Saúde Feminina

by rogerio ciarcia ramires em 25 de novembro de 2011 | 17:02

Câncer do Colo Uterino – HPV

 

O câncer de colo uterino apresenta uma alta incidência em todo o mundo. Só no Brasil, anualmente, são diagnosticados 20.000 casos novos, com 4.000 óbitos decorrentes dessa doença.

 
A prevenção do câncer de colo uterino deve ser realizada através dos exames de colposcopia e papanicolaou rotineiramente, uma vez ao ano, a partir do início da atividade sexual. A segurança é de praticamente 100% quando realizados esses dois exames em conjunto.

 
Um dos principais objetivos do exame de colposcopia é da detecção inicial da infecção por H.P.V., para que a paciente seja tratada, impedindo assim o desenvolvimento, com o passar do tempo, do câncer de colo uterino.

 

Papilona Vírus Humano (H. P. V.) é um vírus que acomete o trato genital inferior (vulva, vagina e colo do útero) causando lesões micropapilares (bolhinhas) ou verrugas. Em geral não apresenta sintomas específicos.

 

A principal forma de transmissão é a sexual, porém admitem-se outras formas ainda não esclarecidas. É importante lembrar que a doença pode ficar latente, ou seja, aparecer após vários anos do contato.

  

O HPV quando atinge o colo uterino pode provocar alterações, que se não forem diagnosticadas e tratadas podem, com o tempo (em torno de cinco anos), causar câncer de colo uterino.

 
Algumas lesões, como as verrugas externas podem ser visualizadas a olho nú, porém na maioria das vezes as lesões são pequenas e são detectadas através do exame de colposcopia, onde o médico utiliza um aparelho (colposcópio) que aumenta a imagem, podendo assim identificar as lesões e realizar biópsia (retirado de um fragmento pequeno) para fazer o diagnóstico anátomo patológico (através do microscópio). O parceiro sexual também deve ser investigado através do exame de peniscopia.

 

A captura híbrida é um dos exames mais indicados para diagnosticar o problema. Ele detecta a presença ou não do vírus, e sabermos que tipo de vírus está presente: o HPV oncogênico (que pode causar o câncer) ou o HPV não oncogênico (que não tem potencial maligno). Esse exame é colhido através de uma escovinha que passamos no local de lesão e colocamos em uma solução para ser analisada no laboratório.

 

Por se tratar de um vírus, o tratamento do HPV não é tão simples, como tomar um remédio para matar fungos (como, por exemplo, na candidíase). O tratamento envolve a destruição de todas as lesões causadas pelos vírus, e isso pode ser feito através da destruição química (agentes químicos), ou através da destruição física (eletrocauterização). O fundamental é que o tratamento seja feito sobre visão colposcópica, para que sejam destruídas todas as lesões, com uma margem de segurança.

 

Após o tratamento, a paciente é considerada curada se não apresentar mais as lesões. Por isso, inicialmente é necessário um acompanhamento rigoroso através de colposcopia e papanicolau a cada três meses, e posteriormente, a cada seis meses.

 

Algumas vezes é necessário complementar a investigação com captura híbrida, lembrando que mais importante é saber se as lesões (identificadas através da colposcopia) não voltaram.

 

A principal medida para prevenir a infecção por HPV é a utilização do preservativo durante a relação sexual. Outras medidas que fortalecem a imunidade, como não fumar, providências anti-stress e boa alimentação também são importantes e, logicamente, realizar os exames preventivos (colposcopia e papanicolau) anualmente. 

 

Prof. Dr. Rogério Ciarcia Ramires
Doutor em Medicina pelo Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do hospital das clínicas da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Femme – Laboratório da Mulher



Últimos comentários (8)

Deixe um comentário

  1. _Vanessinha_ fez um comentário:

    27 de novembro de 2011 | 15:11 #

    Dr. Rogério, gostaria de te elogiar pelas maaterias.
    E te agrdecer por estes 3 meses me incentivando e auxiliando a concluir o meu trabalho de conclusao de curso.
    Foi de extrema importancia e aprendizagem todos os momentos que pude compartilhar com suas explicações e sugestões.
    Obrigada
    Vanessa Ohannes

  2. biaedinho fez um comentário:

    12 de dezembro de 2011 | 21:15 #

    queria informação sobre dermóide no ovário .

  3. neidegenuino2 fez um comentário:

    18 de fevereiro de 2012 | 10:03 #

    A materia é muito boa mesmo. Dr Rogerio, gostaria muito de ter uma resposta sobre um trantamento passado pelo meu medico ginecologista. Eu estou com cistos no ovario, e há mais de um mes minha mestruação desce sem parar, tomei medicamento oral contraceptivo, e não parou o sangramento. Meu medico receitou contracep de 150mg pra tomar 1 ampola (injeção) por 3 semanas ( 1 por semana ) tomei a primeira e nao parou o sangramento, devo continuar? estas doses são aceitáveis, neste periodo prescrito pelo médico? Por favor me ajuda…..

  4. fabyana1981 fez um comentário:

    25 de março de 2012 | 13:52 #

    Dr. tenho cisto no ovario medindo44,39,31mm ,(volume de 29,3cm por favor diga o tamanho esta muito grande com riscos, e começei a mestruar e normal pois estou fazendo tratamento com cefalexina 500. desde ja obrigada

  5. SusuIeq fez um comentário:

    26 de março de 2012 | 2:47 #

    Muito interessante, já passei por estas situações, péssimo é saber que não tem cura definitiva, sempre tenho que ir ao médico, os sintomas voltam em algum tempo.

  6. Andy_Valer fez um comentário:

    16 de agosto de 2012 | 15:48 #

    Pessoal, é importante que realizem o exame preventivo do cÂncer do colo do utero, sem esquecer de fazer a prevenção do câncer do corpo do útero, esta ultima doença não diagnosticada pelo papanicolau e sim pela ultrasonografia transvaginal.

  7. angel9 fez um comentário:

    13 de setembro de 2012 | 13:47 #

    Dr josé Bento passei por um grande susto essa noite, durante o sexo com meu namorado comecei a sentir formigamento por todo corpo, especialmente nas maos …paramos e minhas maos e pernas travaram, meus dedos da mão ficaram meio tortos e não conseguia mechar pra nada, andar tbm era quase impossivel, o que pode ser isso? demorou uns 15minutos pra que melhorasse.

  8. Heloisa fez um comentário:

    5 de abril de 2013 | 13:14 #

    Gostei muito da matéria, esclarecedora.

Deixe um comentário



perfil

Dr. Rogério Ramires Possui graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1992), doutorado em Tocoginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2002) e Título de Especialista em Administração Hospitalar pelo Centro Universitário São Camilo (2008). Atualmente é Coordenador do Serviço de Apoio Diagnóstico do Hospital Geral de Pirajussara (Escola Paulista de Medicina) e Diretor do Femme – Laboratório da Mulher. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Ginecologia e Obstetrícia, atuando principalmente na especialidade de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia.