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Uma revolução nos tintos

by soniamelier em 30 de setembro de 2004 | 21:00

Brigitte Bardot fez 70 anos, mas disse que preferia continuar nos 30. Compreensível. Os vinhos franceses de Bordeaux têm séculos de idade e continuam pensando que são rapazes. Esquecem que o tempo passa e novos costumes se instalam. Os comerciantes de Bordeaux estão tentando desesperadamente vender seus vinhos tintos de 2001 e 2002. E mesmo a bons preços não estão tendo muito sucesso. Os vinhos de Bordeaux já não ocupam os primeiros lugares de venda na Inglaterra, um mercado que sempre os prestigiaram. Os 10 primeiros lugares são hoje ocupados por vinhos do Novo Mundo, da Austrália, em particular. Há uma crise em curso. Uma crise envolvendo o vinho tinto em todo o mundo e que afeta imediatamente a região de Bordeaux. Além de comercial, é uma crise de costumes, de gostos, de cultura e que envolve vinho e comida.

A grande Jancis Robinson, Master of Wine, crítica de vinhos e autora de livros fundamentais como “The Oxford Companion to Wine”, minha referência constante, escreveu agorinha um artigo em seu site sobre a Revolução do Vinho Tinto: sem comida. É matéria que ajuda a elucidar essa crise – e a revelar um novo modismo já está instalado no mundo dos vinhos.

Bordeaux faz um estilo de vinho que é mais bem apreciado com comida. Os franceses consideram o vinho como parte exclusiva da sala de jantar. Não há possibilidade do francês pensar em vinho sem a comida: é integrante incondicional da gastronomia do país. Seus grandes chefs são treinados para pensar em pratos ao mesmo tempo em que decidem que vinhos os farão companhia.

Já os novos ricos da China, tomam um Petrus, um Margaux como aperitivo – apenas porque são vinhos caros, famosos e eles são justamente isso: novos ricos, com dinheiro de sobra para bebê-los até com guaraná. Esses vinhos, com muito tanino, pouco álcool e açúcar, só são mais bem degustados com comida.

Jancis Robinson repara que “a razão pela qual bebemos vinho hoje está mudando tão rapidamente que o próprio vinho está tendo dificuldade em acompanhar essas mudanças. E diferentes culturas têm idéias bem diferentes quanto à função do vinho”.

O francês, por exemplo, jamais pensaria num vinho parado como um aperitivo, tal como faz o novo rico chinês. Tomaria um licor ou uma taça de champanhe no início ou no fim de uma refeição. Na cultura francesa, lembra a inglesa, o vinho é algo para ser saboreado com comida.“No outro extremo da escala evolucionária, em termos de vinho, temos a Índia”, diz Jancis Robinson. A Índia começa agora a produzir seus próprios vinho e a tomar um gostinho pela bebida. Mas os poucos críticos especializados de lá estão tendo dificuldades em demonstrar as virtudes do vinho. O consumidor médio acha que o uísque faz efeito mais rapidamente que o vinho. Lá, como na Escócia, primeiro você bebe e depois come – isso se estiver sóbrio o bastante.

Mas, lembra Jancis, “a maioria das culturas enófilas fica entre esses dois extremos”. Entre os hábitos dos franceses e dos indianos.
Em regiões do mundo onde o consumo de vinho vem crescendo rapidamente, como a própria Inglaterra e partes da Ásia, “o vinho não é mais visto como uma bebida para acompanhar comida, necessariamente”.
Vinhos de todos os estilos, em particular uma substancial quantidade de tintos, estão sendo bebidos como aperitivo, uma aceitável alternativa para uma cerveja, para um gim-tônica, um rum com Coca-Cola ou para os Martinis. “O que o consumidor está procurando é um vinho que seja feito para não acompanhar comidas”, diz Jancis. E isso já representa uma senhora revolução nos hábitos relacionados ao vinho. É claro que essa tendência tem enormes implicações com os vinhos que estão ou passarão a estar na moda, particularmente entre os tintos.

Os tintos de hoje, particularmente (mas não exclusivamente) os do Novo Mundo, são feitos um tantinho mais doces, mais leves – e é isso que vem fazendo deles uma bebida fácil para tomar desacompanhada, como um drinque. Os vinhos com muitos taninos, supersecos, como os de Bordeaux e mesmo os tintos de regiões tradicionais da Itália, como o Piemonte e Toscana, com os seus Chianti e Barolo, vêm encontrando cada vez mais dificuldades em serem comercializados.

Pelo mesmo motivo, lembra a crítica inglesa, é que os vinhos do sul da Itália, com mais álcool e menos taninos, estão na moda, sendo cada vez mais procurados. Vinhos como o aveludado Negroamaro ou o Rosso di Salento, “que descem mais suavemente”.

A palavra “suave” tornou-se uma espécie de eufemismo para doce e macio ou com poucos taninos. “E são os tintos ‘suaves’ os candidatos óbvios para vinhos sem comida, para serem bebidos nos bares, ligeiramente refrescados”. Parte dessa revolução é devida também ao tipo de comida que está sendo oferecida hoje nos restaurantes. “Os finos Bordeaux podem combinar maravilhosamente bem com as cozinhas clássicas francesa e inglesa, mas passam ao largo do tipo de pratos adocicados e picantes cada vez mais populares em todo o mundo”, revela Jancis Robinson.

Temos hoje a presença cada vez mais marcante de pratos com molhos asiáticos – apimentados, com leite de coco, curry (caril) etc. E não precisa ser adivinho para saber que os vinhos mais apropriados para esse estilo são os tintos mais suaves, um tanto mais doces.

A crítica inglesa acredita que os vinhos espanhóis, ricos, frutados, deverão ser os grandes beneficiários dessa nova tendência. “A influência dos vinhos do Novo Mundo junto às vinícolas européias continuarão a reforçar a tendência por estilos de vinhos com mais frutas”, diz Jancis. E a apelar para a maioria dos consumidores que querem fazer do vinho apenas um drinque para tomar sem comida.

Jancis Robinson admite, por outro lado, que como para cada ação existe uma reação, é possível que uma proporção dos bebedores de vinho voltem a procurar vinhos feitos especialmente para acompanhar comidas. “Enquanto isso, se eu fosse produtora de vinho, não apostaria nisso”.
Acho que essa tendência já está instalada por aqui. Cada vez mais bares e restaurantes oferecem taças de vinho, como um aperitivo. O que é preciso é que os bares, em particular, passem a oferecer o vinho como um drinque isolado. Hoje, por aqui, só contamos mesmo é que os destilados e com as cervejas.

O que acha a leitora dessa revolução. O vinho por aqui vai também passar a ser bebido como um drinque? Como a leitora prefere o seu vinho? Com comida ou apenas como um aperitivo? Escreva para o Bolsa de Mulher ou aqui para a Sonia (soniamelier@adegaebar.com.br).

Vai de Malbec?

by soniamelier em 23 de setembro de 2004 | 21:00

Uma vizinha me procurou para saber se eu tinha Malbec. Como, Malbec, que Malbec? O que a vizinha queria com essa uva? Mas a vizinha nem sabia que era uma uva. Achava mesmo é que era um vinho a toda hora oferecido na novela “Senhora do Destino”, na Globo. Comecei a ficar atenta e a vizinha estava certa: a Malbec é importantíssimo personagem do restaurante chique da novela. Um restaurante de cozinha francesa, mas cujo “vinho” principal é argentino. Basta um casal sentar que o maître oferece logo um “Malbec”. Não bastando isso, a fama da uva já chegou à clientela. Grupos chegam e perguntam logo pela “nova safra do Malbec”. Ninguém, aparentemente, quer saber de comer. Saem de casa, enfrentam tiroteios só para beber a Malbec. Para o roteirista essa é a vida real.

