» 2011 » fevereiroSaúde Feminina

O que é essa tal de Endometriose?

by rogerio ciarcia ramires em 17 de fevereiro de 2011 | 15:19

Nos últimos dias uma palavra bem complicada ganhou destaque entre muitas mulheres do Brasil: a Endometriose. Depois que a personagem da linda Camila Pitanga na novela Insensato Coração abriu seu coração ao pretendente e anunciou que não pode ter filhos porque tem endometriose, um ponto de interrogação formou-se na cabeça de muitas mulheres, principalmente das que já foram diagnosticadas com a doença.

Mas afinal, o que é essa tal de Endometriose?

Trata-se de uma doença ginecológica muito freqüente, provocada pela implantação de células do endométrio (camada interna do útero) fora da cavidade uterina, como nos ovários, trompas, superfície uterina e septo reto-vaginal, ou mesmo na região abdominal.

A presença dessas células fora do útero provoca dor pélvica, cólica, alterações intestinais e urinárias e dor na relação sexual. Em alguns casos, a doença pode até causar a infertilidade.

O diagnóstico da endometriose envolve diversos exames: como os de sangue, ultrassom transvaginal e de abdômen, ressonância magnética e a laparoscopia – um procedimento cirúrgico minimamente invasivo realizado sob efeito de anestesia.

O diagnóstico final é realizado pela laparoscopia onde visualiza-se toda a cavidade abdominal e pélvica com uma câmera que vai identificar os  focos de endometriose e coletar material para estudo anátomo patológico. Além disso, através da laparoscopia pode-se classificar o grau da endometriose e destruir os focos encontrados.

O tratamento clínico da endometriose envolve o uso de anticoncepcionais, progesterona, medicações que inibem o funcionamento dos ovários, além de anti-inflamatórios e analgésicos para reduzir a dor provocada.

Em alguns casos, dependendo do grau da endometriose, as mulheres podem realmente encontrar dificuldade para engravidar, devido à obstrução das trompas uterinas, sendo necessário tratamento específico de infertilidade.

Em casos mais leves, quando a doença é rapidamente diagnosticada e bem tratada, as mulheres conseguem engravidar sem maiores problemas.

Por isso que eu sempre alerto que o melhor “remédio” é a prevenção. Consultas periódicas e a realização de exames de rotina podem antecipar o diagnóstico e facilitar a cura.

Assim a sua novela pode ter um final feliz.

Conheça o conceito de saúde plena

by rogerio ciarcia ramires em 11 de fevereiro de 2011 | 14:07

Saúde plena é um conceito amplo de saúde que envolve a soma da integridade física com o bem estar emocional. Esta equação é mais conhecida pela população como qualidade de vida.

Mas o que vem a ser qualidade de vida?

Essa é uma questão subjetiva, algumas pessoas acham que é ter tempo livre, outras ter um bom padrão financeiro, outros viver em família…

Mas existe uma definição da Organização Mundial da Saúde sobre o que é realmente qualidade de vida: “É a percepção da pessoa, da sua posição na vida, no contexto de cultura e sistema de valores, nos quais ela vive e em relação aos seus objetivos, expectativas e preocupações”.

Portanto nós médicos devemos ter um cuidado especial em avaliar não somente a integridade física, mas também o bem estar das pessoas. Saúde não é apenas não estar doente, mas sim uma dádiva que se manifesta com disposição, equilíbrio emocional, felicidade, além da integridade física. Mas nossa grande dificuldade era justamente como avaliar a qualidade de vida das pessoas de forma objetiva.

Para isso a OMS (Organização Mundial da Saúde) criou em 1995 um questionário que avalia as principais áreas relacionadas com a qualidade de vida: domínio físico, nível de independência, espiritualidade, domínio psicológico, relações sociais e meio ambiente.

Através desse questionário, podemos pontuar a qualidade de vida do paciente, identificar seus pontos fortes e fracos e definir um planejamento com prioridades para a melhoria de hábitos.

