Pode ter certeza que o mundo dos vinhos é muito divertido, mesmo que você nem goste das uvas fermentadas. Veja só:
Bundas de fora
O pessoal da cidadezinha de Krov (2.500 habitantes), na região do rio Mosela, Alemanha, está fulo da vida com seus vereadores. É que, para homenagear o vinho mais popular do local, o “Krover Nacktarsch”, deram ao seu novo centro comunitário o nome de “Nacktarschhalle”, que literalmente quer dizer “Centro da Bunda de Fora” (ou “bunda nua”, “bunda pelada”). Já com o vinho (que se chama, claro, “Bunda Pelada de Krov”) ninguém implica. Consumir Bunda de Fora em casa, à luz de velas, ao lado de uma lareira pode. Mas, em público, no Centro Comunitário, não pode.
Até o prefeito da cidade, Sr. Elmar Trossen, está furioso com o novo nome. “Já pensou ser convidado para um casamento ou para um concerto de música clássica no Centro de Bunda de Fora?” Acho que se fosse aqui, os convidados compareceriam em massa – provavelmente a caráter.
O vinho de Hitler
O italiano Alessandro Lunardelli e seu filho Andrea são produtores de vinho lá em Pasian di Prato, no norte da Itália. Estão ficando famosos não pela qualidade de seus vinhos, mas pelos temas dos rótulos que escolheram para eles.
Agora mesmo lançaram um vinho com o rótulo “Hitler”: tem a foto do chefe nazista com o braço direito estendido na tristemente célebre saudação nazista, e o lema “Ein Volk, ein Reich, ein Fuehrer” – Um Povo, Um Império, Um Líder. Uma garrafa de seu ordinário vinho custa quase 10 dólares. Custa também muita vergonha para a Itália e problemas para quem compra. Se você é polonês e teve o mau gosto de comprar uma garrafa dessas terá problemas para atravessar a fronteira para seu país. Vai ser preso como agitador nazista.
O próprio Alessandro já foi preso e processado por isso. Começou sua “carreira” lançando um vinho dedicado a Mussolini, com a foto do “Duce” no rótulo. Acabaram, ele e o filho, na cadeia. Só não foram condenados porque as autoridades não ficaram convencidas de que estavam genuinamente promovendo o fascismo.
Mas continuaram a lançar vinhos seguindo a trilha dos, digamos, “campeões mundiais de tiranias”: foram rótulos com o general Rommel, com o vice de Hitler, Hermann Goering e com Stalin. Quanto a esse não houve muita celeuma, apesar de ter assassinado 15 milhões de pessoas. Vocês sabem como a esquerda é sempre imparcial, até porque gostaram da continuação da série: com Marx, Lênin e Guevara.
A coleção dos vinhos de Lunardelli tem hoje 50 rótulos. O próximo lançamento será o do vinho “Tito”, com a foto do ditador da antiga Iugoslávia, para gáudio dos que participam ou participaram das carnificinas nos Bálcãs.
Uma colher de chá: os Lunardelli oferecem para os jovens um rótulo com Bob Marley. Mas será que eles gostam de vinho? Os Lunardelli eu tenho certeza que não.
Vinho em Quadrinhos
Já Keith Rutz é outra e completamente diferente história. Ela é dona e produtora da Rutz Cellars, lá no Vale do Russian River, na Califórnia. Produz vinhos ao estilo clássico e não pára de receber prêmios e louvações. Seus Pinot Noir e Chardonnay são constantes exemplos de êxitos transformados em medalhas de ouro e notas altas, altíssimas.
Rutz é também uma senhora marqueteira. Olhem só que idéia genial. Acaba de lançar o que, temos certeza, vai transformar-se numa série para colecionadores. É a sua “Vintage Comic Series Wines”. O rótulo é como se fosse uma história em quadrinho (um “comic”, com eles dizem por lá).
Mostra um casal (o desenho lembra o de Terry e os Piratas do meu tempo – perfeito): ele fala e lá vem a bolha de diálogo (“Minha vida tá complicada demais… Preciso voltar às minhas raízes”). Ela, loiríssima, linda e charmosa, pensa (aquele balão com bolinhas, continuando a fala do parceiro): “…e eu preciso voltar para o meu Rutz 2001 Merlot da Costa Norte!”.
Pois ela começou essa série com um sério Merlot. Estou doida para experimentar. A produtora faz até mais, uma criativa brincadeirinha. Você acessa o site dela (http://www.rutzcellars.com/) e cria rótulos exclusivos. Os balões estão livres, em branco, sem texto: você é quem os cria. Inventa uma fala para você, outra para ele. Pronto, a Rutz Cellars manda o novo rótulo para você azarar seu parceiro.
Rutz fala de afeto e calorosas parcerias; nada de braços estendidos em saudações bandidas. Ah, o vinho é pra lá de bom! Vale buscar os da nova série. Além da alegria, temos o prazer. É assim que se faz.
Alta costura para garrafas
Não é que uma modista de San Francisco, EUA, criou uns vestidinhos para garrafas de vinhos? A designer é a Christine Foley (http://www.christinefoleysf.com/), que já desfruta de bom prestígio no meio.
Pois a Christine acaba de lançar uma coleção de “cheongsam”, aqueles trajes femininos chineses, em sede pura, com gola alta, saia justa cortada lateralmente. Só que têm o tamanho de uma garrafa de vinho. E servem justamente para cobri-la. A utilidade? Bem, você pode utilizar o vestidinho num teste cego: toma-se o vinho sem ver a garrafa, só o cheongsam. Ou pode presentear amigos e amigas amantes do vinho. Vão adorar. O problema é o preço: 36 dólares cada um.
Como disse, o mundo dos vinhos pode ser muito divertido. Acho que é mais fácil recebermos um sorriso quando sorrimos para alguém, como diz o ditado. No caso, vamos sorrir juntos.
E se você encontrou alguma nota divertida sobre vinhos ou quaisquer outras bebidas, mande-a para o Bolsa de Mulher ou para a coluna da Soninha (adegaebar@adegaebar.com.br). Vamos continuar nos informando e nos divertindo.
