» 2002 » dezembroSoniaMelier

Boa sorte!

by soniamelier em 19 de dezembro de 2002 | 21:00

Pensaram que a Sônia aqui ia esquecer do presentinho para seu Natal ou Réveillon? Nada disso!

Se vocês lerem com atenção essa coluna e responderem corretamente às perguntinhas abaixo (emails devem ser enviados para soniamelier@bolsademulher.com) já estão na bica de ganhar três vinhaços trazidos pela importadora Impexco. As respostas certas vão ser sorteadas aqui no Bolsa e quem ganhar leva as três preciosidades. Vamos anunciar a vencedora (ou o vencedor) no dia 03 de janeiro, aqui, na própria coluna. Depois, é só pegar o vinho na sede da Bolsa de Mulher e fazer a festa. Aliás, é exatamente por isso que a promoção é válida apenas para as usuárias residentes no município do Rio de Janeiro.

Então, vamos lá:

1. Numa de minhas colunas mais recentes falo de uma novela, ainda no ar, em horário nobre, com atores falando italianês, portunhol, portuguídiche e até caipirês. Tem nela um ator-cantor que segura a taça de vinho levantando os dedinhos. Argh! Qual o nome dessa novela?

2. Noutra coluna, debatemos sobre duas perguntas muito freqüentes. A primeira é “O que é A.O.C?” E a segunda: “O que é appellation d’origine?” Qual a diferença entre uma e outra?

3. Faz pouco, escrevi uma matéria só sobre licores e lá explicava origem da palavra. De onde vem “licor”?

4. Semana passada, escrevi sobre o “Guia do Vinho Brasileiro – 2002/2003″. Que entidade ligada ao vinho produziu e lançou esse importante Guia?

5. Em meados de novembro, divulgamos a campanha “Viva a França em cada taça”. Explicamos que a campanha tinha como motivo uma reação dos vinicultores franceses contra a competição de vinhos de outras regiões. Qual a principal área competitiva: o Novo Mundo, a Austrália, a Nova Zelândia, os Estados Unidos, Chile, Argentina? Ou todos eles?

6. Na matéria “Moderação, eis a questão”, discutia o que possa ser, finalmente, beber moderadamente. Lá, informava que, na Inglaterra, uma unidade de álcool seria uma tulipa de cerveja, uma tacinha de Jerez, uma taça de vinho. Já uma dose de uísque puro ou de vodca pura eqüivaleria a uma unidade e meia. Quanto, em termos de gramas de álcool, eqüivale uma unidade na Inglaterra?

7. Na resposta que dei à estudante Andréa Leite, a respeito de discriminação e preconceito atrapalhando a relação das mulheres com o vinho, tinha lá que nos Estados Unidos as mulheres são responsáveis pela compra de X a Y% de todos os produtos e por Z% de todos os vinhos. Quanto é X, Y e Z?

8. Na bica das eleições, falei do vinho oferecido a Lula pelo seu vitorioso assessor de comunicação, o publicitário Duda Mendonça. Que vinho é esse?

9. Na mesma matéria, revelei ainda o vinho que diariamente toma o então assessor de Serra, o publicitário Nizan Guanaes. Que vinho é esse?

10. No artigo sobre abuso de álcool (“Brand, James Brand”) informei que uma nova marca de vodca ocupou o lugar que, desde 1962, com o filme “Dr. No”, era da Smirnoff, nos filmes de James Bond. No novo filme, “Die Another Day”, 007 (Pierce Brosnan) entra num bar e pede o seu coquetel preferido, uma Vodka Martini (“sacudida e não mexida”), sem se referir à marca da bebida. Só que o bar é todo decorado com as garrafas dessa nova marca. Qual é ela?

11. Nessa mesma coluna, revelava que Humphrey Bogart ganhou um Oscar de melhor ator com o filme “The African Queen” (“Uma Aventura na África”), o único que recebeu em sua carreira. Humphrey Borgart interpreta o bêbado capitão Charlie Allnut, do dilapidado African Queen, o pequeno vapor que foge dos alemães por rios africanos durante a Primeira Guerra. E entre uma fala e outra, para desespero da religiosa e austera Rose Sayer (Katherine Hepburn, indicada para o Oscar de melhor atriz nesse filme), entorna direto do gargalo goles e mais goles de uma marca de gim. Que marca é essa?