Como a amiga sabe, os restaurantes costumam deixar sobre a mesa uma carta de vinhos e o maître ou o sommelier vem em nosso socorro quando escolhemos o prato. É a ocasião do restaurante, principalmente quando “fino”, “chique” ou “francês”, mostrar ao que veio. Cabe ao profissional especializado recomendar que vinhos combinarão melhor com os pratos escolhidos. Não, nessa novela. O “vinho” Malbec é remédio para qualquer ocasião. E a minha vizinha tem razão em ficar confusa. Na sua cabeça hoje tem um vinho, o tal Malbec, que serve para carne, peixe, dia, noite, quente, frio, para barões e bicheiros. Uma espécie de pomada milagrosa da vinicultura, uma descoberta fenomenal do roteirista da novela. Dizem que o autor, o Aguinaldo Silva, é pessoa requintada, que gosta de bons vinhos, sabe cozinhar bem. Ele poderia encontrar um tempinho e dar um jeito no que se passa no restaurante.

A Malbec

A Riesling é a grande uva branca da Alemanha, rivalizada apenas pela Chardonnay, a varietal querida da Borgonha. A tinta Cabernet Sauvignon é a estrela de Bordeaux, e a Pinot Noir garante brilho na Borgonha e em Champagne, a Zinfandel é o orgulho da Califórnia, a Tannat é outra imigrante que se deu bem no Uruguai. Pois a Malbec está colocando a Argentina nos lugares mais nobres da vinicultura mundial.

Agora em outubro, a revista americana “Food & Wine” publicará um artigo do mais influente crítico de vinhos do mundo, Robert Parker Jr. É uma matéria que já vem sendo badalada, pois o americano faz 12 predições para o futuro do vinho. Como será esse mundo nos próximos dez anos?

Uma dessas predições é justamente sobre a uva Malbec. Diz ele: “A uva Malbec, que já faz as glórias dos vinhos argentinos, atingirá reconhecimento mundial em 2015. A varietal de origem francesa, que não deu certo nos solos de Bordeaux, atingirá o máximo de qualidade nos vinhedos de grande altitude de Mendoza e terá lugar garantido no panteão das uvas nobres”.

Não foi uma predição surpreendente, pois a Malbec vem cada vez mais garantindo e sempre com grande qualidade a presença do vinho argentino nos principais mercados mundiais. Não surpreende, portanto, que tenha conseguido um papel de destaque no chique restaurante francês de “Senhora do Destino” e que venha intrigando minhas vizinhas aqui em Secretário, Petrópolis.

As origens de Malbec são também francesas. Há cem anos, tinha um papel coadjuvante em Bordeaux, sendo utilizada em misturas com a Cabernet Sauvignon. Era plantada não apenas em Bordeaux. Não havia canto na França que não tivesse um vinhedo com essa uva, que, coitada, chegou a ter mais de 400 nomes diferentes. Os mais conhecidos hoje são Côt e Auxerrois. Mas sofria com pragas e entrou em declínio. Hoje, a única região francesa que ainda a utiliza é a de Cahors, no sudoeste do país, mas não dá um bom vinho.

Esse patinho feio emigra então para a Argentina em meados do século 19. E lá é que encontrou a sua verdadeira casa, nos Andes, na região de Mendoza, em vinhedos situados a mais de mil metros acima do nível do mar. Ar puro, grande exposição do ao sol, ótima fotossíntese, dias quentes, noites frias – tudo isso fez da Malbec uma uva capaz de reter grande acidez e ótima quantidade de açúcar, num equilíbrio perfeito, resultando em vinhos ricos e com grande sabor, famosos por acompanhar bem pratos de carne, os famosos assados argentinos. Mas que podem ser macios o suficiente para pizzas vermelhas, cheias de tomates. Ideal para o gaúcho dos pampas e para o portenho de origem italiana. O argentino imediatamente nacionalizou a Malbec.

É certo que se trata de uma manobra de merchandising. Nos capítulos que eu assisti ou que me foram fofocados pelas vizinhas, ninguém viu ou ouviu falar de um vinho ou um rótulo em particular. Apenas um vinho com a uva Malbec é oferecido. Propositadamente, o rótulo fica coberto pela mão de algum ator, ou torna-se indistinguível pela distância na telinha. Vai ver, algum órgão de divulgação do vinho argentino está bancando a presença da uva naquele restaurante. Você divulga a uva e acaba conhecendo os vinhos argentinos, seria essa a idéia.

