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Dos drinques ao chocolate

by soniamelier em 30 de dezembro de 2004 | 21:00

Já que é tempo de festas, talvez seja interessante saber um pouquinho mais sobre a nossa “idade alcoólica”, ou qual a nossa maturidade para a bebida. E assim tentarmos evitar a síndrome do “dia seguinte”, com seus maremotos físicos e morais. A coluna anterior, sobre a dieta envolvendo vinho e chocolate, está dando o que falar. Não paro de receber e-mails. Então, volto ao assunto, rapidinho.

As bebidas alcoólicas andam sob severa vigilância em todo o mundo: governos e entidades civis querem maior controle sobre excessos, em particular nos grupos mais jovens. As restrições sobre a publicidade já se fazem sentir em todo o mundo. E, agora, ameaçam o setor comercial e produtivo.

Talvez para antecipar problemas, a Diageo, o maior produtor de bebidas alcoólicas do mundo, procurou saber mais sobre o problema.

A Diageo é dona, entre muitas marcas, do Johnny Walker, do J&B, da tequila José Cuervo, da vodka Smirnoff, do gim Tanquerey, da cerveja Guinness, dos vinhos Periquita, em Portugal, de vinhos em Bordeaux, Alsácia e Califórnia.

Sua filial australiana conduziu uma pesquisa global sobre os hábitos de beber e as etapas da vida dos consumidores, examinando como eles se viam e como eram vistos e as razões de beberem. Eis um resumo desse trabalho, colhido no site just-drinks (www.just-drinks.com):

1) Rebelião, liberdade, exploração. É um rito de passagem para os jovens adultos, a formação de uma identidade, a conquista de aceitação e respeito de seus pares. Pouquíssimo conhecimento do álcool, que bebem pelos seus efeitos. O objetivo é abusar da bebida, testar limites. Ressaca nessa etapa é um prêmio.

2) Celebração da liberdade. A bebida alcoólica como um código tribal, uma cola social, necessário para que homens expressem sua masculinidade. Experimentam o máximo possível de bebidas, tentam ganhar resistência mais do que conhecimento. Preço é um limitador. Procuram promoções e descontos.

3) Explorando a sua realidade. Quem sou eu, quem eu quero ser? Saindo do tribal para o individual. Menos hedonista, preocupado com o futuro. Seu repertório de bebidas encolhe, mas se aprofunda quando encontra a sua categoria favorita. Seu paladar se desenvolve. Disso gosto, disso não gosto. Ressaca aqui acontece, mas é indesejada.

4) Consolidação e compromisso. Chegam as grandes decisões da vida madura. É mais confiante. O álcool torna-se mais complementar do que prioritário. Ganha mais do que antes. É mais ligado em status e sofisticação. Quer ser visto como informado, conhecedor. Mais confiante quanto às marcas que escolhe. Sob pressão da vida atribulada, especialmente com o pouco tempo para si.

5) Reavaliação e conquista do conhecimento. Confia em si e em suas escolhas. Olha para trás com orgulho. Mas tem novas perspectivas e curiosidades. Busca conhecimento, tenta novas experiências. Interessado em regiões, ingredientes e métodos de produção. Preocupa-se com sucesso, embora desligado do seu passado hedonista.

A partir dessa pesquisa, que comprimi ao máximo, a Diageo começou a tomar providências, ordenando alterações em seus produtos e em sua publicidade. Afinal, a responsabilidade é tremenda. Outras indústrias e setores do comércio que lidam com bebidas alcoólicas estão também tomando suas providências.

Vamos festejar, vamos beber, mas com moderação. E para evitar a ressaca, apenas um drinque por hora e água, muita água.

