SoniaMelier

Entre secos e molhados

Entenda, de vez, a diferença entre os vinhos secos e doces

by soniamelier em 22 de agosto de 2011 | 16:03

Vinho seco? Como um líquido pode ser seco? Essa dúvida esteve na cabeça de meu sobrinho, o Fábio, por muitos anos. Agora, depois de um ano trabalhando no Canadá, ele conseguiu tirar essa história a limpo.

O ceticismo a respeito da “secura” ainda campeia na cabeça de muita gente. Acontece que seco, neste caso, diz respeito ao sabor: tecnicamente é o oposto de doçura. Em vinhos completamente secos, o levedo conseguiu converter em álcool todo o açúcar natural contido nas uvas, durante a fermentação. Quando a fermentação é interrompida (natural ou forçadamente), o açúcar que resta (chamado de “açúcar residual”) alivia a sensação de secura do vinho, deixando-o mais agradável.

Por sua vez, vinho doce é aquele nem todo o açúcar foi convertido em álcool. E a expressão “seco” gera confusão a percepção de doçura varia muito de pessoa para pessoa. Meu sobrinho acaba de visitar com sua mulher, a Renata, uma das regiões vinícolas mais importantes do Canadá, em Niágara, Ontário. O casal experimentou alguns vinhos. Será que o Fábio, que não muito de beber, conseguiu tirar sua dúvida?

Primeiro, os “secos” (e depois os “molhados”). Pelo que li, a maioria das pessoas começa a perceber o doce nos vinhos a partir de concentrações de 0,5% de açúcar. Alguns vinhos são fermentados quase que totalmente secos, mas podem dar a impressão de doçura, sensação que tem origem não necessariamente no tal “açúcar residual”, mas no sabor de uvas maduras, eventualmente das notas de baunilha dos barris de carvalho ou ainda por fatores como acidez, taninos, álcool e glicerol (também subproduto da fermentação, contribui com um pouco de corpo e doçura para o vinho).

O açúcar que restou no vinho é medido em gramas de açúcar por litro de vinho, normalmente abreviado como g/l ou g/L. É muito raro encontramos vinhos com menos de 1g/L, pois certos tipos de açúcar não conseguem fermentar, como a pentose (tem esse nome por conter cinco átomos de carbono em seu núcleo).

Segundo a regras da União Europeia, os vinhos secos são aqueles com até 4 g/L (mas se bem equilibrados com acidez, até 9g/L), os meio-secos, até 12g/L (ou até 18 g/L se bem balanceados com a acidez), os meio-doces até 45g/L e os doces com mais de 45g/L.

Os espumantes apresentam especificações diferentes: um brut nature (quando não há adição de açúcar), de 0 a 3 g/L; extra brut, de 0 a 6 g/L; brut, de 0 a 12g/L; extra sec (extra seco), de 12 a 17 g/L; sec (seco), 17 a 32 g/L; demi-sec (semi-seco), 32 a 50 g/L; doux (doce), mais de 50g/L.

Qualquer vinho com mais de 45g/L, portanto, pode ser considerado doce. O famoso Château d’Y, mencionado aqui na última, tem entre 100 e 150g/L. O Tokaji Eszencia vem com 450g/L. São divinamente doces, em nada enjoativos, pois suas uvas conseguem equilibrar deliciosos: feitos com uvas que conseguem reter a sua acidez. Os Château d’Y quem são feitos a partir de uvas afetadas pela Botrytis cinerea, um fungo que consome toda a água da uva, deixando apenas açúcar e ácido, fato conhecido como Podridão Nobre. Os Sauternes, os Tokaji Eszencia e os doces de Vouvray são, entre outros, feitos a partir desse fungo. Sua fermentação é muito lenta e a quantidade de açúcar é tão alta o processo é interrompido naturalmente deixando grande quantidade de açúcar residual.

Os vinhos fortificados, como os Porto e Xerez, têm também a fermentação interrompida – só que através da adição de um destilado de vinho (um brandy, uma bagaceira). É bom que se diga que os dois principais açúcares envolvidos na criação do vinho são a frutose e a glucose. Como, em geral, as uvas para esse tipo de vinho são colhidas muito tarde (daí o nome de “late harvest”, colheita tardia, para esses vinhos), a quantidade de frutose é muito alta, pois a glucose é convertida em primeiro lugar. E a frutose pode ser duas vezes mais doce do que a glucose.

E, finalmente, chegamos ao vinho que encantou meus sobrinhos no Canadá: o icewine, (vin de glace, eiswein em alemão ou “vinho de gelo”) – o que faltava falarmos aqui. Ele é feito do suco de uvas congelado. O fruto é colhido lá pela época natalina, quando as temperaturas ficam na marca dos -8º C. Para garantirisso, as são colhidas à noite, num demorado e penoso processo. Estão tão duras quanto bolas de gude. Vão imediatamente para a prensa para a retirada do suco. Nesse processo, a água contida em cada uva permanece congelada na forma de cristais, restando apenas um pouco de concentrado de ácidos e açúcares da uva, o que resultará num vinho excepcionalmente doce e muito acre. Ele vai fermentar vagarosamente nos próximos meses e eventualmente se transformará no “vinho de gelo”, somando no final apenas 10-15% do total de vinhos de mesa produzidos no país.

O eiswein começou a ser feito sistematicamente na Alemanha a partir dos anos 60. E ao final de 1980 no Canadá, quando uns poucos vinhateiros perceberam que o icewine poderia transformar-se num trunfo para a indústria vinícola do país.

Fábio e Renata visitaram num fim de semana recente a área ao redor da cidade de Niagara-on-the Lake, à beira do rio Niágara, do lago Ontário e bem pertinho da mais famosa cachoeira da América do Norte. A região é linda e abriga 26 vinícolas, das quais meus sobrinhos destacaram duas: o Château des Charmes, da família Bosc, de raízes alsacianas, em Ontário, situada mais próxima das quedas. E a Vinícola Reif, mais ao norte, à beira do rio, ao lado da mais famosa (pelo menos para mim, que conheço o vinho), a , a principal produtora de icewine do país ou pelo menos uma das pioneiras. Mas essa, pelo que entendi, não foi visitada. O que sei é: do casal, o Fábio é o mais arredio às bebidas alcoólicas. O que não acontece com a Renata. Essa chegou muito “feliz” em casa, em particular depois de degustar e degustar e degustar vinhos doces nessas vinícolas. Eles provaram um Riesling Icewine Paul Bosc Estate Vineyard 2007 e outro, do mesmo ano, feito com a uva Vidal (essa e a Riesling são as mais utilizadas no país, pelas cascas mais resistentes às baixas temperaturas). Na Reif, devem ter degustado um icewine feito com a Cabernet Franc, o que dar uma cor rosada ao vinho (coqueluche entre os chineses): o Cab Franc Icewine 2008.

O Fábio comentou da “Renata alegrinha”, “nunca vi a Renata assim”, “pra lá de alegre”, muitas vezes. E repetiu o que todos reclamamos: “pena que esses vinhos são muito caros”. Ele ficou só na base da degustação nos wine bars das vinícolas. Não trouxe vinho para a casa.