Qualidade de vida, portanto, é uma questão médica que deve ser tratada com muito critério e seriedade, pois são as mudanças de hábitos e comportamentos inadequados que vão, no decorrer do tempo, prevenir muitas doenças e nos propiciar um estado de saúde plena.

Que métodos anticoncepcionais você conhece?

by rogerio ciarcia ramires em 1 de fevereiro de 2011 | 17:59

A contracepção talvez seja a principal preocupação das mulheres em idade fértil, em todo o mundo. Para percebermos isso, basta analisarmos a alta taxa de gravidez não planejada. Os métodos contraceptivos, ainda hoje, são temas de várias polêmicas e muitas mulheres, e também homens, ainda têm muitas dúvidas a respeito.

Por isso informação é essencial. De nada adianta saber da existência de diferentes métodos se a mulher não entender seu funcionamento, sua eficácia, vantagens e desvantagens. O desconhecimento desses fatores leva ao uso inadequado dos anticoncepcionais, com o risco de uma gravidez indesejada.

Mas antes de optar por um método contraceptivo específico você deve consultar um ginecologista. Só um profissional de saúde é capaz de avaliar seu caso, já que nem todas as mulheres podem usar todos os métodos disponíveis pois sempre há as contra-indicações. Além do mais, durante a consulta, o médico esclarecerá suas dúvidas e discutirá com você o melhor método indicado.

Existem vários métodos anticoncepcionais reversíveis entre eles os métodos de barreira, os anticoncepcionais hormonais orais, injetáveis e transdérmicos, além do implante e dos dispositivos intra-uterinos.

Como esse assunto é muito amplo, vou escrever neste post, sobre os métodos anticoncepcionais mais modernos.

Entre os mais recentes, destaca-se a pílula que possui apenas progesterona que ao contrário da pílula combinada (estrogênio e progesterona) pode ser usada durante o período de amamentação. Ela é indicada para mulheres que possuem distúrbios menstruais – pois essa pílula é de uso contínuo e pode cessar a menstruação – ou para aquelas pacientes que possuem contra-indicação ao uso de estrogênio como, por exemplo, as hipertensas graves.

Outro método muito interessante é o anel vaginal que possui estrogênio e progesterona. Porém ao contrário da pílula, onde a ingestão é oral, esse método é utilizado por via vaginal e deve ser aplicado uma vez ao mês.

Outra opção para quem não deseja tomar pílula é o anticoncepcional transdérmico que também possui estrogênio e progesterona, mas é aplicado através de um adesivo na pele, que deve ser trocado semanalmente.

Existe também o implante subdérmico. Trata-se de um pequeno bastão rico em progesterona colocado na região subdérmica do braço e que vai liberar hormônios em doses diárias na circulação com alta eficácia e validade de três anos. Como é composto apenas por progesterona, o implante pode causar sangramento, mas normalmente a maioria das mulheres deixa de menstruar com seu uso.

Outra opção muito interessante e moderna, com ótima adesão entre as pacientes é o Dispositivo Intra Uterino revestido por progesterona, esse método é inserido dentro da cavidade uterina onde vai liberar pequenas doses diárias de progesterona. É altamente eficaz e tem validade de cinco anos. Como a liberação de progesterona é tópica (dentro do útero) e o nível de hormônio na circulação é muito baixo, as pacientes praticamente não relatam efeitos colaterais e a adesão é muito boa. Geralmente as pacientes que usam esse método param de menstruar.

Enfim, existem muitas opções modernas, com ótima eficácia e mínimos efeitos colaterais, mas a escolha deve sempre ser feita após orientação do seu ginecologista.



perfil

Dr. Rogério Ramires Possui graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1992), doutorado em Tocoginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2002) e Título de Especialista em Administração Hospitalar pelo Centro Universitário São Camilo (2008). Atualmente é Coordenador do Serviço de Apoio Diagnóstico do Hospital Geral de Pirajussara (Escola Paulista de Medicina) e Diretor do Femme – Laboratório da Mulher. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Ginecologia e Obstetrícia, atuando principalmente na especialidade de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia.