Leitora quer saber o que é vinho kosher. Leitora quer conseguir um Disco do Aroma. Leitora pergunta como é feito o champagne rosé. Leitora experimentou um Sancerre branco e quer saber se essa uva só existe na França.
Vinho Kosher
A leitora pode ter lido a matéria sobre vinhos usados na Páscoa cristã e na judaica. Ou alguma notícia sobre a Páscoa dos judeus, celebrada neste 16 de abril. Nessas celebrações, os judeus observam uma dieta rigorosa, com leis rígidas para a preparação e consumo de alimentos e bebidas. E só tomam vinhos “kosher”.
“Kosher” é um termo ídiche derivado de uma palavra hebraica que designa “correto” ou “apropriado”. Ao aplicarmos a palavra ao vinho, significa que ele foi produzido de acordo com as leis religiosas judaicas, seguindo regras rígidas de preparo sob a supervisão de um rabino.
Para que seja kosher, todo o equipamento deve ser rigorosamente limpo e utilizado exclusivamente para produzir esse tipo de vinho. Somente fermento e agentes de refinamento kosher são usados. E apenas judeus podem manusear as uvas, manejar o equipamento, participar da prensagem, enfim de todo o processo – inclusive servir o vinho. Logo, é um vinho fermentado como outro qualquer, mas somente pode ser feito e tocado por judeus.
A Páscoa judaica é um evento de oito dias que comemora a libertação e a retirada dos escravos judeus do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, há mais de dois mil anos. É um tempo festivo, de reuniões familiares, grandes refeições (chamadas de Seders), durante as quais a história dessa passagem é recontada. A primeira noite dessa Páscoa começou dia 16 de abril.
Disco do Aroma
É uma forma gráfica criada para auxiliar no processo de degustação dos vinhos, em particular quanto aos seus aromas. Descrever os aromas dos vinhos pode ser tudo, menos fácil. Você lê dois críticos escrevendo sobre um mesmo vinho e verifica que dificilmente utilizam as mesmas expressões para descrever os aromas da bebida. Usam um vocabulário muito pessoal, muitas vezes pedante; uma terminologia complicada, incompreensível que vem desafiando e enfurecendo leitores e amantes do vinho há muito tempo.
E, contudo, naquela taça encontraremos sempre uma incrível e surpreendente complexidade de aromas e sabores formados apenas por simples uvas e fermento, permitindo excepcionalmente sabores adicionais originários do barril de carvalho. São milhares de aromas que, em grande parte, não guardam qualquer semelhança com uvas ou até mesmo com frutos.
Já li comentários descrevendo grandes Borgonhas como apresentando aromas de estábulo. Isso mesmo: você logo vai lembrar de bosta e urina de vaca. Outros falam de um vinho com aroma de casca de árvore ou de “solo de floresta”. Sobre a Sauvignon Blanc neozelandesa, li que seu aroma evoca xixi de gato – e olha que isso é escrito como um elogio!
Já anotamos nessas críticas aromas inesperados, como “de carro novo”, de “manteiga de amendoim”, “aspirina”, “suor de sela de cavalo”, “de enfermaria” – e vai por aí. O mais famoso (e tido como o mais importante) crítico de vinhos do mundo, Robert M. Parker Jr, utiliza-se com freqüência de metáforas. Uma delas ficou famosa, quando descreveu um Bordeaux 2000 como “um arranha-céu na boca”.
Para orientar estudiosos e amantes do vinho – e até mesmo profissionais, a enóloga e professora Ann Noble, da Universidade da Califórnia, em Davis, criou em 1984 “The Aroma Wheel” (O Disco do Aroma), uma forma gráfica simples para categorizar as palavras mais comumente utilizadas na definição dos vinhos.
O disco tem quatro objetivos:
1) identificar os aromas mais comuns encontrados nos vinhos;
2) reunir as expressões mais utilizadas na degustação ou na avaliação da bebida;
3) agrupar esses termos de acordo com suas similitudes;
4) apresentá-los de modo a que sejam facilmente entendidos.
Todos os termos são analíticos. No disco não encontraremos qualquer indício de julgamento. “Floral” é uma das expressões descritivas, por exemplo. No disco não encontraremos termos como “elegante”, muito utilizado, mas que é impreciso e carregado de opinião.
Ler o Disco do Aroma é fácil. Os termos mais gerais, que organizam os aromas a partir de 11 divisões de aromas básicos, estão localizados no centro do disco. As expressões mais específicas ficam nas bordas. Essas 11 divisões centrais, de onde parte tudo, são: “Fruta”, “Condimento”, “Floral”, “Biológico”, “Oxidado”, “Químico”, “Básico”, “Madeira”, “Caramelo”, “Noz” (castanha, amêndoa) e “Vegetal”.
Vejam que para fruta há apenas uma divisão. Logo, mesmo vindo de um fruto, a uva, os vinhos podem ser muito mais complexos e variados, quanto aos seus aromas (e sabores).
Se você quiser um desses discos entre em contato com a Universidade da Califórnia ou com a Professora Noble, diretamente. Custa 29 dólares.
Dept. Viticulture and Enology
University of California
Davis, CA 95616
Phone: (530) 752-0387, FAX: (530) 752-0382,
Email: acnoble@ucdavis.edu
Sancerre
Leitora, Sancerre é um vinho e não uma uva. Ele é feito na região do mesmo nome, no Vale do Loire, França, país onde a lei reza que os vinhos do país devem ser nomeados pela região de origem e não pela uva ou uvas dos quais são feitos. Nos Estados Unidos, Austrália, Chile, Argentina, Nova Zelândia, entre outros países, o mais comum é nomearmos os vinhos pelas suas uvas.
O Vale do Loire é mais conhecido pelos seus deliciosos vinhos brancos leves e secos feitos com a uva Sauvignon Blanc. Mas a região também produz um Sancerre tinto e um rosé, ambos feitos com a uva Pinot Noir, a mesma utilizada na região da Borgonha.
Champagne Rosé
O espumante tradicionalmente foi criado deixando o suco das uvas tintas (Pinot Noir e Pinot Meunier) ficarem um curto tempo em contato com as cascas – e assim pegando um pouco da sua cor, no caso o rosado.
Mas é um método difícil de controlar com precisão a cor final do vinho. Hoje, os produtores cada vez mais preferem adicionar um pouco de vinho tinto ao branco antes do engarrafamento, método mais seguro quanto à definição da cor final do vinho. Agora, o rosé continua como champagne preferido pelos namorados de todo o mundo.
Pois vocês viram: as leitoras pedem tudo, querem tudo. Mas a verdade é que eu é que fico prosa. Obrigada, amigas, pela atenção. Para continuar pedindo e perguntando é só clicar aqui para o Bolsa ou para a Soninha no adegaebar@adegaebar.com.br.