Do Canadá só conheço o Inniskilin e o filme “Torrente de Paixão”, com a Marilyn Monroe corneando o marido na cidade de Niágara, lado americano. O filme é de 1953, vi tarde da noite numa dessas sessões da TCM. A história é um suspense com direito ao clichê do “bandido” morrendo cachoeira abaixo (depois de matar a traidora). Ninguém ali experimentou vinhos doces. Acho que agora o Fábio aprendeu mais sobre os vinhos secos, mas a partir do outro lado da moeda: os molhados.

Da Adega

Povo educado sabe beber. Vale a pena dar uma lida no post do Mauricio Tagliari de mesmo título. É sobre certas leis no Brasil, como a Lei Seca, tortas pelo seu falso conteúdo moralista, com uma aparência de apreço pela vida das pessoas, cega com a campanha do tolerância zero. Se o bafômetro for tão intolerante como a lei, você pode beber um copo d’água que ele vai constatar álcool em seu corpo.

O corpo humano produz naturalmente o seu próprio suprimento de álcool, de modo contínuo, 24 horas por dia, sete dias por semana. Os níveis normais dessa produção ficam entre 0,01 e 0,03 mg de álcool na corrente sanguínea. Como diz o Maurício: lei seca sem um programa de educação torna-se pouco mais que um tormento para os bebedores educados. Leia o post.


Meu pai, esse cometa

by soniamelier em 12 de agosto de 2011 | 18:01

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“Pai, não põe limão na salada!” Lá estava eu, nos meus seis anos, reclamando como sempre. Não aguentava essa história de temperos – dos quais, por seu lado, o pai não abria mão. E olha que eram só umas gotinhas de limão, substituindo o detestável vinagre. Eu tolerava os verdes apenas com um pouco de azeite e sal.

Daqui a pouco vinha o prato principal: uma carne salteada com legumes, obra de minha mãe, que incluía, além das tiras de alcatra, gengibre fresco ralado, alho picado e pimentão vermelho em fatias (fora os aspargos, a acelga, as rodelas de cebola). Minha mãe ainda colocava vinagre branco. E meu pai entrava com vinho Madeira. Na mesa quase que obrigatoriamente uma garrafa de vinho, ora tinto, ora branco, que tomava com minha mãe, só os dois, demonstrando grande prazer. Observava com um misto de curiosidade e um respeito tangenciando o temor ante aquele líquido lindo, pois na taça poderia estar o equivalente ao gengibre, alho, cebola, pimentão e alho. Argh!

Mas eu tremia e cuspia essa temperada toda. Separava tudo, e ficava apenas com a carne, assim mesmo a contragosto, pois o tempero estava todo lá. Minha vontade era sair correndo. Sair da mesa, porém, era falta grave. Limão, cebola, gengibre, pimentão, alho eram sabores violentos para mim. Meus pais ficavam desorientados, sem graça. Mas insistiam.

Bem menina já distinguia todos esses temperos. Para mim, só faltava conhecer os vinhos. E isso só aconteceu bem mais tarde. Crescemos e nosso paladar cresce junto, mas sua capacidade de discriminar estímulos atinge a maturidade bem antes de nos reconhecermos adultas. Acho que nossa percepção de sabores chega ao máximo já pelos 15 anos.

Hoje, repito a receita de minha mãe (agora usando uma wok) e acho tudo muito sutil. Sim, a verdade é que a partir dos 20 anos, começamos a ir ladeira abaixo, pelo menos em termos de paladar. A turma que degusta vinho profissionalmente e está na quadra dos 50 anos evita esse assunto, insistem em desconhecer essa ladeira natural.

Reconhecer os sabores como o fazia com 15 anos, nunca mais. Contudo, os adultos possuem um trunfo na manga, uma vantagem que a turma mais jovem ainda não maneja devidamente. Podemos estocar em nossa memória praticamente tudo o que percebemos. Já pensou o que está lá registrado quando entramos nos cinquenta? O que não pode é um cinquentão desdenhar do paladar da garotada, capaz de descobrir detalhes surpreendentes.

Meu pai, um aficionado dos vinhos, não parava de falar sobre eles. Alertava para as sutilezas de suas cores. Aquela história dos matizes de brancos e tintos quando são jovens e quando ficam mais maduros. Aquilo me encantava e excitava. Queria experimentar, o que era tão proibido quanto sair da mesa antes da hora. Havia exceções, datas especiais quando beber o vinho era quase que obrigatório. Nesses casos, só um pouquinho, misturado com água e açúcar.

É fácil medir as alterações em nosso paladar à medida que o tempo passa. Já mocinha, conhecia cerveja, nossa levíssima. Mas aí topei com a Guiness, numa das muitas mudanças da família. A secular cerveja preta irlandesa, amarga que só ela, um verdadeiro desafio para novatas. Hoje, desce fácil, prazerosamente.

Naqueles tempos, meu pai apenas comentava sobre os vinhos: as cores, como eram feitos e em particular, suas origens, onde se demorava mais, contando histórias sobre regiões que mal ouvira falar. Por exemplo, foi ele quem me falou do galo preto, símbolo dos Chianti, que ele ainda tomava nos fiaschi, aquelas garrafas barrigudas semicobertas com palha (hoje, só aparecem penduradas nos tetos de pizzarias ou em sets de filmes e novelas).

Ele contava da hostilidade entre Florença e Siena, da guerra dos Guelfos contra os Gibelinos. Contava sobre aquelas duas repúblicas da Toscana na Itália do século XII e mostrava ilustrações com castelos, cidades muradas. Ficava maravilhada. Mas e o galo preto?

Florença queria fixar sua fronteira com Siena, mas seu objetivo era ficar com toda a região de Chianti. Siena não concordou e pediu que o assunto tivesse um árbitro neutro. O que foi feito, mas de modo curioso. Ficou acertado que um cavaleiro de Florença e outro de Siena cavalgassem de suas cidades assim que um galo em cada cidade cantasse. Onde se encontrassem seria fixada fronteira.

O povo de Siena selecionou um galo branco, bem roliço, pra lá de nutrido, um orgulho localmente. Já os florentinos escolherem um galo preto, que deram muito pouco o que comer – tão pouco que no dia da corrida, o galo desesperado de fome cantou muito cedo. Claro que o cavaleiro florentino chegou mais cedo, encontrou o oponente há poucos quilômetros de Siena. Não sei se tudo isso é lenda. Era meu pai quem contava, então era e continua sendo verdade. O fato é que toda a região do Chianti passou à jurisdição de Florença e o Galo Preto transformou-se em símbolo de Chianti.

O tempo foi passando e já madurinha brindava com meu pai os Madiran (terra do Cyrano de Bergerac, aquele narigudo, poeta e espadachim – eis como o velho me apresentava os vinhos), os da Borgonha (que Napoleão adorava), os Riesling, os argentinos antes dos chilenos, muitos vinhos do sul e, particularmente, os portugueses, inclusive os fortificados. Só bebia em casa. Na rua, nadinha.

