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Vinhos e vegetarianos

by soniamelier em 27 de abril de 2006 | 21:00

Será que um vegetariano teria problemas em consumir vinhos? Vegetariano seria o adepto de uma alimentação exclusivamente à base de vegetais, claro. Numa versão mais radical, ele não consome produtos de origem animal, nem os que tenham sido testados em animais. São os chamados vegans ou veganos: não consomem carne, peixe, mariscos, laticínios, mel, ovos. E fazem disso uma filosofia de vida: não usam peles, couro, lã, seda, cera de abelha, própolis, medicamentos ou cosméticos testados em animais etc. Algumas fontes ensinam que vegetarianos e vegans (ou veganos) seriam hoje a mesma coisa. Outras estabelecem diferenças. Veja as que consultei:
1) pt.wikipedia.org/wiki/Vegan
2) http://www.vegetarianismo.com.br/pqv/index.html

Voltando à questão: qual seria o problema de consumir vinhos para vegetarianos ou para os
vegans?

É cada vez mais raro no mundo dos vinhos, mas você ainda encontra em vinícolas do Velho Mundo, por exemplo, muitos produtores quebrando grandes quantidades de ovos, separando a clara da gema. O trabalho é lento e cuidadoso, mas eles o consideram essencial.

O objetivo é evitar que essas partículas turvem o vinho. Querem o vinho claro, brilhante, bonito de ver.

Claras de ovo têm sido utilizadas há centenas de anos nas regiões da Borgonha e de Bordeaux, na França, em também em Portugal, por exemplo. Conta-se que na terrinha os monges utilizavam as claras para "afinar" seus vinhos e passavam as gemas para as freiras. Daí o festival de doces com ovos, uma das deliciosas marcas da cozinha portuguesa.Mas outros elementos têm sido utilizados. E a maioria deles, para infelicidade dos vegetarianos, de origem animal. Gelatinas feitas de tecidos, cartilagens de animais (de vacas e porcos, em particular); aglomerados derivados de crustáceos (da quitina, mais especificamente, a substância que os reveste); gelatinas feitas de vísceras de peixes. Utiliza-se também a caseína, uma proteína existente no leite e até sangue coagulado, de origem animal.

O vinho normalmente contém apenas uvas, fermento e uma pequena porção de sulfitos (sais do ácido sulfuroso, acrescentados ou criados durante a fermentação), que servem para a conservação da bebida.

As claras de ovo e as demais substâncias de origem animal servem de "agentes clarificadores", que vão clarear o vinho removendo sólidos insolúveis. São células mortas, fragmentos das cascas das uvas, dos talos, sementes, polpas e também colóides, substâncias microscópicas, a maior parte formada de moléculas orgânicas que sobraram do processo de fermentação. Elas respondem, por exemplo, por qualidades como a viscosidade do vinho, o seu "corpo"; como estão em excesso, o produtor quer eliminá-las.

Esses produtores poderiam não utilizar nada e esperar que todos esses elementos se assentassem no fundo dos barris ou dos tanques de armazenamento da bebida, quando então começariam a retirar apenas a parte superior da bebida, devidamente "clarificada".

Mas isso levaria um tempo enorme, o que resultaria em gastos maiores, pois quanto mais tempo a bebida leva para ser comercializada, mais cara ela fica para o produtor (e, logo, para nós consumidoras).Então, nossos produtores há centenas de anos começaram a usar claras de ovos e outros elementos para "afinar" seus vinhos mais rapidamente. Eles têm uma polaridade oposta à dos vinhos. Assim, atraem aquelas partículas que turvam a bebida e as levam para o fundo do barril. Fica mais rápido e fácil de retirá-las, em seguida. Além disso, são baratíssimos.
Nem todos os produtores, contudo, utilizam elementos de origem animal. Empregam a bentonita, uma sílica (silicato de alumínio hidratado) natural, que absorve soluções aquosas – ou seja, têm o mesmo efeito das gelatinas. Só que sua origem é a terra. Vinhos clarificados com bentonita são perfeitamente aceitos por vegetarianos. Mas como eles poderão saber? Essa informação não consta dos rótulos.

