» sonhoRosana Caiado

Matéria de memória

Teimo em lembrar o que quero esquecer e sigo esquecendo o que não podia.

by rosanacaiado em 18 de abril de 2011 | 18:50

Às vezes, não há jeito exceto deixar para lá. Esquecer – mesmo que temporariamente – uma noite, uma pessoa ou uma frase, para poder seguir adiante e se permitir ser quem é, aumentar o grau dos óculos, perceber os ganhos de uma separação que parecia terrível, tentar ser minimamente feliz e outros objetivos comuns ao ser humano médio.

Ter consciência disso é um grande passo, mas só o primeiro da maratona. + Leia mais

Não sei se foi sonho

Estou de vestido branco, véu, all star, seguro um buquê e fico arrepiada.

by rosanacaiado em 28 de fevereiro de 2011 | 14:42

Estou andando na rua, não sei qual, até que vejo um tumulto. Quando me aproximo, encontro meus pais com roupa de festa. Pergunto o que está acontecendo e eles contam que é o casamento dos meus primos. Eu fico feliz, porque eles estão renovando os votos – o que é sempre bonito de se ver -, e ao mesmo tempo fico triste porque eles não tinham me convidado para a cerimônia. + Leia mais

Emplaca o meu carro

Nossos corpos se cercavam por debaixo do lençol e nossos lábios beijavam qualquer lugar que se aproximasse do rosto.

by rosanacaiado em 10 de janeiro de 2011 | 18:34

Estávamos no quarto com as luzes apagadas. Passava de meia noite. Eu já passeava por campos floridos em tons pastéis, começando a viagem rumo ao mundo dos sonhos, quando, no lado direito da cama, ele começou a dar sinais de que seus pensamentos tinham cores quentes e incluíam aquilo que os casais mais gostam de fazer.

Eu, duplamente embriagada, e ele, de short, nos encaixamos lentamente desde os narizes até os dedos dos pés – nós sempre nos acariciamos com os dedos dos pés – , quando, sem abrir os olhos, perguntei:

- Quando você for vovó, vai pegar que filme? + Leia mais

Alminthas

Os olhos da minha avó são os mais fechados que já vi

by rosanacaiado em 8 de novembro de 2010 | 20:16

Em 1911, nasceu Alminthas, cabelos eternamente castanhos e olhos verdes. Pariu Eudóxio, Amélia, Edith, José e Lurdes, que, por sua vez, botaram no mundo Marilene, Marilúcia, Marisa, Manoel, Pedro, Paulo, Fraga Neto, Júlio César, Cinthya Maria, Marco Aurélio, Sílvia Maria, Suzana, Luciana e eu.

CENA 23.678.994.325.999 – SALA DE JANTAR – INT/NOITE
EDITH (MINHA MÃE) E FILO (A ACOMPANHANTE DA MINHA AVÓ), TOMAM CAFÉ.
ALMINTHAS ENTRA, BRAVA.
ALMINTHAS – Como é que você me deixa ir para o hospital sem calcinha, Filó?
ALMINTHAS SAI.
EDITH E FILÓ RIEM.
CORTA PARA:

CENA 23.678.994.326.000 – CORREDOR DO HOSPITAL – INT/DIA
FILÓ E EDITH, ABATIDAS, ENCOSTADAS DA PAREDE.
FILÓ – Ela disse isso e foi embora. Estava brava que só vendo. Mão na cintura e tudo!
EDITH – E depois?
FILÓ – Eu acordei…
EDITH- Essa do sonho é a minha mãe de verdade!
CORTA PARA:

CENA 23.678.994.326.001 – CTI – INT/DIA
APITOS DOS APARELHOS. MÁQUINA DE HEMODIÁLISE. RESPIRADOR. LENÇOIS BRANCOS. ALMINTHAS ENTUBADA, PROFUNDAMENTE SEDADA.
CORTA PARA:

FIM? + Leia mais

Apesar de

A diferença entre amar porque e apesar de

by rosanacaiado em 8 de março de 2010 | 16:11

- Está acordado?

- O que foi?

- Você me ama porque ou apesar de?