Quando tive minha loja de vinhos na Serra, foi o velho quem mais me ajudou a formar a adega (e quem mais me levava garrafas “para experimentar”). Agora mesmo, quando o ex sommelier Christian Vanneque comprou uma garrafa do Château d’Yquem por US$ 117.000,00, safra de 1811, meu pai como que apareceu novamente diante de mim. Ah, como ele me falava sobre as safras. Por causa dele, sei que a safra de 1811 é uma das “safras do cometa”, nome aos anos em que ocorreu a passagem de algum cometa. Os produtores costumavam (e acho que ainda costumam) atribuir à passagem de um cometa antes da colheita às ótimas condições do clima e ao sucesso da safra e do vinho dela resultante. E, de fato, algumas das safras mais badaladas nos últimos duzentos anos foram as de 1811, 1826, 1845, 1852. 1861, 1985 e 1989 – em todas elas, apareceu um cometa.

(Vanneque, que foi sommelier chefe do famoso Tour d’Argent, de Paris, declara que pagou 117 mil dólares justamente para beber o reputado vinho doce de Sauternes. Vanneque tem certeza de que vai adorar. Eu, por meu lado, invejo o salário dos sommeliers franceses).

Quando minha aventura na loja de vinhos terminou, o velho não hesitou em elogiar minha coragem em enfrentar as agruras do comércio. E recomendou que não vendesse os vinhos que sobrassem: iríamos bebê-los todos, juntos. O que foi feito. Ele dizia que não podemos descobrir novos oceanos sem perder de vista a praia. E que eu sabia o endereço da praia. Era um cometa, esse meu pai!

Da Adega

A Speranza vive. Pois é, conheci primeiro a famosa pizzaria, a Speranza do Bixiga. E logo pelas mãos de meu pai, que na época fazia de Sampa uma de suas bases de trabalho. E descobri o que era uma pizzaria. Foi no fim dos anos 60, nessa mesma época do ano, um fila de espera danada, um frio mais danado ainda. E não tinha passado cometa algum. Agora, o que comemos foi maravilhoso, inesquecível. Falou em Speranza, meu pai aparece novamente.

Isso tudo para lembrar que nos tempos que correm temos a Cantina e a Pizzaria Speranza de Moema, mantendo a tradição de grandes pratos. Ambas participando mais uma vez do Restaurante Week, de 29 de agosto e 5 de setembro e cheias de novidades.

Experimente o cardápio da Speranza dessa semana especial: a Insalata de legume al forno, a torta napolitana de batata com salada de escarola, o gnocchi verdi com la mozzarella di búfala & provolone, o risoto di calabrese e pomodori secchi.

Isso sem falar da torta di limone e do cornettini di nutella.

Imperdível! Speranza Moema: Av. Sabiá, 786, fones: (11) 5051-1229; www.pizzaria.com.br, e-mail: atendimento@pizzaria.com.br

Taninos elegantes?

O termo “tanino” é largamente empregado no mundo dos vinhos. Explicá-lo é dar panos para manga

by soniamelier em 2 de agosto de 2011 | 10:47

vinhoLogo abaixo, na seção “Da Adega”, publico um release da Vinitude sobre o vinho Doña Paula Los Cardos Cabernet Sauvignon. E lá estão eles: “Um vinho com taninos elegantes e final marcante.” Taninos o quê?

Se existem os elegantes, pode ser que existam também taninos esculachados, ou mesmo grosseiros, malcriados, alguns talvez mais potentes e outros definitivamente débeis, sem contar com os espírito de porco. A confusão pode aumentar quando nos deparamos com extensões dessa poética da crítica de vinhos e aprendemos que, além de elegantes, os críticos falam de taninos “redondos” (como, existem os quadrados?), suaves, maduros, aveludados, exuberantes, ásperos, “mastigáveis”. Já anotei até “taninos sensuais”, na certa de alguém perto de chamar cachorro de minha loura.

O termo “tanino” é largamente empregado no mundo dos vinhos e tenho certeza que muita gente não sabe exatamente o que seja, muito menos que ele possa ficar entre elegante e áspero. Explicá-lo é dar panos para manga. Tentarei.

São os taninos que causam aquela sensação de secura e até de amargor em sua boca quando bebe um vinho tinto. Formam um grupo de componentes químicos que podem ser achados em frutas, no chá e em cascas de árvores. Chegam aos vinhos via galhos, cascas e sementes de uvas – e, ainda, através da madeira dos barris. Desde o cultivo da vinha e até o processo de produção do vinho são sempre um fator de preocupação: dependendo de como são tratados, afetarão profundamente o estilo do vinho que chegará à sua mesa.

Eles têm a capacidade de ligar-se a vários outros materiais químicos, em particular com as proteínas. Se aplicados a peles de animais, os taninos unem-se às proteínas transformando uma pele macia, mole, num material duro o bastante para fabricar sapatos, solas, cintos e selas. Os taninos formam, também, uma classe de compostos químicos existentes no vinho, os fenóis – que, por sua vez, dividem-se em duas categorias: os flavonoides e os não-flavonóides. Os nossos taninos estão no primeiro grupo.

Na vinha, os taninos agem como uma defesa. O seu papel é o de defender as plantas: quando jovens, as uvas ainda verdes, com sabor extremamente ácido e amargo, pois as sementes do fruto são o meio de sua reprodução, mas a planta só permite que o fruto seja consumido quando suas sementes ficam maduras. Quando um pássaro ou inseto tenta mastigar uma uva, taninos são liberados tornando a fruta horrível, amarga, indigesta.

Na medida em que as uvas amadurecem, a cor da casca se altera, tornando-a mais sedutora. Ao mesmo tempo, ficam menos ácidas e mais doces. E os taninos menos amargos. (Na verdade, os taninos não têm sabor: você os percebe pela maior ou menos sensação de secura e adstringência na boca, o que chamo de amargor).

Nessa progressão, os taninos vão de verdes, muito jovens e amargos, quase que “mastigáveis”, a mais macios, sedosos, aveludados. Ou seja: ficam maduros, mais elegantes. São fundamentais para a qualidade dos vinhos tintos. Além de sua participação nos componentes de cor, aroma e sabor e na preservação, contribuem para a sensação do vinho na boca, sua percepção no palato, sua textura (sedosa, aveludada, redonda, macia, elegante?).

Logo, nossos taninos são fundamentais – como suportes da estrutura de um edifício. Se um vinho tinto tem carradas de fruto e de álcool, mas pouca acidez e taninos, não está bem estruturado.

Quanto aos taninos elegantes, podemos acreditar que já estão bem maduros, bem equilibrados num vinho pronto para ser degustado.

Da Adega

Taninos elegantes II. A Vinitude oferece o Los Cardos Cabernet Sauvignon 2009 por um preço também elegante. Confira. Vinícola Doña Paula é original do Chile e está na Argentina desde 1997. Nunca ganhou menos do que 90 pontos da Wine Spectator.


Para o Papai. Quem sabe o Millésime Cabernet Sauvignon 2008, quinto Millésime da história da Aurora, ou o Pequenas Partilhas Cabernet Sauvignon, ou o Chardonnay Brut, que conquistou para a vinícola gaúcha a sua 12ª medalha internacional esse ano, no concurso Vinagora, na Hungria. Saiba mais sobre as ofertas especiais da vinícola.