Falo argentino, mas poderia ser chileno, já que existem vinhos chilenos com a uva Malbec, só que sem o peso e a riqueza dos que saem dos vinhedos de Mendoza. Pelo que se vê, é o único vinho na casa. É um erro grosseiro. Qualquer restaurante tido como “chique” tem uma adega farta o bastante para acompanhar os pratos que oferece no seu cardápio. A estratégia é sempre a da diversidade: estilos diferentes que possam acompanhar das entradas, aos pratos quentes e às sobremesas.

O Pirilampo, um dos mais simpáticos restaurantes da Serra, no Vale das Videiras, tem um filé de inspiração portenha que oferece com um rótulo argentino, claro que com a uva Malbec: é o Gran Leblon Malbec 2000. Fernanda, a chef, sabe o que faz. O vinho está lá praticamente para acompanhar esse prato, um dos mais pedidos da casa.

Mas no restaurante da novela, o Malbec serve para acompanhar qualquer prato e, mais, para domar a rudeza de um ex-bicheiro, que faz papel de bicheiro mesmo, mas que quer se tornar um ex-bicheiro, o que entende como pessoa melhor educada, elegante e que, por isso, usa gravata borboleta. Coisas de novela. Pois o Malbec o tem alegrado.

No restaurante, fora servir um mesmo vinho para qualquer prato, a sala de reuniões, o consultório sentimental, esconderijo, confessionário – tudo é na adega. Ora, adega não é a casa da sogra. É lugar para o vinho ficar em repouso, na temperatura certa, no escuro, sem vibrações. O roteirista é mais da turma da caipirinha, mesmo. Com pequenas penadas, tudo isso poderia ser ajustado. O telespectador aprenderia mais sobre os vinhos feitos com a Malbec, sua origem, como o que combinam melhor, etc. e sobre o papel correto das adegas. E, mais, as vizinhas deixariam de bater na minha porta.

Por outro lado, fico pensando se o merchandising fosse para promover as qualidades medicinais do vinho tinto, por exemplo. O maître questionaria os clientes sobre problemas coronarianos, de câncer na próstata, hipertensão, infecções pulmonares – a lista é muito grande, cardápio de um filme de horror e não de um calmo e elegante jantar.

Enfim, aproveite e passe numa loja e compre um rótulo argentino com a uva Malbec. Ou visite o Pirilampo (Estrada Almirante Paulo Meira, 8.601, Vale das Videiras, tel.: 24-2225-3303), o restaurante é ótimo e o passeio lindo.

Se quiser mais dicas é só clicar para o Bolsa de Mulher ou fazer contato com a Soninha (soniamelier@adegaebar.com.br).

Vamos combinar

by soniamelier em 16 de setembro de 2004 | 21:00

Para alguns fanáticos do vinho, a comida é um obstáculo para a degustação de sua bebida preferida. Vai alterar o seu palato, deformar o seu olfato. Já para outros, como os franceses, o vinho faz parte da gastronomia. Não é possível ir às mesas sem eles. Esse é um dos aspectos mais importantes a diferenciar o vinho das demais bebidas – aquelas que são consumidas apenas pelo seu conteúdo alcoólico. O vinho é uma bebida amistosa, sociável, que pede um grupo de amigos em torno de uma mesa, degustando e comentando sobre os estilos da bebida que foram melhor com os pratos servidos. Compramos vinhos de estilos diferentes para justamente termos à disposição uma grande variedade de sabores e aromas para tentar combinar com a multiplicidade de pratos à nossa disposição.

É possível, apenas sob o ponto de vista físico, tomar qualquer tipo de vinho com qualquer tipo de comida. É uma generalização absurda, mas válida. Assim como é absurda a generalização “vinho branco com peixe, vinho tinto com carnes vermelhas”. Mas há alguns alimentos que vão alterar o nosso palato e deformar o sabor do vinho. Por exemplo, o alho reage com a água e produz uma sensação de queimação, irritando o palato. Mas um vinho ácido, como um rosé da Provence, pode neutralizar o alho refrescar o paladar.

