu espumante como, pelo menos, tão bom quanto os de <strong>Champagne</strong>.</p>
<p>Vamos esquecer do clichê de que a comida inglesa é intragável. Hoje Londres é uma das capitais mundiais da gastronomia. Outro lugar-comum, de que a Inglaterra não produz vinhos, mas é uma grande importadora, precisa ser apagado. O sul da Inglaterra tornou-se fonte de excelentes espumantes, feitos ao estilo de Champagne, afirma do crítico do New York Times.</p>
<p>Quando a Rainha Elizabeth II fez 80 anos, em 2006, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Champanhe_%28vinho%29" target="_blank">vinho servido foi o blanc de blancs</a> o <a href="http://www.ridgeview.co.uk/" target="_blank">Ridgeview Estate, feito numa vila de East Sussex</a>. Esse mesmo espumante ficou em primeiro lugar numa prova que reuniu 52 rótulos ingleses, quatro franceses (de Champagne), um da Nova Zelândia e o melhor cava da espanhola Codorniu.</p>
<p>Entre os julgadores, a nata da crítica europeia: entre outros, Jancis Robinson, a grande escritora de vinhos inglesa, Victoria Moore, a colunista do Daily Telegraph, Dee Blackstock, consultora de vinhos da rede Waitrose. Os espumantes ingleses ficaram com quatro dos primeiros lugares, inclusive o <a href="http://www.ridgeview.co.uk/" target="_blank">Ridgeview Estate</a>, com os dois primeiros postos: o 2007 e o 2000 (ambos 100% Chardonnay).</p>
<p>O chef inglês Michel Roux Jr que participa do comitê responsável pelos vinhos da família real (ele comanda o Le Gavroche, que tem duas estrelas do Guia Michelin), já sugeriu que o espumante servido fosse inglês – algo impensável até recentemente, no que é apoiado pelo crítico americano.</p>
<p><img class="aligncenter  size-medium wp-image-1155" src="http://blogs.bolsademulher.com/SoniaMelier/files/2011/04/rolha-vinho-msn-300x199.jpg" alt="rolha-vinho-msn" width="300" height="199" />O colunista de vinhos do Wall Street Journal, o inglês Will Lyons, lembra que no casamento do Príncipe Charles com Lady Diana Spencer, serviram Champagne Krug 1969, além de um Château Latour 1959 e, nos finalmente, um Porto vintage 1955, o Taylor’s.</p>
<p>Parece que foram os romanos que levaram o vinho para a Inglaterra. Até então, os celtas locais preferiam a cerveja, que continuou a preferida dos que chegaram após os romanos: anglo-saxões e normandos. Mas o vinho era necessário para a eucaristia. E a sede dos novos habitantes era bem maior do que a produção local. Os normandos, por exemplo, eram originários do continente, onde tinham grandes propriedades. E os vinhos franceses, em particular, começaram a ser importados. A expressão “clarete” (clarete) vem dessa época e nasce de um vinho ralo, quase um rosado, feito com uma cepa ainda existente em Bordeaux, a Clairet. Quando, tempos depois, um figurão inglês queria comentar sobre um tinto de Bordeaux, falava do seu “clarete”.</p>
<p>E, agora, vão voltar a servir o Krug? Will Lyons acha que não. Para ele o espumante da vez será um espumante que sempre esteve <a href="http://www.polroger.com/english/" target="_blank">entre os favoritos da realeza britânica, Pol Roger</a>. <a href="http://www.decanter.com/" target="_blank">A revista inglesa especializada, a Decanter</a>, não tem dúvidas. Ela tem informações de cocheira garantindo que o Champagne será o Pol Roger, por sinal o mais bebido na Inglaterra do que qualquer outro. Era o preferido de Sir Winston Churchill, o primeiro-ministro que conduziu o país na resistência e, depois, na vitória sobre os nazistas. Pouco depois da liberação de Paris, Churchill foi almoçar com o seu embaixador na França – quando então conheceu Odette Pol Roger, grande incentivadora da casa fundada pelo avô de seu marido, Jacques-Pol Roger. Ele participou da Resistência francesa e manteve um elegante flerte com Churchill.</p>
<p>Talvez tenha sido mais do que um flerte: diz a lenda que, ao longo de sua vida, o primeiro-ministro consumiu 42 mil garrafas de Pol Roger. Memórias de Odette? Dá para entender que quando Churchill faleceu,<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuv%C3%A9e" target="_blank"> a casa de Epernay colocou frisos pretos no rótulo da bebida e em 1984 criou um Cuveé Sir Winston Churchill, em sua homenagem. </a><br />
Então, com que bolinhas William e Kate brindarão seu casamento? Parece que quem apostar na Pol Roger ou num espumante inglês estarão mais próximo faturar. Afinal, ninguém quer dar uma de pé frio e repetir a Krug de Lady Diana e Charles, que nos tirou da lembrança o “the end” tradicional. Todos querem um final feliz.<br />
<strong></strong></p>
<p><em><strong>Da Adega</strong></em></p>
<p><em>Ville du Vin &amp; Joseph Phelps. A conhecida rede de multimarcas, que não apenas comercializa vinhos, mas conduz programas de educação enogastronômica em suas lojas de São Paulo, está promovendo uma degustação dos vinhos da vinícola Joseph Phelps.</em></p>
<p><em>A vinícola tem o nome do dono, que em 1973 comprou terras em Napa e logo estava produzindo vinhos premiados em todo o mundo. Entre eles os celebradíssimos Insignia e Opus One. No programa estão o Joseph Phelps Cabernet Sauvignon 2005, o 2006, o Opus One 2005, o Insignia 2005, e <a href="http://www.villeduvin.com.br/index.html" target="_blank">os Eisrébe 2008 e 2009 (um vinho de sobremesa feito com a cepa Scheurebe</a>). Vale dar uma provada.</em></p>
<p><em>Vinhos + Termômetro. <a href="http://www.vitisvinifera.com.br/vinitude/losboldos_0411/losboldos.htm" target="_blank">Na Vinitude, você compra seis Château Los Boldos Cabernet Sauvignon um termômetro dos mais práticos de brinde</a>.</em></p>
<p><em>KMM Vinhos fatura o Top Ten. A importadora mais uma vez foi vencedora do concurso Top Ten, conquistando na ExpoVinis 2011 dois troféus na categorias Vinhos Brancos (com o Giaconda Nantua Vineyard Chardonnay 2005) e Vinhos Tintos do Novo Mundo ( com o Jim Barry The Mcrae Wood Shiraz 2005), ambos australianos. <a href="http://www.kmmvinhos.com.br/" target="_blank">A KMM Vinhos é expert em Novo Mundo. </a></em></p>
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