12. Continuando nessa mesma coluna, você vai lembrar que falei que, em 1961, houve um filme de grande sucesso onde temos publicidade aberta, sem pudores de parecer mensagem comercial. O filme foi dirigido pelo francês Claude Lelouch e estrela Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant. Que filme é esse – que até ganhou uma palma de ouro no festival de Cannes?

13. Qual o carro e a bebida que aparecem tanto quanto os atores nessa fita?

14. Ainda em outra coluna, tentei elucidar os mais comuns equívocos que cometemos sobre os vinhos. Tiramos dela as perguntas finais desse nosso concurso: O que é um château?

15. É verdade que todos os vinhos tintos melhoram com a decantação?

16. O que é a chamada “doença da rolha”?

17. O champagne mais seco é o Brut ou o Brut Zero?

18. Uma boa safra em Bordeaux é também boa na Borgonha?

19. Cabernet Sauvignon é a única uva dos vinhos tintos de Bordeaux?

20. Onde mora Sônia Melier: em Petrópolis, Itaipava ou Secretário?

Os prêmios

Os vinhos serão oferecidos pela importadora Impexco, que conta em sua adega com todas as opções de estilos e de tipicidade dos principais vinhos do mundo. As melhores apelações, como Margaux, Saint-Émillion, Graves e Pauillac estão lá. Os grandes vinhos da Califórnia, EUA, como os da vinícola Far Niente também. E ainda os reputadíssimos vinhos da família Pizzato, do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul. O melhor Merlot nacional é o Pizzato, que agora acaba se lançar o seu Cabernet Sauvignon, considerado mais uma grande obra de Ivo Pizzato, o enólogo-relevelação brasileiro.

Serão três grandes vinhos trazidos com o carinho e o rigor de sempre da Impexco. Vale visitar o seu site (http://www.impexco.com.br). Vocês vão saber na hora o que é cuidado e qualidade com vinhos importados.

Regras do concurso

As respostas estão todas em colunas passadas da Soninha.

1. Você só precisa acertar 50% das perguntas (apenas 10, entre as 20).
2. Todas as respostas estão, como já dissemos, em colunas passadas. Basta você clicar para acertar.
3. As respostas certas (quem acertar 50% das perguntas) serão sorteadas e o resultado será publicado no dia 03 de janeiro de 2003.
4. Você apanha os vinhos na sede do Bolsa e ainda toma um cafezinho com a turma.
5. Só poderão participar usuárias residentes no município do Rio de Janeiro.

Responda logo! Em caso de dúvidas, clique para o Bolsa ou para o Adega & Bar (http://www.adegaebar.com.br/). E boa sorte!

Não saia de casa sem ele

by soniamelier em 12 de dezembro de 2002 | 21:00

Se você chegou até o Bolsa de Mulher, é porque certamente tem bom gosto. Logo vai incluir o vinho entre seus presentes de Natal. Uma atitude sábia e de resultados pra lá de garantidos. O problema de sempre é saber quais vinhos comprar. Mas não é que a Associação Brasileira de Sommeliers, São Paulo, resolveu esse grande problema para nós? Nesse Natal, não saia de casa sem antes dar uma passadinha pelo site da ABS/SP (http://www.abs-sp.com.br) e consultar o seu excelente “Guia do Vinho Brasileiro – 2002/2003″.

Foi feito com base em degustações severamente controladas, realizadas no 1º semestre de 2002, a partir de amostras compradas no varejo de Bento Gonçalves, Farroupilha, Garibaldi, Caxias do Sul e em lojas de SP. O corpo de degustadores trabalhou com cinco níveis de notas. Abaixo de 50 pontos, vinhos mal elaborados; entre 70 e 79, vinhos honestos, sem defeitos; entre 80 e 89, vinhos bons, mas podendo chegar a muito bons (85 a 89). Entre 90 e 100 pontos, vinhos raros, potentes, elegantes, complexos, o melhor dentro de um estilo.