Daí que combinar vinhos e comidas é um dos capítulos mais importantes em qualquer curso sério sobre vinhos – e sobre gastronomia. O San Francisco Chronicle, importante jornal de San Francisco, Califórnia, tem uma das melhores páginas de vinhos da imprensa norte-americana. É o único jornal do país com uma escola de culinária. E, como não poderia deixar de ser, essa escola promove permanentemente cursos de vinho. Não há receita que não seja testada – inclusive com os vinhos que melhor combinem com ela.

Mas onde encontrar um curso de vinho com uma cozinha anexa, com profissionais treinados nos ensinando a combinar os vinhos de várias regiões com as comidas?

Não é nada fácil, mas o restaurante Garcia & Rodrigues, no Leblon, Rio, resolveu essa questão. Montou um curso clássico, com foco nas principais regiões vinícolas do mundo. A cada palestra, teremos a combinação de vinhos da região com pratos criados pelo chef Christophe Lidy, um alsaciano, diplomado pela École Lênotre, que faz uma das melhores e mais requintadas cozinhas do país.

O curso. Já começou, no ultimo dia 31 de agosto, mas vai até 10 de dezembro. Ainda há tempo de você pegar uma carona.
É sempre às terças-feiras, com palestras conduzidas por especialistas. Em cada aula, há degustação de pelo menos quatro vinhos de um país ou região vinícola. E, ao final, claro, um jantar, com pratos criados por Lidy para harmonizar com os rótulos escolhidos.

A equipe é formada por profissionais renomados: Mário Telles, presidente da Associação Brasileira de Sommelier (ABS) de São Paulo; o crítico e consultor de vinhos Paulo Nicolay; o presidente da ABS do Rio, Ricardo Farias; o professor e crítico de vinhos Célio Alzer; o jornalista e crítico Renato Machado; o especialista Jorge Lucki; Deise Novakoski, a primeira sommelier da América do Sul; o jornalista Marcelo Copello; e o professor e crítico Artur Azevedo, da ABS-SP.

Dia 31 de agosto, início do curso, Mário Telles fez uma introdução ao mundo dos vinhos e falou sobre técnicas de degustação. Entre os vinhos provados estava um Porto Vintage.

No dia 14 de setembro, Paulo Nicolay falou sobre a Argentina e degustou um Lurton Piedra Negra.

A próxima palestra, dia 27 de setembro, Ricardo Farias apresentará o Chile, degustando um vinho com a uva Carmenére, que por muitos anos foi confundida com a Merlot.

A partir do dia 13 de outubro, o foco se volta para o Velho Mundo, começando pela Itália, com Célio Alzer à frente.

Dia 22 de outubro, temos Renato Machado falando sobre a França.
Portugal será o tema na aula de 3 de novembro, com Jorge Lucki dirigindo a degustação de, entre outros, um Quinta dos Carvalhais.

Dia 16 de novembro é o dia da Espanha, com Deise Novakoski, a primeira sommelier da América do Sul, no comando.

Voltamos ao Novo Mundo no dia 30 de novembro, com Marcelo Copello debatendo a surpreendente Austrália.

O encerramento, dia 10 de dezembro, terá uma tarde toda dedicada aos espumantes e aos champanhes, numa palestra comandada por Artur Azevedo.

As palestras terão início sempre às 19 horas, menos nos dias 22 de outubro (França) e 10 de dezembro (champanhes e espumantes), a serem realizadas ao meio-dia.

Como vê, Garcia Wine Tour mal começou. Ligue para a Rosana Rodrigues (21-3206-4112) e garanta a sua presença. Não é sempre que podemos aprender como harmonizar vinhos e comidas com mestres de vinho e de cozinha trabalhando lado a lado.

Ernest Hemingway registrou o hábito e beber vinho e comer, comum na Europa. “O vinho era algo tão saudável e normal quanto a comida e ainda um grande gerador de felicidade e bem-estar. Beber vinho não era esnobismo ou um sinal de sofisticação nem um culto; era tão natural quanto comer e, para mim, ao mesmo tempo necessário”.

