Você simplesmente lavou as mãos na bela taça de Martini que colocaram à sua frente. Confundiu-a com a lavanda, aterrorizando muita gente, pois não havia peixes na mesa. Aliás, a comida nem fora servida.
Era o seu quinto Martini em menos de duas horas. Segundo os departamentos de Saúde e de Agricultura dos Estados Unidos, um drinque padrão de bebida alcoólica equivale a 23 colheres das de sopa de cerveja ou 340 mililitros, praticamente uma latinha, que contém 350 ml. É igual a uma taça de vinho (com 9,6 colheres das de sopa de vinho). E a três colheres (de sopa) de um destilado com 40% de álcool por volume.
Saber a quantidade de álcool de uma bebida é fácil. Basta multiplicar a quantidade de colheres do drinque pela taxa de álcool. Numa taça de um vinho com 13% de álcool por garrafa de 750 ml, contendo 9,6 colheres da bebida, você vai beber o equivalente a praticamente uma colher de sopa de álcool puro (etanol).
Uma dose padrão de vodka, de gim, de rum, tequila ou uísque soma 17 mililitros de álcool, o que é igual a pouco mais de uma colher das de sopa por dose.
Não importa como são bebidos: se misturados a refrigerantes, como Rum & Coca-Cola, se com suco de tomate, num Bloody Mary, se com tônica, num gim & tônica e se com muito gelo, como é comum servir-se o uísque no Brasil – uma dose será sempre igual a uma colher de sopa de álcool, um tantinho a mais ou a menos. Muita gente ainda pensa que passou mal ou apagou porque misturou bebidas. Lorota pura. O que aconteceu foi que se bebeu demais.
Aliás, uma taça de vinho, uma tulipa de cerveja ou uma dose de uísque vão conter praticamente a mesma quantidade de álcool: aquela colher de sopa de etanol.
Em todo o mundo, esse é o período em que se vende mais bebidas. É a temporada das festinhas, seja entre amigos, com os colegas de trabalho, seja nos encontros familiares do Natal e do Reveillon, valendo ainda as esticadas para festas coletivas, como ver os fogos na praia, por exemplo.
Fora outras motivações, o combustível permanente desses festejos está mesmo em garrafas de vinho, cerveja e de destilados. Nas bebidas.
O problema é saber parar. Ou, simplesmente, saber beber. Tarefa nem sempre fácil, pois no geral a regra é quanto mais, melhor (tudo, não apenas as bebidas).
Sem se dar conta que lavou as mãos no Martini, você continua a pedir mais drinques. Consegue isso aos berros, embora jure que está cochichando no ouvido do garçom. Você já passou da fase do falador, do grande extrovertido, e está agora em plena regressão, parecendo uma criança de quatro anos.
É quando começa a sua Via Sacra. Sai cambaleando para o banheiro e vomita na pia, sim, na pia de uma casa cujos donos você nem lembra mais quem são.
O que acontece em seguida é apagar num carro azul que você tinha certeza que era o seu, prateado, não sem, antes, fazer pipi num canto mais escuro da varanda onde todos estão dançando, mas você acha que ninguém a vê. Triste, não é não?
A história pára por aqui? Quem dera! E o dia seguinte, a ressaca? E a angústia suprema de não se lembrar de nada, aquele forte e infinito sentimento de culpa?
A ressaca é, na verdade, um dramático aviso do seu cérebro para seu corpo de que você conseguiu promover um senhor estrago em si mesma e precisa dar um tempo. É uma limpeza de tudo o que você colocou pra dentro na noite anterior. Reflete as toxinas que o álcool deixou em seu corpo, exacerbadas pela interrupção do sono.
Quando você vai dormir, depois de beber até cair, seu corpo metaboliza o álcool. Quando esse processo termina, você normalmente acorda no meio da noite e vai ser muito difícil dormir novamente.
O pior de tudo é que o álcool vai secá-lo. Você fica desidratada completamente, o que significa dores no corpo e aquela inesquecível dor de cabeça. Não é pra menos: as artérias em seu cérebro estão completamente ressecadas. E ressecadas apertam sua massa cinzenta (ou o que sobrou dela).
Para prevenir uma ressaca as recomendações padrões são:
Antes de começar a beber, coma algo bem gorduroso, qualquer coisa de substância e muita fibra. Isso ajuda a tornar a absorção do álcool mais lenta. De qualquer modo, não beba de estômago vazio. Evite as pílulas contra ressaca, que vão tentar também, mas quimicamente, retardar a taxa de absorção de álcool.
Beba devagar. Combata a desidratação bebendo água nos intervalos dos drinques. Ou alterne: um gole do Martini, com um gole maior ainda de água. Beba mais água ainda antes de dormir e assim que acordar.
Cuidado com espumantes (champanhes etc.) e drinques carbonatados: as bolinhas vão acelerar a absorção do álcool no sistema sangüíneo.
Observe a quantidade de drinques que você está tomando. Respeite as recomendações das autoridades médicas. O máximo de drinques para um homem é quatro; para mulheres é três. Se você alternar esses drinques com copos d’água vai conseguir participar da festa inteiraça por um período de 6 horas, pelo menos.
Caso se sinta nauseada, não resista. Vá ao banheiro e vomite. Mas não na pia, por favor. Ao vomitar você está retirando álcool do seu sistema. É uma senhora ajuda. Compense bebendo mais água.
Saiba quais os seus limites e os efeitos dos diferentes tipos de álcool. Tente beber aquilo que você possa ver através, como vodka e gim. As bebidas mais escuras, como o vinho tinto, do Porto, conhaque ou uísque, possuem ingredientes conhecidos como “congêneres”, dificílimas do fígado processar. Vão tornar mais dolorosa a sua ressaca.
Na manhã seguinte, beba água, muita água. Nada de café, pois ele só faz contribuir para a desidratação.
Não tome aspirinas ou comprimidos à base acetaminofen (Tylenol). A primeira, misturada com o álcool, pode irritar o seu estômago. A segunda pode ser tóxica para o seu fígado, principalmente se combinada com o álcool. E, claro, se você estiver fazendo algum tratamento, estiver tomando algum remédio, não consuma álcool.
De modo algum dirija após ter bebido. Pelo menos metade dos acidentes fatais no trânsito envolve abuso de álcool pelos motoristas. Chame um táxi, ou pegue carona com alguém que não tenha bebido.
Não beba também se estiver grávida ou amamentando.
É bom não esquecer, amigas, que o álcool em excesso torna nosso cérebro mais vulnerável a substâncias tóxicas, a maioria das quais são radicais livres que podem matar nossas células.
O etanol pode ainda acentuar os danos causados pelo chumbo e alumínio no cérebro. E, mais: pode liberar hormônios do estresse das glândulas produtoras de adrenalina. Esses hormônios danificam nossa memória e longevidade.
Posso garantir que se as amigas seguirem essas recomendações vão poder participar de todas as festas desse fim de ano – e dos próximos – livres, leves e soltas. O nome do jogo é moderação.
Se quiserem saber mais sobre ressacas, por favor, cliquem aqui para o Bolsa ou para a Soninha (soniamelier@adegaebar.com.br). Que as festinhas lhe sejam leves e muito, muito felizes!
