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Notícias

by soniamelier em 20 de novembro de 2003 | 21:00

Jancis no Brasil. Para mim, a mais importante notícia da semana é a visita da nossa guru ao Brasil. Sim, a inglesa Jancis Robinson chegou a São Paulo para o evento “Mais Paladar”, organizado pelo jornalista e crítico Josimar Melo. Jancis é uma das primeiras mulheres a conquistar o título de Master of Wine. Certamente foi a primeira pessoa não ligada ao comércio e à indústria do vinho a conseguir a passar no dificílimo exame do MW. É uma autora prolixa, com dezenas de livros dedicados aos vinhos. Tem recebido vários prêmios ao longo de sua carreira – o mais recente, Oficial do Império Britânico, diretamente das mãos da rainha Elizabeth II.

Jancis fez em SP duas apresentações: uma sobre os “Grandes Tintos da Borgonha” e outra sobre os “Vinhos que eu adoro”. Quero mesmo é saber se ela vai degustar vinhos brasileiros e ler seus comentários.

Garrafas de Plástico. Não se surpreenda se em futuro próximo você estiver comprando vinhos em garrafas de plástico. A empresa aérea nacional da Nova Zelândia (Air New Zealand) mandou pesquisar e já patenteou a tecnologia que, acham seus diretores, vai revolucionar o mundo dos vinhos. Os vinhos que servirão a bordo virão em “Pettle”, um trocadilho com “bottle” – garrafa, de vidro – e “PET”, nome das garrafas de plástico, normalmente usadas em refrigerantes (uma abreviação do palavrão Polietileno Tereftalato). Os produtores afirmam que a garrafa chega a ser até mais resistente que as de vidro, só que pesam muito menos – o que é uma senhora vantagem num avião. As garrafas serão de 187 ml (pouco mais do que uma taça) e pesam apenas 32 gramas. A de vidro, de tamanho equivalente, pesa 154 gramas. A nova Pettle não só aliviará pesos na carga dos aviões, como representa mais segurança para quem voa. Vidro corta, pode machucar ou ser usado como arma (quem pára em sinais sabe disso). Os criadores da Pettle afirmam que não há chance do vinho absorver aromas da nova garrafa. Será que o vidro já era? Vamos esperar e experimentar.

Celebridade é isso. Se você acha que celebridade é quem aparece no castelo de Caras ou quem tem helicóptero no quintal, prepare-se. Lá fora, as celebridades da música, da TV e do cinema agora só consomem bebidas (vinhos, uísques etc.) com o seu rótulo pessoal. Recentemente, o piloto de Fórmula I, o escocês David Coulthard, mandou produzir três rótulos exclusivos, personalizados, da “Coulthard Water”, água mineral produzida pelo grupo escocês Highland Spring. Um rótulo será utilizado apenas no seu iate, fundeado em Mônaco. O segundo, na casa de seus pais, na Espanha. E o terceiro, no café do seu museu, em Twynholm, na Escócia. Dessa vez, o escocês chegou na frente.

Aquecimento Global & Vinho. Fizeram um estudo das temperaturas das 27 principais regiões viníferas do mundo e da qualidade do vinho nos últimos 50 anos. E descobriram que elevação da temperatura da terra vem provocando alterações na qualidade das safras. O estudo prevê que, para os próximos 50 anos, a temperatura nessas mesmas 27 áreas aumentará 2ºC.

O que significa isso? É provável que as regiões mais frias produzirão uvas (das mesmas variedades que produzem hoje) de melhor qualidade. Já as regiões mais quentes (o que envolve, entre outros, o nosso Brasil) se tornarão mais impróprias para o cultivo.

Os técnicos da Sociedade Geológica da América envolvidos nesse estudo antecipam também que a cultura dos produtores terá de mudar. Isso porque uma região conhecida pela qualidade da uva Merlot, por exemplo, pode ser levada a mudar para outro tipo de uva, mais apropriada para o novo clima. Isso vai representar a alteração de sua identidade cultural, herança de séculos, de gerações e gerações produzindo a mesma uva, do mesmo jeito. “Nos próximos 20 a 30 anos, esses produtores poderão ter que mudar as variedades de uvas ou alterarem suas estratégias de plantio e produção”. A sobrevivência das atuais regiões viníferas dependerá da capacidade de adaptação dos viticultores às novas condições climáticas.

Se você vai dirigir, beba. É isso mesmo. Os produtores de vinho franceses estão acusando o governo de prejudicar suas vendas. Afirmam que não há mal algum tomar de uma até três taças de vinho antes de dirigir. Garantem que ninguém vai se machucar. O presidente da associação nacional de produtores de vinho, da França, Pascal Bobiller-Monnot, diz que “as pessoas estão com tanto medo da polícia hoje em dia que não bebem mais vinho”. Outro líder dos produtores, Pascal Rousseaux, afirma que o “governo tem o dever de informar corretamente… os motoristas devem ser informados que podem beber até três taças de vinho às refeições e ainda assim serem capazes de dirigir”.