Sobre a dieta da “polirrefeição”, que soma sete ingredientes (vinho, chocolate, peixe, alho, amêndoas, frutas e vegetais), muitas leitoras têm dúvidas, principalmente a respeito da presença do chocolate. Será que 100g de chocolate diariamente não vão acabar aumentando nossas cinturinhas? São dúvidas pra lá de válidas. O que sei é que há muito tempo o chocolate deixou de ser um bicho-papão.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Colônia, Alemanha, e publicada pelo Journal of the American Medical Association em agosto de 2003, revela que o chocolate pode ajudar a baixar a nossa pressão sangüínea, combatendo a hipertensão.

É que o chocolate contém substâncias naturais chamadas polifenóis, as mesmas que proliferam nos vinhos, particularmente os tintos. Os polifenóis são poderosos antioxidantes, que ajudam a desobstruir artérias e a conter problemas de pressão alta, prevenindo o risco de ataques cardíacos.

Na pesquisa alemã, juntaram um grupo de adultos com problemas de hipertensão. Esse grupo era obrigado a comer diariamente uma barra de chocolate de três onças – o que equivale mais ou menos a 93,3g (praticamente, os 100g receitados pelos médicos holandeses e australianos).

Metade do grupo comia chocolate branco e metade chocolate preto. Depois de duas semanas, a pressão da turma do chocolate preto caiu a níveis ótimos, ficou normal. O mesmo não aconteceu com o grupo do chocolate branco – que não contém os tais polifenóis.
Logo, não foi por acaso que os médicos holandeses e australianos incluíram chocolate preto na dieta, na “polirrefeição”.

Buscaram um elemento doce para a sua receita – o que é perfeito, pois as dietas que nos passam mais lembram câmaras de tortura.

A dieta recomendada não é muito diferente do que ordena o bom senso e tudo o que sabemos sobre alimentação sadia: peixe, frutas e legumes, alho, amêndoas, vinho e chocolate.

De um modo geral, as leitoras que me escreveram acharam que a quantidade de chocolate é demasiada. Pelo meu lado, acho que a quantidade de vinho é que é pouquíssima: apenas uma taça diária? Estão brincando!
O mais certo é esperarmos novas notícias sobre essas dietas. E, no caso do chocolate, consultarmos nossos médicos.

Eu jamais juntaria vinho e chocolate numa mesma refeição. É uma combinação dificílima. Deixaria o chocolate para acompanhar aquele filme na TV, à noite. Ou fazê-lo a primeira refeição do dia, com nosso paladar bem limpo. Ele ficaria horas e horas em nossa boca, aumentando nosso prazer.

A Soninha torce para que as amigas consigam comer todo o chocolate do mundo em 2005, manter suas cinturinhas nas medidas certas e principalmente conseguirem tudo o mais de bom, pois vocês merecem.

Mais dúvidas sobre chocolates, vinhos e outras bebidas é só clicar para o Bolsa ou para a Soninha no soniamelier@adegaebar.com.br. Feliz 2005!

Vinho, chocolate e vida longa

by soniamelier em 23 de dezembro de 2004 | 21:00

Papai Noel parece que existe mesmo, pois já nesse Natal você pode entrar numa dieta que destaca vinho e chocolate, reduz em 76% as chances de um ataque cardíaco e ainda aumenta a expectativa de vida dos homens (em seis anos e meio) e das mulheres (em cinco). Não, não é lorota, nem sonho. É um autêntico presente de Natal oferecido por cientistas. A “polirrefeição”, como estão chamando a nova dieta, é resultado de pesquisas de dois times de médicos: um da Universidade de Monash, em Vitória, Austrália; outro, no Centro Médico Erasmus, da Universidade de Rotterdam, na Holanda. O objetivo dos cientistas era criar uma alternativa não farmacêutica à “polipílula”, que surgiu em 2003, resultando na combinação de várias drogas numa só drágea para combater doenças cardíacas.

A “polipílula” junta aspirina, ácido fólico e drogas para a pressão sangüínea e nível de colesterol e promete reduzir as doenças cardiovasculares em 80%. Os dois grupos de cientistas pesquisaram várias combinações de alimentos e chegaram a uma dieta de seis ingredientes: peixe, chocolate preto, frutos e vegetais, alho e amêndoas. Uma dieta com esses elementos praticamente chega aos resultados da “polipílula”: queda de 76% das oportunidades de problemas no coração.

