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E para beber?

by soniamelier em 6 de junho de 2006 | 21:00

O vinho nessa festa. Os namorados e o seu dia sempre estiveram ligados aos vinhos e às vinhas. A data é celebrada desde os tempos da formação de Roma, lá pelos 400 anos a.C, na forma de um rito de passagem dos jovens, numa festa ao deus da fertilidade, Lupercus (uma possível identidade com a Loba que amamentou Rômulo e Remo). Era a famosa Lupercalia: os ditos jovens colocavam seus nomes numa urna. Era feito um sorteio e casais eram formados: uma loteria do amor dois mil anos antes da invenção contemporânea da troca de casais. Acontecia sempre em meados de fevereiro (derivado do latim februare, "purificar"). Como acontecia em todas as celebrações na antiguidade, não faltava vinho durante a Lupercalia.

Mas chegamos à Idade Média quando a Igreja decidiu que aquele troca-troca de purificação não tinha nada. E o Papa Gelasius I, em 496, instituiu a festa de São Valentim, celebrada a 14 de fevereiro, para assim retirar o aspecto pagão da Lupercalia. São Valentim, diz a lenda, foi um padre martirizado por um imperador romano por casar jovens em segredo, o que era proibido, pois o imperador precisava de solteiros para seus exércitos.

Na maior parte do mundo, a festa é comemorada em fevereiro. Entre nós, dia 12 de junho, já que no dia seguinte, 13, celebramos Santo Antônio, o casamenteiro. E o que isso tem com o vinho? Relíquias de São Valentim foram enviadas para a cidade de Roquemaure, no Vale do Ródano, França, ao lado da belíssima cidade de Avignon, que abrigou o papado por uns tempos. Seus habitantes diziam que São Valentim era um antigo habitante da cidade e compraram relíquias suas para ajudar na cura de seus vinhedos. E estamos falando dos vinhedos que deram origem aos hoje famosos e reputados vinhos das Côtes du Rhône, entre eles o Châteauneuf-du-Pape.Ao jantar. Temos duas possibilidades. Utilizar três vinhos: um para a entrada, outro para o prato principal e um terceiro para a sobremesa. Minhas escolhas seriam:

Entrada: as ostras sabem a mineral e a acidez (aumentada pela presença do limão). Escolheria um Champagne não safrado, um Chablis (o Chardonnay original, da Borgonha, França) e, em particular, um Sauvignon Blanc. Sim, eu escolheria um Sancerre, vinho seco do Vale do Loire, um dos reputados exemplos dessa uva. Mas você encontra alternativas entre os nacionais. Tente os da Miolo, Valduga, e Forrestier. Pode também optar para os Sauvignon Blanc da Nova Zelândia que tanto sucesso vêm fazendo. A importadora Premium, de Belo Horizonte, tem os da Fairhall Dows, Goldwater, Grove Mill, Sanctuary, Hunter's, Jackson, Neudorf e Wither Hills. Da importadora Expand, temos os vinhos da Matariki, grande vinícola da região de Hawkes Bay, NZ.

Prato Principal. Taí uma das exceções da regra "vinho tinto com carne vermelha; vinho branco com carne branca". Pois galinha assada, uma carne branca, combina melhor, em minha opinião, com um vinho tinto. Ainda mais que o afrodisíaco tempero com mel, mostarda, alho, orégano, noz moscada, coentro, pimenta branca pede um vinho com a estrutura de um tinto. Eu escolheria um italiano (um Chianti, um Valpolicella). Com uma verbinha maior, um Pinot Noir da Borgonha, um Dolcetto (também italiano). Ou até mesmo alguns dos novos tintos do Vale do São Francisco: o Rio Sol Cabernet/Shiraz (R$ 25,00), ou o Rio Sol Reserva Cabernet Sauvignon (R$ 48,00). Ou o Botticelli Cabernet Sauvignon (R$ 23,00).

Agora, se você quiser mandar um recado especialíssimo para o seu parceiro, tente encontrar o Chambolle Musigny Les Amoureuses 99. É um Premier Cru da Borgonha, que recebeu uma formidável nota do maior crítico de vinhos do mundo, Robert Parker: 91 pontos (de um total de 100). É um tinto além da conta. Não seria tecnicamente necessário utilizá-lo. Mas o seu nome ajuda: "Les Amoureuses", Os Amantes. Seu preço gira por volta de R$ 250,00. Consulte a Mistral (veja abaixo) ou seu representante no Rio: Yoná Adler, (21) 2274 4562 / 2239 6474.

Sobremesa. É quase voz geral de que vinho para a sobremesa tem de ser um vinho doce. Mas o melhor com esse estilo de vinho é bebê-lo sozinho. No máximo, combinam com foie gras e com alguns queijos azuis.

A nossa sobremesa ficaria melhor com um Champagne ou um espumante doce, tipo Asti Spumanti, um doce italiano, da região de Turim. Volto aos borbulhantes depois de falar da segunda possibilidade de acompanhamento para esse cardápio especial para os namorados.Champagne, de fio a pavio. Não é porque seja o Dia dos Namorados, é porque Champagne é… Vou repetir aqui o que dizia madame Lily Bollinger, que dirigiu uma das mais famosas vinícolas de Champagne, a Bollinger, fundada em 1829. Lily é uma lenda no mundo dos vinhos e fez o nome da casa quando a dirigiu entre 1941 e 1997. "Quando a senhora bebe champagne?", perguntaram a ela.


"Só bebo champagne quando estou feliz – e quando estou triste. Às vezes a bebo quando estou sozinha. Mas com companhia, ela é obrigatória. Bebo um pouco quando não tenho apetite. E bebo quando estou com fome. Mas sob outros aspectos não toco nela – a não ser que tenha sede".

Pois é isso: eu iria de Champagne das entradas até a sobremesa. É o único vinho que possibilita essa proeza. Minhas escolhas seriam: a Bollinger Special Cuvée Brut, por 229,00 na Mistral. A própria Mistral tem outros dois bons espumantes com preços mais camaradas: o Crémant d'Alsace Brut, por R$ 78,99.

A Nova Fazendinha oferece o Crémant de Bourgogne Bailly-Lapierre Brut Blanc de Noir Magnum 2001 por R$ 138,00. A Expand oferece opções como o Gosset Brut Excellence (R$ 198,00).

Nas lojas especializadas e em bons supermercados encontrei a Veuve Clicquot Ponsardin por R$ 200,00. E ótimas alternativas nacionais, como o espumante Chandon Brut, na casa dos R$ 35,00. E o Chandon Brut Reserve, pelo dobro do preço. Outras duas boas escolhas são a do Dal Pizzol Espumante Brut, em torno dos R$ 180,00. E o Miolo Brut (na casa dos R$ 130,00). Atenção que esses nacionais são feitos pelo chamado método tradicional, o praticado na região de Champagne, com o vinho fermentado na garrafa.

No hemisfério Norte, o Dia de São Valentim, dos Namorados, era celebrado a 14 de fevereiro e as mulheres achavam que seu destino amoroso estava ligado ao pássaro que vissem naquela data. Um pintarroxo dizia que ela se casaria com um marinheiro. Um pardal era sinal que seria feliz, mesmo com um marido pobre. Se visse um pica-pau, ficaria solteira.

Com um jantar desses, regado a bons vinhos, você verá não um, mais muitos passarinhos, mas só na manhã seguinte.

Para outros pica-paus, jantares e vinhos é só clicar para o Bolsa ou para a Soninha, no soniamelier@terra.com.br

Um feliz jantar de namorados.



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