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Vinhos alegres

by soniamelier em 30 de outubro de 2003 | 21:00

“Existem vinhos para gays?”, pergunta uma leitora. Não sei se entendi bem. Seria o mesmo que perguntar sobre a existência de cervejas especiais para pedófilos, limonadas restritas a moças virgens, guaranás exclusivos para serial killers ou vinhos privativos de balzacas como a Soninha? Acho que a pergunta pode ser respondida em dois tempos.

Sim, existem. A Rainbow Ridge Winery, na Califórnia, é talvez a primeira vinícola do mundo a classificar-se como “uma companhia gay”. Logo, o vinho que produz seria eminentemente para gays? Sua logomarca é um cacho de uvas nas cores do arco-íris. E o arco-íris (rainbow, também nome da empresa) é o símbolo oficial do movimento gay, pelo menos na Califórnia.

Seus fundadores, Dennis Costa e Tom Beatty, sócios no negócio e na vida, mal lançaram o seu primeiro vinho, o Alicante Bouschet e já ganharam prêmios em concursos e conseguiram excelente pontuação na prestigiosa revista “The Wine Enthusiast”: 91 pontos numa escala de 100. Coisa séria.

Só que o vinho que fazem, como o tinto varietal Alicante Bouschet, é para heteros, homos, lésbicas e desinteressados (uma categoria que cresce assustadoramente). É um vinho de grande qualidade, feito a partir de uma uva, que lhe dá o nome, considerada rústica e muito pouco utilizada. Dennis e Tom conseguiram lançar uma novidade – e com qualidade e bom preço.

A Rainbow Ridge contribui para o Centro de Gays e Lésbicas de Nevada e para um projeto de combate a AIDS em Los Angeles. Seus donos são gays, a empresa é gay, o slogan de sua publicidade é “Come Home To Family” (“Venha para a Família”), para a comunidade gay, portanto. Apenas isso. O vinho é para todo o mundo.

Mas fomos encontrar em Roma o que está sendo considerado o primeiro vinho na história dedicado aos gays. O editor italiano Roberto Massari manda produzir vinhos especiais para uma série que intitulou de “Vini da Leggere” (“Vinhos para Ler”).Isso mesmo, os livros são os rótulos e contra-rótulos dos seus vinhos. Um livro de duas páginas. A série, que já conta com 11 “vinhos literários”, entre eles um rosé dedicado à revolucionária marxista e feminista Rosa Luxemburg. É o Rosé Luxemburg, um Montepulciano d´Abruzzo 2001. E um branco também da região de Abruzzo, o Barricadero Blanco, em homenagem a Che Guevara.

Massari decidiu ano passado lançar um livro (na Itália seus vinhos são legalmente considerados livros) em homenagem ao primeiro ativista gay da história, o advogado e escritor alemão Karl Heinrich Ulrichs (1825-1895). Karl publicamente assumiu sua condição de homossexual e precisava ser muito macho para fazer isso naquela época e naquele país, reduto de prussianos com aquele jeito meinkampf de ser). E publicou livros defendendo direitos de gays, lésbicas e das mulheres, que não tinham também quaisquer direitos. Como, advogado Karl amparou homossexuais acusados de “má conduta pública”, essas coisas. O alemão agitou tanto que acabou preso e depois perseguido em seu país. Buscou refúgio na Itália, onde morreu na cidade de L´Aquila, na região de Abruzzo.

Massari deu ao vinho-livro o nome de Rosso Gayardo (“Tinto Gayardo”), um vinho denso e forte, com 13,5% de álcool, feito com uvas Nebbiolo, da região do Piemonte. É um senhor vinho, uma homenagem a qualquer amante da bebida de bom gosto, não importando sua preferência sexual.

O nome resulta de um jogo de palavras. Em Roma, quando você quer dizer que alguém é forte, valente e que não tem medo de nada, você diz “gagliardo”. Com o sotaque romano, “gagliardo” soa como “Gayardo”. Vale o jogo de palavras e a ironia envolvida. Massari só encomendou 300 garrafas desse vinho. Para 2004 pretende aumentar a produção.

Não, não existem. Como vê leitora, não existe propriamente um vinho, a bebida, feita para um grupo específico do gênero humano. Não há um vinho para pretos, por exemplo. Contudo, até na África do Sul temos hoje vinícolas de propriedade de pretos e pretos fazendo vinho, como quaisquer brancos, pardos, amarelos etc. E vinhos para quaisquer etnias, credos e opções sexuais.

E se existissem essas marcas? É um assunto para os doutores em marketing, mas pessoalmente acho que esses vinhos teriam muitas dificuldades em ter sucesso comercial.

No Brasil, estima-se que gays e lésbicas somem 10% da população. Nos Estados Unidos, somam cerca de 19 milhões de pessoas com um poder de compra de 800 bilhões de dólares.

