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Evite as tarântulas

by soniamelier em 20 de dezembro de 2006 | 21:00

Já planejou o que vai servir na ceia de Natal? Já sabe que vinho ou vinhos deverão ser oferecidos para combinar com os acepipes?

Olhe, já li sobre como combinar vinhos e insetos! Pensa que foi algo ligado a treinamento de boinas verdes? Nada disso: o redator da revista especializada Wine Spectator, Nick Fauchald, relata uma experiência sua em 2004, quando até gostou de escorpião bem torradinho com Sauvignon Blanc. "Nada mau", confessou. Ah, teve também uma tarântula que foi bem com um Chardonnay amanteigado. "Combinam muito bem!", revela o herói. Pois ainda temos grilos com Pinot Noir.

Eu estaria dependurada no lustre da sala, berrando por socorro, pedindo um copo de Listerine, pelo amor de Deus. Isso é matéria para os enochatos. "Ontem, comi uma centopéia com Cabernet, não qualquer um, mas um vero Bordeaux; a bichinha perfeitamente tostada. Experiência única, imperdível". Fala de boca cheia e eu com ânsias de vômito. Veja aqui.

‘Temos vinhos cada vez mais alcoólicos, potentes, "bombas de fruta", incompatíveis com comidas. Por outro lado, a cozinha da moda ficou muito eclética

Alguns princípios. Tiro da frente a idéia de que combinar comidas e vinhos seja uma ciência misteriosa. Ela é até muito simples, basta que não paremos de experimentar – e de nos divertir. O que está abaixo vem de experiências pessoais, em casa e em restaurantes. Nessas experiências procurei repetir dicas de críticos e selecionei as que para mim deram mais certo. Entre esses críticos figuram: o inglês Jamie Goode e o jornalista Craig Schweickert (que escreve eventualmente para o site Wine LoversPage.com). Alguns princípios foram seguidos:


Tintos com carne vermelha, brancos com carne branca. Claro que você já ouviu isso centenas de vezes. Mas esse velho princípio funciona bem quando você tem um vinho tinto jovem, com muitos taninos, que vai suplantar um prato delicado de carne branca, um simples peixe, por exemplo. Ao mesmo tempo, um vinho branco, bem fresco e delicado, como o Viognier, vai sumir perto de um suculento rosbife.


Mas temos as exceções. Uma galinha assada não deixa de ser carne branca, mas em termos de paladar, presença e potência, funciona como carne vermelha. Logo, o melhor é optar por um tinto para acompanhá-la. O mesmo acontece com peixes de grande presença como o salmão.

Essas exceções acontecem também com o divórcio entre vinhos e comidas na gastronomia atual. Temos vinhos cada vez mais alcoólicos, potentes, "bombas de fruta", incompatíveis com comidas. Por outro lado, a cozinha da moda ficou muito eclética. São mais ingredientes por prato, com grande participação de itens orientais, entre molhos e especiarias. É a tal da fusion. São cada vez mais pratos por refeição. Fica complicado (e caro) escolher apenas uma garrafa por refeição.


Iguais com iguais. Procure um vinho com sabores e aromas que lembrem os sabores e aromas de sua entrada. Se ele é ligeiramente doce, por exemplo, tente um vinho que tenha essas características. Não, ele não deve ser necessariamente um vinho de sobremesa, cuja doçura pode matar a sua entrada. Pode ser, por exemplo, um bom Chardonnay do Novo Mundo (quando acompanhando uma rica lagosta).


Os opostos se atraem. Aqui, colocamos a regra anterior de cabeça para baixo. Assim, um vinho ácido como o Sauvignon Blanc (do Loire) pode se dar bem com um peixe rico, de carne gorda, oleoso, como a anchova (não a de lata) ou a cavala.


Beba o que quiser. Agora, se você quiser beber o seu vinho branco preferido com aquele bife mal passado, ótimo! O privilégio é todo seu e não vai ter esnobe para dizer que você está errada. Cada um com a sua experiência e preferência. Revelo agora algumas dessas preferências – minhas, naturalmente.Carne de Porco. Para mim, fica melhor com brancos bem ricos, como a maioria dos Chardonnays e Pinots Blanc. Um alsaciano com a uva Riesling ou Gewürztraminer: os dois também funcionaram (embora me custassem caro). E até mesmo um Pinot Noir e um Beaujolais Villages assentaram bem. Isso vale para carne de porco, bem como galinha e vitela.


