Câncer do Colo Uterino – HPV
O câncer de colo uterino apresenta uma alta incidência em todo o mundo. Só no Brasil, anualmente, são diagnosticados 20.000 casos novos, com 4.000 óbitos decorrentes dessa doença.
A prevenção do câncer de colo uterino deve ser realizada através dos exames de colposcopia e papanicolaou rotineiramente, uma vez ao ano, a partir do início da atividade sexual. A segurança é de praticamente 100% quando realizados esses dois exames em conjunto.
Um dos principais objetivos do exame de colposcopia é da detecção inicial da infecção por H.P.V., para que a paciente seja tratada, impedindo assim o desenvolvimento, com o passar do tempo, do câncer de colo uterino.
Papilona Vírus Humano (H. P. V.) é um vírus que acomete o trato genital inferior (vulva, vagina e colo do útero) causando lesões micropapilares (bolhinhas) ou verrugas. Em geral não apresenta sintomas específicos.
A principal forma de transmissão é a sexual, porém admitem-se outras formas ainda não esclarecidas. É importante lembrar que a doença pode ficar latente, ou seja, aparecer após vários anos do contato.
O HPV quando atinge o colo uterino pode provocar alterações, que se não forem diagnosticadas e tratadas podem, com o tempo (em torno de cinco anos), causar câncer de colo uterino.
Algumas lesões, como as verrugas externas podem ser visualizadas a olho nú, porém na maioria das vezes as lesões são pequenas e são detectadas através do exame de colposcopia, onde o médico utiliza um aparelho (colposcópio) que aumenta a imagem, podendo assim identificar as lesões e realizar biópsia (retirado de um fragmento pequeno) para fazer o diagnóstico anátomo patológico (através do microscópio). O parceiro sexual também deve ser investigado através do exame de peniscopia.
A captura híbrida é um dos exames mais indicados para diagnosticar o problema. Ele detecta a presença ou não do vírus, e sabermos que tipo de vírus está presente: o HPV oncogênico (que pode causar o câncer) ou o HPV não oncogênico (que não tem potencial maligno). Esse exame é colhido através de uma escovinha que passamos no local de lesão e colocamos em uma solução para ser analisada no laboratório.
Por se tratar de um vírus, o tratamento do HPV não é tão simples, como tomar um remédio para matar fungos (como, por exemplo, na candidíase). O tratamento envolve a destruição de todas as lesões causadas pelos vírus, e isso pode ser feito através da destruição química (agentes químicos), ou através da destruição física (eletrocauterização). O fundamental é que o tratamento seja feito sobre visão colposcópica, para que sejam destruídas todas as lesões, com uma margem de segurança.
Após o tratamento, a paciente é considerada curada se não apresentar mais as lesões. Por isso, inicialmente é necessário um acompanhamento rigoroso através de colposcopia e papanicolau a cada três meses, e posteriormente, a cada seis meses.
Algumas vezes é necessário complementar a investigação com captura híbrida, lembrando que mais importante é saber se as lesões (identificadas através da colposcopia) não voltaram.
A principal medida para prevenir a infecção por HPV é a utilização do preservativo durante a relação sexual. Outras medidas que fortalecem a imunidade, como não fumar, providências anti-stress e boa alimentação também são importantes e, logicamente, realizar os exames preventivos (colposcopia e papanicolau) anualmente.
Prof. Dr. Rogério Ciarcia Ramires
Doutor em Medicina pelo Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do hospital das clínicas da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Femme – Laboratório da Mulher
