» 2007 » julhoSoniaMelier

As novas modas

by soniamelier em 25 de julho de 2007 | 21:00

Leitora pergunta quais as novas tendências no mundo dos vinhos. Difícil de responder: a cada semana, uma nova moda ou tendência aparece. Se fizermos uma lista agora, quando você chegar ao seu final, ela já estará desatualizada. Tem sempre alguém promovendo uma nova uva ou um novo estilo de vinho, um novo conceito, rótulo ou embalagem. Moda, o nome diz, é coisa passageira. Tendência indica uma disposição, uma vocação. E, nesse caso, um pendor para ficar na moda. Vamos a algumas delas:

1. Varietais. Anteontem, a varietal da moda era a Pinot Noir, como resultado do filme Sideways. Ontem, era a Viognier, uma uva branca muito antiga, de origens desconhecidas, que teria origem na Dalmácia e foi parar em Condrieu, norte do Vale do Ródano. Aliás, é a única uva utilizada nas apelações de Condrieu e Château-Grillet. Ela é por vezes utilizada para dar mais aroma e amaciar aos vinhos com a uva Syrah. É também plantada no Languedoc, Roussillon e na Provence.

‘Hoje, até o Emile, o ratinho do Ratatouille, está num rótulo de vinhos (pareceria da Disney com a Costco). A moda de rótulos com bichos (cachorro, gatos, cangurus, vários pássaros etc.) é coisa de 2005

Em 2004, a Universidade da Califórnia, em Davis, fez um perfil do DNA da uva, pelo qual se demonstra que ela é parente próxima da Freisa, uva do Piemonte, Itália, e geneticamente ligada à outra italiana, a Nebbiolo. É hoje plantada também na Califórnia, Chile, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e até no Japão.

Hoje, parece, a uva que está na bica para ficar na moda é a tinta Mourvedre. Seu nome deriva de uma cidade espanhola, Murviedro. De lá, chegou ao sul da França. Com a praga da phylloxera, no século XIX, seus vinhedos foram devastados e somente nos últimos 50 anos é que conseguiram replantá-la. E ela começou a ganhar popularidade. Está em muitos blends com a Grenache e a Syrah no sul do Vale do Ródano. Tem aromas rústicos, de animais de caça. Faz vinhos com boa capacidade de envelhecer. Na Espanha, é conhecida por Monastrell e na Califórnia por Mataro.

2. Os Rosados. Em termos de estilo, o que ainda está na moda são os vinhos rosés: despontaram muito bem no nosso verão e são sucesso absoluto agora no verão do Hemisfério Norte. Um vinho para beber na piscina, num fim de tarde papeando com amigos, num piquenique. Mas atenção: existem rosados que chegam ao mercado após anos em carvalho, como o López de Heredia Crianza Rosé (o produtor é a respeitada R. López de Heredia Viña Tondonia, de Rioja).

3. Wine Bars. Continuam na moda, cada vez mais divertidos e promovendo a interatividade. Você já pode escolher por varietal – e não necessariamente por um rótulo. Por uma justa coincidência, o wine bar Varietal, de Nova York, oferece rodadas de varietais, uma delas é a "Rodada Misteriosa". Se você acerta quais as uvas em três das taças oferecidas, recebe uma rodada grátis.

4. Restaurantes. Estão aprendendo com os wine bars: agora, encontramos mais meias-garrafas e quartinos, aquelas pequenas e elegantes jarras com capacidade para duas taças de vinho. Faz todo o sentido: às vezes, você escolhe peixe como aperitivo e prefere vinho branco para acompanhar. O tinto fica para o próximo quartino ou meia-garrafa escoltar o filé que está por chegar.

5. Listas de Vinho. Outro dia vi o Renato Machado e o Claude Troisgros num restaurante francês (isto é: vi na TV) levantando uma lista de vinho que era a soma do Velho e Novo Testamento mais a lista telefônica de Nova York. É demais! Vamos levar umas duas semanas consultando-as. A comida vai estragar. A tendência hoje é por listas bem mais magras, mais suaves, cordiais – e muitas vezes bem humoradas, compatíveis com as ofertas da cozinha. Muitas listas já são divididas por varietais, tornando mais fácil a escolha, principalmente de iniciantes no mundo dos vinhos.