A safra de 97 foi difícil em razão das chuvas, da umidade e da baixa insolação. Melhor aqui para as uvas de maturação precoce: Chardonnay, Gewürztraminer e Pinot Noir. Em 98, tivemos também complicações (como também o Chile e a Argentina) resultantes do El Niño, com chuvas acima do normal. Já 1999 registrou uma das melhores safras da década, com poucas chuvas, mais o tempo seco e ensolarado, favorecendo a floração e o desenvolvimento do fruto. Em 2000 a safra favoreceu as uvas de maturação intermediária (como a Merlot), num período de baixa precipitação e com dias ensolarados. Com um inverno mais intenso e mais duradouro, a safra de 2001 beneficiou mais as uvas de maturação tardia, como a Cabernet Sauvignon. A safra de 2002 foi muito boa, com inverno menor e temperaturas mais elevadas na colheita, dando mais força às uvas de maturação precoce (Chardonnay etc.).

Destaques. O “Guia do Vinho Brasileiro – 2002/2003″ é bastante farto e variado. Vamos tentar oferecer um resumo dos seus destaques.

Chardonnay. Compre os vinhos dessa varietal a partir da safra de 1999, recomenda o Guia. A partir daquele ano houve melhora no manuseio da uva, que também recebeu melhor tratamento durante a vinificação, com dosagem correta do carvalho, evitando disfarçar defeitos e expondo melhor o sabor da varietal.

Os vinhos com melhor pontuação foram:

Reserva Miolo Chardonnay 99, com 77,54 pontos, foi considerado pelos degustadores como “talvez o vinho que melhor represente a expressão da Chardonnay no Brasil, com cor amarelo-ouro intensa e agradáveis aromas de frutas tropicais maduras…”.

Reserva Boscato Chardonnay 2000, com 77,35 pontos, “com aromas de frutas maduras, carvalho tostado, anis e manteiga”.

Casa Valduga Excellence Gran Reserva 2001, com 76,9 pontos, belo amarelo-ouro, boa intensidade, intensos aromas de frutas maduras e corpo médio, informa o Guia.

Salton Classic Chardonnay 99, com 76 pontos, “um vinho bem elaborado, de veemente amarelo palha … e intensos aromas de frutas tropicais…”.

Assemblage Brancos. O Guia achou essa categoria com baixo desempenho e com vinhos pouco interessantes para o consumidor. Os vinhos melhores pontuados aqui foram:

Amadeu Selectus, com aromas de baunilha, elevada acidez e alto teor alcoólico. Teve 75,7 pontos.

Miolo Seleção Branco. Com corpo médio, aromas de baunilha, coco, gengibre e especiarias. Nota: 73,4.

Gewürztraminer. Uva bem adaptada ao Brasil, com vinhos de menor corpo e menor teor alcoólico – o que, lembra o Guia, “acaba sendo uma vantagem, tornando-os mais apropriados ao nosso clima”. Os vinhos relevantes são:

Salton Classic 1999, com um amarelo palha, aromas típico dessa uva, lembrando rosas e lichia. Bom corpo, certo predomínio do álcool sobre a acidez. 78,1 pontos.

Salton Classic 2000. Aromas de rosas e lichia, corpo médio: 77,4 pontos.

Aurora Gewürztraminer Varietal 2001. Aromas típicos, corpo leve, agradável retro-olfato. Conseguiu 73,9 pontos.

Riesling. O Guia considera que “com raras exceções, os vinhos desta varietal pecam por falta de concentração e de mais caráter”. Acha que a Riesling no Brasil é mais adequada para espumantes. Destaques:

Navarro Correa Riesling 2000. Aromas de maçãs, corpo leve e equilibrado: 74,2 pontos.

Clos de Nobles Riesling 2001. Aroma floral com toque de baunilha. Corpo leve e boa acidez: 73,8 pontos.

Sauvignon Blanc. Categoria que não tem ainda, no Brasil, expressão que chegue perto da verdadeira personalidade dessa uva. Os melhores pontuados foram:

Salton Classic Sauvignon Blanc 2001. Cor de ouro velho, aromas com toques de baunilha e coco e corpo médio. Ganhou 76,1 pontos.

Casa Valduga Gran Reserva Sauvignon Blanc 2001. Cor esverdeada, aromas herbáceos, corpo médio, equilibrado: 75,6 pontos.

Reserva Miolo Sauvignon Blanc 2000, com  71,31 pontos. “Pouca fruta e aromas de manteiga num vinho de pouca acidez, amargor e pouca persistência”.