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Aproveite

O ano que vinha já chegou. E você, como vai aproveitar 2010?

by rosanacaiado em 4 de janeiro de 2010 | 16:04

- Qual é a sua cor preferida?
- Azul claro.

(ele está usando uma camiseta azul claro)

- Quantos filhos você gostaria de ter?
- Três.

(ele tem duas irmãs mais velhas)
+ Leia mais

O teco-teco e a campainha

by rosanacaiado em 16 de setembro de 2009 | 15:35

Estou em um teco-teco cinza, voando em linha reta. O céu está azul. Somos eu e o piloto, de quem não vejo o rosto. A viagem está calma, sem turbulências. Até que, de repente, o chão sob meus pés se abre e caio em queda livre. Não tenho pára-quedas. Minha respiração acelera e sei que acordei, mas não consigo abrir os olhos colados por rímel e remelas.

Respiração acelerada, reclamo, engulo, mudo de posição e arregalo. É como se o sono tivesse sido interrompido bruscamente pelo teco-teco. Como se eu tivesse mais para sonhar, ou como se merecesse acordar aos poucos e não de supetão, como às vezes a vida teima em ser.

Ontem foi pior: bateram na porta do meu quarto, ou sonhei que bateram na porta do quarto. Acordei e fiquei com medo. Depois voltei a dormir, mas custei muitas lágrimas

O sonho do teco-teco tem se repetido ao longo da semana. Quando o vôo começa é como um aviso: estou prestes a acordar. Abro os olhos, checo imediatamente os ponteiros do relógio – não pararam. São sete e meia. Todos os dias, não importa se fui deitar às dez ou às duas, caio do teco-teco às sete e meia, no máximo, às oito.

Acontece muito de acordar no meio da noite como se a campainha tivesse tocado. De todos, esse é o sonho mais real que já tive. A campainha é a do apartamento, som de “zê”. Sento na cama, checo imediatamente os ponteiros do relógio – não pararam. São duas da manhã. Não, não é possível, não é ninguém, ninguém tocou a campainha, foi apenas um sonho. E volto a dormir, mas custo.

Além da campainha, o celular toca dentro do meu sonho. Acordo. Pego o telefone celular – nenhuma chamada – e volto a dormir. Mas custo. Ontem foi pior: bateram na porta do meu quarto, ou sonhei que bateram na porta do quarto. Acordei e fiquei com medo. Depois voltei a dormir, mas custei muitas lágrimas.

Me pergunto se a leitora já sonhou repetidas vezes que caiu do teco-teco poucos segundos antes de acordar. Ou se já foi acordada por toque de campainha, ou telefone dentro do sonho. Gostaria que esses sonhos fossem mais um dos que todo mundo sonha, como que está pelado na rua ou que vai cair (não do teco-teco, mas sozinha) – esse eu sonho mais no sofá, em cochilos e não em sonhos em cruzeiro.

Estou dormindo quando alguém chama o meu nome. Acendo a luz do quarto – ninguém. Checo os ponteiros do relógio – pararam. Não consigo mais dormir.

De avião?

by rosanacaiado em 24 de agosto de 2008 | 21:00

No churrasco

Estendo a tábua coberta por pequenas fatias de picanha mal passada em frente a um menino de 6 anos e falo assim:

- Sua mãe mandou você pegar um pedaço, mas não comer a gordura.

O menino de 6 anos, o mais doce que já vi, interrompe o caminho de seus pequenos dedos já em forma de pinça, olha para mim e pergunta, intrigado:

- O que é gordura?

- É essa coisa na pontinha da carne.

- Essa parte amarela? – ele aponta.

- É – digo.

No que ele pergunta:

- Tudo o que é amarelo no mundo é gordura?

Na minha cabeça

O elevador do prédio tem porta pantográfica e canta pneu.

Se eu fosse morena, compraria um casaco de moletom amarelo-limão.

Sempre titubeio antes de colocar uma crase e aceitar um convite.

Da minha janela, dá para ver o Cristo – não sei por quanto tempo, já que um prédio cresce na calçada em frente.

