Sabe que mais? Cansei um pouco que falar só de vinhos. Que tal dar uma repassadinha em outros fermentados e destilados? O homem sempre se refugiou num gole de uma beberagem mais quente para poder enfrentar seus mamutes e agüentar aquelas cavernas. No seu primeiro milênio antes de Cristo, ele recorria ao vinho (as classes dominantes) e ao hidromel. E no milênio seguinte? Como se desenvolveram as “águas bentas” do mundo?
100-1000 DC
Um azteca descobre o pulque (depois que um raio queimou uns cactos no seu quintal e fermentou seu sumo). O líquido inebriante ficou muito popular e ajudou a turma a assistir melhor os sacrifícios humanos, esporte predileto lá deles.
Depois de fazer sucesso entre os chineses e coreanos, o saquê foi introduzido no Japão. O primeiro saquê era chamado do kukichikami no sake (“saquê que se mastiga” é mais ou menos a tradução). Mastigava-se arroz, castanhas e milho, cuspindo-os depois numa tina de madeira para fermentar. Argh!
São Patrício, padroeiro da Irlanda, traz do Egito o primeiro alambique para a Irlanda e Escócia, no século V. Não precisa nem falar no que deu, né?
1000-1300 DC
É cunhada a palavra whiskey, pelos soldados do Rei Henrique II, quando invadiram a Irlanda e descobriram aquele precioso néctar. Whiskey deriva diretamente do gaélico uisge beatha, que significa “água benta”.
Lá pelo século XII aparece a vodka aquecendo os enregelados eslavos. Até hoje russos e poloneses brigam pela paternidade da bebida.
1400-1500 DC
O frade John Corr consegue destilar uma aguardente a partir de oito garrafas de malte e chega ao nosso querido Scotch whisky.
Conquistadores espanhóis no Novo Mundo ficam sem vinho e começam a destilar o pulque e acabam descobrindo o que hoje chamamos de tequila.
Um nobre francês sonha com uma voz instruindo-o a destilar seu vinho duas vezes. Produz dois barris: um bebeu logo e se maravilhou. O outro foi aberto 15 dias depois: estava inventado o Cognac.
1600-1700 DC
Monges de Chartreuse, nos Alpes franceses, criam um digestivo a partir de 130 ervas e essências. Sobrevivem desse licor, o famoso Chartreuse, até hoje.
O monge beneditino Dom Perignon decide parar de brigar com o raio das bolhas no vinho que fazia. Esse vinho, logo depois, veio a ser conhecido como champagne.
O gim é inventado na Holanda, a partir da destilação de cereais (cevada, trigo, aveia) e zimbro (ou junípero).
1700-1800 DC
O reverendo Elijah Craig, de Bourbon County, no Kentucky, destila um whisky a partir de malte e milho. E cria o Bourbon.
1800-1900 DC
Destiladores conseguem combinar a erva tujona com álcool e criam o Absinto, que iria fazer misérias com gente muito famosa, como Van Gogh e Oscar Wilde.
Um boticário francês começa a misturar bebidas em Nova Orleans, Estados Unidos, e inventa o primeiro coquetel.
O italiano Gaspare Campari consegue criar um licor na base de ervas e quinino. É o nosso Campari, claro.
O Martini é criado por um barman na pequena cidade de Martinez, na Califórnia.
1900-2000 DC
O Absinto é banido, mas deixa um afilhado seu, menos perigoso: o Pernod.
1915-1998 – Período de vida de Frank Sinatra, o homem que promoveu o encontro da paixão com a música. “A Voz” promoveu também um aumento monumental no prestígio e consumo de Jack Daniel’s, o whisky do Tennessee.
1920- O governo norte-americano resolve incentivar a indústria de bebidas do país (e a Máfia) com a Lei Seca, que durou até 1933.
Anos 30 – Cria-se a cerveja em lata (pela Krueger) nos Estados Unidos.
Anos 50 a 90 – Ramon Marrero cria a Pina Colada em Porto Rico (50); John Kennedy torna o Daiquiri muito popular (60); o vinho da Califórnia começa a ser respeitado (a partir dos anos 70); Bartles & James lançam o wine cooler. Inventam a vodka com sabor (90).
Puxa, esse meu resumo ficou grandinho. Se quiser receitas de coquetéis e saber mais sobre as biritas acima ou outras, fale aqui pro Bolsa ou para a Adega & Bar (www.adegaebar.com.br).