O provável é que, ao final do Garcia Wine Tour, todos concordem com Hemingway e fiquem torcendo para que novos cursos com esse perfil sejam organizados.

Dúvidas, perguntas? É só clicar para o Bolsa de Mulher ou para Soninha, no soniamelier@adegaebar.com.br

No lugar certo

by soniamelier em 2 de setembro de 2004 | 21:00

O que não falta na Serra é casa com adegas. Antes, o que não podia faltar era a lareira, item hoje resolvido. Agora, são as adegas. As pessoas costumam casar a região com clima frio e seco. Eu mesma mandei fazer uma adega em minha casa. E não funcionou como deveria. Esse é o caso da maioria dessas adegas “caseiras”. O clima aqui é mais frio que ao nível do mar, certamente. Mas não chega ao clima de uma adega num castelo na Escócia, concordam? Uma adega que guarda o vinho em torno dos 13-16º C e uma umidade por volta dos 70%, o ano todo. Isso só lá nas “europas” mesmo.

Na Serra (falo de minha Secretário, de Petrópolis, Teresópolis, Friburgo e outros burgos entre 800 e 1200 metros de altitude), quando bate o sol, aquele belo sol de meio-dia é para colocar protetor solar imediatamente. É queimadura para surfista nenhum botar defeito. E não precisa ser verão, não. Esse sol forte, mesmo no inverno, faz a temperatura subir acima dos 20º C. O vinho é sensível à temperatura, luz, umidade, calma e limpeza.
Gregos e romanos já sabiam que guardar adequadamente um vinho era importante para a sua evolução e qualidade. Seu vinho vai estragar-se se submetido a temperaturas muito altas ou exposto à luz do sol por algum tempo. Se guardado num lugar muito frio, pode congelar, expandir e expulsar a rolha (ou qualquer que seja a tampa).

Se uma garrafa for exposta por algumas semanas à luz do sol e a um calor acima de 25º C, o vinho vai “cozinhar”. Você o perderá para sempre. Temos alguns vinhos de Bordeaux e da Borgonha, por exemplo, que só estarão prontos para beber em dez anos e que podem custar de US$ 1,5 mil a US$ 10 mil a garrafa. Claro que têm de ser guardados com o máximo de cuidados numa adega apropriada, que reproduza as condições do tal castelo escocês.

Mas a maioria dos vinhos que tomamos são jovens, não precisam esperar para serem consumidos. Poderíamos guardá-los no vão embaixo da escada e, pronto, tudo resolvido. Mas essa ainda não é a melhor solução. Uma adega apropriada significa principalmente conveniência. Com ela, em perfeito funcionamento, você poderá ter o vinho que quiser, nas condições as mais perfeitas, a qualquer hora.

Vinhos finos são caros. Seus preços só se justificarão se você tiver onde guardá-los apropriadamente. Sabemos que conseguimos melhores preços se comprarmos vinho em caixas. Mesmos os vinhos mais finos (e mais caros) têm preços menores se adquiridos ainda jovens. Mas eles terão de ser guardados adequadamente, pois terão de esperar o tempo certo para consumo. Mas onde guardar duas, três dúzias de vinho? Debaixo da escada, sujeitas a tremendas variações de temperatura, a luz e sujeira?

A temperatura de guarda é o fator mais importante. Seria ótimo termos uma temperatura entre 10 e 12º C. Contudo, qualquer temperatura constante, seja entre 5 e 18º C, ajudará. O caso é evitar flutuações: uma diferença de 5 a 6º C entre o inverno e o verão não representa um grande problema. Mas esse tipo de oscilação em bases diárias ou semanais danificará seus vinhos, fazendo com que envelheçam prematuramente. O vinho vai, repetidamente, se expandir e contrair, até que danificará a rolha e permitirá a saída do líquido e a entrada do oxigênio. É a rota do vinagre. Um vinagre caríssimo.