Presunto. Difícil faltar um Tender na mesa natalina. Mas não é muito fácil achar um vinho para combinar com ele, que é muito salgado, sabor muito presente, que ainda por cima costuma vir temperado por cravos e calda de damasco. Procuro vinhos que não briguem com ele, como um Beaujolais, um Pinot Noir saboroso, mas discreto. Se optar por brancos, fico com Riesling ou Chenin Blanc.


Peru. Também não é muito simples escolher um vinho para ele, que oferece tanto carnes brancas como escuras. ambas um tanto oleosas, nem sempre muito amigas de vinhos secos. Minhas escolhas aqui são as mesmas para o Tender: Beaujolais se quiser beber com um tinto. E Riesling e Chenin Blanc caso prefira os brancos.


Bacalhau. Não sei qual das 365 receitas de bacalhau você vai utilizar. Mas, mesmo em Portugal, há um time enorme de gente que prefere o prato com um refrescante vinho verde (que dribla muito bem o sal que costuma ser abundante em qualquer uma das receitas do peixe). Ou um tinto até encorpado. E é fácil conseguir esses vinhos.

Na venda mais próxima aqui de casa, bem pertinho, seu Plínio voltou a vender vinho. Começou com o Periquita 2004 (tinha só uma caixa; seis garrafas ficaram comigo: o 2004 acabou logo e hoje só tem o 2003). Depois, teve uma recaída e passou a oferecer o "Nossa Ceia" (um "Cooler de vinho tinto e suco de uva", diz o rótulo) que seu Plínio comprou aos montes e vende por R$ 4,50. Mas em seguida, como bom português, comprou o que classifiquei de "Seleção do Mandrake": além do Periquita, o verde Acácio, o Porca de Murça (o branco e o tinto, da Real Companhia Velha, da região do Douro) e um Dão Terras Altas.

O Mandrake é o personagem principal do ótimo "A Grande Arte", de Rubem Fonseca. Esse advogado mulherengo bebe vinho sempre que pode – e de preferência os portugueses. Seu Plínio não sabe, mas todos esses são consumidos no livro. Menos o tal do "Nossa Ceia". E do Acácio ao Terras Altas todos vão bem com bacalhau.


Saladas. Em qualquer dia, inclusive no Natal e Ano Bom, temos saladas lá em casa. Ideal para o calorão. Mas todo mundo sabe que vinagre é um inimigo natural do vinho. Eu raramente tempero minhas saladas com vinagre: uso azeite e sal – no máximo uma ou duas gotinhas de limão. A solução é não tomar vinho durante a salada. Ou criar uma mais amistosa com os vinhos. Por exemplo, a "Caesar Salad", que leva alface, azeite, pão francês, alho, filés de anchova, um tantinho de mostarda, um tantinho de suco de limão, um pouquinho de pimenta do reino, sal, gemas de ovo, queijo parmesão. Nada de vinagres ou molhos vinagretes. Com esse tipo de salada, a minha escolha é a de um vinho rosado – da Provence ou, mais baratos, alguns da Argentina, com a uva Malbec (mas preste atenção para o volume de álcool: nada que ultrapasse os 13%).

Agora, um bom espumante, dos Champagnes, às cavas, os premiados nacionais – todos eles suportam bem acompanhar todos esses pratos. E podem até fazer par com suas sobremesas – desde que estas não sejam aquele banho de açúcar e chocolate.

Boas Festas, amigas. Evitem as tarântulas e fiquem com os vinhos.

Mais dicas? Cliquem para o Bolsa ou para a Soninha no soniamelier@terra.com.br

Festa à brasileira

by soniamelier em 13 de dezembro de 2006 | 21:00

Não entenderia alguém não gostar de receber uma garrafa de vinho cuidadosamente escolhida. Também passo ao largo das questões de etiqueta: o vinho presenteado deve ser servido logo ou o pode ser guardado para uma outra ocasião? A craquérrima Jancis Robinson, crítica inglesa de vinho, Master of Wine etc. e tal, fala de sua experiência: "Se alguém me traz um vinho branco ou um espumante já resfriados ou um tinto já decantado, entendo que o presenteador espera que o seu vinho seja bebido na ocasião. Já se o convidado coloca a garrafa de lado, sem comentários, você não está obrigada a abri-la. Contudo, a anfitriã perfeita iria desembrulhá-lo, agradecer e perguntar se o seu convidado gostaria de degustá-lo…"

Mas o que comprar? As ofertas são tantas, tão variadas que esse é o menor dos problemas. Você estabelece os seus limites: por preço ou por algum diferencial: garrafas assimétricas, com rótulos intrigantes, vinhos com uvas diferentes ou de regiões poucos conhecidas. Ou que pretendam uma redefinição nos hábitos de beber vinhos.