A própria literatura médica ofereceu pistas para os pesquisadores. O consumo diário de 150ml de vinho tinto, o equivalente a uma taça, corta o risco de um ataque cardíaco em 32%. Peixe, consumido quatro vezes por semana, reduz em 14%. Some-se 100g de chocolate preto e 400g de frutas e vegetais abaixo ainda mais a pressão sangüínea, reduzindo ainda mais o risco de problemas cardíacos. Alho e amêndoas entram para abaixar os níveis de colesterol: são apenas 2,7g de alho e 68 g de amêndoas.

Os cientistas identificarem dezenas de ingredientes que poderiam compor uma dieta que substituísse a poderosa pílula. Inclusive, utilizaram modelos matemáticos para analisar os efeitos que o consumo regular desses alimentos poderia ter sobre a saúde cardiovascular de uma população. Esses modelos foram baseados num estudo médico famoso, chamado de Estudo Framingham, que acompanhou o estado de saúde da população de Massachusetts, nos Estados Unidos, por 46 anos.

Afinal, chegaram os nossos seis itens. Isoladamente, eles teriam em média de 14 a 20% de resultados satisfatórios. Mas combinados chegam aos 76% de sucesso em evitar um ataque cardíaco. “Não sabemos ainda se o efeito será maior se aumentarmos as quantidades. Mas poderá ser menor se esses totais forem diminuídos”, dizem os pesquisadores holandeses. A dieta pode representar toda uma refeição, no formato de sopas, saladas, grelhados e sobremesas. É onde entra a criatividade culinária de seus futuros adeptos e adeptas.

A “polirrefeição”, diz um artigo na edição de dezembro do British Medical Journal, promete ser uma alternativa eficiente, natural, não-farmacológica, segura, sem efeitos colaterais e ainda por cima saborosa para a “polipílula”, protegendo de doenças cardíacas e aumentando a expectativa de vida das pessoas.

O peixe está presente em apenas quatro dias da semana, pois pode aumentar as concentrações de mercúrio no sangue. Apenas uma restrição: o alho não deve ser consumido antes de um encontro amoroso. A solução, talvez, seja você arrumar um parceiro que também seja adepto de “polirrefeição”. Todos no mesmo barco.

Para quem gosta de referências é só consultar o British Medical Journal, volume 329, página 1447. Ou questionar tirar dúvidas com o médico que liderou o grupo holandês nessa pesquisa: Dr. Oscar Franco, Scientifc Researcher, Dept of Public Health, Erasmus Medical Centre, University Medical Centre Rotterdam, Netherlands. E-mail: o.francoduran@erasmusmc.nl

Então, reserve já seu vinho, e pense em como combiná-lo com os outros seis itens. Papai Noel vai chegar e por muitos natais.

Amigas, tomem seu vinho despreocupadas. Afinal, ele já é parte de dieta receitada por cientistas, em dois importantes centros de pesquisas do mundo. Mas não abusem. E um grande e saboroso Natal para todas.
(Claro, em caso de dúvidas e perguntas, continuamos no Bolsa ou no soniamelier@adegaebar.com.br)

A arte do convívio

by soniamelier em 16 de dezembro de 2004 | 21:00

Minhas recomendações para o Natal, naturalmente de vinhos, estão embutidas em dois livros. Assim, quem gosta do mundo da bebida, poderá saber um pouco mais, conhecer melhor como e quais degustar, em que ocasiões e acompanhado de que pratos. Valem como sugestões de presentes para você mesma ou para o amigo-oculto. Ambos os livros são lançamentos recentes, de jornalistas já conceituados em seus países. O primeiro, já citado aqui, é “O connaisseur acidental” (ISBN 85-98078-03-4, Editora Intrínseca, 2004), do jornalista americano Lawrence Osborne, cujo livro anterior, sobre a rara síndrome de Asperger, “American Normal”, fez grande sucesso de público e crítica.