A verdade é que nenhum desses produtos vai aparecer ou alterar o vinho quando finalmente ele for colocado nas garrafas. Ninguém será capaz de percebê-los. Mas aqui o que conta é o princípio, a filosofia que orienta os vegetarianos.

Contudo, existem vinhos que podem servir a essa filosofia. São aqueles que têm nos rótulos dizeres como "não afinado e não filtrado" ("unfined and unfiltered"), particularmente
originários dos Estados Unidos, onde essas palavras servem até para demonstrar uma vantagem mercadológica.

Um vinho marcado como "unfined" não teria passado por um agente clarificador. O vinho às vezes foi filtrado (passou por um filtro microscópico para remover as impurezas), sem que tenha sido "afinado" (não se submeteu aos agentes clarificadores).Mas isso é o que dizem esses rótulos. Como ter certeza? Um pouco mais seguros são os vinhos "kosher" feitos segundo as estritas leis do judaísmo. A União das Congregações dos Judeus Ortodoxos dos Estados Unidos garantem que os vinhos por ela cerficados não usam qualquer tipo de agente clarificador de origem animal. Mas ressalvam que não podem assegurar as condições de produção dos vinhos kosher de outros países.

Nos supermercados ou lojas especializadas fica praticamente impossível para o vegetariano escolher o vinho mais apropriado: os rótulos não esclarecem nada sobre o processo de filtragem ou "clarificação". Talvez a solução esteja em consultar importadores ou lojas de sua confiança.

Mesmo alguns refrigerantes e sucos podem conter corantes de origem animal. É uma situação difícil. Na Inglaterra é publicado um guia que orienta os vegetarianos sobre que produtos comprar, inclusive bebidas, sem que se tema por contatos com produtos de origem animais na sua fabricação.

Talvez a coluna de hoje não tenha sido muito feliz para os vegetarianos. Mas eles são sabidos, estão atentos. Os vinhos deveriam ter mais informações em seus rótulos, só que atualmente apenas um país se preocupa que essa questão, os Estados Unidos, onde os rótulos seguramente vão transformar-se em bulas em pouco mais tempo. É só esperar.
Dúvidas, questões: clique para o Bolsa ou para a Soninha, no soniamelier@terra.com.br

Expovinis já

by soniamelier em 20 de abril de 2006 | 21:00

Sei que você tem interesse real em vinhos – caso contrário estaria lendo outra coluna, certo? Então, faça já sua mala e parta para São Paulo. É que de 2 a 4 de maio acontece a Expovinis Brasil 2006, o maior salão internacional de vinho da América Latina, já em sua 10ª edição. Esqueça aquela excursão boba aos vinhedos chineses, ou de que lugar for. O que é realmente importante vai acontecer bem pertinho de nós. Em São Paulo, de 2 a 4 de maio, no ITM Expo: Av. Roberto Zuccolo, 555, Vila Leopoldina, São Paulo.

A Expovinis 2006 está cada vez maior: vai ocupar 12 mil m2, um mil m2 a mais que ano passado. Vai reunir 250 expositores, cem a mais que em 2005.

O que vai acontecer lá? Um júri internacional comandado por um dos maiores especialista e críticos de vinho do mundo, Stephen Brook (editor da seriíssima revista inglesa Decanter), vão percorrer as dezenas e dezenas de estandes para degustar suas ofertas e ao final selecionar um tinto, um branco, um espumante e um rosé. No final, serão escolhidos três tintos, três brancos, três espumantes e um rosé a partir de uma degustação às cegas. Só esse acontecimento vale a viagem.

E não será tarefa fácil, pois você terá à disposição 190 expositores com rótulos de 12 países, entre eles a África do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Espanha, França, Estados Unidos, Itália, Portugal, Nova Zelândia, Uruguai. Vai dar de cara com produtores como Moët Henessy, Gran Vin, Vinícola Aurora, Salton, Lídio Carraro, Pernod-Ricard, entre outros.

Não é água, não. Durante a Expovinis, a amiga também poderá visitar a Brasil Cachaça 2006 – 3ª Feira Internacional da Cachaça, que deve fechar negócios na altura dos 4 milhões de dólares com comerciantes internacionais, este ano. Tiro de um release que o setor de cachaça reúne 5 mil marcas no país, "mas é difícil que alguém saiba o nome de apenas dez" – o que é a pura verdade. Assim, está na hora de você conhecer as marcas que poderão ficar na sua memória (sinceramente, espero que alguma fique).