A maioria dos consumidores gays norte-americanos, por exemplo, tem pouquíssimos ou nenhum dependente e uma renda pessoal alta por quase toda a sua vida. Como resultado de poucos comprometimentos familiares, essa comunidade tem mais tempo para socializar e mais dinheiro para gastar.

85% dos gays e lésbicas adultos afirmam que precisam achar maneira s de reduzir o stress.  Entre heterossexuais adultos esse índice é de 78%. São, assim, alvo prioritário para fabricantes de bebidas e mensagens que destaquem prazer e tranqülidade associados a beber socialmente.
No primeiro mundo, 62% dos gays e lésbicas possuem um computador e 52% deles assinam serviços online. 65% dos que usam a Internet, navegam mais de uma vez por dia. E 71% compram produtos ou serviços pela rede.

Lá, 39% dos gays freqüentam regularmente concertos de música clássica, cinco vezes mais do que a população em geral (8%). É uma comunidade que vai ao cinema duas vezes mais do que o restante da população. Gays e lésbicas respondem fortemente a marcas e a campanhas de publicidade que refletem seu estilo de vida e valores. Mas reagem negativamente a representações estereotipadas.

E talvez aqui, leitora, esteja o X do problema. Um vinho feito em homenagem a um ativista gay, o primeiro da história; um vinho feito por uma companhia declaradamente gay, a primeira do mundo – tudo bem, são maneiras de bom gosto de acessar a comunidade. Até porque ela é informada o bastante para, em primeiro lugar, experimentar os vinhos. Se forem bons, mesmo, ficará freguesa.

Mas vai virar o rosto para caçoadas, piadinhas de mau gosto: por exemplo, um vinho rosé com a cesta da Carmem Miranda no rótulo. O rosé, normalmente um ótimo vinho, teria de ser soberbo para ser consumido.

Bem, cansei minha beleza! Se as leitoras quiserem saber mais sobre o mercado gay, hetero, jovem, maduro, velho etc. é só pedir aqui para o Bolsa ou para a Soninha no www.adegaebar.com.br

Aproveitem porque estou com a pesquisa do Datamonitor, a New Direction in Drinks 2000-2005. Ela mostra tudo o que se bebe, como se bebe, quem bebe, onde e porque bebe. Foi de onde retirei os dados estatísticos dessa coluna.

O que fazer e o que não fazer

by soniamelier em 23 de outubro de 2003 | 21:00

“Gostaria de saber mais sobre vinhos. Começo por onde?”. Perguntas como essa chegam aos montes todos os dias. Noto uma certa reserva das amigas que as formulam. É natural, pois vinho, vinho fino, de boa qualidade, não é um produto, digamos, barato. Por outro lado, o instinto nos ensina a aprender a dirigir naquele Chevette remendado da auto-escola. Só depois, passados os exames, carteirinha na mão, é que nos aventuramos num carro melhor. Ninguém com bom senso começa por um Audi A8 – salvo uma celebridade, daquelas bem afetadas.

O que fazer

Saber mais sobre vinhos é experimentá-los, conhecer todos os seus estilos, compará-los, descobrir as diferenças regionais, variar sempre. E não se faz isso a partir de um Lafite-Rothschild.

Inicie por um vinho mais simples e mais barato. Você sabe que o Lafite é uma Ferrari em termos de vinho tinto. Então tente um tinto simples, que não custe mais do que uns R$ 15,00.

Experimente a maior variedade de vinhos possível. Só assim você vai formar uma memória sensorial e descobrir as suas próprias preferências. Ninguém vai saber mais sobre vinhos se ficar sempre no mesmo Chardonnay ou Cabernet Sauvignon, mesmo que goste.

Não tem sentido sofrer por não ter gostado de um vinho que todo mundo fala que é muito bom, bem cotado, a crítica o coloca nas alturas. Como falei, obedeça a seus instintos. Vinho, como arte, é subjetivo. Quanto mais você experimenta, mais fica informada. Você nem vai se dar conta que, de repente, está dando opiniões sobre o vinho tal da região y. E opiniões exclusivamente suas, sem fazer eco a críticos ou a opiniões alheias.

É experimentando que você vai descobrir sobre a importância do equilíbrio, da harmonia, num bom vinho. Escrevi, outro dia, um comentário sobre a safra 2003 na Europa, a partir de dois relatórios confiáveis. Em ambos, os técnicos notavam que as uvas estavam sendo colhidas no máximo de seu amadurecimento, ou seja: com muito açúcar (que vai resultar numa boa quantidade de álcool, importante para formar a espinha dorsal de bons vinhos). Contudo, um comentário se repetia: temia-se que o nível de acidez dessas uvas fosse baixo. O que os críticos arriscavam que houvesse um desequilíbrio no vinho, depois de fermentadas as uvas.

O sabor de um vinho apresenta uma variedade de elementos. Você nota a presença de frutas, de especiarias, de carvalho; “sente” o calor do álcool e percebe a sua acidez. Os melhores vinhos são aqueles em que todos esses elementos e percepções estão em perfeito equilíbrio: a acidez não é mais forte do que o álcool; o carvalho não está dominando o sabor das frutas, que por sua vez estão em pé de igualdade com as especiarias. Repito o comentário de um crítico: queremos o nosso vinho como um elenco atuando em harmonia, um time de futebol exibindo um conjunto arrasador, todo mundo passando a bola para todo o mundo. Ninguém quer um grupo de estrelas, cada qual berrando mais do que as outras só para chamar sua atenção. No fim, ninguém entendeu o enredo.

Já que você, então, está resolvida a experimentar, a seguir os seus instintos e a prestar atenção nessa harmonia de elementos – tarefas essas das mais fáceis (e prazerosas), então comece com os objetos certos. Por exemplo, as taças adequadas. Pode até parecer esnobação, você com aquelas taças especiais. Mas elas fazem uma senhora diferença: realçam o sabor e aumentam sua apreciação de um vinho.

Não precisa começar pelas taças do cristal mais fino. Compre taças boas, que sejam delicadas e sejam suficientemente bojudas. Bojudas até a sua metade, quando começam a afinar em direção às bordas. É um formato que permite que um vinho “respire”, que interaja com o ar, liberando seus aromas e sabores. Pois o vinho, como você já sabe, não foi feito só para ser tomado. Você vai sentir seus vários aromas. Você vai admirar os vários tons de sua cor (é por isso que as taças devem ser completamente transparentes). E só então você vai prová-lo.

Gire a taça e aproxime seu nariz da borda. Sinta os aromas. Agora, prove um pouco. Faça com que o vinho percorra toda a sua boca (num movimento parecido com o do bochecho). Sua língua tem receptores em diferentes lugares: na ponta, nas bordas, na parte posterior. Eles vão perceber a doçura (na ponta), a acidez (nas bordas) e o amargor (um pouco mais forte que o de um Campari, por exemplo) lá atrás. A acidez vai deixar você com água na boca. Os taninos, comuns em vinhos tintos jovens, vão ter efeito contrário: secarão a sua boca.

É um vinho simples, fácil? Ou é “complexo”, para usar um jargão dos críticos? Complexo é uma qualidade importante: é quando o vinho apresenta várias camadas de sabores, que você descobre à medida que vai provando. É um vinho leve ou um vinho denso? Experimente um Beaujolais e depois um bom Bordeaux e saberá imediatamente o que é leveza e densidade.

Preste atenção na temperatura em que vai beber seus vinhos. Os brancos não podem estar estupidamente gelados, como as cervejas. Os brancos devem estar no máximo a 11º C. Os tintos a 18º C, estourando.

Ninguém é obrigada e beber toda a garrafa. Digamos que você bebeu apenas duas taças. Arrolhe o vinho e guarde-o na parte mais fresca da sua geladeira. Ele agüenta uns três dias sem perder muito. Se passar disso, reserve-o para seus molhos.

Procure conversar com amigos e colegas que também gostem da bebida. Troque suas experiências com eles. Fique freguesa de uma loja de vinhos. O lojista terá sempre novidades e, como você é freguesa fiel, fará sempre um precinho mais camarada. Falo de lojas especializadas e não de supermercados. Estes melhoraram incrivelmente suas ofertas de vinhos. Só que são impessoais. Não existe um “especialista” para atendê-la e apontar rótulos novos ou aqueles vinhos de grande qualidade e baixo preço: a real barganha. Costumam ter nas prateleiras vinhos que vendam rapidamente, na maior parte das vezes. A loja especializada é mais ousada: vai buscar vinhos de regiões ainda não muito conhecidas por nós. O supermercado será, entretanto, muito útil quando você começar a conhecer melhor a matéria e identificar as boas barganhas, que estão lá, perdidas nas prateleiras.

Para começar a aprender sobre vinho é isso o que eu recomendo. Agora, tem coisas que você definitivamente não deve fazer.

O que não fazer

Nem o mais experimentado dos profissionais do vinho, um sommelier, por exemplo, admite que sabe tudo sobre a bebida. Jamais caia no erro daqueles chatos que se apresentam como sabe-tudo. Com o vinho, quanto mais você aprende, mais sabe que ainda tem muito caminho pela frente.

Não entre nessa de usar jargão, falar da fermentação malolática, da oxidação, do retrogosto, do solo calcário, do vinho do lado direito de Bordeaux, do aroma de suor de sela de cavalo etc e tal. Lembre-se que você tem apenas que gostar (ou não) do que está bebendo.

Não dê muita bola para algumas regras (escrevi sobre elas semana passada). Essa história de que vinho tinto só combina com carne vermelha e vinho branco com carne branca, não é bem assim. A regra é feita por você. Beba o vinho que você gosta com o prato preferido.

Não caia na história de que vinho branco é só para mulheres e o tinto é exclusivo dos homens. Puro preconceito, coisa de machista, se é que eles ainda existem.

Não guarde vinhos na geladeira por semanas (especialmente os brancos). Vão perder sabor e ter suas rolhas ressecadas ou mofadas (se não estiverem protegidas com a cápsula original). No primeiro caso, o líquido pode sair e o oxigênio entrar, avinagrando o vinho. No segundo, o bolor deixará sabor ruim na bebida.

Não encha a taça até a borda. Sirva apenas um terço do seu volume. A taça tem que deixar um espaço para você girá-la sem que o vinho metralhe quem está em volta. Tem de haver um espaço para que o vinho “respire”, lembra?

Não leve seu vinho para uma festa ou jantar esperando que o anfitrião o sirva. O anfitrião vai servir o vinho que ele escolheu para aquela ocasião. Ele vai pensar, e corretamente, que você levou o vinho como um presente. Deixe as coisas assim.

Tá vendo? Começar a aprender sobre vinhos é simples. Mas, ao mesmo tempo, complexo, para usar um jargão da área. Complexo, porque você começa e, se quiser de fato aprender, não termina mais. Não é um curso de um mês, um ano. Você vai sentir o prazer de querer saber cada vez mais sobre essa bebida.

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Vinho não é salada

by soniamelier em 16 de outubro de 2003 | 21:00

Acabo de ler que um dos mais famosos autores e críticos de vinho, o inglês Hugh Johnson (o seu anual Guia de Vinhos vende aos milhares em todo o mundo), comentou recentemente que alguns colegas seus “atraem o ridículo” para o vinho, pois com freqüência parece que estão falando de uma salada de frutas em vez de descrever o que está dentro das garrafas.
“Realmente não quero que o meu assunto favorito seja ridicularizado. Há um problema com esses críticos que listam todos os sabores e aromas que acham que descobriram. Parece receita de uma salada de frutas”. “Vinho não é isso. Não transpira maçã ou fruta vermelha. Ninguém cheira uma rosa e diz, ‘Ah, sim, abacaxi, pepino’. Uma rosa tem cheiro de rosa e uma garrafa de vinho cheira como vinho. Esses termos são, em sua grande parte, tomados por empréstimo e não ajudam a descrever vinhos”, comentou Johnson.

Muitos críticos e outros doutores em vinho devem estar agora em cólicas crescente. O inglês está certo. Criou-se um jargão do vinho, um vocabulário pomposo, rebuscado, gongórico, pseudotécnico, que em vez de ajudar, atrapalha. É como um código, onde as informações mais simples transformam-se em tramas complicadas, de difícil compreensão. Daí para a criação do mito é um passo. Eis aqui alguns clássicos.

Vinho branco no gelo, tinto no forno. A temperatura de uma geladeira é alta demais para qualquer vinho branco de qualidade. No outro extremo, se você colocar o vinho tinto perto do fogão para “esquentá-lo” antes de servi-lo, fique certa de que vai arruiná-lo.

Na geladeira temos 4 graus e a maioria dos brancos (menos os muito baratos) deve ser servida entre 8 e 9 graus. A temperatura média ambiente na maioria das casas é de 21 graus (estou sendo pra lá de tolerante) e qualquer tinto decente deve ser servido em 16 e 17 graus. Tintos mais baratos ou bem leves, como o Beaujolais, devem ser servidos ainda mais frios. Se um tinto for servido na nossa temperatura ambiente (na verdade, acima dos 21º), a sutileza de muitos aromas e sabores será mascarada. Amiga: compre um termômetro para vinhos e leia nos rótulos a temperatura de serviço.

Quanto mais caro, melhor. É verdade que vinhos de R$ 7 dificilmente são melhores do que os de R$ 15 (ou são um pouco piores). No extremo oposto, temos vinhos com preços altíssimos. Um Château Le Pin, do Pomerol, não é melhor do que um Cheval Blanc ou um Petrus, mas é muito mais caro, pois é produzido em pequeníssimas quantidades, o que lhe confere exclusividade, um atributo de raridade. Estamos falando de marcas famosas e muito caras. Você pode encontrar ótimas barganhas na faixa de vinhos do dia-a-dia, mas de qualidade. Não se impressione com o preço ou com a eventual fama ou origem. Não querem dizer mais qualidade necessariamente.

Tinto com carne vermelha, branco com peixe. Sem dúvidas que um suculento assado vai bem com um bom vinho tinto. Um Chardonnay refrescante é ótima companhia para um linguado ao limão. Agora, um salmão, que é mais gorduroso, fará bonito par com vinhos tintos mais leves. Uma galinha assada é par inseparável de um bom Bordeaux tinto. Inseparável? Não: uma galinha assada vai bem com qualquer estilo de vinho seco, desde que de boa qualidade.