6. Sommeliers. A moda, já há muito tempo, é de profissionais do vinho bem mais próximos dos clientes, dedicados a ajudá-los a encontrar uma garrafa que lhes sejam confortáveis, em termos de preço e combinação com o prato escolhido. Nada de nariz em pé. Já até me esqueci da época em que os que se classificavam como sommeliers tentavam empurrar os vinhos mais caros das cartas. Nessa área, a moda é a mudança de nome: de sommelier passa a ser diretor de vinho do restaurante.

7. Tampas de Rosca. É seguramente uma tendência estabelecida. Produtores neozelandeses, australianos e californianos estão mudando da cortiça para a tampa de rosca metálica, embora a maioria dos consumidores em todo o mundo ainda associem as segundas com vinho barato. As tampas de rosca começaram a ser utilizadas como alternativa para solucionar o problema do TCA, um fungo que ataca as rolhas, praticamente inutilizando o vinho. Como 95% dos vinhos produzidos em todo o mundo são feitos para consumo imediato, não há porque se perder muito tempo com a questão: as tampas de rosca podem ser uma saída, pelo menos bem mais práticas.

8. Vinhos com muito álcool. Foi uma forte tendência até ano passado, principalmente no hemisfério norte (e, em particular, na Califórnia, onde em dez anos a média de álcool subiu de 12,5% para 15%). Agora, os vinhos com taxas "normais" de álcool estão voltando a ocupar os seus devidos lugares. Decisiva nessa volta a taxas mais amenas foi a posição de restaurantes importantes de não mais servirem esses vinhos, muito difíceis de acompanhar qualquer prato.

9. Celebridades. Hoje, até o Emile, o ratinho do Ratatouille, está num rótulo de vinhos (pareceria da Disney com a Costco). A moda de rótulos com bichos (cachorro, gatos, cangurus, vários pássaros etc.) é coisa de 2005. Agora o que temos são o que chamam de "vinhos dos paparazzi", das celebridades. Temos vinhos para (ou a eles diretamente relacionados) músicos vivos (Bob Dylan, Sting, Madonna, Mick Hucknall, o líder do Simple Red etc.), para músicos já falecidos (Frank Sinatra, Jerry Garcia), para outros que talvez ainda estejam vivos (Elvis Presley). E, claro, vinhos para estrelas de Hollywood, as vivas (Fess Parker) e as imortais (Marilyn Monroe). Temos vinhos relacionados ou sendo produzidos por golfistas, pilotos de corrida. E aqueles sendo produzidos por personalidades de cinema, como o "chefão" Francis Ford Coppola, dono há 30 anos, de uma das maiores vinícolas norte-americanas.

10. Pontos. Quase que a totalidade dos críticos encerra seus comentários com uma nota, ou um sistema de notas, sejam os pontos do sistema decimal, estrelas, taças etc. A mesma coisa fazem os comerciantes: anunciando que o vinho tal recebeu tantos pontos de Robert Parker ou da Wine Spectator. Mas esses sistemas estão sendo criticados, colocados em dúvida, pela sua falta de objetividade. Recentemente, o crítico e professor Tyler Colman (o Dr. Vino) descobriu que o próprio Robert Parker, criador do mais famoso sistema de pontuação, admitiu que avaliar vinhos depende da "emoção do momento". Mais subjetivo impossível. Numa entrevista dada há ao jornal Naples Daily News, em agosto desse ano, Parker explica:

Sempre procurei explicar que sou uma pessoa muito apaixonada e emocional. Acho realmente que a única diferença entre um vinho com 96, 97, 98, 99 e 100 pontos é realmente a emoção do momento".

Parker admite, na entrevista, que não é nenhum ciborgue. E, portanto, parece reconhecer o relativismo sistema que ele próprio criou. E que gerou filhotes em todo o mundo. Esse mesmo mundo que agora, descobre-se, ele mesmo ameaça a colocar por terra, para gosto de uma parte importante da crítica que não admite toda essa "objetividade". Mas ninguém se arrisca em antecipar o que virá em lugar desses sistemas.