O segundo é do brasileiro Renato Machado, jornalista, correspondente e apresentador da Rede Globo, colunista de vinhos e importante divulgador da bebida em nosso país. Ele acaba de lançar o “Em volta do vinho”, numa edição muito bem cuidada da Editora Globo (ISBN 85-250-3875-X).

Osborne, como diz o subtítulo do seu trabalho, faz  “uma viagem irreverente pelo mundo do vinho”. Irreverente porque saiu por aí entrevistando com olhar irônico desde grandes celebridades do vinho, como Robert Mondavi e o Marquês Piero Antinori, até negociantes, produtores e vinhateiros famosos, como o da Maison Latife. Visitou de grandes indústrias do vinho a produtores artesanais. Percorreu vinícolas da Califórnia, da França e da Itália. Saiu pelo mundo sabendo que o vinho é um jogo perigoso, desconfiando de seu próprio gosto.

E gosto, ele verificou que pode ser domado. Por exemplo, fazendo as contas, Osborne verificou que o americano bebe hoje oito vezes mais vinho do que bebia em 1934. “Foi essa mudança que fez a fortuna de Mondavi e a catapulta que lançou a Califórnia par a cena mundial”. Os maiores consumidores de vinho do mundo são a França, Itália e Estados Unidos, sendo que a proporção de vinho importado que os Estados Unidos consomem é muito maior.

Daí que “o cenário do vinho americano tem agora uma influência sem precedentes”, diz ele. Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos são hoje os maiores importadores de vinho do mundo, seja em volume, seja em faturamento. Desses três, só os Estados Unidos e a Alemanha são ao mesmo tempo produtores e exportadores. Os americanos são o 4º maior exportador e o 4º maior produtor.

Logo, “de todos os países que produzem, exportam, importam e bebem vinho, os Estados Unidos são o país que tem mais influência relativa em todas as quatro áreas ao mesmo tempo. Pode influenciar as importações com uma das mãos e, com a outra, fazer sentir o seu peso em questões de produção. É o único país que bebe o vinho alheio de forma tão extravagante quanto bebe o próprio. E foi esse fato que ajudou a tornar Napa a cabine de comando do vinho globalizado”.

Assim, Osborne abriu a cortina da globalização, da massificação da bebida e do seu gosto padronizado, ao feitio do consumidor americano. Descobriu gente fazendo vinho bom, mas sem dar a mínima para o preceito sagrado do “terroir”. Mas também bebeu coisas horríveis dentro do “terroir”. Olhou um tanto sarcasticamente para os monstros sagrados, como Parker, e sua oratória confusa. E acaba encontrando no vinho um recado de paz e fartura a todos os homens e mulheres.

Já Renato Machado faz uma seleção de suas melhores colunas em O Globo nos últimos seis anos e conta um pouco de sua busca em torno de beberes e comeres, pois seu livro não se encerra nos vinhos. Revela o que andou bebendo e comendo por suas andanças por Itália, Portugal, França, Espanha, Alemanha, Califórnia, Argentina, Chile e, claro, Brasil. Fala do velho e do novo mundo, dos segredos de uma garrafa, das tradições mantidas e as que foram melhoradas pela informação e através de novas técnicas, e que, afinal, acabaram tornando os vinhos cada vez melhor.

Renato abre um bom espaço para explicar a harmonia à mesa, como combinar vinhos e pratos. E encerra o livro com um preciso glossário de degustação da bebida e outro sobre o nome das uvas. Seu livro é dedicado aos prazeres do vinho e da comida, apenas irreverente quanto ao eventual mau gosto e à qualidade pífia.

