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Faz sentido

by soniamelier em 18 de setembro de 2003 | 21:00

A Ministra da Justiça alemã, Brigitte Zypries, tá tiririca com os italianos, por permitirem que um produtor seu venda vinhos com rótulos ora exibindo Hitler, com o braço direito esticado naquele triste gesto, ora mostrando Heinrich Himmler, líder da SS. Nos rótulos lemos “Sieg Heil” e “Ein Volk, ein Reich, ein Fuhrer” (um povo, uma nação, um líder), saudação e moto nazistas. O produtor dessa “obra”, Andre Lunardelli, diz que a procura por esses vinhos é grande e que vende até 30 mil garrafas por ano, principalmente em postos de gasolina ao longo das estradas e em áreas turísticas da Itália – que recebe a visita de 10 milhões de alemães anualmente. Já o premier Berlusconi confessou recentemente que o regime de Mussolini não foi assim tão cruel. Será que a ministra alemã conseguirá abaixar o braço desses dois tristes italianos?

Essa história de explorar produtos mais pela sua embalagem, pela roupa que vestem, do que por suas qualidades, não é novidade para ninguém. Com os vinhos não é diferente. Agora mesmo, na Argentina, estão lançando um vinho em homenagem ao jogador Maradona, que terá seu nome, claro, e foto no rótulo. O vinho será apresentado em vários estilos ou sabores. Maradona, que está se tratando em Cuba, já experimentou e aprovou o novo vinho.

Em 2002, um ótimo vinho português, o Esporão Reserva (da prestigiosa Herdade do Esporão) teve 300 mil garrafas retiradas às pressas do mercado norte-americano, pois seu rótulo (que tradicionalmente é feito por um artista de projeção), mostrava um califa e sua odalisca bebendo vinho. Só que esse califa tinha perfil delgado e barba muito comprida. Vestia-se como um muçulmano tradicional. Muito parecido com Osama Bin Laden, na irada opinião dos americanos. O pior é que o vinho chegou à Nova York um dia depois do 11 de setembro. Trocaram o rótulo, claro. O vinho continua ótimo.

Um premiado crítico de bebidas inglês, Andrés Jefford (ganhou o importante prêmio Glenfiddich para escritores de bebidas de 2003), descobriu a cachaça, a batida e a caipirinha num famoso bar, o Lonsdale, situado no não menos famoso bairro de Notting Hill, em Londres. O crítico põe nas alturas esses drinques, que, segundo ele, fazem já parte do repertório de qualquer bar de classe da capital inglesa. As cachaças que o Lonsdale usa não são da minha preferência pessoal: a 51 e a Pitu. Contudo, o bar produz mais caipiras de rum Bacardi e de vodka. O crítico elogiou, em particular, a batida de maracujá. Quando estiver em Londres e sentido falta de um sabor da terrinha não deixe de dar um pulo no Lonsdale, portanto.

Saponin é o novo super-herói do vinho, que tinha no resveratrol o seu componente curativo mais famoso. Cientistas da Universidade da Califórnia descobriram um novo grupo de elementos químicos, componentes à base de glicose, chamados de saponin, capazes de ajudar a reduzir o nível do colesterol vilão, o LDL, em nossas artérias. Eles são encontrados nas cascas das uvas e se acredita que trabalhem em conjunto com outros componentes químicos do vinho e explicam melhor porque a bebida é benéfica para a nossa saúde cardiovascular.

O maior crítico de vinhos do mundo, Robert Parker, finalmente voltou à França para provar a safra de 2002 de Bordeaux. Parker evitou viajar na apresentação “en primeur” dessa safra, em junho, no auge da birra americana contra os franceses. Alegou “problemas de família”. Volta agora e mostra-se “agradavelmente surpreso” pelos Bordeaux 2002. Faz grandes elogios para os vinhos da margem esquerda do Gironde (Graves etc.), em particular os tintos. Considerou fraca a produção da margem direita (Pomerol etc.).

A não menos famosa crítica de vinhos Jancis Robinson avisa que não é assim tão necessário mudarmos as taças cada vez que mudarmos os vinhos. Sabemos que um restinho do vinho anterior sempre fica na taça, mas seu efeito será imperceptível no vinho servido em seguida. Ela concorda que, contudo, é bom mudarmos as taças se tivermos bebendo um vinho branco e passarmos para um tinto. Muito mais por razões estéticas do que gustativas, afirma a inglesa. Tá vendo: pode usar uma taça só que é mais econômico e dá menos trabalho.