Os acidentes nas estradas franceses aumentaram e muito. E um dos motivos é o excesso de álcool. A vigilância aumentou e daí que os motoristas estão achando que o mais seguro mesmo é não beber antes de dirigir. O resultado é que as vendas de vinho caíram 15% no país. Os produtores de vinho estão navegando por águas muito perigosas. Os efeitos do álcool variam de pessoa para pessoa e mesmo se alteram de um dia para o outro numa mesma pessoa. Ninguém pode (e deve) garantir que duas ou três taças a mais não vão promover alterações nos reflexos dos motoristas. Você mesmo sabe disso. Você tem um aborrecimento qualquer, algo que não digeriu muito bem, pega no volante e sua atenção, seu desempenho piora sensivelmente. Não precisa nem beber.

A atitude irresponsável dos produtores franceses não espanta. Não abrem mão de subsídios do governo na produção de seus vinhos. Olham a concorrência com desprezo. E fazem apelações que beiram o crime (pois beber e dirigir fere, aleija, mata) quando não sabem vender seus vinhos em seu próprio país. É fácil entender porque vêm perdendo terreno até mesmo na Europa.

Vinho e Música Clássica. Não entre num restaurante que utilize os clássicos como música de fundo. Você pode ser levada a pedir os vinhos mais caros. Pois as Universidades de Leicester e de Surrey, na Inglaterra, pesquisaram especialmente um restaurante inglês onde uma refeição para dois com vinho custa entre US$ 85 e US$ 100 (caros R$ 250 a R$ 300).

Durante 18 noites sucessivas fizeram tocar fitas de música clássica e pop. A cada terceira noite nada era tocado. Nas noites onde pontificavam Beethoven, Mahler, Vivaldi e outros clássicos, as mesas gastavam significativamente mais, encomendando vinhos e pratos mais caros.

Adrian North, o psicólogo liderando a pesquisa, diz que “a música clássica tem conotações com afluência, sofisticação e riqueza”. Quando as pessoas se sentem mais “aculturadas e sofisticadas” tendem a gastar mais em itens que acham “aculturados e sofisticados”. A música pop bem como aquela terceira noite sem música não tiveram qualquer tipo de impacto nos gastos dos casais. O mesmo North conduziu outro estudo demonstrando que quando se tocava música alemã ou francesa, os fregueses tendiam a comprar vinhos alemães ou franceses. Sei não. E com harpas paraguaias, o que será que pediriam? Você se distrai e um estudo bizarro cai no seu colo.

Se as amigas tiverem perguntas ou desejarem mais notícias do mundo das bebidas é só clicar para o Bolsa ou para a Soninha no www.adegaebar.com.br.

Atendendo a pedidos

by soniamelier em 6 de novembro de 2003 | 21:00

O que veio primeiro? Leitora pergunta quem criou o uísque: o inglês, o escocês ou o irlandês? Olha, foi o irlandês. É uma história parecida com a do ovo e da galinha. Ninguém até hoje sabe dizer exatamente o que veio primeiro: a predileção dos irlandeses pelo uísque ou a bebida propriamente dita.

Os irlandeses já bebiam destilados há uns duzentos anos quando, em 1276, Sir Robert Savage, começou a abastecer suas tropas com uma dose poderosa de “uisce beatha” (expressão que resultou no nome da bebida e que significa literalmente “água benta”). Pois o uísque (com o ‘e’) ganhou popularidade entre os pobres camponeses irlandeses, que provavelmente preferiam beber a comer.

Já a bebida escocesa só começou a existir a partir tal como a conhecemos hoje a partir de 1840. Tudo em função da Revolução Industrial. A produção do malte de uísque deu um senhor salto no começo do século 19. As destilarias legalizadas passaram de 125 para 329. O motivo principal de todo esse avanço é a ironia das ironias: um irlandês, Aeneas Coffey inventa um alambique contínuo, permitindo a destilação de grandes quantidades de grãos de cevada.

O inglês criou apenas um enorme gosto pela bebida.

Agora, a leitora esqueceu de perguntar sobre o uísque americano. Escoceses e irlandeses imigraram para a América e na bagagem veio a saudade da aguardente da terrinha. A saída foi fazer na terra nova o seu próprio uísque. Só que lá dispensaram a cevada e optaram por grãs nativos: milho e centeio. Não há acordo quanto a datas e quem primeiro destilou o uísque americano. Uns dizem que foi o pastor batista Elija Craig, em 1789. Foi John Ritchie, em 1777, dizem outros. Quanto ao local, ninguém tem dúvidas: Kentucky.

