Natal e Ano Novo estão aí e você contempla, entre feliz e preocupada, uma agenda entupida de festas, festinhas, festanças, amigo-ocultos, fogos e shows na praia, fora aquela champagne no motel. Tem um bocado de bebida, comida e outros enfrentamentos pela frente. E a minha forma, o meu corpinho (esquecemos sempre do que nosso espelho registra, não é mesmo?), meu fígado, meu HDL, meu colesterol? E minha saúde e o meu prazer?
Calma, temos notícias ótimas com relação ao consumo de álcool – e muito particularmente de vinho. Vamos a elas:
Moleza para as artérias – A primeira é muitíssimo recente: são os resultados de uma conferência (Scientific Sessions 2001), realizada pelos doutores da American Heart Association (Associação Americana do Coração), em Anaheim, Califórnia, validando outros estudos que demonstram que o consumo moderado de álcool pode retardar o envelhecimento (leia-se enrijecimento) das artérias – que é o quadro que leva ao aumento da pressão sangüínea, com o possível resultado de um ataque cardíaco. Gente, desta vez não se trata de mais um grupo de pesquisa de uma ou outra universidade, do trabalho de um ou outro laboratório. Agora, o aval é dado pela autoridade máxima: a AHA.
O estudo, divulgado dia 12 de novembro e já publicado pela Winespectator, relata a longa pesquisa realizada com 563 voluntários, entre 20 e 90 anos, todos sem registro de operações cardíacas e que se inclui no mais longo exame científico sobre o envelhecimento humano já realizado na América. Essa pesquisa começou em Boston, em 1958, e seu objetivo é observar como as pessoas envelhecem e determinar as alterações ocorridas em razão da idade e aquelas motivadas por doenças.
Os voluntários foram categorizados pelo seu consumo médio semanal de álcool: abstêmios, bebedores ocasionais (menos de um drinque), bebedores leves a moderados (de um a nove drinques) e bebedores pesados (mais de 10 drinques). Um drinque foi definido como uma taça com 118 a 147 ml (ou 8 a 10 colheres das de sopa) de vinho. Ou uma dose de qualquer destilado ou 341 ml de cerveja (23 colheres das de sopa). Trocado em miúdos, é uma taça universal de vinho tinto pela metade ou uma tulipa pequena de cerveja. Se você é um bebedor médio de vinho, tomaria, pelas contas dos cientistas, quase uma garrafa e meia (9 taças) por semana. Sem qualquer problema. Jingle Bells!!!
Mediu-se o diâmetro das artérias dos voluntários por ultra-som, considerando-se que quanto mais grossas as suas paredes, menos flexíveis eram as artérias, resultando num trabalho maior de bombeamento do coração. Moro aqui na Serra, onde só usamos fossa. Você já experimentou não limpar sua fossa por seis meses? Entope tudo. De repente, ela transborda e bum! Tudo vira Kabul! Com seu coraçãozinho é a mesma coisa, querida. Bum!
Titicas de lado, os pesquisadores descobriram que a rigidez das artérias entre os grupos dos abstêmios (é a turma que inventou a Máfia, ao criar a Lei Seca, ou que anda de cachecol no verão) e dos bebedores pesados (vocês, por favor, fiquem tranqüilas que estou nessa ala) é na média de 10 a 20% maior do que o pessoal moderado. Os bebedores ocasionais ficam entre esses dois grupos, com rigidez arterial 5% maior do que a dos moderados. Viu, não adianta ser patricinha, tipo “só bebo socialmente”.
Os pesquisadores afirmam que os efeitos benéficos do álcool (para o grupo dos moderados) acontecem não importa o tipo de álcool: cerveja, destilado ou vinho. O Dr. Jerome Fleg, um dos principais autores da pesquisa e cardiologista do Instituto Nacional da Terceira Idade e do Centro de Pesquisa de Baltimore, revela que o estudo demonstra que o consumo moderado de álcool está efetivamente relacionado com uma taxa menor de mortalidade cardiovascular.
Exemplo: bebedores leves e moderados, abaixo da faixa dos 50 anos, apresentaram apenas 15% menos de rigidez arterial do que os abstêmios (pelo menos, um ponto para eles). Contudo, esse mesmo grupo (leves e moderados), com 70 anos ou mais, mostrou 30% menos de rigidez arterial do que os abstêmios.
Se eu fosse um Pró-Cardíaco da vida, além do oxigênio, fibrilador e quejandos, equipava a ambulância com uma garrafa de vinho. Só procuraria não cobrar esse item a partir dos extorsivos preços dos restaurantes. Aí, abstêmio ou não, o paciente… bum!
Dr. Fleg até arremata com um encorajamento: “Se eu fosse um bebedor entre leve e moderado, certamente não teria nada a temer”.
Querida, claro que quase sempre queremos dureza. Menos quando estamos bebendo, não é mesmo? (Se bem que quando chega naquela parte da festa que é a do champanhe no motel, nosso parceiro está que é uma moleza só, da língua até os pés). A pesquisa deveria contemplar esse grupo: “parceiros em geral”, pois são mutantes: ora leves, moderados, pesados e… abstêmios.
Falei de algumas notícias, mas dei uma só.
E os benefícios do vinho para o seu HDL (o chamado “colesterol bom”), e a relação entre vinho e cirrose, entre vinho e câncer de mama, entre vinho e tudo o mais? A receita é você marcar uma consulta agora aqui no Bolsa ou clicar para a Adega & Bar. Semana que vem, de qualquer