Malvasia. É nome de uma variedade branca muito antiga, originária da Grécia e hoje utilizada especialmente na Espanha e na Itália. Na Europa, produz vinhos com alto teor alcoólico e, com freqüência, açúcar residual. A Malvasia di Cândia é também uma uva histórica, mas distinta das subvariedades da Malvasia. Começa a ganhar força, mais uma vez, nos vinhedos da ilha da Madeira, quando era a variedade utilizada para produzir o Malmsey. A Malvasia, em qualquer de suas versões, não produziu nada de interessante. Os vinhos melhores pontuados foram:

Valmarino Malvasia Bianca 2001, com 74,7 pontos. Aromas florais e herbáceos, corpo leve, predomínio do álcool.

Don Laurindo Malvasia de Cândia 2001, com 73,7. Equilibrado, aromas herbáceos, corpo médio.

Chenin Blanc. Originária da França, a Chenin é talvez a mais versátil uva do mundo, capaz de produzir ótimos vinhos doces e servir como vinho de mesa entre outras possibilidades. Destaque para:

Botticelli Chenin Blanc 1999. Aromas florais e frutados, corpo leve, muito refrescante: 73,9 pontos.

Sémillon. Uva originária do sudoeste francês, tradicional parceira da Sauvignon Blanc nos brancos daquele país, produziu apenas um vinho de destaque aqui: o Versec Pompéia Sémillon 1999, com 67,46 pontos.

Trebbiano. Conhecida também como Ugni Blanc e a mais plantada uva branca da Itália, no Brasil produziu poucos vinhos de interesse:
Monte Lemos “Do Lugar” Trebbiano 2001. Aromas de frutas secas, corpo médio: 71,5 pontos.

Dal Pizzol “Do Lugar” Trebbiano 2000, com 71,15 pontos.

Vinhos Doces (Licorosos). O Guia destaca o esforço de se começar a produzir esse estilo de vinhos no Brasil (e em alta em todo o mundo). Sobressaíram-se aqui:

Terranova Late Harvest 2000. Aromas intensos de frutas secas, caramelo e coco queimado. Macio, com o álcool e o açúcar predominando sobre a acidez: 76,5.

Casa Cordelier. Aromas típicos da Moscatel, com notas florais. Bom equilíbrio entre álcool e açúcar: 76,2 pontos.

Aurora Ratskeller 1999. Com doçura média, boa acidez e bom corpo. Aroma discreto de frutas maduras. Nota: 75,65.

Miolo Terranova Late Harvest 2000. Feito a partir da Moscatel, mas com pouca doçura, acidez média, maciez e aromas cítricos. Nota: 75,38.

Cabernet Sauvignon. Informa o Guia que a tradicional Cabernet Sauvignon não repetiu este ano a mesma atuação registrada no Guia de 2001. Acha que os vinhos da safra de 1999 são “ainda muito superiores”. Destaques:

Gran Reserva Marson Cabernet Sauvignon 1999. É considerado o melhor Cabernet Sauvignon do ano, com uma bela cor rubi, aromas de frutas escuras e maduras, elevada acidez, bom corpo, com taninos ainda presentes e muito macio. “Um vinho bastante representativo da varietal, mostrando o potencial da uva quando colhida em condições adequadas de maturidade…” Ganhou 78,9 pontos.

Pizzato Cabernet Sauvignon 2000. Mais um bom vinho da excelente Vinícola Pizzato. Rubi de boa intensidade, aromas de frutas escuras maduras, com notas de chocolate. Boa acidez, bom corpo, boa concentração de frutas e com taninos médios. “Um bom trabalho do enólogo na vinificação”, arremata o Guia. Pontos: 77,7.

Miolo Reserva Cabernet Sauvignon 1999. Belo exemplar da uva, com uma cor granada, aromas de geléia de framboesa e morango. Boa acidez, álcool elevado, bom corpo, maciez e taninos médios: 77,6 pontos.

Boscato Cabernet Sauvignon 1999. Empatou com o Miolo: 77,6 pontos. Cor púrpura, aromas frutados, acidez média, corpo leve, taninos médios ainda presentes.

