Outros sabores porque já falamos da doçura e da acidez – que são vitais nos vinhos, sentidos diretamente pela nossa língua. Agora, vamos aos sabores amargos e salgados.
Na parte posterior e plana (inclusive as bordas) da língua é que você poderá sentir o amargor – que é menos importante num vinho do que a doçura e a acidez. Mas como é freqüentemente confundido com taninos (que na verdade atingem regiões diferentes da boca), vamos saber um pouquinho mais sobre ele.
É só você provar alguns vinhos italianos tintos que a parte de trás da sua língua logo vai acusar o amargor. E olha que muitas vezes são grandes vinhos. Não é à toa que os vinhos Amarone tiram seu nome de Amaro, ou seja: amargo.
O Amargor. Quer saber o que é uma bebida amarga, faça testes com Angustura ou com Fernet Branca, que são bitters (amargos, literalmente).
Prepare uma dose (um cálice de licor) e dilua com água. Prove a bebida (não precisa engolir). Note a sensação insípida, uniforme e irritante na parte de trás da língua. O Campari também provoca essa sensação, mas um tanto disfarçada, pois ele é doce.
Se nessa bebida você colocar em vez de água pura, uma gasosa, uma soda, uma tônica (que contêm gás carbônico) e uma fatia de limão ou de laranja (ácido cítrico) você vai logo sentir que criou uma bebida refrescante.
O que era só amargo, praticamente sem sabor, ficou refrescante, mais vivo. Taí a importância da acidez. E a boa intriga que pode resultar com o amargor de uma bebida. Os bitters isoladamente são apenas amargos. Nenhuma riqueza adicional. Apenas são recomendados para ajudar na digestão e ajudar nosso organismo a lidar com o álcool. Daí serem utilizados com aperitivos ou, melhor, digestivos, antes ou depois das refeições. Prazer, no duro, não proporcionam, na minha opinião.
Mas o amargo bem equilibrado com a acidez e outros sabores do vinho certamente dá um caráter especial em alguns vinhos italianos, como alguns Chianti, Brunellos, Barolos e Barbarescos e Valpolicellas.
O Sal. O sabor salgado é raramente encontrado nos vinhos. O sabor salgado você sente mais nitidamente nas bordas da parte anterior da língua. Experimente: faça uma solução de água e sal e bocheche. Você vai verificar que é justamente nas bordas laterais da parte da frente da sua língua que mais e melhor sentirão a presença do sal.
Nos vinhos, alguma presença de sal pode ser ligeiramente percebida num sherry (xerez) de qualquer tipo (tente com Tio Pepe ou La Ina), nos tintos chilenos, nos brancos da Nova Zelândia (se você for à degustação do dia 28 no Tambo de los Incas em Itaipava, vai poder testa-los), nos Hermitage (os bons Syrah do norte do Ródano).
Mas essa presença do sal é muito ligeira e excepcional no mundo dos vinhos. Ela é tão pequena que coloquei em último lugar. Quer dizer, em último lugar entre aqueles sabores diretamente captados pela nossa língua.
Vimos que o doce é sentido pela pontinha da língua, o ácido nas laterais da parte central. O amargo nas áreas planas e nas laterais da região posterior. E o salgado nas laterais anteriores.
O tanino. Tem uma sensação importante e extremamente marcante provocada pelos vinhos que não são sentidas diretamente pela sua língua, mas nas paredes da sua boca. São os taninos.
É uma das presenças mais óbvias e algumas vezes um pouquinho dolorosa, mais flagrantes nos vinhos tintos do que nos brancos.
Os taninos ou polifenóis são elementos químicos complexos e diversos encontrados em árvores e frutos, particularmente nas cascas, caroços e talos das uvas e videiras. Podem também se originar da madeira (geralmente carvalho) dos barris onde os vinhos são armazenados.
A sensação que eles provocam é das mais ásperas e intensas entre todas as que estudamos até agora. O interior da boca e as gengivas parecem ficar franzidos, apertados, tal a adstringência.
Faça um teste com o chá. Prepare um chá preto bem forte. Deixe ficar na solução de água quente por um tempo maior do que o costumeiro, de modo a que uma grande quantidade de tanino possa ser retirada das folhas. E aí beba: você estará sendo apresentado a essa nova sensação – da maior importância para os vinhos tintos e sobre a qual voltaremos a falar mais na próxima coluna.
Mas se tiver dúvidas ou quiser outros exercícios sobre salinidade, amargor e adstringência (taninos), faça contato: Bolsa de Mulher (www.bolsademulher.com) ou Adega & Bar: www.adegaebar.com.br.