A amiga sabe de alguma outra tendência ou moda? Clique aqui para o Bolsa ou para a Soninha, no soniamelier@terra.com.br

Vinho caseiro

by soniamelier em 18 de julho de 2007 | 21:00

Já teve vontade de você mesma fazer seu vinho? Parece complicado, mas não é. Li uma matéria na "Craft", que visito sempre online. É uma revista especializada em artigos do tipo "faça você mesma". E lá está a matéria de Alastair Bland, um misto de ciclista, aventureiro e repórter. Ele conta as sete semanas que rodou pela Califórnia no verão do ano passado. Bicletou perto de quatro mil quilômetros e só gastou 100 dólares!

Ele se alimentava basicamente do que colhia das árvores: amoras, figos, amêndoas, uvas. Lá pelas tantas, deu-lhe sede, mas sede de vinho. Ele não se apertou e fez o seu próprio vinho. Tome nota, são apenas sete simples passos para que nós mesmas possamos realizar a mesma façanha (sem precisar ralar no selim de uma bicicleta).

‘O resultado é um vinho rústico, dominado por aromas de fermento e alguns aromas de amora

1º) Colha o equivalente a cinco quilos de amoras. O nosso aventureiro colheu frutinhas vermelhas: amoras, morangos, framboesas. Em nosso caso, (ou pelo menos no meu, aqui na Serra) é mais fácil encontrar amoras.

2º) Faça um suco dessas amoras. O ciclista as espremeu utilizando uma meia, separando o suco da polpa, cascas. Sem problemas, podemos fazer o mesmo (espero que o autor tenha usado meias limpas).

3º) Transfira o suco para um grande contênier de plástico. Experimente um desses utilizados para armazenar água ou combustível, desde que zero quilômetro. Atenção: não encha até a boca; deixe pelo menos um terço dele vazio, dando espaço para a fermentação.

4º) Acrescente fermento, mas os específicos para pão (que, claro, vamos fazer como o autor da matéria: comprar na padaria mais próxima).

5º) Deixe o suco fermentar por sete a dez dias. Entre o quarto e o quinto dia, o suco estará ligeiramente espumante, carbonatado – mas já bebível. O melhor, porém, é esperar que a fermentação se complete. Isso acontece quando você der uma olhadinha dentro do vasilhame e verificar que parou a agitação do suco. Está tudo calmo, calmíssimo.

6º) Decante o vinho para eliminar sedimentos. Mais uma vez, use uma meia limpa. E coloque tudo num vasilhame também limpo. Vale, portanto, ter à mão dois grandes vasilhames, com igual capacidade: um para a fermentação e outro para o vinho já pronto. Se quiser, divida todo o volume por garrafas de vinho (devidamente lavadas). Você vai precisar de seis garrafas de 750 ml e uma meia garrafa, 350 ml.

7º) Beba. Claro que o resultado é um vinho rústico, dominado por aromas de fermento e alguns aromas de amora. Será pobre de taninos (nenhuma adstringência, portanto) e muito suave. Volume de álcool: uns 8%, bem leve. Bom para beber nos fins de tarde. É simples assim mesmo. Não custa tentar.

Garrafas personalizadas. Mas as garrafas vão ficar sem rótulo ou ainda com os rótulos antigos, dos vinhos de uva mesmo? Nada disso. A "Craft" nos ensina como fazer nossos próprios rótulos, todos a partir de rolhas que tenhamos guardado. Quem gosta de vinho tem sempre um bom estoque de rolhas em casa.

Primeiro, faça o desenho que preferir, escolhendo se vai querer utilizar uma extremidade da rolha (que se transformará num carimbo) ou uma das laterais (o rótulo terá, assim, o formato retangular).

Em seguida, consiga uma dessas facas especiais, com cabo longo e lâmina afiadíssima muito curta. São utilizadas em trabalhos manuais de marcenaria, como na montagem de aeromodelos. Pois faça o seu.

Veja só aqui. É só acompanhar pelas fotos. Não precisa saber inglês. É muito fácil e divertido.

Com o vinho de amoras e essas estampas poderemos ter um Château Marcella, um Domaine Diniz, um Finca Soninha, ou o nome que você quiser. Seus presentes de Natal, exclusivíssimos, já estão na linha de produção.

Mais sobre vinhos e trabalhos manuais? É só consultar o Bolsa ou a Soninha no soniamelier@terra.com.br

Da Adega

Dal Pizzol Pinot Noir 2007. É a mais recente novidade da Dal Pizzol Vinhos Finos: 12 mil garrafas numeradas de um vinho elegante, agradável, feito para acompanhar bons pratos. Veja no site da vinícola onde encontrá-lo.

SBAV-SP comemora 27 anos. Não podia deixar de registrar os 27 anos da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho – SP, a mais antiga associação enológica do país, idealizada pelo enólogo, consultor, autor Carlos Cabral, atualmente diretor de vinhos do grupo Pão de Açúcar. Seu atual presidente é Daniel Pinto. Não deixe de conhecer mais sobre a SBAV-SP.

Remy já tem seu vinho. Não deixem de ver "Ratatouille", a aventura animada da Disney e Pixar, a qual o ratinho Remy sonha em se tornar um chef francês, apesar da oposição de sua família. Enquanto isso, para badalar o filme, a Disney e a Costco, a maior rede varejista dos Estados Unidos, fizeram um parceria e estão lançando um Château de Messey 2004, um Chardonnay importado da terra dele mesmo, a Borgonha, França. Quer dizer: Ratatouille não foi feito apenas para crianças, não é?

Chutando o balde

by soniamelier em 11 de julho de 2007 | 21:00

O crítico de vinhos do New York Times, Eric Asimov, comenta sobre a pizza que comeu num restaurante da cidade, Una Pizza Napoletana, que só serve quatro tipos de pizza e vinhos, mas, como napolitano, do sul da Itália. Ele experimentou um Aglianico del Taburno (a aglianico é uva comum nessa região). Foi servido num copo de refrigerante, cheio quase que até a boca. E achou a experiência das mais perfeitas em termos de combinação vinho-comida.

O esnobe torceria o nariz para tomar vinho num copo que não fosse uma taça de cristal Riedel (pelo menos). Para muita gente, o mundo dos vinhos é feito mais de negativos do que de positivos. Não pode isso, não pode aquilo, a etiqueta torce o nariz para um monte de coisas, é um tal de Tsk, Tsk, Tsk. A vontade que dá é de chutar o balde. Vamos lá?

‘Cubos de gelo feitos a partir de sobras de vinhos são ótimos para serem usados em saladas. O mesmo acontece com espumante congelado

Use o copo correto. Faça como o Eric Asimov e o Anthony Mangieri (o dono do Napoletana) aí em cima: serve qualquer copo, serve até beber direto da garrafa (numa emergência, quem sabe). A própria Riedel não respeitou tradições e lançou com sucesso a taça sem haste (chamada O glass), muito prática. Então, não tem taça, vá de copo de geléia mesmo (O glass é na verdade um copo, mas de cristal). O que interessa mesmo é o que está no copo.

Nada de pedra de gelo. Claro! Não se deve diluir o vinho. Isso se ele já estiver na temperatura correta ou se dispormos de uns vinte minutos para que ele gele no balde ou na geladeira. Mas e se ele vier para mesa morno e quisermos algo refrescante naquele momento? A solução é colocar uma pedra de gelo na taça, girá-la algumas vezes, retirar o que sobrou da pedra e pronto. Se os vinicultores adicionam água no vinho, você também pode, não é? Harvey Steiman, editor da Wine Spectator, e Jennifer Rosen, a crítica mais iconoclasta que conheço, também. Eles é que me deram as dicas para esses chutes no balde. Não perdem tempo e pedem logo um copo com gelo na mesa. Tomar vinho morno – nem pensar!

Gelados só os brancos. A propósito de temperaturas: os tintos devem ser servidos à temperatura ambiente, não é? Claro, todas moramos num gelado castelo dinamarquês com umidade escorrendo pelas paredes. O caso é que o calor vai destacar o álcool. Os tintos encorpados, com bons taninos, são bebíveis lá pelos seus 18º C. Os tintos mais leves e os rosados devem ser servidos ainda mais frios, a partir dos 16º C em diante (os rosés devem ter a mesma temperatura dos brancos). Afinal, como pode uma bebida morna ser refrescante com uma comida quente? Nos restaurantes, os vinhos ficam guardados, na maioria das vezes, em prateleiras lá no alto, perto do teto ou da cozinha, isto é, nos locais mais quentes. Assim, não dispense o uso de um balde com gelo.

Não dilua o vinho. Veja só: combinamos bourbon e uísque com água, não é? Uma gotinha d'água abre os sabores desses destilados. O mesmo acontece num tinto encorpado. Experimente.

Microondas? Pois é. Um vinho gelado demais, com taninos muito evidentes ou escondendo sabores de frutas ficam logo redondos depois de seis ou sete segundos num microondas. (Não se esqueça de retirar a cápsula protetora da rolha; ou mesmo substituir tampas metálicas por rolha – no microondas, nada de metal).

Nunca congele o vinho. Pois, sim. Cubos de gelo feitos a partir de sobras de vinhos são ótimos para serem usados em saladas. O mesmo acontece com espumante congelado. A bebida vai ficar como neve derretida dentro da garrafa, na verdade, uma saborosa raspa de gelo, ótima para ser usada em pratos frios, um toque muito especial e elegante.

Quanto mais velho, melhor. Quer dizer: você compra o vinho e o deixa na sua adega (ou debaixo da escada) por dois, cinco anos? Ou por cinco minutos? Pois saiba que 95% de todos os vinhos produzidos no mundo são feitos para serem bebidos assim que chegam em casa. Não perca tempo, amiga.

Gire a taça gentilmente. Mas se, de repente, você erra a mão, e vai vinho para tudo quanto é lado. Eu não penso duas vezes: tampo a boca da taça com a palma da mão e giro, giro bem. E aí é que vou sentir os aromas. Se ainda não se liberaram, repito a operação. Não tem vinho que não "fale" com você depois desse "susto".

Nunca misture vinhos. Em Bordeaux, França, os vinhos por lei são misturados: Cabernet Sauvignon com Merlot, com Cabernet Franc, com Petit Verdot, com Malbec, com Carmenère. Os blends mais comuns hoje são os da Cabernet com Merlot e com a Cabernet Franc. Ora, se temos na mesa, um tinto áspero e outro mais suave, vale misturá-los para ver como é que fica. Brinque de cientista. Descubra sabores novos e entenda melhor o trabalho dos vinicultores.

Não bagunce o vinho. Aprendi sobre acidez lendo livros da famosa Jancis Robinson. Numa limonada sem açúcar, você vai ajustando a acidez colocando açúcar. Faça o mesmo com seu vinho. Se achar que um branco poderia ficar melhor mais ácido, coloque umas gotinhas de limão. Se estiver pra lá de ácido, coloque um tantinho de açúcar. Nada de desistir da taça à sua frente.

Vinho barato é vinho ordinário. Os esnobes garantem isso: vinho bom é caro. Verdade? Alguns vinhos são caros ora porque são escassos, ora porque o famoso crítico deu-lhe mais de 90 pontos, ora porque ficaram na moda. Às vezes, a razão está na longínqua região onde foram produzidos ou do alto custo da mão-de-obra. Mas hoje em dia, no mesmo instante em que um produtor fica na moda e encarece seu vinho, aparece outro com um vinho fabuloso bem baratinho. O segredo é procurar, buscar dicas com pessoal informado, inclusive na sua loja de confiança.

Fuja da caixa. Besteira: os vinhos em caixa devem ser apreciados. As caixas (ou "bag-in-box", com um saco plástico lá dentro à prova de oxigênio) são hoje uma das mais confiáveis maneiras de se conservar vinhos. E os produtores estão cada vez mais utilizando vinhos de boa qualidade. As versões nacionais são ótimas: o Marco Luigi Bag-in-box Tributo Cabernet Sauvignon vem numa caixa de cinco litros. A Valduga também (linha Alto Vale, para tintos e brancos). Idem, a Amadeu, a Aurora, a Dal Pizzol, a Garibaldi, entre outras. Você não sabe como é prático, econômico, seguro. E igualmente delicioso. Conserva o vinho durante meses e inalterado da primeira à última gota.

