As críticas de vinho costumam vir assim:
“… notas de abacaxi, baunilha, frutas cítricas, flores brancas e maçã verde; o olfato é elegante e fino; no paladar uma sensação de frescor; corpo médio, de boa acidez; é delicado e equilibrado; tem média persistência…” (de uma resenha sobre um espumante nacional)
Agora, compare com a nota abaixo, sobre o perfume Nombre Noir:
“O perfume, como o timbre de uma voz, pode dizer algo bem independente das palavras que normalmente falamos. O que Nombre Noir disse foi “flor”. Mas dito como se fosse uma epifania. A flor no cerne do Nombre Noir estava a meio caminho entre uma rosa e uma violeta, mas sem sequer um traço da doçura de ambas, colocada contra um fundo austero, quase santificado, de notas de cedro de uma caixa de charuto. A voz de Nombre Noir era a de uma criança mais velha do que sua idade verdadeira, ao mesmo tempo fresca, seca, modulada e ligeiramente caprichosa. Percebi uma ingenuidade qual o estilo de Colette, nos seus livros sobre Claudine. E me fez lembrar a tinta púrpura para escrever cartas de amor com farouche, essa maravilhosa palavra francesa que tanto pode significar timidez quanto ferocidade ou um pouco de ambas.”
+ Leia mais