Vinhos com tampa de cortiça são melhores. Não é mais assim, não. É cada vez maior o número de vinhos de qualidade, de grande qualidade, que passaram a usar tampas de rosca metálica. Vinhos da Nova Zelândia, Austrália e da Califórnia já estão sendo vendidos com as roscas metálicas. E são papas-finas. Em todo o mundo há um movimento contra as rolhas de cortiça, pois desenvolvem um tipo de mofo que torna o vinho intragável. Muitos produtores (e dos bons) estão testando alternativas, como as rolhas de plástico e as roscas metálicas E são essas as que estão conseguindo a preferência. Agora, é verdade que uma garrafa de um bom vinho de Bordeaux terá uma longa rolha de cortiça natural. Não sei por quanto tempo.

A Europa faz o melhor vinho do mundo. Você esqueceu da Austrália, da Nova Zelândia, da África do Sul, da Califórnia, do Canadá, da Argentina, do Chile, do Uruguai, do Brasil? Os vinhos desses países estão cansados de serem considerados melhores do que os europeus num sem número de concursos. Nenhuma região ou grupo de regiões pode afirmar que faz os melhores vinhos. Cada região produz vinhos com uma determinada característica agradável a um e outro grupo de consumidores, mas não a todos. Vinho é variedade e nossas papilas gustativas admitem experimentar vários estilos e sabores.

Vinho velho tem mais valor e é melhor que o novo. A percentagem dos vinhos que podem melhorar com a idade é mínima. A maioria dos vinhos é feita para ser bebida em um ou dois anos de engarrafados. Mesmo os vinhos capazes de envelhecer, como os Cru Bourgeois de Bordeaux, não vão melhorar após 6 ou 7 anos na garrafa. Um vinho velho só tem valor quando encontra alguém disposto a pagar uma nota preta por ele. Um Penfolds Grange 1951 foi arrematado em leilão por 27 mil dólares. Sim, apenas uma garrafa do famoso australiano. E quem o arrematou sabia que o vinho já tinha oxidado na garrafa. Intragável.

Você pode julgar um vinho cheirando a rolha. Pode cheirar a rolha o quanto quiser que ela não vai revelar nada quanto aos sabores ou a qualidade geral do vinho. No máximo, pode ser que indique que o vinho foi afetado pela “doença da rolha”, que, já falamos disso, é resultado de um fungo que ataca as rolhas. Esse problema, contudo, é mais fácil de ser descoberto provando-se o vinho. Pare de cheirar a rolha que o pessoal no restaurante vai estranhar.

Sedimentos na garrafa indicam falha grave no vinho. Bobagem: os sedimentos apenas indicam que o vinho não foi filtrado antes de ser engarrafado. As opiniões quanto aos méritos e deméritos da filtragem variam. Ela pode remover alguns dos sabores mais sutis e interessantes do vinho. Os sedimentos são, a maior parte das vezes, uma qualidade do vinho.

Vinho bom é vinho seco. Muita gente associa os vinhos doces com vinhos baratos, como aqueles alemães de garrafa azul, como os liebfraumilch da vida. Acontece que todo o vinho seco tem uma pontinha de açúcar, um resíduo deixado lá – e que cada vez é maior, principalmente nos vinhos australianos e californianos. Vinhos de grande fama, igual e até maior que os vinhos secos de estirpe, estão ai para ficar. São os alemães em geral, os franceses de Sauternes, os Tokaii da Hungria. Isso para não falar dos Portos e Madeiras. Quem não gosta de um doce?

Os vinhos, muito frágeis e sensíveis, precisam ser guardados em adegas frias, escuras, e úmidas. Isso só se você quiser que o vinho amadureça por alguns anos. Um vinho pode tranqüilamente resistir por um ou dois anos desde que não fique numa geladeira (fria demais, como vimos) ou muito quente. Ou num lugar onde a temperatura varie do quente ao frio com muita freqüência. Vinho é igual a qualquer produto natural e, por isso, deve ser tratado com cuidado. Mas se você colocá-lo num cantinho (digamos, no vão da escada, normalmente escuro), onde a temperatura não oscile demais, ele vai manter sua qualidade. Não esqueça de guardá-lo na horizontal, de preferência num suporte, num rack.

O vinho tinto tem de respirar antes de ser servido. Se for um vinho maduro, ele vai oxidar rapidamente. Deixar uma garrafa aberta por uma hora só é válido para vinhos bem jovens. Eles serão “arejados”, seus aromas liberados. Você pode também decantá-los, mas espere um tempo antes de servi-los, para que se recuperem do trauma da passagem da garrafa para o decantador.

O Hugh Johnson está pra lá de certo. Tem muita gente fazendo uma geléia geral dos vinhos, complicando a guerra. Tenho certeza que as amigas sabem de uma dezena de outros mitos. Vamos publicá-los e tentar evitar que continuem fazendo mais saladas de nosso querido vinho. Cliquem aqui para o Bolsa ou para a Soninha no www.adegaebar.com.br

Tem um Frankstein no seu copo

by soniamelier em 9 de outubro de 2003 | 21:00

Já que falamos sobre bebidas em geral (e vinhos especialmente), não custa lembrar que é obrigatório você saber sempre o que está bebendo. Um simples suco à base de soja, por exemplo, pode conter um elemento estranho, um Frankstein, que parece uma coisa, mas não é, que não foi devidamente pesquisada e que ninguém pode, nem mesmo técnicos, afirmar que vai se entender adequadamente com o seu organismo. O pequeno momento de prazer proporcionado pelo suco pode muito bem roubar anos de sua saúde.

Você deve ainda lembrar o bafafá que deu (e ainda está dando) essa história do governo aprovar o plantio de soja transgênica. Como é assunto que resulta na qualidade do que colocamos na mesa para comer e beber, que mexe com nosso prazer e saúde, achei que as amigas deveriam se interessar.

Frankstein

Parece um grão como qualquer outro. Mas inseriram nele um ou mais elementos que o transformam num Frankstein. Ou num transgênico – um alimento geneticamente modificado, resultado da transferência de um gene (unidade genética ou hereditária) de um organismo para outro. Mesmo no primeiro mundo, uma maioria desconfia desses métodos e chama os transgênicos de “Alimentos Franksteins” (ou “Frankenfoods”). Ninguém sabe, com certeza, o que aquele Hulk fará se engolido ou bebido.

Sempre cismamos com a tentativa de alterarem geneticamente as uvas. Agora, o governo autorizou mais um plantio de soja geneticamente modificada. Mais uma vez, sem qualquer pesquisa. Uma soja ilegal, chegada aqui contrabandeada. Nenhum produtor foi ou vai ser preso, como é de costume. Li que há sete anos plantam soja transgênica no sul e o mais provável hoje é que toda a nossa soja e outros plantios estejam contaminados. A questão, mais uma vez, ficou na área política e não na científica. O PT aprovou aquilo que rejeitava quando estava na oposição. Os partidos no poder se modificam e também viram Franksteins.

Mas será que o vinho feito de uvas geneticamente modificadas terá o mesmo sabor, o mesmo valor? Será que os alimentos em geral serão mais seguros? Os consumidores têm sérias dúvidas. Dados da maior pesquisa realizada no mundo sobre esse assunto afirmam que não! Na Inglaterra acabam de pesquisar 37 mil pessoas. E 93% delas acham que essa tecnologia genética é movida por lucro e não pelo interesse público. Acham que só produtores agrícolas (e seus fornecedores, os laboratórios) é que lucrariam com essa prática. Nós, consumidores, ficaríamos com os prejuízos.

O norte-americano em peso também acha que a sua poderosa e tida como infalível FDA (Food and Drug Administration) deve pesquisar os alimentos geneticamente modificados. Em 1992 conseguiram passar uma lei federal afirmando que os alimentos geneticamente alterados eram iguais a quaisquer outros e que, por isso, não necessitavam de aprovação pelo FDA. Estranho, não? Pois não é lá que o FDA não deixa nada chegar ao mercado sem que antes pesquise, teste e finalmente avalize?

Pois um respeitado fundo de caridade de lá, The Pew Charitable Trusts, mandou fazer uma pesquisa sobre o que o americano acha dessa história. E, para encurtar a conversa: 89% dos entrevistados acreditam que o FDA não deve permitir que alimentos geneticamente modificados cheguem às suas mesas até que se provem seguros.

Existem nos Estados Unidos grupos de agricultores mais esquentados que andam botando fogo em plantações de transgênicos. O que o governo faz? Impõe a lei do silêncio. Não quer que ninguém saiba mais onde ficam essas plantações. Isso só piora as coisas: uma plantação de produtos orgânicos, livre de herbicidas etc. pode estar ao lado de uma transgênica. Será fatalmente contaminado. A pura, livre, leve e solta alface vai se transformar em outra coisa.

A agricultura orgânica ganha cada vez mais espaço: nela não se utiliza qualquer tipo de química para combate a pestes etc. Ela pode até dar conta de parte do mundo dos vinhos. Mas não das necessidades de alimentos do globo no futuro. Segundo projeções da ONU, a população do planeta crescerá mais de 40%: de 6.3 bilhões hoje para 8.9 bilhões em 2050. Como alimentar a turma toda sem bagunçar com o meio ambiente? É nesse ponto que atua a biotecnologia. Ela pode ser uma solução. Mas pode também ser um risco. Plantas transgênicas podem polinizar outras plantas e produzir variedades agressivas, contaminando todo o meio ambiente. A solução pode virar uma peste.

A Lei do Vinho

Mas sempre temos à mão um bom exemplo. A Espanha acaba de instituir uma lei que promove o vinho como parte de uma dieta saudável. É a Lei do Vinho: ela obriga que o vinho seja divulgado nacional e regionalmente como parte da dieta do espanhol, devidamente divorciado da imagem das demais bebidas alcoólicas.

Pela nova lei, o governo espanhol vai encorajar o uso de métodos agrícolas sustentáveis e seguros para o meio ambiente e que destaquem a tradição e a história do vinho espanhol. Com isso a Espanha se coloca fora das vinhas transgênicas. Sempre deu certo sem elas: vinho é tradição e história.

A União Européia vem legalizando o plantio transgênico em surdina. Acha que isso vai ajudar as vinhas européias a manter sua autenticidade e competitividade. Só não consegue explicar como uma planta transgênica pode ser mais autêntica do que a original.

O que acontece, acreditamos, é que tem gente que está tentando abreviar os processos naturais e obter mais rapidamente uvas com características especiais (aroma e cor, por exemplo) e também resistência a doenças. A pior das doenças na vinicultura foi e ainda é a filoxera. De origem norte-americana, a praga praticamente destruiu as vinhas européias e em particular as francesas no século 19. A solução veio do uso de raízes de vinhas dos EUA enxertadas com troncos de uvas européias. As vinhas européias não só sobreviveram como continuam esbanjando qualidade até hoje. Sem nenhuma alteração de DNA, sem nenhuma engenharia genética! Mas é preciso continuar a fazer os enxertos.

Onde entram as uvas transgênicas nessa história? São produtores que não querem perder tempo com enxertos. Só desejam é que suas uvas contenham bastante açúcar para fazer vinho em quantidade. Vinho, não. Um vinho qualquer. Já os produtores preocupados com qualidade não estão interessados numa vinha genérica e geneticamente alterada, mesmo que seja resistente à filoxera. Isso porque uma raiz ou semente transgênica pode ser apenas genericamente resistente a filoxera ou a outras pragas, mas quase nunca é adequada ao terreno onde o vinicultor quer plantá-la.

Existem hoje centenas de raízes cuidadosamente preparadas para condições específicas de solo, sem maiores químicas: raízes para solos rochosos e bem drenados, para solos arenosos e secos, solos secos e calcários e vai por aí. Um produtor que busca a melhor qualidade possível vai selecionar uma raiz para cada tipo de terreno do seu vinhedo. Pode até plantar raízes diferentes de uma mesma uva em áreas diversas do seu plantio. Vai escolher aquela que achou melhor. Isso quer dizer que num mesmo vinhedo poderemos ter diferentes raízes e variações de uma mesma uva. Não há maneira de se conseguir isso com uma planta geneticamente desenvolvida.

Onde está então a vantagem dos transgênicos? Favorecer o pessoal do vinho de garrafão? Uma coisa intriga nessa história. Não há uma lei que obrigue que se declare se as uvas nos rótulos são transgênicas. O que, afinal, estamos bebendo? Estranho.

Assim, um viva à Lei do Vinho espanhola: a afirmação de um dos mais poderosos produtores de vinhos de qualidade do mundo de que é melhor seguir a tradição e a história. O que não implica em deixar de empregar tecnologias as mais modernas. A ministra Marina sabe disso, o deputado Gabeira, que está saindo do PT por causa dessa trapalhada, também. Já o companheiro presidente…

As amigas podem estar pensando que hoje resolvi rodar a baiana. Nada disso: é que acho mesmo que devemos saber o que comemos e bebemos. E lutar por produtos saudáveis, testados. Já pensaram em beber um Cabernet Franc (stein)?

Qualquer dúvida é só clicar para o Bolsa ou para a Soninha no www.adegaebar.com.br

Vinho, fofas e fofinhas

by soniamelier em 2 de outubro de 2003 | 21:00

Fofa e fofinha. Duas amigas, mãe e filha, minhas vizinhas aqui em Secretário, vivem às voltas com suas cinturas e pesos, cada vez maiores. A mãe já é fofa veterana e a filha acaba de entrar na categoria, ainda como fofinha. Lutam por parar por aí e no mínimo reverter essas classificações, mesmo que sejam diplomáticas. Fofas e fofinhas ainda apresentam formas, mas estão a um passo do abismo, que são as séries seguintes: gordas e obesas.

E graças à motivação, que mistura vaidade e saúde, lutam por parar por aí e, quem sabe, retornar a um formato o mais distante possível de um Rubens – aquele pintor holandês que tinha um senhor tesão por gordotas, por mulheres carnudas, no tempo em que elas ditavam as modas, que eram os modelos de mulheres.

Fofa e fofinha passam por aqui e sempre perguntam sobre os malefícios das bebidas, do álcool para suas progressivas cinturas. Para elas, o vinho é uma das causas de sua corpulência, um verdadeiro beijo da morte para quem busca aquela ausência de corpo e de forma das modelos anoréxicas que fazem a moda atual. Viva Rubens! O chato é que repetem sempre as mesmas perguntas: “O vinho tem muitas calorias, tem muitos carboidratos? O vinho é fonte de vitaminas, de minerais?”

E eu volto a repetir: não, para os dois casos.