Dicas para Fondue. Para fondue de carne, um Pinot Noir Swiss Valley 2007. Para o de queijo, um branco, o Petite Arvine Premium 2007 (medalha de prata no Wine & Spirits Competition 2008, em Shangai). A Petite Arvine é uma uva branca natural do Valais, grande região vinícola da Suíça. Saiba mais. Vamos aproveitar o frio enquanto ele ainda está por aqui.


Wine Weekend 2011 A segunda edição desse evento vai acontecer de 18 a 21 de agosto, no Jockey Club de São Paulo. Um fim de semana prolongado, de degustação, aprendizado, compra de vinhos especiais, vinoterapia e galeria de arte (peças sobre vinho de Antonio Peticov, Zélio Alves Pinto, Guilherme de Faria).


Vinícolas (com a Salton, Vila Francioni e Valduga), importadoras (Expand, D’olivino, Ravin, MS Import, entre outras) vão oferecer rótulos nem sempre encontrados com facilidade.


Esse grande fim de semana vai acontecer de quinta a sábado das 12 às 22h e domingo das 12 às 20h. Os ingressos dão direito a uma taça de degustação (entregue no local). Veja no site.

Uma cesta com dois lances

Brasil é segundo maior produtor de uvas por área plantada do mundo e o vinho entre as necessidades básicas alimentares

by soniamelier em 20 de julho de 2011 | 12:01

A amiga tem outras coisas para pensar e talvez não dê muita bola para o fato de ser a Índia o país com a maior produção de uvas por área plantada do mundo: 25 toneladas por hectare. Agora, sabe quem vem em segundo lugar? Sim, no nosso Brasil, com 18 toneladas por hectare.

Ficamos na frente dos Estados Unidos (umas 17 toneladas), Rússia (mais ou menos 16 t.), China (15,5 t.), Uruguai (15 t.), Alemanha (14,5 t.), África do Sul (14.5 t.), Argentina (14 t.), Chile (14 t.) e muitos outros. São 32 países analisados por um estudo estatístico chamada Mercados Globais do Vinho – 1961-2009, um amplo trabalho realizado pelo economista Kym Anderson (com seu colega Signe Nelgen), do Centro de Pesquisa sobre a Economia do Vinho, da Universidade de Adelaide, Austrália.

Falar sobre números pode ser chato, mas as surpresas compensam. Quem diria que produzimos mais uvas por área cultivada que nossos vizinhos mais famosos no que diz respeito aos vinhos: Uruguai, Argentina e Chile?

Quem diria que um país como a França dedica apenas 4,3% da sua terra às uvas? Pela fama que o país tem, somos levados a pensar que na Champs-Élysées encontramos uma parreira a cada metro dos seus quase dois quilômetros. A Itália, sim a própria “Oenotria”, a “Terra da Uva”, só tem 7,8% de sua terra dedicada às uvas. Nessa categoria, em honroso primeiro lugar, temos Portugal, com 13,5%, seguido pelo Chile (11%).

Os dados sobre heterogeneidade das variedades nos espantam também. Eu pensava que nesse quesito a Itália seria imbatível. Mas não é bem assim: as cinco maiores variedades italianas (Trebbiano, Sangiovese, Catarrato, Montepulciano e Barbera) correspondem a 38,2% das plantações do país.

Mas é Portugal que, mais uma vez, se destaca. Entre os 12 maiores produtores mundiais, Portugal é o mais diverso. Nenhuma de suas cinco maiores variedades (Periquita, Fernão Pires, Tempranillo, Malvasia e Tinto Amarela) ocupa mais do que 7% da área de vinhedos. Juntas tomam apenas 24,6% das plantações.

Sempre pensei que fosse a Austrália onde a produção de vinho fosse dominada por grandes companhias: as quatro maiores lá têm 62,3% de participação nas vendas nacionais de vinho. Na verdade, é no Chile que esse tipo de dominância mais acontece: lá apenas três empresas detêm 80% das vendas nacionais de vinho, o que faz do país o menos diverso dos mercados, pelo menos comercialmente. Compare com a Itália, onde as quatro maiores empresas têm apenas 9,7% do mercado doméstico.

E a França, amiga, que se presumia ter a maior participação nas exportações mundiais de vinho, naturalmente liderada pelos rótulos de Bordeaux e Champagne. Mas isso só valeu até o início dos anos 90. Atualmente, é a Itália o exportador líder, com 21,3%. A França, é verdade, continua líder em termos de valor (relação de dólar por litro exportado), com US$ 6,22 em 2010. E você acha que para o país esse número é significativo? Que nada: o vinho lá representou apenas 1,62% das exportações. Campeã nesse quesito é a Moldávia: onde o vinho representa 10% das exportações.

Quanto ao volume de vinho, o Brasil fica em 15º lugar, com uma participação de 1,3% da produção mundial, à frente da Hungria (1,2%), Áustria (0,90), Ucrânia (0,9), Bulgária (0,9) e Nova Zelândia (0,8). Em termos de consumo, continuamos patinando. Entre 2000 e 2009, o consumo de vinho per capita caiu 1,32%. Em 2009 ficamos com 2,23 litros de vinho por adulto. Perdemos para a Itália, França, Espanha, Rússia, Argentina, Alemanha, Portugal, Chile, entre outros. Mas estamos na frente de Áustria, Ucrânia, Japão, Suécia.

Sim, em 2009, consumimos mais cerveja per capita (60,25 litros) e destilados (7,24 litros) do que vinho (2,23 litros). Mas dá para perceber que o consumo do vinho está aumentando. Não precisa nem de números para comprovar. Basta entrar num supermercado para sentir como a área dedicada a vinhos vem aumentando nos últimos anos. O que assusta é ver a Finlândia, que não produz vinho, com 12 litros per capita.

Quem quiser dar uma olhada nesse estudo é só consultar esse link e baixar vários arquivos em PDF.

vinho1 O vinho na cesta básica

Não poderia deixar de comentar a isenção fiscal que o governo do Rio de Janeiro concedeu  à   Enoteca Fasano, uma faustosa importadora de vinhos. A medida foi fundamentada em decreto relativo à venda de alimentos da cesta básica, de 2002, que inclui os suspeitos de sempre: arroz, feijão, farinha, açúcar, café, carnes etc.

O que queria aqui é lembrar que, mais uma vez, o vinho volta a ser considerado como um alimento e não como uma bebida alcoólica – uma antiga pretensão de produtores e comerciantes. Como alimento, a alíquota seria menor e o produto poderia ser vendido mais em conta.

Projeto de um deputado gaúcho já andou por Brasília defendendo justamente esse ponto: o vinho faz parte da dieta de milhões de pessoas há milênios, ajuda a sustentar nosso organismo com vitaminas e minerais. Logo, seria também um alimento. O projeto não passou, ainda.

É bom que se diga que o Grupo Fasano nega ter solicitado benefício fiscal para a sua Enoteca. No site da Enoteca Fasano só encontramos vinhos e algumas massas – essas da própria Fasano, originárias do Uruguai: 500 g por R$ 27,00 (no supermercado, a massa nacional fica por R$ 3,00). E por mais que o vinho alimente, não dá para imaginar uma dieta sem feijão, arroz etc. A garrafa mais barata lá, na minha busca, foi o Rey de Los Andes Reserva Sauvignon Blanc 2008, por R$ 29,00. O consumidor poderia comprar seis garrafas dessas mais uma massa uruguaia e chegaria aos R$ 202,00, preço médio de uma cesta básica com 20 itens. Mas não se aguentaria em pé por muito tempo.

Veja que coluna de hoje virou uma cesta: de números e dúvidas. Já disseram que se usa estatística com um bêbado se socorre num poste, mais para suporte do que para iluminação. O trabalho dos australianos está seguramente no segundo caso. Já o decreto estadual mostra que a cesta bateu no aro e não entrou. Mas a idéia do vinho como alimento e com alíquota reduzida é muito boa.

Da Adega

Vinhos Bacalhôa premiados. Nada menos do que 42 prêmios os vinhos Bacalhôa conseguiram no International Wine Challenge, de Londres (24 medalhas, uma de ouro, seis de prata, dez de bronze e dez recomendações) e no Concours Mondial de Bruxelles, na Bélgica (um ouro e duas medalhas de prata). Mais prêmios ainda foram concedidos na International Wine & Spirits e no Decanter World Wine Awards (só aqui, nove medalhas).


A Importadora Portus Cale, SP, já oferece alguns desses premiados: JP Azeitão Branco 2010 (Concours Mondial de Bruxelles – Prata); JP Azeitão Branco e tinto 2010 (Intern. Wine & Spirits Competition – bronze); Tinto da Ânfora 2007 (International Wine & Spirits Competition – bronze); Quinta da Bacalhôa Tinto 2008 (Concours Mondial de Bruxelles – prata); Quinta da Bacalhôa branco 2009 (no International Wine Challenge – prata); Bacalhôa Moscatel de Setúbal 2004 (Concours Mondial de Bruxelles – Ouro e Troféu no Decanter World Wine Awards); Bacalhôa Moscatel Roxo 2000 (International Wine Challenge – prata).


Saint Germain de roupa nova. Uma das marcas de maior sucesso da Vinícola Aurora, a Saint Germain, substituiu a cortiça por tampa de rosca, passou a utilizar garrafas mais leves (menos vidro, mais vidro reciclado, menos efeito estufa, mais cuidado com o meio ambiente) e rótulos com identificação de cores por tipo de uva.


Gostei do resultado: agora ficou mais fácil identificar os Merlot, o Assemblage tinto, o Rosé de Noirs e o Cabernet Franc. Isso é igual a mais facilidades, segurança e elegância para o consumidor e mais carinho pelo planeta. Confira só no site da Aurora.

A cor do xixi

by soniamelier em 1 de julho de 2011 | 17:48

vinho

Lei & Vinho. Matéria recente da revista Wine Spectator informa que os crimes do vinho acabam de entrar da cultura pop, mais precisamente em séries de sucesso da TV americana. Num episódio de Law & Order: Criminal Intent deste mês, temos o assassinato de um importador de vinho, logo após ter vendido falsas garrafas de Bordeaux datadas do século 18 e com iniciais de George Washington gravadas.

Em capítulo também recente de White Collar (Crimes do Colarinho Branco) acontece um assassinato quando dois falsificadores tentam uma garrafa de Bordeaux, também do século 18 – garrafa essa que supostamente teria sido presenteada por Marie Antoinette a Benjamin Franklin. Já em Bones, o corpo de um crítico de vinhos é encontrado num barril de Cabernet Sauvignon.

Os falsos Bordeaux do século 18 são uma clara referência ao escândalo das garrafas de Thomas Jefferson, quando em 1985 a bilionária família Forbes arrematou um Château Lafite 1787 supostamente pertencente a Thomas Jefferson, o terceiro presidente norte-americano. Foi a garrafa mais cara até hoje vendida: US$ 156.000,00, num leilão da Christie’s, em Londres. Mas tudo indica que a garrafa era falsa.

Nas duas primeiras séries, temos dois dos “pais fundadores” dos Estados Unidos: George Washington, o primeiro presidente, e Benjamin Franklin, diplomata, inventor, um dos líderes da Revolução Americana.

Thomas Jefferson, o terceiro dos “pais fundadores” aparece no Lafite 1787. Fazia parte de uma coleção de garrafas de 200 anos de idade, pertencentes a um alemão negociante de vinhos, Hardy Rodenstock. Diz ele que descobriu essas preciosidades escondidas numa adega em Paris, cujo endereço ele se recusa a revelar. As garrafas tinham gravadas as iniciais de Thomas Jefferson, “Th.J.”

Além de Forbes, muitas dessas garrafas de Jefferson foram compradas também em leilão por um bilionário da Florida, William Koch, que começou a suspeitar sobre a autenticidade delas e envolveu a Scotland Yard e até um ex-agente do FBI para investiga-las e tentar alguma luz nessa adega. Por exemplo: as inicias do estadista foram gravadas por algo como uma broca de dentista, inexistente no século 18.

O mistério e as ações legais continuam até hoje. Bill Koch tem tempo e dinheiro e é teimoso. Possui uma adega com 43 mil rótulos e estima que tenha investido entre quatro e cinco milhões em vinhos falsificados. O negociante alemão tem se mostrado uma senhora raposa, difícil de pegar. Essa história já rendeu até um delicioso livro, “The Billionaire’s Vinegar: The Mystery of the World’s Most Expensive Bottle of Wine”, de Benjamim Wallace. Não é mistério algum que os bilionários que compraram esse Lafite experimentaram vinagre, mesmo sem beber do vinho.

Nada disso é muito novidade. Por exemplo, a série inglesa Hustle (“O Golpe”, aqui), no ar desde 2005, apresenta um time de vigaristas londrinos cuja característica é só dar golpes em outros vigaristas, um jeito meio Robin Hood de ser. Num dos capítulos (de 2007, se não me engano), descobrem que a gerente de um abrigo para idosos está roubando dos velhinhos. Acontece que ela tem um calcanhar-de-aquiles: adora vinhos, desde que muito caros. E conseguem enganá-la com um Yquem de 1787 avaliado em US$ 8.000,00. Reparem que a safra é o fatídico 1787, ano em que Jefferson servia como embaixador na França. Sabe-se que foi um verdadeiro amante e conhecedor de vinhos – de grandes vinhos.

Diferente de Jefferson, a maioria dos entusiastas do vinho mal sabem distinguir entre uma imitação, mesmo bem feita, e um original. Os crimes de falsificação existem há muitos e muitos séculos. Vão desde forjar rótulos, substituir o conteúdo de garrafas (até comprando garrafas vazias de vinhos cult de sommeliers) e rolhas do que antes foram vinhos caríssimos. Por falar nisso, o eBay vende garrafas vazias de Lafite, Latour e outros vinhos cult bem baratinhas.

A legendária Berry Brothers & Rudd, casa inglesa que negocia vinhos desde 1698 não compra vinhos com safra anterior a de 2000; só oferece os que existem em seus vastos depósitos.

Em dois dos episódios citados, pessoas são assassinadas, o que não é muito comum acontecer no mundo dos vinhos. Mas os crimes atingem trepidantes níveis de filmes de ação e suspense. Recentemente, tentaram extorquir o mais famoso (e caro) vinhedo do mundo: o Domaine de La Romanée-Conti, na Borgonha. Ou pagavam um resgate milionário ou os vinhedos seriam envenenados. Como prova disso, algumas parreiras foram danificadas. A carta pedindo o resgate demonstrava que o chantagista conhecia bem o vinhedo. Mas, como todos os golpistas, esse precisava mais de grana do que tinha talento. E foi pego justamente ao tentar apanhar a mala de dinheiro com o resgate pretendido. A entrega foi num cemitério. Tchan, tchan, tchan!!!