A umidade também é importante para manter a elasticidade das rolhas, evitando que ressequem, encolham e deixem o líquido sair (razão pela qual devemos guardar as garrafas sempre na horizontal). 70% de umidade é o nível recomendado, embora o vinho não sofra se a taxa for maior. O caso é que o excesso vai estragar os rótulos. Você terá dificuldades em identificar o vinho. E isso é particularmente mais importante para investidores ou colecionadores. Quando quiserem negociar com o vinho, o rótulo terá que estar em perfeito estado.

A luz envelhecerá prematuramente o vinho. Raios ultravioletas penetram mesmo em garrafas feitas com vidros escuros. O resultado é deixar a bebida com aromas desagradáveis. A sua adega deve ser um breu de escura. E nela você só usar lâmpadas incandescentes.

Se a adega sofrer com as vibrações de caminhões, ônibus, máquina de lavar etc., os sedimentos do vinho podem ser perturbados. Não é um problema muito comum. Mas procure um lugar calmo, longe dessas vibrações.

Além disso, as adegas devem ser limpas e bem ventiladas, livre de aromas estranhos que possam entranhar-se pelas rolhas. Não fume nem deixe fumar nesse lugar. E perua muito perfumada também não entra.
Sujeiras, poeiras atraem insetos que por sua vez podem infectar as rolhas.
Só consegui parte pequena de todas essas indicações.

Mas a melhor saída foi ter definitivamente desistido da adega “caseira” e comprado um climatizador. Já estou no segundo. Não consigo recomendar nada melhor para guardar vinhos do que esses refrigeradores especiais para vinhos, que conseguem manter temperaturas de 10 a 16º C constantes e umidade fixa em 70%. O ano todo. Para o nosso clima nada melhor.

Você pode escolher entre as importadas ou as nacionais. Por exemplo: na Mistral (11-3285-1422) você encontra climatizadores Electrolux, produzidos na Europa, em várias capacidades (desde 50 até 200 garrafas). Só que os preços inevitavelmente tomam o poderoso euro como base. O seu bolso pode congelar.

Mas temos climatizadores brasileiros – e todos sabemos que exportamos geladeiras para todo o mundo. Procure a Art des Caves, que já é líder de mercado na fabricação de adegas climatizadas e a única com certificado ISO 9001. Fabricam 15 modelos de adega, com capacidades de 25 a 500 garrafas e dezenas de tipos de acabamento.

A Art des Caves, inclusive, acaba de lançar um modelo novo, o Évolution, feito para quem está começando e não tem muito espaço. É mais alta e estreita que as demais e recebe 35 garrafas. Cabe em qualquer canto. Dá para ter pelo menos 5 garrafas de 7 estilos diferentes: 5 champanhes, 5 proseccos, 5 tintos, 5 brancos, 5 rosés, 5 Portos e 5 vinhos doces naturais. Mais pra quê?

A Évolution tem capacidade de variação de temperatura entre 6 e 20º C, alarme sonoro para indicar a porta aberta (e alteração de temperatura), indicador visual de compressor ligado etc. e tal: um avião.

Outra boa adega nacional é a Métier, de Poços de Caldas, Minas Gerais: Rua José Ramos, 119, Vila Nova, 37701-104, Poços de Caldas. Telefones: (35) 3714 – 1335 e (35) 9977 – 2872.

A Évolution (e os demais modelos da Art des Caves) você encontra através do seu representante no Rio: João Adriano, na Barata Ribeiro, 370, loja 223, Copacabana (21-2256-0858). Ou em São Paulo, na Maison des Caves (11-3043-9969), Lojas Raul’s (11-3034-1156), Bom Clima (11-3815-5553), entre outros endereços (que você pode encontrar online: www.adegaevolution.com.br).

No Rio, ainda, você pode consultar o Club du Taste-Vin, que oferece os modelos franceses da Eurocave. Os telefones são (11) 257-6941, (21) 240-0350 ou (61) 346-0384.

Vinho é isso: você tem que guardar no lugar certo do seu peito. E da sua casa. Mais dicas é só clicar para o Bolsa de Mulher ou para a Soninha, pelo soniamelier@adegaebar.com.br



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