Hoje, as diferenças entre uísque irlandês e o uísque escocês são bem maiores do que a presença ou falta de um ‘e’. O primeiro é destilado três vezes e o segundo duas. O irlandês prefere usar carvão para secar a cevada maltada, enquanto o escocês usa a turfa. Essas as principais diferenças entre um e outro. Não existe na bebida irlandesa aquele aroma de defumado, marca registrada da turfa escocesa.

Na América temos ainda o bourbon, que é uísque com no mínimo 51% de milho moído e envelhecido pelo menos dois anos em barris de carvalho tostado (processo que libera da madeira aromas de baunilha e caramelo). A marca mais representativa desse estilo é o Wild Turkey.

Já o uísque do Tennessee também é de milho, mas difere do bourbon por ser mais leve e macio, menos doce e pesado – resultado da filtragem a carvão. O famoso Jack Daniel´s é do Tennessee.

De volta aos Wine Coolers. A pergunta é um tanto esquisita, pelo menos para mim: quais os pratos que combinam melhor com os wine coolers? As amigas lembram deles? Foram lançados na América no início dos anos 80 e conseguiram o máximo de popularidade em 86, quando venderam assombrosos 5 bilhões e meio de litros. É demais para um refresco doce e carbonatado de vinho (isso quando usam vinho na mistura). A bebida já esteve por aqui e não chegou a pegar. Fez sucesso mesmo nos EUA. Mas hoje só vende pouco mais de 7 milhões de litros por ano. Acho, porém, que teve o mérito de iniciar muita gente no mundo dos vinhos. Nem sempre podemos escolher por onde começar, não é mesmo?

Agora, que comida combinar?! Eu pensaria em qualquer coisa que saia de um McDonald’s, Bob´s, de botecos de beira de estrada, qualquer junk food da vida.

Cápsulas. Sabe os envoltórios de metal comum ou de plástico em torno da extremidade da garrafa de vinho? Pois, um leitor quer saber se aquilo tem utilidade mesmo ou é só decoração. As cápsulas, como esses envoltórios são chamados, foram criadas no século 17 para proteger as rolhas das garrafas contra insetos e ratos, personagens comuns nas adegas de então. Elas eram feitas de uma lâmina de chumbo, praticamente indestrutível, maleável, fácil de amoldar-se aos gargalos e de remoção descomplicada. O chumbo foi utilizado até 1990, quando passamos a ter uma vasta variedade de alternativas: cápsulas de plástico, ora fino, ora grosso; ou, em seu lugar, um disco de cera na extremidade da rolha (mas que são irritantemente difíceis de serem retirados).

Sim, hoje são inúteis. Sim, seu uso é apenas decorativo. Não impedem a entrada do ar entrar nas garrafas, nem que o vinho saia da garrafa, se acontecer algo com a rolha (ressecamento, por exemplo). Mas os fabricantes deixam as cápsulas lá no seu lugar. Acham que sem elas o vinho parecerá inacabado, incompleto. Acreditam que muita gente vai acabar colocando os dedos nas extremidades das rolhas contaminando-as, como se fosse possível transmitir algum mal para o vinho dentro da garrafa. Concordo, porém, que as garrafas ficam mais apresentáveis.

Na horizontal ou inclinado? Outra leitora almoçou num restaurante estrelado e reparou que no climatizador da casa os vinhos eram colocados com a ponta da garrafa para cima, mas ligeiramente inclinados. “Mas não é na horizontal que devem ficar?”. Boa pergunta.

É que nesse tipo de adega climatizada a umidade também é de 70-75% constante. As rolhas ficarão sempre úmidas qualquer que seja a sua posição. Então, eles inclinam alguns graus as garrafas de modo a que o vinho toque ligeiramente a base da rolha, umedecendo-a. Ou seja: que cubra o espaço da “ullage” – termo francês que designa o espaço de ar existente entre o vinho e a base inferior da rolha, a que fica dentro da garrafa (não se preocupe: essa pequena quantidade de ar – cerca de 2,5 cm – não é suficiente para oxidar o vinho).

Assim, esse tipo de adega tem um trunfo sobre as demais: as garrafas ficam mais bem expostas, mais à mostra, tanto para o público quanto para sommeliers e garçons (que acharão o vinho solicitado mais rapidamente).

A pilha de perguntas ainda continua grande. Vou respondendo assim bem espaçadamente, tá bom leitoras? Vocês entendem que aqui na Serra o ritmo é outro. Além disso, ainda tenho que cuidar das minhas carijós e de uma tropa de cachorros. Para ganhar tempo, porém, podem clicar aqui para o Bolsa ou para a Soninha no www.adegaebar.com.br



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