Em tempos de grandes vendas, como agora, com o boom asiático, onde um milionário chinês compra um Latour 1961 por 200 mil dólares (e provavelmente vai bebê-la com Coca-Cola) dá para entender porque os falsificadores estão a todo o vapor.

O encarregado das investigações sobre os vinhos do bilionário da Flórida, Brad Goldstein, revela que os Bordeaux e uns poucos Borgonha estão entre os vinhos mais falsificados do mundo. Os rótulos mais visados seriam:

Château Cheval Blanc 1947 (existem mais garrafas desse vinho no mercado do que a vinícola produziu), Château D’Yquem 1811 (esse lendário Sauternes só chegou ao mercado em 1970; talvez o 1811 tenha sido produzido pela raposa alemã); Mouton Rothschild 1924 (esse foi o ano em que pela primeira vez a vinícola engarrafou seus vinhos; evidente que as centenas de garrafas com safras anteriores a 1924 e constando no rótulo que o vinho foi engarrafado na vinícola são falsas); Pétrus 1924 (é um dos favoritos dos fraudadores, criando cápsulas com a cor errada e rótulos feitos com papel artificialmente envelhecido) e o grande Domaine de la Romanée-Conti La Tache 1952 (é o alvo preferido dos falsários, quando buscam um Borgonha para vender).

Acabaram-se os tempos em que os filmes destacavam mais cerveja e uísque, geralmente envolvendo a Máfia, a Lei Seca etc. O vinho é a bebida da vez, talvez em razão de sua maior presença em todo o mundo e de sua história e imagem um tanto exclusivista. Isso é igual e mais lucros para o crime, morador mais antigo nesse cenário.

E se os vinhos fossem falsificados antes mesmo de fermentarem? E se, nesse caso, não existissem “bandidos” no sentido mais comum do termo?

Um vinho qualquer coisa. Já pensou em tomar um vinho fluorescente? Pegaram um gene de água-viva (a medusa) e o transferiram para a folha de uma parreira, mais precisamente da Vitis vinifera – a mais cultivada para a produção de vinhos finos em todo o mundo.

Pois esse gene fez com que a folha da parreira ficasse brilhando: um verde de letreiro de néon, sob uma luz ultravioleta. Não duvide, amiga, que daqui a pouco, transferem esse gene para uma uva e veremos uma garrafa de vinho brilhando na prateleira.

O autor dessa proeza é o Dr. Dennis Gray, professor de biologia desenvolvimentista da Universidade da Flórida, Estados Unidos. E infelizmente seu interesse principal é a uva. O “pai das parreiras brilhantes” acha que a parte mais difícil de suas pesquisas está mesmo é na indústria e nos consumidores, relutantes em aceitar vinhos geneticamente modificados.

Já existe um fermento geneticamente modificado, o ML01, criado em 2006 por outro biólogo, da Universidade de Colúmbia. O ML01 é o único organismo geneticamente modificado aprovado para uso comercial por vinicultores pelos Estados Unidos, Canadá, Moldávia e África do Sul. Em todo o resto do mundo está proibido. Essa cepa permite que se realize de uma só feita, a fermentação alcoólica e a malolática, encurtando o tempo de processamento do vinho: menos tempo, menos dinheiro.

Falam que com cepas geneticamente modificadas poderão tirar mais aromas e sabores dos vinhos. O que você acha, amiga? Se fermentos geneticamente alterados se espalharem, o vinho vai virar de vez um produto manufaturado, mais um refrigerante no mercado. Todos terão os mesmos sabores. Tudo o que o vinho tem de natural, tudo o que resulta de uma dádiva da natureza, onde o homem sempre teve muito pouco o que fazer; todas as características do lugar de origem, do famoso “terroir”, que dão aos vinhos qualidades exclusivas se perderiam.

Em troca, poderíamos ter vinhos “fashion”, mais amarelos, laranjas e vermelhos para o verão, mais violetas, cinzas e marinhos para o inverno. Talvez, nossas bochechas ficassem também amarelas (ou cinzas etc.) e todos saberiam que vinho bebêramos. Um show.

E toda essa artimanha genética teria a capacidade de transformar o vinho numa bebida qualquer, que deixaria como única lembrança não os seus aromas e sabores, mas a cor e o brilho do nosso xixi.

Da Adega

Aurora leva ouro em Bordeaux. A Vinícola Aurora conquistou três prêmios no 11º concurso Les Citadelles Du Vin, durante a maior feira de vinhos do mundo, a Vinexpo, realizada em Bordeaux, França. No concurso, realizado de 28 a 30 de maio com o apoio da Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV), teve a participação de mais de 300 appellations, 76% delas fora da França, 20 países representados, o que garantia diversidade. O júri foi formado por mais de 70 especialistas internacionais, aprovados pela OIV.

A Aurora recebeu medalha de ouro com o seu Marcus James Brut e medalha de bronze com o Espumante Aurora Chardonnay Brut, além de um prêmio especial, conferido ao produto que obtém maior pontuação entre os inscritos pelo país. Saiba mais.

Também não aguento

Grande fatia do consumo do vinho se concentra em gente preocupada com saúde, gente que bebe vinho como remédio

by soniamelier em 20 de junho de 2011 | 18:04

dreamstime_9697-300 Leram o Artur Xexéo? O colunista não aguenta mais um bocado de coisas, como começar qualquer frase com a expressão “Na verdade…”, ou responder cansativamente “Com certeza…” O jornalista não aguenta mais o Luan Santana nem a Regina Casé bancando a simpática. Nem eu.

E como eu, Xexéo não aguenta mais “pesquisas científicas amaldiçoando o ovo e seus efeitos no colesterol, anos depois de o ovo ter sido abençoado por pesquisas científicas porque, afinal, o ovo tem bom colesterol, apesar de, anos antes, outras pesquisas já terem amaldiçoado o ovo etc, etc, etc.


E isso, claro, vale também para a alface, a beterraba, o agrião e o que mais quisermos incluir, e no caso presente, as uvas e os vinhos. Depois do fenômeno do Paradoxo Francês, em 1991, quando o resveratrol apareceu como o John Wayne da luta contra as doenças cardíacas, a pesquisas não pararam mais. E as vendas dos vinhos passaram a crescer como nunca, particularmente a dos tintos.

Por conta do resveratrol (e de mais alguns outros componentes), o vinho foi transferido para as prateleiras das farmácias, indicado para tratar de doenças circulatórias, hepáticas, metabólicas, renais, mentais, cancerígenas é curar cataratas e transformar-se numa nova fonte da juventude. Tal como a história do ovo mencionada pelo Xexéo, com frequência vemos que a pesquisa B, mais recente, invalida a pesquisa A, mais antiga. E fique certa que o vindouro estudo C vai desbancar a pesquisa B.