Merlot. A Merlot, uva tinta que está na moda, mostrou em 2002 um desempenho melhor do que em 2001, segundo o Guia, que informa ainda que “a safra de 2002 foi excepcional para a Merlot e poderemos ter surpresas muito agradáveis num futuro próximo”. Atenção para:

Marco Luigi Merlot 1999. “Um belíssimo exemplar desta prestigiada uva”. Cor de um intenso rubi, aromas muito interessantes de frutas escuras maduras, notas florais e toques de coco e chocolate. Boa maciez e sensação de doçura, além de uma refrescante acidez e taninos muito finos e maduros. Ganhou 81,4 pontos.

Pizzato Merlot 1999. A Vinícola Pizzato foi inaugurada em 1998 e virou um mito. Seus Merlots estão virando itens de colecionador. Vem com cor rubi, aroma intenso de frutas escuras e um toque de chocolate. Acidez e álcool equilibrados, taninos ainda presentes. Conseguiu 80,3 pontos.

Miolo Merlot Reserva 1999. Cor rubi de boa intensidade, aromas com toques de ervas e toques de chocolate. Acidez e taninos médios. Nota: 77,3.

Shiraz. É uva tinta original do Vale do Ródano, França, mas que aqui está sendo produzida no Vale do São Francisco, no nordeste. Mas, acha o Guia, “este ano ficou devendo”, pois as duas únicas amostras “mostraram um preocupante amargor final que coloca em dúvida o potencial de qualidade desta uva plantada numa região pouco adequada para o cultivo de uvas viníferas, com a honrosa exceção da Moscatel”. Não temos dúvidas em endossar essa posição. No Vale, só mesmo uvas de sobremesa. Temos, então:

Lovara Shiraz 2000. Aromas muito agradáveis, com frutas escuras maduras. Macio, com taninos médios: 76,2.

Terranova Shiraz 2001. Aromas de frutas escuras maduras e de especiaria, corpo médio e boa acidez. Intenso amargor final: 75,2.

Ancellotta. Uma novidade no mercado, uma uva tinta de origem italiana (vem da Emilia-Romagna e do Lambrusco), a Ancellotta é valorizada pela sua cor profunda e utilizada em blendings. Destaque:

Don Laurindo Ancelotta 2000. Na boca é muito potente, com acidez e álcool muito elevados, bem como seus taninos, de qualidade média: 73,1 pontos.

Tannat. O Guia lembra que essa uva foi a melhor surpresa nas degustações de 2001. Originária do Madiran, no sudoeste da França, esta potente uva, muito escura, sentiu os efeitos do clima desfavorável em 2000. Contudo, a varietal, diz o Guia, tem bom potencial para se desenvolver no Brasil. Atenção para:
Salton Classic Tannat 2000. Com intensa cor violácea e bons aromas de frutas escuras: 77,5 pontos.

Pinot Noir. Uma uva difícil, como mostras de não se aclimatar por aqui, pelo menos até o momento. Já não é fácil lidar com ela na Borgonha, sua terra natal. O Guia acha que seu destino, como a Riesling, deve ser na produção de espumantes. A ser notado:

Miolo Reserva Pinot Noir 2001. Cor granada, com aromas de frutas e especiarias. Acidez adequada e taninos de média qualidade: 77,9 pontos.

Gamay. A popular uva originária de Beaujolais apresentou apenas um único destaque:
Don Laurindo Gamay 2001. Com intenso rubi, aromas de frutas, boa acidez e corpo leve: 72,5.

Espumantes – Secos. Os “brut” brasileiros aparecem em posição inferior à conseguida em 2001, talvez em razão das safras de 2000 e 2001. Atenção para:

Chandon Excellence Brut Reserva. O Guia o considera o melhor espumante brasileiro, com espuma adequada e bolhas pequenas, aromas de leveduras e ervas frescas, fino e elegante: 79,6 pontos.

Don Giovanni Branco Brut 1997. Cor de ouro velho, um “belo espumante”, com aromas de frutas em compota, boa acidez e bom corpo: 77,9.

Prosecco. Essa varietal italiana está indo muito bem no Brasil. Atenção para:

Prosecco Salton Brut 2002. O Guia o considera um “notável exemplar desta varietal”, com cor esverdeada, boa perlagem e aromas de frutas frescas. Ganhou uma senhora nota: 80 pontos.

Nas próximas colunas estaremos dando dicas de bons locais de compras, destes e de outros vinhos. Qualquer dúvida quanto ao Guia de Vinhos da ABS/SP é só clicar para o Bolsa ou para o Adega & Bar (http://www.adegaebar.com.br/).

Cáspite & caramba!

by soniamelier em 5 de dezembro de 2002 | 21:00

Cáspite. Aqui pertinho de casa, em Secretário, na Serra, tem uma padaria, que você também poderia chamar de vendinha, mercearia, açougue, armazém, botequim, mini-farmácia, armarinho, ponto de ônibus, ponto de encontro, balcão de negócios etc. Tem de tudo. Casas assim quebram qualquer galho, tanto materialmente quanto psicologicamente – pois você não chega e sai com as compras, secamente. Tem que ter um papo. Falar da vida, da casa, dos cachorros, das galinhas. Dos vizinhos. São melhores que supermercados, pois ainda trabalham na base do caderninho de compras. O pessoal vai lá, compra e paga no fim do mês. Vale o que está anotado no caderninho. E paga com cheque de segundos, terceiros, quartos, quintos e vai por aí. Leva uns seis meses para bater na conta.

Essa minha padaria colocou, para grande emoção de todos, uma televisão num canto do teto como chamariz para seus fregueses durante a Copa do Mundo. A TV ainda está lá funcionando. Continua atraindo fregueses. Outro dia, passei por lá à noite e passava aquela novela em que cada um fala uma língua parecida com a nossa, mas cujo resultado final é um tatibitate muito engraçado. Mais engraçado ainda pela seriedade com que os atores tentam caprichar no italianês, no portunhol, no portuguídiche e até no caipirês.

O pessoal do caipirês é pobre, bebe café em canecas de metal, só come na cozinha, de colher, e usa chapéu de palha. Já a turma dos ricos toma vinho, faz refeições em salões muito bem decorados, em mesa fartas entupidas de copos e garrafas de cristal etc. Ah, e usa guardanapos.

Mas foi então que vi, nesse grupo, dois personagens tomando vinho. Um deles, recém-chegado do exterior, falava que esteve nos Estados Unidos quando aconteceu a grande quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. Disse algo como: “Foi um problema!” (O equivalente, em minha opinião, a alguém que comente a explosão da bomba atômica em Hiroshima como “um senhor estrondo”.) Depois, esteve em vários países da Europa, fixando-se finalmente na Alemanha. Aí, já estaríamos em 1930, quando o partido nazista é o segundo maior da Alemanha e Hitler está na beira de tornar-se ditador. Como judeu, o nosso personagem fez algum comentário especial, mesmo que idiota? Nenhum.

Segurava seu copo pelo corpo do mesmo, como quem agarra um microfone. A moça da venda explicou que o ator é cantor. Mas e os dedinhos? Como ela poderia explicar o médio, o anelar e o mínimo levantados, batendo asas, como quem segura uma chávena mas não sabe tomar chá? Porque levantar os dedinhos (melhor: dedões, pois é ator-cantor taludo; o que sobrava de dedos mais a palma de sua mão escondiam completamente o corpo do copo)?

A dona da vendinha ficou me olhando e arriscou: é porque beber vinho é chique. Logo, tem de ser com os dedinhos levantados.

Então, está certo. Não vou me meter a falar de etiqueta e de como degustar vinho nessas situações, até porque a minha cisma é com os tais dedinhos levantados. O interessante é que o ator que contracenava com o recém-chegado (este é apenas ator; não é cantor, nem modelo) segurava sua taça pela haste, como manda o figurino da apreciação de vinhos. Pensei que a coisa estava mesmo é no grau de informação sobre procedimentos, etiquetas, ou seja, o nível de informação ou educação que cada profissional traz para a cena. É quando a produção e direção da novela decidem se lixar para os dados de comportamento, para gestos, tiques e hábitos passados pelos atores.

Afinal, a emissora já tem um profissional, o Renato Machado (que até já foi ator), que vem apresentando uma bela série sobre vinhos franceses. E lá temos aulas e mais aulas sobre como degustar vinhos. Se depois de assistir dez minutinhos de programa vocês não souberem segurar um copo e degustar um vinho, podem desistir. Essa tarefa não é da novela, que, contudo, não deixa de divulgar o saudável hábito de beber vinho.

Mas poderiam fazer alguma coisa com aqueles dedinhos. Não é o caso do personagem dar uma aula de degustação. Afinal, ele estava batendo um papo com um amigo que não via há anos.

