A Ministra da Justiça alemã, Brigitte Zypries, tá tiririca com os italianos, por permitirem que um produtor seu venda vinhos com rótulos ora exibindo Hitler, com o braço direito esticado naquele triste gesto, ora mostrando Heinrich Himmler, líder da SS. Nos rótulos lemos “Sieg Heil” e “Ein Volk, ein Reich, ein Fuhrer” (um povo, uma nação, um líder), saudação e moto nazistas. O produtor dessa “obra”, Andre Lunardelli, diz que a procura por esses vinhos é grande e que vende até 30 mil garrafas por ano, principalmente em postos de gasolina ao longo das estradas e em áreas turísticas da Itália – que recebe a visita de 10 milhões de alemães anualmente. Já o premier Berlusconi confessou recentemente que o regime de Mussolini não foi assim tão cruel. Será que a ministra alemã conseguirá abaixar o braço desses dois tristes italianos?
Essa história de explorar produtos mais pela sua embalagem, pela roupa que vestem, do que por suas qualidades, não é novidade para ninguém. Com os vinhos não é diferente. Agora mesmo, na Argentina, estão lançando um vinho em homenagem ao jogador Maradona, que terá seu nome, claro, e foto no rótulo. O vinho será apresentado em vários estilos ou sabores. Maradona, que está se tratando em Cuba, já experimentou e aprovou o novo vinho.
Em 2002, um ótimo vinho português, o Esporão Reserva (da prestigiosa Herdade do Esporão) teve 300 mil garrafas retiradas às pressas do mercado norte-americano, pois seu rótulo (que tradicionalmente é feito por um artista de projeção), mostrava um califa e sua odalisca bebendo vinho. Só que esse califa tinha perfil delgado e barba muito comprida. Vestia-se como um muçulmano tradicional. Muito parecido com Osama Bin Laden, na irada opinião dos americanos. O pior é que o vinho chegou à Nova York um dia depois do 11 de setembro. Trocaram o rótulo, claro. O vinho continua ótimo.
Um premiado crítico de bebidas inglês, Andrés Jefford (ganhou o importante prêmio Glenfiddich para escritores de bebidas de 2003), descobriu a cachaça, a batida e a caipirinha num famoso bar, o Lonsdale, situado no não menos famoso bairro de Notting Hill, em Londres. O crítico põe nas alturas esses drinques, que, segundo ele, fazem já parte do repertório de qualquer bar de classe da capital inglesa. As cachaças que o Lonsdale usa não são da minha preferência pessoal: a 51 e a Pitu. Contudo, o bar produz mais caipiras de rum Bacardi e de vodka. O crítico elogiou, em particular, a batida de maracujá. Quando estiver em Londres e sentido falta de um sabor da terrinha não deixe de dar um pulo no Lonsdale, portanto.
Saponin é o novo super-herói do vinho, que tinha no resveratrol o seu componente curativo mais famoso. Cientistas da Universidade da Califórnia descobriram um novo grupo de elementos químicos, componentes à base de glicose, chamados de saponin, capazes de ajudar a reduzir o nível do colesterol vilão, o LDL, em nossas artérias. Eles são encontrados nas cascas das uvas e se acredita que trabalhem em conjunto com outros componentes químicos do vinho e explicam melhor porque a bebida é benéfica para a nossa saúde cardiovascular.
O maior crítico de vinhos do mundo, Robert Parker, finalmente voltou à França para provar a safra de 2002 de Bordeaux. Parker evitou viajar na apresentação “en primeur” dessa safra, em junho, no auge da birra americana contra os franceses. Alegou “problemas de família”. Volta agora e mostra-se “agradavelmente surpreso” pelos Bordeaux 2002. Faz grandes elogios para os vinhos da margem esquerda do Gironde (Graves etc.), em particular os tintos. Considerou fraca a produção da margem direita (Pomerol etc.).
A não menos famosa crítica de vinhos Jancis Robinson avisa que não é assim tão necessário mudarmos as taças cada vez que mudarmos os vinhos. Sabemos que um restinho do vinho anterior sempre fica na taça, mas seu efeito será imperceptível no vinho servido em seguida. Ela concorda que, contudo, é bom mudarmos as taças se tivermos bebendo um vinho branco e passarmos para um tinto. Muito mais por razões estéticas do que gustativas, afirma a inglesa. Tá vendo: pode usar uma taça só que é mais econômico e dá menos trabalho.
Um produtor italiano de espumantes, Pittaro, está promovendo um concurso para descobrir o “seio perfeito” – justamente para servir de modelo para novas taças de espumantes. Todos sabemos que aquelas taças mais abertas, usadas até os anos 50, no formato de tigelas bojudas, tinham como modelo os seios de Maria Antonieta. Assim corre a lenda. Se Pittaro permitir seios siliconados, como é a moda atual, suas taças vão ser impossíveis de utilizar, tal o peso e volume. Acontece que as taças de espumantes hoje são as “flutes”, cujo formato em nada lembram o dos seios. Não seria o caso dele fazer o concurso entre homens? Por cima ou por baixo, o espumante de Pittaro fará sucesso.
A revista francesa Lyon Mag vai ter mesmo que pagar 113 mil euros (pouco mais de 370 mil reais) por classificar os Beaujolais de “vinhos de merda”, na edição de julho-agosto de 2002. Os sindicatos de Beaujolais, que moveram a ação, se declararam satisfeitos com a decisão da Corte de Apelação de Lyon. Mas a revista avisa que vai apelar para o Ministério da Justiça em Paris. Argumenta que a decisão é uma grave ofensa à lei de liberdade de imprensa na França. O editor da revista, Lyonel Favot, argumenta que se uma revista criticar um carro será então responsável por eventuais perdas econômicas da produtora. O “vin de merde” continua ainda no ventilador. O sindicato de Beaujolais ainda não reparou que quem está na chuva é pra se molhar. Devia era melhorar seu vinho.
Comecei por Hitler e acabei na “merde”. Faz sentido.
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