O resultado é que grande fatia do consumo mundial do vinho se concentra em gente preocupada com saúde, gente que bebe vinho como remédio. Portanto, não é de estranhar que um novo comerciante de vinhos inglês, a Vinopic, esteja vendendo vinho (on-line) com base num baseado em suas qualidades para a saúde.

A Vinopic criou uma espécie de placar, um Intrinsic Quotient (“Quociente Intrínseco”), criado por um famoso pesquisador dos vinhos, o professor Roger Corder. Seu livro, “A Dieta do Vinho” (da editora Sextante) está até esgotado em português.

O cientista considera que o que tornam os vinhos mais protetores são os polifenóis, componentes químicos encontrados nas cascas e sementes das uvas, os principais contribuintes da cor e sabor dos vinhos tintos. Entre os polifenóis, os mais significativos seriam as procianidinas, encontradas também nas sementes das uvas e que podem funcionar como vasodilatadoras e, assim, proteger contra doenças cardíacas.

O professor descobriu também que certos vinhos contêm mais procianidinas do que outros e que, para a nossa saúde, deveríamos consumir de 300 a 500 mg delas diariamente. Verificou também que quanto menor a uva e maior o número de suas sementes, a quantidade potencial desse polifenol seria maior. E logo chegou aos vinhos com a uva Tannat, uma das variedades tradicionais do sul da França (e, agora, também do Uruguai). Outras castas teriam também boas quantidades daquele componente: Cabernet Sauvignon, Malbec (argentino), a italiana Sangiovese, entre outras.

O tal “Quociente Intrinsic” terá notas, exatamente como as que os críticos dão aos vinhos que degustam, à la Robert Parker e Wine Spectator. Podem ir de 50, para um tinto genérico, 80 para um tinto genérico com a “qualidade Vinopic”, 120 para um tinto de qualidade de Madiran, região das uvas Tannat. E não aguento igualmente esses excessos de pontos, marcas etc. para simplesmente falarmos de vinho.

Não tenho dúvidas que o site será um sucesso. Só não me vejo comprando vinhos em razão de saúde. Faço exercícios, como muita fruta e legumes, minha dieta é de colesterol reduzido. Não tenho nada contra a Tannat ou qualquer outra casta. Mas vinho é original e insuperável, a mais deliciosa e complexa das bebidas do planeta. Ele nos oferece estilos diferentes, do branco ácido ao rico tinto, ao encorpado sedoso, parados ou espumantes, secos ou doces. Podem ficar conosco de um dia a dez anos, a centenas de anos. Nenhuma outra bebida nos oferece tanta história, tantos costumes, tantas culturas e, de certa maneira, tanta espiritualidade. Quanto à geografia, o vinho é uma das poucas coisas no mundo da qual podemos identificar a sua origem. Vinho sobretudo é convívio, calor humano, um enlevo, uma ajudinha para irmos levando nossa vida numa boa.

Mas a turma de meia idade em diante não vai parar de comparar o seu tinto de 120 com outro de 110, como aquelas pessoas que trocam impressões sobre a qualidade da aplicação de injeção de suas farmácias preferidas.

Não aguento mais ouvir de vinho e medicina, que os tintos são mais saudáveis etc. E os Rieslings, os Sauvignon Blancs, os Chardonnays, os Viogniers? E a imensa tribo dos tintos não tão fartos dessas procianidinas? Não vou trocá-los por uma receita. Não me importo se papiros egípcios ou tabletes sumerianos já recomendavam vinho como ajuda para alguma aflição. Já pensou beber um copo d’água há 4 mil anos? Melhor o vinho, né? Ah, os soldados romanos só bebiam vinho. Aliás, de péssima qualidade, praticamente um vinagre, mas melhor que água, pois senão seriam varridos do mapa pelos Asterix do caminho.

Lembro que em dezembro de 2010, a empresa farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK), a segunda maior do mundo, interrompeu o desenvolvimento, em dezembro de 2010, da droga SRT501, baseada no resveratrol, destinada à prevenção de doenças circulatórias em razão de sua pouca eficácia e potencial em agravar problemas renais. Veja mais. Nada demais. Afinal, a empresa pesquisou, investigou e, por fim, verificou que ia morrer na praia. E pararam: nada mais profissional e ético. O problema está no consumidor: ele quer transformar a bebida num remédio e pode até remexer numa gaveta de saúde até então fechada.

Que tal continuarmos a bebericar nosso vinho pensando em outros méritos? O colunista Dr. Vino diz que comprar vinho por motivos de saúde o deixa doente. Eu já disso que não aguento isso. E você, amiga?

Da Adega

Vinexpo. O grande salão mundial do vinho e destilados abriu domingo, 18, em Bordeaux, e vai até quinta-feira. Está reunindo 2.400 empresas produtoras de 47 países, mais de 50 mil profissionais de hotéis, bares, restaurantes, companhias aéreas, pessoal de imprensa. Uma senhora festa.

Wine Day Cantu. A importadora apresentará algumas novidades de seu portfolio em evento no Hotel Porto Bay, dia 26, das 15 às 21 horas. Entre as novidades: os italianos Tenute Folonari e Tenute La Poderina e os franceses da Le Grands Chais de France. Os supertoscanos da I Giusti e Zanza, os chilenos da Viña Ventisquero, os argentinos da Susana Balbo/Dominio del Plata e os portugueses da Quinta do Vallado também estão na carta de vinhos preparada especialmente para o evento.

Mas as novidades ainda incluem vinícolas francesas, espanholas, chilenas, argentinas e uruguaias. Esse será o primeiro Wine Day Cantu no RJ. Imperdível.

Punto Final. Esse festejadíssimo Malbec, da vinícola Renacer, de Perdriel, ao dos Andes, está sendo oferecido por uma senhora barganha: R$ 39,00. Estamos falando do Punto Final Etiqueta Preta 2009. Veja aqui.

Quem não bebe e não beija

by soniamelier em 10 de junho de 2011 | 18:41

vinho


Amiga de longa data está emitindo sinais de fumaça de que algo está para acontecer. Anda me perguntando sobre que vinhos combinam com peixes (e cita truta, salmão, linguado, dourado etc.), com carnes (assadas, ragus, de panela, rosbife, estrogonofe), galinhas (ao molho disso e daquilo). Quer saber também sobre vinhos como aperitivos: o que oferecer antes e depois de um jantar. Essas coisas. Hum…

Pra começar, ela mal entra na cozinha. Seu filhote está naquela fase de comer papinhas. O que é, sem ironias, uma sopa. Comida mesmo, encomenda da cantina que funciona em seu condomínio: é tudo baratinho e bem variado. E, para ela, mais fácil, mais prático. Vive sozinha e trabalha. Deixa o filho numa creche e reserva as noites para se dedicar à cria.

Quanto a beber, ela mal sabe diferenciar vinho de wine cooler. Como não sai, vive inventando reuniões com amigas: ver um DVD, jogar um biriba. É quando eu apareço com uma garrafa de vinho para acompanhar o papo. E ela mal consegue terminar uma taça.

E os sinais de fumaça ficam mais intensos: acabou de me ligar perguntado sobre uma música do Elton John, Elderberry Wine. Quis saber se eu já tinha tomado vinho de sabugueiro (“elderberry”) Se a planta cura tudo, da caxumba ao resfriado. Se é verdade que sua frutinha vermelha dá sorte no amor. Hum, hum! Que eu saiba, os ânimos masculinos ficam quentes e de pé apenas na letra do Elton John.

Fucei mais e descobri que a cara amiga está preparando um jantar para o Dia dos Namorados. Só para dois. Mora ela e seu filho, o ex já foi embora há tempos. O candidato a namorado ainda desconhece existência do herdeiro. O plano é realizar o jantar depois de colocar o garoto na cama. Ela tem certeza do que o inocente (veja como o batido termo está corretamente empregado) vai ficar sossegado no seu quarto enquanto rola o jantar. Vai arrumar sarna pra se coçar.

Os perigos não param por aí. Segundo ela, o convidado é um verdadeiro sommelier. Se ela não distingue um wine cooler de vinho, certamente não sabe bem o que seja um sommelier. “Ah, ele manja muito de vinho!” Por isso, me pede dicas de vinhos para combinar com o que ela não sabe, pois desconhece o cardápio da cantina para o dia 12, a grande data.

Só não entendi muito bem o que ela está querendo com o Elton John. Pergunto se está produzindo uma trilha sonora especial para o jantar. Olha que o garoto acorda e o ágape será a três, com direito a choradeiras.

Não, a idéia era a de criar um CD, só com músicas destacando os vinhos. Um presente para o convidado. Dei cartão vermelho ao que ela selecionou. Por exemplo: “Bebendo Vinho” (com a Banda Ira), “Água em Vinho”, da Adriana; “Baladas” (Nei Lisboa), o infalível “Days of Wine and Roses” (Henry Mancini) e “Cálice”, de Chico e Gilberto Gil.

Pare por aí, amiga! “Bebendo Vinho” fala em alguém que quer morrer “bem velhinho, assim, sozinho, bebendo um vinho e olhando a bunda de alguém”. A cantora gospel Adriana está num embrulho existencial, não sabe dizer direito o que se passa dentro dela e pede ao “Pai” que transforme a água em vinho, pois já não pode ir sozinha…

A belíssima música do Mancini é um ótimo resumo do filme: os “dias de rosas e vinhos” te levam a uma porta do “nunca mais”. Um casal de apaixonados, onde o marido é alcoólatra, transforma a mulher amada numa parceira de birita. Ele consegue parar, mas ela não. E vinho mesmo não é o que não se bebe no filme: é uma metáfora para os Brandy Alexanders e Martinis consumidos em profusão. Uma história triste.

Em “Cálice”, temos um belo manifesto contra a ditadura militar, onde cálice é homônimo de cale-se e a bebida um “vinho tinto sujo de sangue”. O que é isso companheira? A sedução aqui são os nossos direitos, em particular os de pensar e falar. Um cálice que temta na porrada nos afastar deles.

Pronto, deixei minha amiga desanimada. Ela não cozinha, mal bebe, mas quer esse relacionamento. Afinal, vive só, vive em função do filhote. Acha um absurdo que não haja vinho no encontro já que esse, parece, é o dó-de-peito do rapaz.

Penso numa frase de Goethe, mas fico calada. Então, proponho um arranjo dos mais honestos. Vou contribuir com algumas garrafas de vinho: tintos, brancos, espumantes, além de um vinho do Porto. Ela arruma na cantina um cardápio que inclua uma entradinha, um peixe, digamos. E um prato principal, uma carne. Ela charmosamente abre os trabalhos com o espumante. E elegantemente pede que o rapaz selecione os vinhos que melhor combinem com o peixe e a carne. E encerra a festa, pelo menos nessa fase gourmet, com o Porto (um Quinta do Portal Tawny, 20 anos). Ela tem tudo para não ficar embaraçada. Precisa apenas prestar atenção no quanto beberá. Quanto ao resto, não me preocupo, ela já é bem grandinha.

Tem uma ligeira pegadinha: se o rapaz ainda for adepto de regrinhas de combinação, tipo vinho branco com peixe, vinho tinto com carnes, não haverá problemas. Mas se ele for um pouquinho mais atualizado e queira combinar comidas com molhos muito ricos, muito presentes (o que eu acho não acontecerá, pois não é a norma das cantinas) a milha seleção inclui também vinhos ricos (mais encorpados).

Pode ser um clichê, mas amor e vinho sempre andaram junto. Mesa de namorados sempre terá flores, velas, taças e uma garrafa de vinho. A Bíblia já dizia que “o vinho faz a vida feliz” (Eclesiastes 10:19), ele também “alegra o coração do homem” (Salmo 104:15). Ele nos faz feliz, nos alegra e é seduz: “Seus lábios são como o melhor vinho” (“Cântico dos Cânticos 7:9-10).

Acho que minha amiga se sairá bem. A frase de Goethe que engoli é a que segue: “Uma jovem e um copo de vinho curam qualquer necessidade; quem não bebe e não beija está pior que morto”. Minha amiga mal bebe, mas sabe beijar. Morta é que ela não vai estar. Semana que vem conto o final desse jantar.

Da Adega

Para os namorados. Eis o que selecioneis para mandar para a minha amiga. Foi fácil, pois a mídia especializada está sempre me enviando novidades. Por exemplo: enviei dois espumantes. Um, o Nero Rosé, da Domno do Brasil, empresa do Grupo Famiglia Valduga, localizada no Vale dos Vinhedos (RS). No Rio, consulte a Lidador. Em Sampa, veja na Specialitá Vinhos, Metapunto ou na Liquor Store. O outro, o premiadíssimo Baccio na versão Brut, safra 2010, produzido pela Famiglia Zanlorenzi (menção honrosa no The International Wine Challenge 2011, realizado em maio, em Londres).

Para tintos encorpados selecionei o Aurora Reserva Tannat 2009 e o Aurora Pequenas Partilhas Carmenère. Também da Aurora, separei o Reserva Chardonnay (veja onde encontrar no site) e o chileno Tabali Reserva Sauvignon Blanc (que ainda não experimentei; deixo por conta dos casal).

Estou ainda catando mais um par de vinhos. Afinal, não quero que minha amiga apresente um batalhão de ofertas. Mas por hoje, chega.

Leo Bello. Vocês todas sabem que o rapaz é o grande campeão brasileiro de pôquer, o homem que está na origem do sucesso da modalidade de jogo que pratica, o Texas Hold’em, que se transformou-se numa coqueluche por aqui.

Pois não é que o Leo Bello tuitou: “Um dos blogs mais interessantes e divertidos sobre vinhos que conheço é o da Sonia Melier”. Veja em: http://twitter.com/#!/leobello E eu falando em biriba. Aprenda a jogar pôquer com o Leo.

O Champanhe Real

Saiba qual a champanhe que o príncipe William e Kate Middleton vão beber no casamento

by soniamelier em 27 de abril de 2011 | 12:23

champanhe

Não se fala em outra coisa: qual será o espumante a ser servido no produto turístico britânico, o casório do Príncipe William com a plebeia Kate Middleton? O crítico de vinhos do New York Times, Eric Asimov, chegou até a viajar para a Inglaterra para degustar os espumantes ingleses, novos e promissores atores no mundo das bolinhas. E, claro, dar o seu palpite. Os estimados convidados brindarão com que bolinhas?

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