Também quer chutar o balde? Clique aqui para o Bolsa ou para a Soninha no soniamelier@terra.com.br

Da Adega. A Confraria Amigas do Vinho festeja hoje o encerramento do 1º Curso Básico de Vinho. É a primeira turma que se forma – o que vale um jantar com direito a brindar com vinho, claro. Não deixe de ir e de tentar entrar numa segunda turma. O encontro será hoje, quinta-feira, às 20h, no Hotel Porto Bay Rio Internacional – Avenida Atlântica, 1500. Confirme sua presença pelo e-mail amigasdovinho@uol.com.br.

Um sorriso branco ou tinto?

by soniamelier em 4 de julho de 2007 | 21:00

Vinho cura cáries? Pois é, ainda na semana passada falei sobre os cuidados a tomar quanto ao noticiário sobre a saúde e as bebidas. Naquela ocasião dei como exemplo as notícias afirmando que poucos drinques por dia poderiam nos livrar da demência. Beba e não fique demente eram os títulos. Mas os pesquisadores, da Universidade de Bari, Itália, (no artigo original, no jornal Neurology, especializado) faziam ressalvas. Não tinham dados do estilo de vidas das pessoas pesquisadas, não sabiam de suas dietas, por exemplo. Só as conheciam por relatórios médicos.

Agora, leio que para livrar-se das cáries e evitar ir ao dentista o melhor mesmo é tomar vinho. A fonte é de outra pesquisa italiana. Um grupo da Faculdade de Farmácia da Universidade de Pávia investigou os efeitos antibacterianos de vinhos brancos e tintos em nossa boca e garganta. Com ligeira vantagem para os tintos, ambas as variedades se saíram muito bem ao inibir o crescimento de várias cadeias de estreptococos (gênero de bactérias) relacionadas com a deterioração de nossos dentes e também, em muitos casos, com inflamações na garganta.

"Nossas descobertas parecem indicar que o vinho pode agir como um eficiente agente antimicrobiano contra estreptococos orais e podem ser ativos contra cáries e na prevenção de patologias do trato respiratório superior" – concluem dos pesquisadores de Pávia (referência do relatório original).

‘Para acabar com esse sorriso draculeano não precisamos de nenhum Van Helsing, o conhecido caçador de vampiros. Basta enxaguar bem a boca e esperar uma hora até que o equilíbrio de acidez natural volte ao normal

Apenas algumas das notícias ressalvavam um dado importante. Os cientistas italianos observam que seu trabalho foi realizado "in vitro", em laboratório, sob condições controladas, em sistemas fechados, normalmente em tubos de ensaio. Nenhuma boca foi pesquisada. Vamos, portanto, esperar um pouco mais e ver o que acontece na vida real.

A síndrome do vinho tinto. As notas também não falavam nada sobre um outro problema – e grave – envolvendo vinhos e dentes. A bebida pode promover a tal da "síndrome do vinho tinto" e também o "Efeito Drácula". Acontece normalmente com degustadores profissionais, pessoas que provam até centenas de vinhos por dia. Os dentes acabam manchados, avermelhados. A síndrome compreende o tingimento gradual de seus dentes até levar à sua destruição, pois os ácidos dos vinhos vão aos poucos corroendo o esmalte protetor. O remédio é não deixar de ir ao dentista, pelos menos uma vez a cada três meses.

O caso é que um cientista sul-africano, da Universidade Stellenbosch, ganhou o seu doutorado justamente por um trabalho demonstrando que os dentes de bebedores regulares de vinho tornam-se mais sensíveis, perdem a cor e até se esfacelam.

"Não é o vinho propriamente que estragará seus dentes. Porém, desde que o ácido está presente no álcool, ele vai corroer o esmalte, expondo a delicada dentina que ele protege", diz o cientista sul-africano Usuf Chikte.

E o problema não se limita apenas aos degustadores profissionais. "Verificamos que quando uma pessoa bebe vinho, gasta bebendo-o pelo menos de 45 minutos a uma hora – tempo bastante para que o vinho afete seus dentes".

O caso é que, conforme o cientista, qualquer comida ou bebida com um pH (indicação de acidez) menor do que 5,5 pode danificar nossos dentes. E o pH dos vinhos normalmente fica entre 2 e 3.

É por isso que não se recomenda escovar os dentes logo após uma degustação. "O ácido no vinho vai amolecer o esmalte nos dentes e se usamos uma escova vamos, na verdade, ajudar a retirar o esmalte". A escova não deixa de ser um abrasivo.

O "Efeito Drácula" é quando os dentes (e língua e lábios) ficam tingidos, mas apenas temporariamente, após uma sessão de degustação. Trata-se simplesmente de uma camada de saliva misturada com vinho. Você dá um sorriso e vai parecer com qualquer vampiro do cinema. (Por falar nisso, existe até uma vinícola chamada Vampiro. Fica em Nova York e dizem que é propriedade de um círculo de desmodontídeos. Saiba mais aqui).

Para acabar com esse sorriso draculeano não precisamos de nenhum Van Helsing, o conhecido caçador de vampiros. Basta enxaguar bem a boca e esperar uma hora até que o equilíbrio de acidez natural volte ao normal. Só então escove os dentes. Provoque a salivação (com um chiclete com zero de açúcar, talvez), pois a saliva forma uma camada de glicoproteína (proteína que agrega moléculas de açúcar) que amortece os ácidos. Passe a usar uma escova de dentes mais macia. O creme dental deve ser pouco abrasivo, com um mínimo de flúor e bicarbonato. Escove mais no sentido vertical do que horizontal. Faça tudo isso, mas sem deixar de ir ao dentista regularmente.

Leia, mas de pé atrás, amiga. Não hesite em pesquisar sempre sobre todas as notícias envolvendo saúde (promovidas por vinhos, bananas etc.). Caso contrário você é quem vai ficar lelé com as conta dos médicos ou dos dentistas e acabar com um sorriso bem amarelo.

Da Adega

Para quem é de Porco. A leitora Emília diz que gostou da matéria sobre o zodíaco chinês. E quer saber dos vinhos para quem é de Porco, mas com o elemento Terra dominante e relacionamentos bem sucedidos com Água e Metal.

Esse signo, como vimos, é de gente sociável, harmoniosa, distante de bate-bocas. Daí sempre conseguir amizades duradouras. Mas é ingênua além da conta e vítima de embrulhões.

Naquela matéria, recomendei um branco da uva Gewürtztraminer, que resulta em excelentes vinhos na Alsácia e bons na Áustria, Hungria, Nova Zelândia, nas partes frias da Califórnia e ainda aqui, em Santana do Livramento, RS, que já provei, gostei, mas esqueci o nome. Tem baixa acidez, é muito aromático e seu teor alcoólico costuma ser maior do que 13º. Parece dócil, mas é capaz de acompanhar pratos condimentados. Ou seja:enrola qualquer embrulhão. Mantenho a recomendação.

Lembro também dos Jerez e dos vinhos das Ilhas Canárias, ambos da Espanha, conhecidos pelo alto teor metálico. Os primeiros, famosos fortificados, são fáceis de encontrar (tente o "fino" Tio Pepe), o que não acontece com os segundos. Tente ainda um outro branco, mas com a uva Sauvignon Blanc, bem seco, ácido, refrescante. Pode ser francês, neozelandês, chileno ou brasileiro (como o premiado Miolo Fortaleza do Seival Sauvignon Blanc).

Toda essa lista compreende também o elemento Terra. Os vinhos citados normalmente representam bem a região de onde provêm, trazem quase sempre o cheiro de terra, a marca do "terroir" (o meio ambiente envolvendo o local onde cresce uma determinada variedade de uva; o termo deriva do francês "terre").

Elos Rio 2007. A Lídio Carraro acaba de lançar mais um vinho da exclusiva e limitada linha comemorativa dos Jogos Pan-americanos Rio 2007. É o Elos Rio 2007, um tinto com 80% da Cabernet e 20% da Malbec, coloração vermelha e bem aromático.

O lote é limitado a apenas 3.500 garrafas. Vai virar vinho de colecionador. Mas você pode encontrá-lo já consultando o site da Lídio Carraro. Veja aqui Tente também pelo telefone 0xx 54 3459-1222.

Qualquer dúvida, é só clicar aqui para o Bolsa ou para a Soninha no soniamelier@terra.com.br



perfil

Espaço para as mulheres que apreciam um bom vinho – e para as que querem entender melhor sobre esse universo