A degustação implica numa análise a mais fina possível dos aromas, cores e sabores do vinho. É um exame de nossos sentidos e, também, de nossos prazeres ao provar um vinho. É um momento tanto técnico como de hedonismo. Não é coisa para um bate-papo. O nosso ator-cantor estava recebendo um amigo e ofereceu um vinho. Estava em sociedade e não recolhido sobre uma taça examinando as qualidades organolépticas da bebida. Isso seria uma degustação. O jovem não estava também apreciando o vinho. Apreciar seria buscar o prazer que a bebida oferece, curtir o vinho, algo meio solitário, não apropriado para papos e festas. Os dois estavam mesmo é bebendo o vinho, tal como se bebe um refresco ou água.

Para degustar, é importante segurar o copo pela haste ou pela sua base. O melhor é segurar o copo pela haste, mais precisamente na metade da mesma, o ponto central entre o corpo e a base. Assim, a taça fica mais bem equilibrada. Seguramos desta forma para apropriadamente apreciar a cor, checar a limpidez e a transparência da bebida. Pela haste (ou pela base ou pé) giramos a taça para que os vapores se desloquem para as bordas. Assim, com o nariz um tanto enfiado na taça, podemos desfrutar melhor dos aromas da bebida. Não devemos segurar a taça pelo corpo para não aquecer o vinho, não alterar a temperatura correta em que deve ser bebido.

Dizem que isso é bobagem, quando se trata de beber apenas para bater um papo. Falam que o contato de nossos dedos influenciaria muito pouco a temperatura do vinho. Pode ser que seja verdade nos países de clima mais frio, lá pelo hemisfério norte. Mas aqui, todo o cuidado é pouco. Conseguimos colocar o vinho tinto lá pelos seus 18º C. A sala onde estamos bebendo está à “temperatura ambiente”. Digamos que pelos seus 20º C, com ar refrigerado. Lá fora, temos os 35-40º C de sempre. Se segurarmos o corpo do copo, a temperatura vai subir rapidamente, não tenha dúvidas. Logo, o melhor é segurar pela haste. Afinal, é para isso que ela foi criada.

Mas ninguém ali estava degustando ou apreciando. Estava bebendo, tal como qualquer uma de nós faria numa festa, num jantar. Ninguém, na cena que assisti, parecia ser um expert. Não era o caso.

Poderia também comentar sobre as taças de cristal ou de vidro transparentes – que são algo um tanto novo na história do vinho. Nos antigos Egito, Índia e Armênia o vinho era sugado de uma gamela ou de uma cuia ou um vasilhame qualquer proporcionado pela natureza, através de um canudo de junco. Copos, vasilhames, taças de vidro foram usados mais tarde. Mas o vidro era frágil demais e nem sempre disponível. Taças de vidro transparentes eram caríssimas até o século 18. A alternativa era a prata, usada para o vinho até o florescimento da indústria de vidro de Veneza, no século 16. Assim mesmo, usada só em momentos muito especiais. Os copos venezianos eram elegantes e coloridos e o monopólio dessa república foi quebrado pela Inglaterra de Elizabeth I, que se tornou o novo centro de produção.

Na maioria dos casos, as taças de vinho eram pequenas até o século 18. E não se costumava colocá-las sobre a mesa. Eram trazidas pelo copeiro para cada convidado, que tomava o vinho num par de goles, devolvendo a taça ao copeiro. Querendo mais, acenava para o criado.

Lá pelos meados do século 19, a moda era o serviço à russa, com copos e talheres na frente de cada convidado, cada qual se servindo sem o auxílio do copeiro. A novidade implicava na grande quantidade de taças. Havia até seis para vinhos diferentes, além de copos e lava-dedos (vasos para lavandas) na frente de cada convidado. E isso se mantém até hoje. Nesse período, assiste-se a um declínio das taças com desenhos elaborados. A decoração resultava de um trabalho de entalhe ou com ácidos em vários padrões. Já nessa época aparecem taças de tamanhos e formas diferentes para diferentes tipos de bebidas.