A maioria delas desaparecerá, pois para sobreviver se organizará em cooperativas e associações regionais. Não esqueça que a produção da nossa deliciosa purinha está em torno de 1,3 bilhão de litros, dos quais cerca de 1 bilhão referente a cachaças industriais e 300 milhões a artesanais, oriundas de alambiques. Só isso coloca a cachaça como o destilado mais consumido no Brasil e do terceiro no mundo. E tudo isso logo ali na Expovinis.

Stephen Brook. É um londrino, formado em literatura em Cambridge. Já morou nos Estados Unidos, foi editor de livros até que, a partir de 1982, tornou-se um jornalista e autor freelancer. É autor de livros importantes sobre vinhos ("Liquid Gold", "Pauillac", "The Wines of Califórnia" e, em breve, o "Guide to Fortified and Sweet Wines").

Ganhou agora em março um importante prêmio no festival "Grands Jours de Bourgogne": o Troféu Imprensa, "por representar os vinhos da Borgonha da maneira a mais informativa".

Stephen Brook, 59 anos, é hoje um dos maiores especialistas em vinhos da Borgonha e do Porto. Consultor de uma das mais importantes revistas sobre vinhos do mundo, a inglesa Decanter, Brook conduzirá uma degustação especial sobre "Porto 250", comemorativa dos 250 anos da demarcação da região do Porto (aquela feita pelo Marques de Pombal). Também dirigirá a degustação "Top da Borgonha – Inéditos no Brasil".

Ano passado, a Expovinis trouxe Steven Spurrier, também inglês, com 42 anos de vinhos, também consultor da Decanter, editor e comerciante de vinhos, com sua loja, Les Caves de la Madeleine, em Paris. É quem organizou o hoje célebre teste entre vinhos franceses e da Califórnia, ganhando os norte-americanos.

Esse teste será comemorado com uma repetição, também em Paris. E desta vez Stephen Brook será um dos participantes.Os grandes nacionais. Não perca também a degustação "Brasil: Melhores de 2004 – Safra Excepcional – Premiére", com a participação de especialistas internacionais. Acontece que a Serra Gaúcha teve safras excepcionais em 1991, 1999, 2002 e 2004. Nesta última, as principais cantinas obtiveram uvas quer permitiram originar grandes tintos como o Desejo Merlot e Talento, da Salton, o Lote 43 e Quinta do Seival-Cabernet Sauvignon, da Miolo, o Quorum Grande Vindima, da Lídio Carraro, o Merlot, da Pizzato.

Além disso, tudo, você poderá degustar novidades especialíssimas de produtores importantes de Portugal, Nova Zelândia, Alemanha, Itália, França, África do Sul, Argentina, Austrália, Chile, Espanha, Uruguai.

Da França, em particular, virão dez vinícolas da Provença, pouco conhecidas por aqui, mas premiadas mundialmente. Presentes também vinícolas de Cahors, do Sudoeste da França, uma das regiões de maior tradição vinícola.

Em paralelo às feiras de vinhos e de cachaça, vão acontecer também a 6ª. Epicure – Feira Sul-Americana do Tabaco e do Presente Fino, com produtores e renomados especialistas e profissionais destas áreas.

Ou seja: você faz cabelo, barba e bigode. E o pessoal ainda agradece.

A Expovinis acontece, como já sabe de 2 a 4 de maio. Das 2 da tarde às 7 da noite o espaço é reservado apenas para profissionais do setor. Das 7 às 10 da noite, consumidores poderão visitar o espaço.

Os ingressos vão custar 30 reais (o que inclui taça para degustação) ou 25, sem a taça. Estudantes do setor pagam apenas 10 reais, o que não inclui a taça, cujo valor, separadamente, é de R$ 25,00.

O endereço já forneci acima. Você pode se informar pelo telefone (11) 3151.6444. Ou pelo site da feira (www.exponor.com.br/expovinisbrasil).

Ou ainda através da minha amiga Alessandra Casolato (alecasolato@ch2.com.br).
Já reservou esses dois dias em seu calendário? Bom, agora é só folgar esse feriado e, devidamente descansada, partir para o maior evento envolvendo os fino dos vinhos das mais famosas regiões do mundo. Boa Viagem.

Para mais informações, clique o Bolsa ou a Soninha no soniamelier@terra.com.br

Poisson d´Avril

by soniamelier em 6 de abril de 2006 | 21:00

Fiz um rescaldo de algumas notícias que recolhi pela internet, no início do mês. Elas parecem estranhas, até mesmo absurdas. Algumas são certamente “pegadinhas” feitas para marcar o 1º de Abril, o Dia da Mentira. Em sua opinião, quais das notas abaixo são mentirosas ou são verdadeiras?

1. “Los 3 Bandidos” é o nome deste vinho, um blend das uvas Grenache e Merlot, seu rótulo imita furos de balas, o texto promocional diz que seu sabor “é como o primeiro gole depois de dois dias sedentos no deserto de Sonora”.

2. O nome deste é “Jet Lag” (aquela desordem mental, resultado de passarmos rapidamente de um fuso horário para outro). Vem em garrafas pequenas, de 250 ml, podem ser guardadas numa valise e se parecem com frascos de xampus ou de colônias. É anunciado como vinho para globe trotters (versões para tinto e branco).

3. As autoridades francesas vão permitir que nomes de varietais apareçam nos rótulos, que o nível de álcool dos vinhos possa ser artificialmente reduzido e que lascas de carvalho sejam empregadas, em lugar dos barris, muito caros. Em vez do vinho descansar nos barris, são esses que, na forma de lascas ou ripas, se misturam ao vinho, nos tanques de aço inoxidável. O uso do carvalho em lascas é permitido em muitos países, em particular nos Estados Unidos e na Austrália. Tudo isso tem origem em práticas do Novo Mundo.

4. Talvez a melhor safra do Beaujolais Nouveau em toda a história do famoso vinho acontecerá agora em 2006. Já se fala que cada garrafa chegará ao consumidor por cerca de 450 dólares.

5. O governo australiano anunciou que a partir de agora todos os vinhos produzidos no país devem mostrar animais em seus rótulos, de modo a conseguir êxito semelhante ao “Yellow Tail”, o vinho australiano que mais vende nos EUA e cujo rótulo justifica o nome e destaca um simpático canguru amarelo.

6. A uva Cabernet Sauvignon é talvez a rainha dos vinhos tintos. Só que um produtor australiano está lançando um vinho branco com a cabernet. Não, ele não deixou de fora as cascas para não imprimir cor tinta ao vinho e deixá-lo branco. Não, trata-se de uma nova variedade da Cabernet com cascas brancas, desenvolvida no sul da Austrália.
7. O governo francês ordenou que suas vinícolas protejam-se do vírus da gripe aviária. Centenas de jornalistas de todo o mundo estão agora em Bordeaux para a avaliação, ainda em barris, dos vinhos da safra de 2005. Muitos desses jornalistas são originários de países onde o vírus H5N1 foi encontrado. Cada visitante terá de calçar uma sapatilha para encobrir seus sapatos.

8. A Noruega, numa decisão inesperada, decidiu produzir vinhos, juntando-se ao time de países produtores da bebida. O país está muito ao norte da zona capaz de produzir vinhos, seu clima é muito frio. Mas assim mesmo parece que já conseguiram e o vinho estará nas garrafas em abril do ano que vem.

9. Uma vinícola norte-americana está lançando um vinho exclusivo para homens. Serão apenas tintos, com as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot. No rótulo preto, um garanhão em plena cavalgada. O nome do vinho é também o da vinícola, Ray’s Station. Seu dono, John G. Ray, aparece nos anúncios em poses típicas dos anúncios de Marlboro, com aqueles caubóis bancando machos (digo bancando, porque depois de “O Segredo de Brokeback Mountain” as coisas parecem que não são mais as mesmas). O texto da propaganda fala em “Vinhos robustos para homens”.

10. O célebre Château Latour, no Medoc, em Bordeaux, vai lançar um vinho até agora só consumido pelo dono da vinícola, simplesmente um dos homens mais ricos do mundo, o magnata François Pinault (rede de lojas Printemps, Gucci, rede FNAC etc.). É coisa raríssima: um Cabernet Sauvignon feito de uvas de videiras velhas, com 150 anos de idade e que escaparam da praga da phylloxera. O crítico James Suckling, editor da revista Wine Spectator, especializado em vinhos franceses, experimentou do néctar e ficou extasiado. Meia garrafa desse vinho será vendida por mil euros, mas só através de uma única loja, vizinha da mansão do magnata, a “Poisson d’Avril”.

As três primeiras notas são verdadeiras. Indicam que os franceses estão fazendo de tudo para melhorar as suas vendas. Inclusive marketing de má qualidade e imitando os maus hábitos do Novo Mundo.

As notas 4 e 5 são 1º de Abril mesmo. O Beaujolais Nouveau não está nem com 1% dessa bola. Ao contrário, tinha que custar menos. Quanto aos animais na garrafa dos australianos, essa pegadinha tem como base o fato de que uma garrafa de vinho com algum animal no rótulo vai vender duas vezes mais nos Estados Unidos, segundo comprova uma pesquisa da AC Nielsen. Parece que existe um segmento de consumidores que não quer levar o vinho muito a sério. Quer apenas se divertir.

A 6ª é verdadeira: existe agora uma variedade branca da Cabernet. O vinicultor Dorham Mann, no sul da Austrália, começou a experimentar essas uvas em 1991 e manteve o segredo bem guardado. Registrou as uvas em 1999 e agora conseguiu uma licença para produzi-las. Em 2007, teremos mil caixas dessa Cabernet branca.

Quanto à 7ª. tenho dúvidas. Saiu na decanter.com, mas nenhum colunista presente em Bordeaux comentou sobre ela. Puxa, um jornalista ter de colocar um sapatinho até que simpático para entrar numa vinícola e não escrever sobre a novidade?

Se produzimos vinhos (até elogiados pela mestra Jancis Robinson) no Vale do São Francisco, região excessivamente quente, porque a Noruega não pode produzi-los em áreas bem mais frias? Eles lá têm até um ministro para assuntos vitivinícolas. É o senhor Loof Lirpa. Ele explicou que o país tem um longo verão quando nunca anoitece. “As uvas vão pegar tanto sol como se estivessem na Toscana”. É só esperar pra ver.

Quanto à penúltima nota: vinhos só para homens, não são muita novidade nos Estados Unidos. O “Ray’s Station” é o terceiro de uma série (pelas minhas contas), que inclui um vinho feito por fuzileiros e vendido apenas para fuzileiros: o “Jarhead Red” (Jarhead é uma gíria ligada aos fuzileiros: é o nome que dão aos seus capacetes) e o “Used Automobile Parts” (“Peças usadas de automóveis”), que mais parece vinho para a terceira idade. Os EUA são a terra da segmentação: temos lá vinhos “exclusivos” para mulheres, para gays e agora para “machos”. A novidade é que o “Ray’s Station” deixa claro que não admite ambigüidades: é só pra macho mesmo.

A última nota é claramente uma pegadinha do crítico James Suckling. Repararam no nome da loja? “Poisson d’Avril” (“Peixe de Abril”) é o nome que os franceses dão ao nosso 1º de Abril.

Na França, até 1564, o ano começava em 1º de abril. Até que o rei Carlos IX decide adotar o calendário gregoriano, passando o início do ano para 1º de janeiro. No ano seguinte, nem todos trocaram presentes ou fizeram festas na passagem do ano. Muitos continuaram a celebrar o 1º de abril, pois não havia jornais, TV, rádio nem internet para rapidamente informá-lo da novidade imposta pelo rei. As comunicações andavam de carroça. E assim teriam nascido as pegadinhas de 1º de abril.

“Peixe de Abril” se justifica porque, a pesca é proibida a partir de abril em toda a França, em respeito ao período reprodução dos peixes. É impossível colocar um peixe na mesa em abril.

Em caso de dúvidas, cliquem para o Bolsa ou para a Soninha no soniamelier@terra.com.br



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