Esse é o caso, por exemplo, do novíssimo Shuttle, uma garrafinha de 187 mililitros que tem como tampa uma taça (também de plástico). Basta girar, virar todo o vinho na taça e pronto. É um lançamento da australiana Hardy Wine Company, no momento em teste apenas no país. Mas se você estiver nadando em dinheiro, quase se afogando nele, pode também tentar comprar uma garrafa (na verdade, meia-garrafa, 375 ml) do canadense Royal DeMaria Chardonnay Icewine, que vai custar 330 mil euros ou meio milhão de dólares.

Pode ainda escolher Champagne – sempre apreciada. Se quiser gastar dinheiro, e achar que a pessoa a ser presenteada é daquelas que bebe o produto francês desde criancinha, tente as Bollinguer, Louis Roederer, Cristal ou as mais caras ainda Krug e Dom Pérignon.

Quais as minhas escolhas? Repito o que venho pregando há tempos: minha grana é curta e o produto nacional melhorou substancialmente. E não apenas os já consagrados espumantes da Serra Gaúcha, mas também tintos e brancos.

‘Quatrocentos e vinte vinhos de 13 países foram inscritos e 125 receberam medalhas.

Agora mesmo acabo de receber nota informando que nossos vinhos conquistaram 69 medalhas (sendo duas Grande Ouro, 59 de Ouro e oito de Prata) no 3º Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, promovido pela Associação Brasileira de Enologia. Quatrocentos e vinte vinhos de 13 países foram inscritos e 125 receberam medalhas. Recebemos mais da metade dos prêmios. O júri foi formado por 42 especialistas de oito países, que analisaram vinhos da África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Espanha, França, Itália, México, Nova Zelândia, Portugal e Uruguai. O evento acaba de acontecer em Bento Gonçalves, RS, e os premiados brasileiros estão abaixo:

Cavalleri Cabernet Sauvignon (Adega Cavalleri Ltda.) – PRATA
Adega Chesini Gran Vin Cabernet Sauvignon (Adega Chesini) – OURO
Boscato Reserva Merlot (Boscato Indústria Vinícola Ltda.) – OURO
Boscato Gran Reserva Cabernet Sauvignon (Boscato Indústria Vinícola Ltda.) – OURO
Boscato Gran Reserva Cabernet Sauvignon (Boscato Indústria Vinícola Ltda.) – OURO
Calza Cabernet Sauvignon (Calza Júnior Ind. e Com. de Vinhos) – PRATA
Fabian Reserva Merlot (Cantina de Vinhos Fabian Ltda.) – PRATA
Casa Valduga Espumante Brut 130 Anos (Casa Valduga Vinhos Finos Ltda.) – OURO
Casa Valduga Espumante Brut Premium (Casa Valduga Vinhos Finos Ltda.) – OURO
Casa Valduga Cabernet Sauvignon Premium (Casa Valduga Vinhos Finos Ltda.) – OURO
Casa Valduga Duetto Cabernet Sauvignon / Merlot (Casa Valduga Vinhos Finos Ltda.) – OURO
Casa Valduga Identidade Arinarnoa (Casa Valduga Vinhos Finos Ltda.) – OURO
Casa Valduga Gran Reserva Cabernet Sauvignon (Casa Valduga Vinhos Finos Ltda.) – PRATA
Família Piagentini Espumante Moscatel (Cia Piagentini de Bebidas e Alimentos) – OURO
Família Piagentini Prosecco Espumante Brut (Cia Piagentini de Bebidas e Alimentos) – OURO
Décima Gran Reserva Vinho Tinto (Cia Piagentini de Bebidas e Alimentos) – OURO
Aurora Espumante Brut (Cooperativa Vinícola Aurora Ltda) – OURO
Conde de Foucauld Espumante Brut (Cooperativa Vinícola Aurora Ltda) – OURO
Aurora Reserva Chardonnay (Cooperativa Vinícola Aurora Ltda) – PRATA
Garibaldi Chardonnay Espumante Brut (Cooperativa Vinícola Garibaldi Ltda) – OURO
Garibaldi Prosecco Espumante Brut (Cooperativa Vinícola Garibaldi Ltda) – OURO
Castellamare Chardonnay Espumante Brut (Cooperativa Vinícola São João Ltda) – OURO
Aliança Espumante Moscatel (Cooperativa Viti-Vinícola Aliança Ltda.) – OURO
Aliança Varietal Chardonnay (Cooperativa Viti-Vinícola Aliança Ltda.) – OURO
Dal Pizzol Tannat (Dal Pizzol Vinhos Finos) – GRANDE OURO
Dal Pizzol Espumante Brut (Dal Pizzol Vinhos Finos) – OURO
Dal Pizzol Espumante Brut Charmat (Dal Pizzol Vinhos Finos) – OURO
Estrela do Brasil Prosecco Espumante Brut (Estrelas do Brasil Com. e Ind. de Vinhos) – OURO
Estrelas do Brasil Espumante Brut (Estrelas do Brasil Com. e Ind. de Vinhos) – OURO
Dall Agnol Superiore Vinho Tinto (Estrelas do Brasil Com. e Ind. de Vinhos) – OURO
Terranova Shiraz (Fazenda Ouro Verde Ltda.) – OURO
Miolo Fortaleza do Seival Tempranillo (Fortaleza do Seival Vineyards) – OURO
Fortaleza do Seival Sauvignon Blanc (Fortaleza do Seival Vineyards) – OURO
Mistela Reggio di Castela Moscato Giallo (Irmãos Molon Ltda.) – OURO
Il Vino Venerabile Cabernet Sauvignon (Sakura Nakaia Alimentos) – PRATA
Panizzon Espumante Moscatel (Sociedade de Bebidas Panizzon Ltda) – OURO
Panizzon Prosecco Espumante Brut (Sociedade de Bebidas Panizzon Ltda) – OURO
Panizzon Moscato Giallo (Sociedade de Bebidas Panizzon Ltda) – OURO
Terrasul Espumante Moscatel (Terrasul Vinhos Finos Ltda) – OURO
Cave Antiga Espumante Moscatel (Vinhos Finos Velha Cantina Ltda) – OURO
Cave Antiga Gran Reserva Cabernet Sauvignon (Vinhos Finos Velha Cantina Ltda) – OURO
Valdemiz Reserva Touriga Nacional (Vinhos Monte Reale Ltda) – OURO
Rendeiras Cabernet Sauvignon / Syrah (Vinibrasil) – PRATA
Luiz Argenta Espumante Moscatel (Vinícola Argenta Ltda.) – OURO
Luiz Argenta Cuveé (Vinícola Argenta Ltda.) – OURO
Amadeu Espumante Brut (Vinícola Cave de Amadeu Ltda) – OURO
Cordelier Espumante Moscatel (Vinícola Cordelier Ltda) – OURO
Granja União Espumante Brut (Vinícola Cordelier Ltda) – OURO
Cordelier Reserva Cabernet Sauvignon (Vinícola Cordelier Ltda) – OURO
Cordelier Reserva Merlot (Vinícola Cordelier Ltda) – OURO
Courmayeur Espumante Demi-Sec (Vinícola Courmayeur Ltda) – OURO
DC Merlot Dom Cândido (Vinícola Dom Cândido Ltda) – OURO
Don Abel Merlot (Vinícola Don Abel Ltda) – OURO
Gheller Cabernet Sauvignon (Vinícola Gheller Ltda.) – OURO
Giacomin Espumante Moscatel (Vinícola Giacomin Ltda) – OURO
Quinta do Jubair Chardonnay (Vinícola Góes e Venturini Ltda) – OURO
Miolo Espumante Brut (Vinícola Miolo Ltda.) – OURO
Miolo Reserva Chardonnay (Vinícola Miolo Ltda.) – OURO
Miolo Reserva Merlot (Vinícola Miolo Ltda.) – PRATA
Casa Pedrucci Millesime Espumante Brut (Vinícola Pedrucci Ltda) – OURO
Casa Perini Espumante Moscatel (Vinícola Perini Ltda) – OURO
Casa Perini Marselan (Vinícola Perini Ltda) – OURO
Casa Perini Ancellotta (Vinícola Perini Ltda) – OURO
Fino Peterlongo Espumante Demi-Sec (Vinícola Peterlongo S.A.) – GRANDE OURO
Armando Peterlongo Espumante Brut (Vinícola Peterlongo S.A.) – OURO
Salton Espumante Brut (Vinícola Salton) – OURO
Salton Espumante Moscatel (Vinícola Salton) – OURO
Salton Volpi Merlot (Vinícola Salton) – OURO
Salton Volpi Chardonnay (Vinícola Salton) – OURO

Pronto, a sua lista de vinhos está fechada. Pode presentear ou dar uma festa prestigiando a premiada produção nacional. São comprovadas delícias, fáceis de encontrar e com preços pra lá de competitivos.

Se quiser mais dicas para as festas é só clicar aqui no Bolsa ou para a Soninha no soniamelier@terra.com.br



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