Um vinho seco, com 12% de álcool, o mais comum, fornece cerca de 80 calorias por taça. Um vinho do Porto, que é fortificado, tem 20% de álcool e 10% de açúcar residual, e 178 calorias por taça – bem menos do que aquela banana split da lojinha na esquina. Vinhos secos não contêm carboidratos (açúcares, amidos). São seguros até para diabéticos, desde que comam enquanto bebem. Estão dentro dos limites da dieta do Dr. Atkins, novamente fashion. Eles não contêm gordura nem proteína. Apenas são fontes miseráveis de vitaminas e minerais. Em suma, não podem ser representantes de suplementos nutricionais.

Asseguro às minhas fofinhas que numa taça de vinho, digamos um Chardonnay, temos de 86 a 87% de água e 12% de álcool etílico (etanol). O pouco que sobra é composto desses intrigantes e formidáveis antioxidantes, os polifenóis. São eles os responsáveis pela cor, sabor e conservação do vinho. E, com o álcool, podem melhorar e até estender a nossa saúde e vida.

No vinho, o único elemento que pode ser considerado nocivo é o álcool – assim mesmo se consumido em excesso. Pelo que se sabe até agora, o álcool não faz engordar quem tem um perfil magro. Mas pode tornar o obeso mais gordo ainda. O álcool é metabolizado de modo diferente em cada pessoa.

Se bebermos com moderação poderemos até ajudar a corrigir peso em excesso e, ainda, a reduzir riscos de diabetes e problemas cardiovasculares. Agora, se bebermos mais pesadamente, particularmente se consumindo também beliscos ou comidas muito gordurosas, o ponto de saciedade, de satisfação, ficará mais difícil de atingir. Aqui, portanto, o consumo calórico excessivo pode levar a um ganho de peso também excessivo.

Mostrei para as amigas Fofa e Fofinha o relato de um estudo recentemente publicado pelo Jornal Americano de Nutrição Clínica. É um senhor estudo, que consumiu 5 anos e envolveu 7.608 homens de meia-idade nos Estados Unidos. Por ele, ficamos sabendo que o consumo de um a três drinques por dia não leva necessariamente a ganho de peso. Mais de três drinques diários, contudo, “há uma contribuição direta para o aumento de peso e para a obesidade, independente do tipo de álcool consumido”, explica o Jornal. Os bebedores de destilados (uísque, vodka, rum etc.) tendem a engordar mais do que os adeptos do vinho e da cerveja.

Lembrei também do trabalho de um médico, Dr. Harvey Finkel, professor do Centro Médico da Universidade de Boston. Ele observou que pessoas sob severa dieta perdiam peso com maior satisfação (sim, parece que isso é possível) se autorizadas a tomar uma taça de vinho. Notou também que idosos que sofriam de perda de apetite passavam a comer com mais gosto depois de autorizados a fazer suas refeições com um pouco de vinho. A anorexia de uma jovem respondeu bem, revela o médico, a pequenas doses de vinho.

Ainda não se tem uma explicação batatolina para essas ações aparentemente opostas do vinho (ora desperta, ora não desperta o apetite, como vimos acima). Mas muito do que ele promove é provavelmente influenciado pela condição e processos metabólicos de quem o está bebendo e também pelos efeitos relaxantes do álcool. Em função desses efeitos, inclusive, lembro a vocês todas para tomarem cuidado e não passarem dos limites, respeitarem a moderação. Caso contrário, a estação seguinte é a dependência alcoólica.

O fato é que em regimes dietéticos para obesos, os pacientes que bebiam entre uma e 5 taças de vinho por semana perdiam significativamente mais peso do que aqueles que ou não bebiam nada ou que bebiam muito pouco. O Dr. Harvey conta que aqueles que bebiam mais de 5 taças semanais perdiam mais peso ainda. O caso é que há hoje evidências que os obesos são beneficiados se beberem moderadamente. A bebida (o vinho, em particular) vai facilitar a perda de peso. O que, para os muito gordos, é muito importante, pois são especialmente sensíveis a diabetes e a doenças cardiovasculares.

O contrário também pode ser verdadeiro. Diz o médico que aqueles com necessidade de ganhar peso podem encontrar algum socorro na bebida, desde que, mais uma vez, consumida com moderação.

Fofa e fofinha ouviram tudo com muita atenção. Eu já ia guardando os recortes de jornais, as declarações do médico de Boston, quando perguntaram: “Então, beber emagrece?”

Dei as costas e corri pra dentro de casa. Desisto!

O problema com as dietas é não acreditar que uma pílula só é o que vai fazer o milagre. Dieta é coisa séria, tem de ser acompanhada por médicos. O remédio mais milagroso, contudo, é o mais barato: fechar a boca. O que o Dr. Harvey pesquisou é que fechar a boca com uma taça de vinho é melhor e não faz mal.

Se as amigas quiserem mais dicas sobre bebidas e dietas é só clicar para o Bolsa ou para a Soninha no www.adegaebar.com.br



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