Sobre as festas de fim de ano, o jornalista brasileiro fala que o batido peru com farofa vai mesmo é com brancos, especialmente espumantes. “Para acompanhar o bacalhau, indica-se tradicionalmente o tinto português – mas neste caso, estamos falando de um tinto fresco, esfriado à temperatura que não pode passar os 15º , seja ele à base de uvas “tinta roriz”, “castelão francês” ou “touriga nacional”, ensina o jornalista. Porém, “tudo vai depender do preparo desse bacalhau. Diante de uma fritura forte, como os bolinhos, se fica com o tinto…”

As inovações são possíveis e com elas podemos partir para os vinhos brancos, diz ele, “se o bacalhau for em natas ou em receitas de forno… As uvas brancas nativas como “arinto” e “antão vaz” vão fazer bonito em qualquer ceia”.

Osborne é principalmente crítico quanto à pantomima que é feita em nome de uma bebida que tem a ver, como diz Renato, “com a arte do convívio, aquela que não faz sofrer”.

Pode ter certeza, amigas, esses dois livros formam belos presentes para quem gosta de vinhos, de viver feliz e em paz.

Se quiser mais dicas para as festas e só clicar para o Bolsa ou consultar a Soninha, via soniamelier@adegaebar.com.br

Demais e de menos

by soniamelier em 2 de dezembro de 2004 | 21:00

* Bebendo demais: é o que o inglês anda fazendo nos últimos tempos. E o grupo que anda entornando pra valer é o das mulheres jovens. A indústria de bebidas lá é um negócio de 58 bilhões de dólares anuais – mas está sofrendo pesadas pressões do governo para que ajude a reduzir o clima de porre geral instalado no país. Sua majestade reclama que os problemas de saúde relacionados com o excesso de álcool estão custando país 38 bilhões de dólares por ano. O governo quer iniciativas da própria indústria para ajudar a resolver a situação.

A Diageo, a maior produtora de bebidas alcoólicas do mundo, dona da Smirnoff, Guinness, Baileys, Johnny Walker, entre outras marcas estreladas, está promovendo campanhas educativas em torno do beber responsavelmente.

Dona de 640 pubs no país, a JD Wetherson aumentou alguns preços e diminuiu o conteúdo alcoólico de alguns drinques para desencorajar os sedentos ingleses. Varejistas abandonaram as promoções de preço e as happy hours. O problema é que a indústria fatura mais se o consumidor beber mais. Um garçom ou gerente de bar pode até dobrar o salário vendendo mais drinques. Não fazemos diferente por aqui.

As garotas lá, na faixa nos 24 anos, consomem 40% de toda a vodka à venda. O mercado de vodka, inclusive, cresceu 25% nos últimos 10 anos. Um terço das mulheres em torno dos 20 anos entorna direitinho.
O governo pressiona produzindo leis cada vez mais restritivas.
Se as amigas repararem bem, o cenário aqui não é assim muito diferente. E é preocupante pelo número de jovens entrando na onda, redondos, redondos. Só que ninguém pressiona; as estatísticas não são divulgadas ou sequer pesquisas são realizadas. É demais.

* A China, pelo terceiro ano consecutivo, mantém o lugar de maior produtor de cerveja do mundo, com 185 bilhões de litros da “loulinha”. Os Estados Unidos continuam num honroso segundo lugar. O mercado chinês ainda é dominado por marcas domésticas, como a Tsingtao e a Yanjing. Mas a Budweiser, Carlsberg e Forster já entraram no país.

É claro que não há produtor de cerveja que não esteja de olho naquele mercado, 185 bilhões de litros é demais. Haja mictório!

* Conseguiram vender a maior garrafa de vinho do mundo. Ela tem 1,5 metros de altura, pesa 154 quilos e abriga 130 litros de vinho, o equivalente a 173 garrafas regulares de vinhos (750 ml) ou a 1200 taças de vinho.
Dentro, temos o Private Reserve 2001 da Vinícola Beringer, do Vale de Napa, Califórnia. Foi uma garrafa feito sob encomenda de uma churrascaria, a Morton’s, para celebrar seu aniversário de 25 anos.