No século 20 temos um interesse crescente por antigüidades. Revivendo-se o chamado estilo georgiano – que copia a arquitetura e o design que floresceu durante os reinados dos reis ingleses George I, II e III, na Inglaterra (1700 a 1840, mais ou menos) –, os objetos e as casas eram decorados com peças clássicas gregas ou italianas do Renascimento. Lembram da “Tara”, a mansão de “O Vento Levou”? Ela era um modelo do estilo georgiano. Os famosos móveis Chippendale, tão em moda nos anos 50, representam um estilo criado pelo carpinteiro inglês Thomas Chippendale, um dos representantes dessa corrente.

As cores eram leves, os desenhos elegantes, sem os excessos barrocos. O verde estava na moda. As taças coloridas, elegantes, preferentemente nas cores verde e de um vermelho leve, foram às mesas.

As taças de cristal ou de vidro, absolutamente transparentes, em formatos próprios para cada tipo de vinho, são recentes, desenvolvidas a partir da II Guerra para cá. Essas são taças que, definitivamente, favorecem a completa apreciação do vinho pelo consumidor.

Logo, o que vemos lá na novela me parece dentro do contexto. As taças são coloridas, com entalhes, relevos, ainda lembrando o estilo georgiano. As de champanhe são, em sua maioria, aquelas taças chatas, dizem que baseadas no formato do seio de Maria Antonieta (pensa no porre que causaria uma taça feita a partir do seio da Feiticeira).

O meu problema continua sendo os dedinhos do ator-cantor, cáspite.

Caramba! Só para continuar falando de etiqueta e vinhos, o que vocês fariam no caso que passo a contar: no finalzinho de outubro, o presidente do Iran, Mohammed Khatami, fez a primeira visita de um chefe de estado daquele país à Espanha, desde a revolução islâmica em 1979. Como é de praxe, o rei Juan Carlos oferece um banquete em honra a dignitários em visita oficial à Espanha. O protocolo iraniano informou que o seu chefe de estado não sentaria à mesa espanhola se vinho fosse servido. Estava criado mais um caso diplomático, pois o rei Juan Carlos decidiu cancelar o banquete.

Na Espanha, vinho é servido em qualquer refeição oficial. Não só servido: faz parte do protocolo os espanhóis brindarem as delegações estrangeiras com uma taça de cava, o vinho espumante do país, antes de sentarem-se para comer. O protocolo do presidente Khatami alegou razões religiosas para recusar a comer numa mesa onde o álcool estivesse presente, particularmente o vinho. Mas o amor e o respeito dos espanhóis pelo vinho falou mais alto. Sem vinho, sem banquete.

O ministro do exterior espanhol explicou que o cancelamento evitou um conflito entre o protocolo dos dois países, bem como uma desonra para o costume espanhol de beber vinho. E estamos conversados.

O que você faria? Digamos que você é o Lula, e (como o FHC) aprecia uma branquinha. Ele convida o seu vice-presidente, que é evangélico (portanto, não bebe, acho eu). O Lula serve ou não serve o aperitivo?

Eu acho que em Roma, faça como os romanos. Se você está na casa dos outros, tudo o que lhe é oferecido vem do coração. Oferece-se aquilo que nos é mais caro, aquilo que aprovamos, que sabemos cultivar, que é da nossa cultura, dos nossos hábitos, a nossa identidade. Mais franco e honesto, impossível. Então, deixe oferecer. Se você vai comer ou beber é outra história. Você não é obrigada a nada. Se não gosta de beber, certamente haverá refrescos ou mesmo água.

A Espanha deve muito, mas muito mesmo à cultura árabe, cuja influência está presente até hoje na língua, arquitetura, costumes e gastronomia. Deixaram uma importante herança – até hoje um dos destaques da fortíssima indústria do turismo do país. E o vinho faz parte dessa cultura. Nos tempos da ocupação árabe, os dois povos o consumiam fartamente. E brindavam juntos, caramba!

O que importa é o encontro, a possibilidade do convívio, de prosear. Seja entre chefes de estado, reis e rainhas. Seja entre o povo que, como eu, não deixa de ir àquela vendinha de Secretário. Ou você não convidaria abstêmios e religiosos pra sua casa? Ou acha que o Lula deveria se converter? Repostas aqui pro Bolsa ou para o Adega & Bar (http://www.adegaebar.com.br/).



perfil

Espaço para as mulheres que apreciam um bom vinho – e para as que querem entender melhor sobre esse universo