Começo por onde terminei. Vamos falar da sangria da Marilene. Lembra que estamos já em pleno carnaval, desfrutando da pousada do Zizinho (o Tambo los Incas), comendo e bebendo do bom e do melhor. Jantamos aquele pato com naranjitas do Serginho e experimentamos pelo menos quatro possibilidades de vinhos naturalmente doces. Na manhã seguinte encontramos a Marilene: primeiro comandando o café e, em seguida, inventando drinques e tira-gostos para quem fica na piscina e sauna.
Quanto aos drinques, você pode experimentar as caipirinhas de vodka ou de cachaça (da região), com limão ou lima (tudo das plantações da pousada). Ou pode pedir uma sangria. Falar de sangria pode provocar isquemia num esnobe bebedor de vinho (existe de montão). Só não provoca nos espanhóis – que não dispensam seu ótimo vinho, nem o delicioso, charmoso e eficiente refresco que é a sangria. O esnobe não ia admitir misturar o vinho com água, suco de frutas e frutas. Preferiria pegar o primeiro trem da morte que passasse.
Mas é muita frescura. A sangria é um saboroso e poderoso refresco, próprio para um verão, uma beira de piscina, uma pausa antes dos trabalhos mais sérios. Você não pode levar a vida de nariz em pé. Acaba cheirando o rabo da girafa.
A sangria da Marilene? Pegue uma grande jarra e coloque vinho tinto seco. Use toda a garrafa: 750 ml. Em seguida, junte igual quantidade de clube soda ou uma boa mineral com gás. Acrescente uma generosa quantidade de frutos cítricos em fatias: limas, limão, laranja (um deles ou todos eles). Coloque também a casca deles, tomando o cuidado de lavar direitinho. Aí entra um segredinho. Junte uma dose honesta de um brandy (um KWV VSOP, premiado brandy da África do Sul) ou um licor de laranja (um Grand Marnier) ou um de tangerina (mais uma vez, uma escolha ótima da África do Sul: o KWV Van der Hum, produzido há mais de 400 anos). Algumas pessoas ainda colocam açúcar. Mas isso fica a seu gosto. Mexa com cuidado, mas mexa. E está pronto.
Mas como a regra da sangria é não ter regra, você pode mudar a roda do carrinho já com ele andando. Faça um segundo jarro (o primeiro não vai durar nem 30 minutos) com vinho branco e substitua os cítricos por uvas, kiwi (descascado) e morangos. O vinho, tinto ou branco, deve ter bom paladar, mas, naturalmente seria bobagem gastar muito dinheiro com esse tipo de drinque.Olha a cinturinha
Numa coluna passada falei dos carboidratos e o vinho: uma taça de vinho branco pode conter até 1,25 gramas de carboidratos e até 2,5 gramas no caso dos tintos. Lembram? Pois a turma preocupada com dietinhas, cinturinhas no lugar (essa é a estação quando tudo mundo quer estar o fino e poder se exibir em praias, piscinas etc. E etc.). E chovem perguntas sobre outros “pesos” do vinho.
Bom, temos as calorias. Quantas temos no vinho? A quantidade exata vai depender tanto do conteúdo alcoólico e de açúcar de um vinho. Um vinho do Porto tem uma carga calórica muito maior do que um vinho fino de mesa, com seus normais 12% de álcool. Mas pode assumir que uma taça de tinto ou branco de mesa pode ter cerca de 125 calorias, chegando a 200 calorias ou até mais num rico vinho doce natural.
Agora, cheque aí na sua tabelinha o que isso pode custar à sua cinturinha. Mas não se esqueça de que o vinho, o tinto em particular, tem um papel importante na redução da incidência de doenças coronarianas. A cinturinha é importante, mas e o coração e tudo que leva a ele?
O que é moderação?
A pergunta seguinte e lógica é a quantidade segura de vinho (ou qualquer outra bebida alcoólica) que devemos beber.
A Med Help International diz que uma medida segura é o consumo de 21 unidades de álcool por semana, sendo uma unidade de álcool igual a 113 gramas (mais ou menos uma taça normal de vinho, logo até um terço de seu conteúdo).
Logo, você poderia tomar 14 taças por semana, 2 por dia por dia (praticamente metade de uma garrafa, razoável para acompanhar uma refeição). Já os homens podem tomar até 3 por dia, o que é uma sacanagem. Falamos que poderia, pois o certo é você checar com o seu médico, pois só ele será capaz de saber como o seu metabolismo se comporta com relação ao álcool.
Os abstêmios vivem perigosamente
Não tenho nada com isso: a frase é do nutricionista Nicolai Work, em seu livro Wine Everyday (Vinho Todo o Dia).
Ele se baseia em 30 estudos internacionais de longo prazo que demonstram que as pessoas que se abstêm completamente do álcool formam um grupo com taxa de mortalidade maior do que aqueles que consomem quantidades moderadas de álcool diariamente.
Ele relembra que o vinho tem um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular, aumentando o colesterol
“bom” (HDL) e reduzindo o “mau” (LDL), ajudando ainda a reduzir o desenvolvimento da arteriosclerose e o risco de trombose.
Pelo livro ficamos sabendo que o consumo diário de 24 gramas de álcool por uma mulher é o nível mais recomendável. Isso significa um terço de uma garrafa de 750 ml de vinho.
Moças, por favor, continuem perguntando. Tô aqui pra isso.
E se você quiser mais dicas sobre combinações de vinhos e bebidas ou escolher o vinho certo para o seu jantar especial, entre em contato com a Adega & Bar via o nosso portal aqui ou diretamente: www.adegaebar.com.br.
