Algumas companheiras leram a matéria “Dietas: o vinho fica ou sai?”, publicada há duas semanas, e acho que não se convenceram de que o vinho não engorda. O argumento delas até que faz sentido e, como vamos ver, é um tanto generalizado.
Dizem elas que, se consideramos apenas o vinho, tudo bem. Se ele não contém gordura, não engorda. Mas acontece que no nosso cotidiano tomamos café, pela manhã, comemos ovos e bife no almoço, gastamos mais horas no trabalho do que fazendo exercícios e terminamos o dia tomando um ou dois drinques. Acham que esse último ato de nosso dia-a-dia é o problema, a gota que faltava para nossos maus hábitos. Elas estão vivendo aquele inferno das dietas, contando calorias, vigiando o peso, lembrando dos conselhos, infinitamente repetidos pelo médico a respeito do nosso colesterol e peso. Não é nada fácil.
Kristen Fletcher assinou um artigo na revista Forbes a respeito de bons e maus hábitos de saúde e pergunta se, para melhorar nossa saúde, precisamos viver só de alface e grãos de trigo. A verdade vai até espantar essas minhas leitoras: alguns desses “maus hábitos” (ou indulgências, como prefere Kristen), como álcool, comidas gordurosas e cafeína, podem até prolongar suas vidas. Surpresas?
Aquele café pela manhã, mais um ou dois cafezinhos no trabalho não só melhoram nossa concentração como ajudam a prevenir a formação de pedras nos rins e reduzir o risco de câncer no cólon. Uma das bíblias dos médicos norte-americanos, “The Journal of the American Medical Association”, publicou em 2000 um estudo afirmando que quem toma café tem menos chances de desenvolver o mal de Parkinson. Agora, como lembramos no nosso artigo, mencionado acima: o segredo de tudo é a moderação. Café demais pode resultar em problemas de sono e deixar-nos agitados, nervosos.
As surpresas não param por aí. Há gorduras e há gorduras. E nem todas são más. O professor de medicina e nutrição da John Hopkins Bloomberg School of Public Health, Dr. Lawrence Cheskin, não tem dúvidas de que algumas gorduras atuam para nos proteger. São elas que no final das contas vão nos dar a sensação de saciedade. Sem elas, não pararíamos de comer. Um outro estudo, da Universidade de Harvard, de 2001, descobriu que acrescentando gordura a dietas de baixa caloria ajuda na perda de peso. A Associação Americana do Coração até recomenda que cerca de 30% de nossas calorias venham de alimentos gordurosos. Temos ou não temos espaço para esses tais “maus hábitos”?
O segredo é limitarmos as gorduras saturadas que consumimos através de laticínios, carnes mais gordurosas e biscoitos, doces e petiscos em geral. Devemos consumir mais as gorduras não saturadas, aquelas encontradas no azeite, peixes e nozes, castanhas etc.
Por fim, voltamos às bebidas. Vou repetir o que a imprensa mundial vem divulgando desde 1980 (e que não canso de publicar nesse espaço). Ao bebermos moderadamente vamos reduzir os níveis de colesterol, as chances de tumores cancerosos do cólon, o risco de doenças cardiovasculares. Vamos aumentar as defesas contra a senilidade e o mal de Alzheimer. Tudo isso está mais do que demonstrado por numerosas pesquisas, realizadas pelos mais renomados centros médicos e científicos do mundo.
Agora mesmo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos publicou um estudo demonstrando que a diabete do tipo 2, uma doença que toda a mulher após a menopausa corre o risco de adquirir, pode ser reduzida através do consumo moderado de álcool.
São as tais duas taças diárias de vinho, que, além de todas as alegrias de sabor e aroma que oferecem, melhoram a concentração de insulina e de triglicerídeos do nosso corpo. Ele responderá melhor ao hormônio que ajuda as células a usar glicose para nos fornecer energia.
Os que bebem moderadamente (ou seja: essas mesmas duas taças de vinho) tem de 30 a 35% menos chance de um ataque cardíaco do que os abstêmios. Isso mesmo: não beber nada, nadinha, pode resultar em encrencas.
Agora mesmo, pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Tulane descobriram que se consumirmos bebidas alcoólicas, sempre com moderação, reduziremos o perigo de um ataque cardíaco em 30%. Mas o nosso citado Kristen lembra bem que se bebermos demais o risco não será ainda mais reduzido. Insistimos: moderação é o nome do jogo.
Nem todas as gorduras foram criadas iguais. São diferentes da humanidade. Se consumirmos as não saturadas reduziremos os níveis de colesterol e o risco de doenças cardíacas. O mesmo acontece com as bebidas alcoólicas, como vimos. Se abusarmos não só correremos riscos de acidentes como vamos danificar nossos fígados e corações (isso sem contar com o papel de palhaço nas festinhas).
A saída para essas “indulgências” não está apenas nos exercícios. Se o nosso objetivo é conseguir melhorar a saúde e finalmente colocar aquela saia comprada ano passado, devemos desistir de praticar esportes com o objetivo de correr a próxima maratona. Isso é coisa de profissionais.
Algumas atividades físicas, feitas com regularidade, já é o bastante. Basta você dar uma caminhada, usar mais a escada do seu prédio e passar longe da loja de doces.
É o tipo de atividade que, não apenas nos ajuda a perder calorias, ganhar mais fôlego etc., como a também a administrar as tensões. Até mesmo elas podem ajudar nosso corpo e cabeça a preparar-se para os desafios do cotidiano. As tensões só são negativas quando constantes e não episódicas. Portanto, não vamos nos estressar sobre o estresse diário. Vamos tocar nossas vidas praticando alguns maus hábitos, sem esquecer da nossa esperada happy hour.
Se quiser saber mais sobre álcool (sobretudo vinho) e saúde clique aqui para o Bolsa ou para a coluna da Soninha (adegaebar@adegaebar.com.br).
