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Drinques e dietas

by soniamelier em 28 de fevereiro de 2002 | 21:00

Como sempre, depois do carnaval você pensa em fazer aquela dieta anual – com as bebidas alcoólicas entre os primeiros itens a serem eliminados. Mas o calor está aí mesmo e é difícil passar sem um ou dois drinques, não é mesmo? Acho que você não precisa ser nenhuma masoquista na sua dieta se não perder de vista o que e quanto está bebendo.

Consegui uma lista publicada há tempos pelo Evening Standard, de Londres, que fornece as calorias de uma série de drinques. É por ela que ficamos sabendo que uma taça de vinho (148 ml ou mais ou menos 10 colheres das de sopa) tem 100 calorias.

Tudo bem, mas o que são 100 calorias?

Fiz uma tabela (ver no fim da matéria) comparando as calorias das principais bebidas alcoólicas com itens do nosso dia-a-dia: uma maçã, um suco de laranja, cream crackers, um filé de peixe (enchova) e queijo branco dietético. Ah, acrescentei uma latinha de água tônica, só para compará-la às bebidas alcoólicas e aos demais itens (ela só tem menos 20 calorias do que uma dose de uísque).

No vazio

É bom você saber também que as calorias no álcool são com freqüência descritas como “calorias vazias”. Tradução: proporcionam apenas e exclusivamente energia – e nada mais – nada de vitaminas, minerais, fibras. Sob o ponto de vista dietético são calorias jogadas pelo ralo.

O Evening Standard informa que essas “calorias vazias” podem causar um rápido aumento do açúcar no sangue, seguido por uma queda, o que explica porque um drinque, especialmente se você está de estômago vazio, pode deixar você faminta, querendo jogar a dieta pro alto e comer todas as frituras do pé-de-chinelo mais próximo.

Como fiz as contas?

Vamos tomar a maçã como exemplo. Uma taça de vinho tem 100 calorias e uma maçã média, crua, inteira, com casca, tem cerca de 81,4. Ou seja: uma maçã tem menos 18,6% de calorias do que uma taça de vinho. Usamos sempre como padrão as calorias da coluna de bebidas. Assim, as 100 calorias da nossa taça de vinho têm o índice de 100%. O mesmo para as demais bebidas.

Sempre fico surpresa com a potência de um cream cracker. São 315% mais calóricos do que uma taça de vinho, 493% mais do que uma taça de sherry, 493% mais do que uma dose de uísque, ou gin e vodka. Mas sempre pousou de inocente nas dietas, não é?

É também curioso sabermos que um mero filé de peixe tem 50% mais calorias do que uma taça de vinho e é mais do que o dobro das calorias de uma dose de uísque. Aliás, nosso peixinho tem sempre mais calorias do que qualquer das bebidas alcoólicas da tabela. Só a cerveja e o Blood Mary têm mais.

Por falar nela, note que:
Um copo de suco de laranjas aqui é igual a 16 colheres das de sopa ou 237 ml de suco = 111,6 calorias. A maçã tem tamanho médio, pesa 138 gramas e é com casca = 81,4 calorias. Cream crackers: são 100 gramas = 415 calorias. O filé de enchova pesa 117 gramas = 153,7 calorias. O queijo: são 100 gramas do branco dietético = 100 calorias (igual a uma taça de vinho).

Todos os dados dessa tabela foram retirados do banco de dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. E da mencionada tabela do Evening Standard.

Se você quiser mais informações sobre valores calóricos ou nutricionais, de modo a montar a sua tabela (e ainda conseguir tomar sua bebidinha) é só clicar no Bolsa ou na Adega & Bar.

As ostras e seus apetites

by soniamelier em 21 de fevereiro de 2002 | 21:00

“A pobreza e as ostras parecem estar sempre juntas”. Pois aos reler os “Pickwick Papers” do poderoso Charles Dickens (todo ano releio um bando de clássicos; novidades só de junho em diante), me deparei com essa afirmação – intrigante se tomada isoladamente.