Um produtor italiano de espumantes, Pittaro, está promovendo um concurso para descobrir o “seio perfeito” – justamente para servir de modelo para novas taças de espumantes. Todos sabemos que aquelas taças mais abertas, usadas até os anos 50, no formato de tigelas bojudas, tinham como modelo os seios de Maria Antonieta. Assim corre a lenda. Se Pittaro permitir seios siliconados, como é a moda atual, suas taças vão ser impossíveis de utilizar, tal o peso e volume. Acontece que as taças de espumantes hoje são as “flutes”, cujo formato em nada lembram o dos seios. Não seria o caso dele fazer o concurso entre homens? Por cima ou por baixo, o espumante de Pittaro fará sucesso.

A revista francesa Lyon Mag vai ter mesmo que pagar 113 mil euros (pouco mais de 370 mil reais) por classificar os Beaujolais de “vinhos de merda”, na edição de julho-agosto de 2002. Os sindicatos de Beaujolais, que moveram a ação, se declararam satisfeitos com a decisão da Corte de Apelação de Lyon. Mas a revista avisa que vai apelar para o Ministério da Justiça em Paris. Argumenta que a decisão é uma grave ofensa à lei de liberdade de imprensa na França. O editor da revista, Lyonel Favot, argumenta que se uma revista criticar um carro será então responsável por eventuais perdas econômicas da produtora. O “vin de merde” continua ainda no ventilador. O sindicato de Beaujolais ainda não reparou que quem está na chuva é pra se molhar. Devia era melhorar seu vinho.

Comecei por Hitler e acabei na “merde”. Faz sentido.

Se as amigas quiserem mais notícias do mundo das bebidas é só fazer contato aqui para o Bolsa ou para a Soninha no www.adegaebar.com.br 

Dias de vinhos e rosas

by soniamelier em 5 de setembro de 2003 | 21:00

Então, você resolve dar uma festinha, receber uns amigos e quer saber o quanto e o que de vinho você deve comprar. Sim, porque você quer mesmo é servir vinho – definitivamente a bebida do milênio.

A amiga está certa. Tem uma hora em que precisamos dar um tempo e fingir que a bala perdida não vem em nossa direção, que pagamos mais impostos que uma alemã. E quando conseguimos receber alguma coisa em troca de tanto dinheiro derramado percebemos que, sem dúvidas, o Haiti é aqui. Dramático, não? Mas é o que você sente na bolsa e lê nos jornais. Bem, você esquece da imprensa também e, pronto, vai dar a sua festa. Sem medo de ser feliz (sem ironia).

Volta e meia, as amigas perguntam sobre festas – aniversários, casamentos etc. – e a quantidade de vinho que devem comprar e quais os seus estilos. As respostas são simples e acho que já falei sobre isso aqui. Pelos menos indiretamente.

Sim, indiretamente, pois sempre que posso lembro que uma garrafa de vinho padrão – a que normalmente conhecemos e, em sua grande maioria é a encontrada em lojas, supermercados, bares e restaurantes, tem 750 ml. Ora, uma garrafa de 750 ml é igual a seis taças de vinho – considerando uma taça regular. E é por ai que você faz as suas contas.

Se você utilizar uma taça premium, como, por exemplo, a austríaca Riedel, tida como a melhor do mundo, de fino cristal, essa garrafa padrão dará para 4 taças. A Riedel é bem maior e pode custar a partir de 50 dólares, cada uma. Isso em Nova York. Reserve aí pelos menos uns 200 reais caso resolva comprar uma nos poucos distribuidores da marca no Brasil (pelo que sei, só tem três).

Como fazer as contas

Bem, a partir desse total (uma garrafa = seis taças), você pode começar a calcular o quanto de vinho comprar.
Vamos lá. Se você estiver oferecendo ou organizando uma recepção, uma conta razoável é a de uma taça por hora por convidado. Se você tiver 20 convidados, serão 20 taças em uma hora, o equivalente a 3,3 garrafas. Supondo que você comprou uma caixa com 12 garrafas, você está preparada para servir 72 taças. Como você está servindo 20 doses por hora, você tem vinho para quase 4 horas de recepção.

É pouco? Não, se você começar o encontro servindo um espumante. Digamos, um espumante nacional (como o Chandon Brut), que faz bonito em qualquer lugar do mundo e tem preço pra lá de razoável. A garrafa do espumante também tem 750 ml e igualmente resulta em 6 taças. Se você comprar uma caixa com seis garrafas, terá 36 doses. Na base de 20 doses por hora, conseguirá servir por praticamente 2 horas. Só que não precisará disso tudo.

Mas você calculou que sua recepção deveria durar umas 5 horas. Ou seja, um evento onde serão servidas 100 taças, entre vinhos espumantes e vinhos parados. Você vai servir o espumante como aperitivo, ao receber os convidados, e os vinhos parados no decorrer da festa. Uma hora para os espumantes e 4 horas para os outros vinhos. Acho pra lá de bom.

Você então vai utilizar na sua recepção apenas umas 17 garrafas: 5 de espumantes e 12 de vinhos parados, ou 102 taças. A conta ficou um tanto justa, concordo. É o caso de acrescentar mais umas quatro garrafas como reserva, uma segurança: mais 24 taças.

Um jantar

Se a ocasião for um jantar, que pode ocorrer no espaço de umas três horas, você pode considerar o que aconselham muitos chefs e profissionais de catering, banquetes: meia garrafa para cada convidado. Ou três taças para cada um. Se forem os nossos mesmos 20 convidados, eles vão consumir 10 garrafas de vinhos.

Nossa sugestão, nesse caso, é você comprar 12 garrafas de vinho parado e umas quatro garrafas de espumante. No jantar você serve o vinho parado e, ao final, como brinde, uma taça de espumante para cada convidado. Ficarão pelo menos duas garrafas de vinhos e uma de espumante na reserva.

E o que mais? Calcule que 60% dos convidados vão preferir vinho tinto e os demais o branco, naturalmente. Logo, para 12 garrafas de vinhos parados, pelo menos sete serão de tinto.
Quanto às taças, você pode alugá-las nesses mesmos serviços de catering. Você vai precisar de taças para tintos e para brancos. Escolha as indicadas para vinhos Bordeaux (no caso dos tintos) e para Chardonnay (no caso dos brancos). São, de certo modo, padrões para quaisquer tipos de vinhos.
Não esqueça de guardanapos de papel.

E de bastante água mineral e sucos. São ótimos para refrescar como também para evitar que seus convidados não possam dirigir depois de sua festa. Vão temperar um pouco a sede pelo álcool.

Quanto ao estilo dos vinhos

Acho melhor escolher os mais simples. O vinho não deverá ser o item mais importante de sua recepção ou jantar. Salvo se você e seus convidados são conhecedores, colecionadores, potenciais ou sabidos sommeliers.

Numa recepção ou jantar comemorativo, as atenções estarão mais nos próprios convidados, na música, na dança, na comida e na conversa. Isso não quer dizer que você não deve fazer uma boa seleção dos vinhos. Eles deverão ter sempre qualidade, ser deliciosos. Mas nunca caros. O mesmo para os espumantes. Tente encontrar alguma coisa na casa dos 20, 25 reais a garrafa.

Lembre-se de que os espumantes precisam ser servidos bem gelados. Refresque os tintos por meia hora na geladeira (na porta, não no congelador). Refresque os brancos no congelador por outra meia hora.
O ideal é você ter caixas de isopor com gelo, para manter as garrafas sempre bem refrescadas. Sua geladeira e seu freezer ficarão bem mais livres.

Para os tintos, eu escolheria algo em torno de um Chianti simples, um Beaujolais-Viillages francês, um Cabernet Sauvignon nacional, chileno ou argentino. Ou um Merlot dessas mesmas origens. Para os brancos, um Riesling (nacional ou, se possível, alemão), um Chardonnay francês ou australiano. Ou um Sauvignon Blanc francês.

Se você quiser mais algumas dicas, como, por exemplo, calcular a sua festa com destilados (uísque, vodka, rum, gim etc.), é só fazer contato aqui com o Bolsa ou para a Soninha no www.adegaebar.com.br. Temos à mão algumas boas dicas.

Vá, faça a sua festa. Você e todas nós merecemos nossos dias de vinhos e rosas.



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