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Festas e nem tanto

by soniamelier em 24 de novembro de 2005 | 21:00

Festa 1. Já em clima natalino, a Casa Valduga está lançando o seu Cabernet Sauvignon Alto Vale 2004 na embalagem bag-in-box especial para as festas. A vinícola gaúcha é pioneira nesse tipo de embalagem: uma caixa tipo tetra pak, contendo uma bolsa de plástico internamente que protege o vinho da oxidação por pelo menos 25 dias, além da válvula flex tap. É uma ótima solução para as festas, as tradicionais reuniões de família no fim de ano, pois armazenam 5 litros de vinho. Além disso, essas embalagens são mais fáceis e práticas de guardar, mais leves para carregar e seguras contra acidentes. Além do Cabernet, a leitora pode encontrar uma opção de branco, o Chardonnay Alto Vale 2005, nessa mesma embalagem festiva.

Para saber mais sobre onde encontrar o Casa Valduga nas novas embalagens bag-in-box, fale com a Alessandra Battochio Casolato pelo alecasolato@ch2a.com.br ou via telefone: (11) 3253-7052.

Extravagância 1. Ou exibicionismo, se quiserem. Fundada em 1820, a mais antiga loja de vinhos da América, Acker Merrall & Condit, em Manhattan, NY, promoveu em novembro uma ostentadora prova de vinhos. Coisa de gente que quer exibir-se não apenas rico, mas rico de bom gosto. O evento chamou-se “Os 100 Maiores Vinhos do Século” e durou três dias de comidas e, claro, grandes vinhos – tudo realizado em três restaurantes: no Le Bernardin, estrelado (inclusive pelo Guia Michelin) restaurante especializado em peixes; no Cru, que tem uma coleção de 65 mil garrafas e no Bouley, do chef David Bouley – todos eles de cozinha francesa.

Para começar, o ingresso para uma pessoa custou US 19.500,00 (cerca de R$ 44 mil). Mesmo assim, 35 pessoas pagaram por essa festa, onde o preço médio estimado de cada garrafa ficou em 2 mil dólares.

Cada convidado teve direito muito naturalmente a uma provinha de todos os vinhos. Primeiro, uma degustação vertical (várias safras do mesmo vinho), incluindo o Rousseau Chambertin a partir de 1920 e o Pétrus 1950. E horizontais (diferentes vinhos da mesma safra): Echézeaux, Vosne Romanée Cros Parantoux, and Richebourg e Domaine de la Romanée Conti Romanée Conti de 1923, 1937 e 1945 – esse último custando 15 mil dólares a garrafa.

Cerca de 400 mil dólares em vinhos foram servidos. Os organizadores garantem que o próximo evento já está praticamente vendido. Fico pensando na garrafa do Romanée Conti 1945, que custa 15 mil dólares. Teve que ser dividida por 35 convidados. Ou seja, 430 dólares por 20 ml de vinho! Eu prenderia a urina por várias semanas.

De qualquer modo, o cidadão chegou em casa no ligeiro fogo dizendo para a mulher que tinha acabado de provar dos 100 melhores vinhos do século. Tsk, tsk, tsk, fez a mulher.

Festa 2. A Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho de São Paulo, SBAV-SP oferece um presente muito criativo, original, charmoso e pra lá de útil: um curso rápido de vinhos. É o Vale Curso da SBAV: quatro aulas com noções básicas de degustação, harmonização de vinho e comida e os principais conceitos do mundo dos vinhos. Você liga para a SBAV-SP (11-3814-7905), fala com a Márcia e inscreve quem vai ser presenteado (que pode ser você mesma). Para dezembro, por exemplo, já existe um curso para os dias 12, 13, 14 e 15. Pode pagar com 3 cheques (custa R$ 300,00 para sócios e jornalistas e R$ 360,00 para não-sócios).

Na primeira aula, um panorama com a história do vinho, a videira, as uvas viníferas e os fatores que determinam a qualidade da bebida. Aqui, você já aprende alguns dos princípios da degustação, com provas de vinho para reconhecer os atributos doce, ácido, amargo e tânico. Na segunda, vai conhecer os sistema de elaboração dos vinhos e a evolução da bebida enquanto envelhece. A terceira aula, “Técnicas de degustação”, aprenderá examinar o vinho visual, olfativa e gustativamente, através de novas provas de vinho. Na quarta e última aula, aprenderá a escolher vinhos, como comprá-los, armazená-los, as temperaturas indicadas, o serviço correto.

Extravagância 2. Vocês devem lembrar da coluna em que falo de um hambúrger de 5 mil dólares (do restaurante Fleur de Lys, em Las Vegas). Pois parece a praga do carrapato. Um restaurante em Brunley, Lancashire, na Inglaterra, criou a torta mais cara do mundo.

Os ingredientes e acompanhamentos é que a tornam extravagantemente cara.

A torta é de carne e cogumelos. Começa que a iguaria utiliza a mesma carne de Wagyu (o especialíssimo gado de Kobe, Japão, que está no hambúrger de Las Vegas) e Custa perto de 861 dólares (quase 2 mil reais) o quilo.

Depois, o seu molho é feito com duas garrafas do Château Mouton-Rothschild 82, um precioso Premier Cru Classé, de Pauillac, Bordeaux. Uma garrafa de 750 ml pode custar entre 600 e 1.500 dólares, em Londres.

O vinho das duas garrafas é reduzido para o equivalente a uma garrafa: é utilizado para intensificar o sabor.

Os cogumelos são tão raros que o criador da torta, o chef Spencer Burge (do Fence Gate Inn) chamou segurança especial para protegê-lo enquanto picava o fungo. Esses cogumelos custam perto de US$ 3.500,00.

Mas ainda faltam contar as trufas negras e mais a folha de ouro de 24 quilates na decoração. Para acompanhar, duas garrafas do champanhe Louis Roederer Cristal Rosé.

No final, a torta custa US$ 1.750,00 cada fatia. Ela comporta oito fatias, o que dá um total de US$ 14.000,00. Some-se a isso a Cristal Rosé, por US$ 345,00 a garrafa.

Mas a torta ainda leva trufas negras. E mais: uma folha de ouro de 24 quilates. Para acompanhar, duas garrafas do champanhe Louis Roederer Cristal Rosé.

O dono do hotel, o Fence Gate, concorda que o prato ficou extravagante. “Mas já que resolvemos fazer o molho com o Mouton 82 passamos de um ponto sem retorno”.

Sei não: depois de 20 ml de vinho por 430 dólares e um pedaço de torta por US$ 1.750,00, acho que o pessoal do primeiro mundo está treinando para a sua versão do “Fome Zero”.

Tristeza. Falar de extravagâncias, de festas é sempre mais fácil. Já de tristeza, sentimentos de infelicidade e desencanto fica bem mais difícil. E, nesse estado, registro que o amigo Zizinho, o Aluizio Leite Garcia, dono da pousada Tambo los Incas, no Vale do Cuiabá, Itaipava, sossegou há uma semana, aos 79 anos. Referência obrigatória da hotelaria e restauração, figura inigualável em nosso processo civilizador, Zizinho deixou também um rastro de sucessos e feitos pioneiros no cinema e televisão brasileiros.

Fala-se muito hoje na sofisticação dos hotéis e cozinhas da Serra – qualidade seguramente desbravada pelo Zizinho, através do seu Tambo.

Mas, como lembrou o poeta, quem repara no sol senão quando a chuva cessa?

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