Sim, porque pobres e ricos foram criados iguais. Outros problemas é que fazem as diferenças. Mas, ao contrário do que pensamos, nem todas as ostras são iguais. As ostras transformaram-se aqui num prato sofisticado – talvez um gosto de poucos afortunados ou sabidos. E, assim, uma iguaria só possível aos bolsos mais fartos. Mas pescadores e, de resto, as populações vizinhas a áreas de pesca, mesmo humildes, têm acesso a elas. E pronto. Só nessas circunstâncias é que vale da afirmação de Dickens.

As várias espécies de ostras, originárias de diferentes mares e sujeitas a diversas marés, pedem diferentes tipos de vinhos como acompanhamento. Só no Brasil temos sete espécies desse saboroso e muito nutritivo molusco. A mais conhecida é a Ostrea virginica, de formato irregular, com a valva (não foi erro, não: é valva mesmo – a tampa da ostra) inferior côncava, medindo na média uns 6 cm de comprimento.

Nos restaurantes aqui seu nome é ligado à sua origem imediata: Cananéia, embora ela já esteja sendo criada em cativeiros de norte a sul da nossa costa. Vive em colônias, fixa nas pedras, nos cascos de navio, em madeira ou mesmo agarradas umas às outras.

Você tem ostras originárias de várias partes. As alongadas, da família Crassostrea virginica, encontradas nas Costas do Canadá ao Golfo do México. As ostras do Pacífico, as Crassostrea gigas, cultivadas do Canadá ao Chile. As Ostrea edulis, a espécie de grande tamanho, as “Belons” européias – comuns nas barracas de Paris, originárias do sudoeste da França.

Anthony Bourdain, o estrelado chef norte-americano (mas com um senhor pé na França), que dirige a Brasserie Les Halles, em Nova York (um time de açougueiros franceses importados responde pelos cortes especiais das carnes – cujas peças são, inclusive, exportadas para a filial da casa, em Tóquio), lembra que o momento em que comeu a primeira ostra (num criadouro francês) permanece tão vivo em sua memória quanto à primeira trepada. Ainda vou comentar aqui o livro de Bourdain, Cozinha Confidencial (Companhia das Letras, 2001). Vocês vão gostar de conhecê-lo.

Mas de sensual a coluna de hoje tem é a experimentação das várias ostras e o seu casamento com diversos estilos de vinhos. Sim, as várias espécies do molusco oferecem sabores diferentes entre si. Temos as mais cremosas, as mais magras, as carnudas, as nervosas, as gordurosas e outras até apresentam um sabor que sugere melões.

Tudo isso tem relação com a espécie, mas principalmente com a temperatura da água onde são criadas e colhidas. Nos locais onde faz mais exercícios de abrir e fechar para permitir o fluxo de água e de nutrientes ela será mais magra e cremosa e menos frutada.

Daí que temos um estilo de vinho para cada tipo de ostra. Vamos aos “casamentos”:

Ostras como a nossa Cananéia, magra e com sabor bem mineral: um vinho branco bem seco com uma forte presença mineral. A primeira e mais óbvia escolha são vinhos baseados só na Sauvignon Blanc, de preferência dos do Vale do Loire, na França. São os Sancerre e os Pouilly-Fumé. Como opção, os secos (“trocken”) alemães com a uva Riesling – cada vez melhores. Uma terceira possibilidade são os brancos espanhóis feitos com a uva Albariño.

Ostras gordas, cremosas (as chilenas, por exemplo): vinhos brancos secos mais frutados, mas aromáticos que sejam também ácidos. Escolha os Sauvignon Blanc da Nova Zelândia (Brancott, Villa Maria, Morton etc.), de Sonoma, na Califórnia (Kenwood, Iron Horse etc.), os do Vale de Napa (Mondavi, Duckhorn etc.). Boas escolhas são também os franceses com a uva Chenin Blanc, também do Vale do Loire (Saumur Blanc, Savennieres).

Aquela ostra francesa suculenta, opulenta, não tem melhor companhia senão com um Champagne francês. Escolha um bem seco e sem safra.

Experimente: você vai perceber que as ostras são um cruzamento onde entra amor e sensualidade. Ela sossega vários apetites e desperta outros. Vai parecer que você e as ostras (mais os vinhos) sempre mereceram estar juntas, ao lado de pobres e ricos.

Tenho aqui algumas receitas com ostras, inclusive de drinques. Se estiver interessada é só clicar no Bolsa ou na Adega & Bar.

Ninguém é perfeito

by soniamelier em 14 de fevereiro de 2002 | 21:00

Tá bom, gente! Já, já, apresento receitas sem vinho. Aliás, sem álcool! E olha que são todas de coquetéis. Tenho amigas que reclamam que tudo comigo leva vinho e destilado. Pudera, essa é a natureza da minha coluna. Queriam o quê?

Mas entendo que muitas dessas amigas não gostam, não querem, não se importam ou não podem consumir álcool. Para relembrar a última frase do “Quanto mais quente melhor”, do genial Billy Wilder, Ninguém é perfeito! Concordo também que você não precisa participar de um movimento pró-temperança ou ser um abstêmio total para desfrutar de coquetéis absolutamente sem álcool e que sejam, mesmo assim, deliciosos e emocionantes.

Só lembro que todas as receitas que apresentei até hoje aqui, onde entra o vinho, o álcool invariavelmente evapora (aos 78o C, bem antes da água ferver). Logo, dele vão restar os seus sabores – que é o que conta.

As receitas que apresento são do livro “The Mr. Boston Official Bartender’s Guide” (Warner Books).

Virgem Maria

Uma taça (uns 120 ml) de suco de tomate (de preferência natural);
Um cálice de suco de limão;
Meia colher das de chá de molho inglês;
Duas gotas de Tabasco;
Sal e pimenta do reino ao seu gosto.

Preparo:

Encha uma taça de vinho tinto com gelo, o suco de tomate e, em seguida, com os ingredientes restantes. Mexa bem e decore com uma rodela de lima ou de limão. Simples, decorativo e reconfortante.

Paixão Inocente

Uma taça de vinho (uns 120 ml) de suco de maracujá;
Um cálice de suco de tamarindo (pode ser amora);
Um cálice de suco de limão;
Club soda ou água cristal.

Preparo:

Encha um copo de long drink com gelo e despeje os sucos de maracujá, tamarindo e limão. Encha o copo até a borda com club soda e mexa delicadamente. Decore com uma cereja. Sirva com canudinho.

Refresco de Lima

Suco de três limas;
3 colheres das de chá de açúcar (ou a gosto);

Preparo:

Despeje o suco e o açúcar num copo longo, mexa, e complete com gelo e água. Em seguida acrescente uma fatia de lima e uma cereja. Sirva com canudinho. Mais simples, impossível! Mas vai lembrar a caipirinha de lima, sem as contra-indicações.

Sorriso amarelo

Um ovo (inteiro, clara e gema – menos a casca, please);
Suco de uma laranja – das grandes e suculentas;
Uma colher das de chá de xarope de groselha.

Preparo:

Coloque todos os ingredientes e bastante gelo numa coqueteleira. Sacuda bem e sirva numa taça de vinho. É um saboroso fortificante.

Pac Man

Duas colheres de chá de suco de limão;
Uma colher de chá de xarope de groselha;
Um cálice de Campari (ou do bitter de sua preferência).
Água tônica ou água cristal (ou ginger ale).

Preparo:
Encha um copo longo com gelo e em seguida despeje a groselha, o suco de limão e o Campari. Encha o copo até a borda com água cristal (ou tônica ou, ainda, ginger ale) e decore com uma fatia de laranja.

Piña Colada Patricinha

Uma xícara média de leite de coco;
Uma xícara média de suco de abacaxi;
Uma xícara média de gelo;
Uma colher de chá de suco de lima.

Preparo:

Combine todos os ingredientes num liqüidificador e sirva num copo longo. Decore com uma fatia de abacaxi.

Tá vendo? Você começa a beber como Julieta e de modo algum vira Lady Macbeth. São todos gostosos, refrescantes, decorativos – e simples, muito simples de fazer.

Se quiseram mais receitas é só clicar no Bolsa ou na Adega & Bar. Até pra semana.



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