A Morton’s colocou a garrafa em leilão, no último dia 22, e a Sotheby’s conseguiu vendê-la para a Wine Ventures, uma loja de vinhos e chocolates finos em Nova Jersey. O preço alcançado também foi demais: 56 mil dólares. A Morton’s doará essa receita, descontada a comissão do leiloeiro, para a principal organização de luta contra a fome dos Estados Unidos, a “Share Our Strength”.

A garrafa ficará em exposição na vitrine da Wine Ventures. Ninguém deixará de notá-la, certamente.

Se inventassem um “Sede Zero” já teríamos um boa idéia: criar a maior garrafa de cachaça do mundo. Provavelmente esse programa decolaria.

* Uma vinícola da Nova Zelândia, a Kim Crawford Wines, resolveu conquistar a comunidade gay de Sydney, a importante metrópole australiana e lançou um vinho chamado “Pansy Rosé”.

Ora, “Pansy”, em termos botânicos, é o nosso amor-perfeito, essa planta da família das violáceas com pétalas aveludadas de várias cores.
É também uma gíria para maricas, bicha, efeminado, homossexual – você escolhe. Parece que localmente “pansy” não é considerado um termo ofensivo pelos gays.

A vinícola repete o sucesso junto aos homossexuais neozelandeses, quando lançou localmente o Pansy em 2002. Turistas gays australianos gostaram tanto do vinho que a Kim Crawford decidiu lançá-lo em Sydney.
O Pansy é um vinho rosado, blend de Merlot, Cabernet Franc e uma pequena quantidade de Chardonnay.

A vinícola neozelandesa pode ter sido pioneira, mas apenas regionalmente. Pelas minhas notas, o primeiro vinho produzido objetivamente com vistas ao segmento gay foi o “California Alicante Bouschet” 2001, da Rainbow Ridge Wines, de propriedade de Tom Beatty e Dennis Costa, dois homossexuais assumidos. O arco-íris (“rainbow”) do nome da vinícola é também o símbolo nacional da identidade e do movimento gay nos Estados Unidos. O rótulo do vinho, inclusive, reproduz um arco-íris.

O mercado gay é dos que mais crescem em todo o primeiro mundo. Evidente que a indústria de bebidas está de olho muito atento a ele. A vodka Absolut, o grande sucesso de vendas do mercado de destilados, patrocina há 15 anos o “Gay & Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD) Media Awards” (mais ou menos “Prêmios de Mídia da Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação”). Outras grandes empresas fazem o mesmo.

E aqui meto um pouco a minha colher. Não acho que homossexuais ou quaisquer outros grupos gostem muito de caricaturas, como em minha opinião é o nome dado ao vinho neozelandês: “Pansy Rosé”.

Vejam que a Absolut não mudou seu nome ou criou um outro (“Absolut Rosé”, por exemplo) especial para o mercado. E ela é pra lá de bem vendida na comunidade gay.

O mesmo acontece com o vinho do casal Beatty e Dennis: seu nome é Alicante Bouschet, nome de uma uva francesa, cruzamento da Petit Bouschet com a Grenache. Produziram um vinho raro – que já foi premiado, inclusive por suas qualidades vitivinícolas.

Penso que o produtor neozelandês foi “de menos”, nesse caso. Buscar o segmento gay, especialmente, está OK. Mas vestir de rosa o produto (e até chamá-lo de “Maricas Rosado” ou o equivalente) por achar que assim ele fica mais ao agrado daquele consumidor é não entender bem as coisas.
Lembro que a nossa indústria cigarreira fez várias tentativas de criar uma marca exclusivamente feminina. Nenhuma deu certo. Inclusive, o cigarro “Charm” foi originalmente planejado para o mercado das mulheres. E aconteceu que ele é mais fumado pelos homens.

Mas, enfim, não entendo das modas neozelandesas nem dos gostos australianos. Posso estar errada e “pansy” ser o senhor elogio.
Se você tem uma listinha com o que é demais e de menos, por favor, mande-a para o Bolsa ou a Soninha (no soniamelier@nossacasa.com.br).



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