Às 6h da manhã, quando cheguei em casa, ainda estava escuro e acendi a luz da sala. Sentei no sofá, olhei para a janela e percebi que o Cristo não estava lá. Nem a estátua nem sequer o morro. Fiquei assustada. Parecia o começo de um filme de ficção científica e veio uma sensação parecida com a de quando acordo no meio da noite e você não está.

Meia hora depois, eu estava com sono, muito sono, mas não ousei ir para o quarto antes de o cristo aparecer, como se a presença dele dependesse da minha. Cheguei a pensar que estava no apartamento errado, no bairro errado, no sofá errado olhando para a janela errada. Não fossem alguns detalhes como o estalar do sinteco, as lombadas dos livros que já li olhando em meus olhos e a cadeira velha que acabei de comprar, teria certeza de que estava no lugar errado. E estava.

Às 6h45 as nuvens choveram e o Cristo apareceu, mas eu estava dormindo.

Na cama

Estou em uma estrada larga, de asfalto novo. Olho para trás e, na minha direção, vem um trator cuja altura é o triplo da minha. Apresso o passo e percebo que a distância entre mim e o trator é cada vez menor. Corro. O trator corre mais. Olho para trás outra vez e o trator vai me atropelar. Ele vai começar, pelos dedos do pé, a passar por cima de mim. Penso: vou morrer.

(Nos sonhos, esse é o momento em que costumo acordar: segundos antes da minha morte. Dessa vez, o sonho continuou – o que agora entendo como uma pista do que viria em seguida)

O trator passa por cima de mim. Ele é leve, é um trator de isopor ou um trator inflável – não sei ao certo. Ele passa por cima de todo o meu corpo. Debaixo do braço e na cintura, me faz cócegas.

Foi o melhor sonho que já tive.

No carro

Dois adultos no banco da frente prendem o riso. Há duas crianças, de 5 e 3 anos, no banco de trás. Conversam, as crianças.

A menina de 5 anos diz:

- Vou para Teresópolis.

No que a de 3 pergunta:

- É longe?

A de 5 responde com a exatidão da idade:

- Duas, três, sete horas.

E a de 3 continua:

- De avião?

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Ao futuro morador

by rosanacaiado em 7 de abril de 2008 | 21:00

Ontem foi o Dia da Mudança. Hoje volto ao apartamento, que está vazio. Vazio. A desculpa para voltar aqui é pegar três sacolas de objetos pessoais, que achei por bem não despachar na mudança. Seguro as sacolas e fico de pé – não há onde sentar. No meio da sala, olho para a varanda, olho para o teto, olho para o chão, olho para as paredes, olho para mim. O apartamento está sujo, como se aqui morasse uma pessoa sem nenhum asseio. É ingenuidade pensar que uma mudançanão levanta poeira.

Procuro os vinte centímetros quadrados mais limpinhos do chão da minha ex-sala, onde me sento e começo a escrever o que já venho pensando há dias: uma carta ao próximo morador do meu apartamento.

(Isso tinha que ser praxe: antes de ir embora, o ex-morador deixa uma carta na caixa de correspondência para o morador seguinte. O conteúdo da carta é livre. Por exemplo, o ex pode indicar ao novato a melhor pizzaria do bairro. Ou a farmácia que entrega mais rápido. Pode dar a ficha completa dos vizinhos – quem ouve música alta, quem bate porta, quem deixa o carrinho de mercado no meio do corredor. Pode falar sobre os porteiros – quem resolve e quem aborrece. Pode até dar dicas de decoração: no meu ex-banheiro, há um encanamento aparente, que escondi com um espelho de “moldura caixa” – é só perguntar na vidraçaria que eles sabem o que é. E, principalmente, o ex-morador deve deixar para o próximo, como herança, seus ímãs de geladeira)

Caro futuro morador do meu ex-apartamento,

Quando entrei aqui pela primeira vez, eu e o corretor, se não me engano, em uma quinta-feira de manhã nublada no final de um setembro, logo na sala veio a sensação do “é esse”. É de supetão que me apaixono: encantamento e planos para o futuro. No dia seguinte, formalizamos.

Na primeira semana, não tinha intimidade com o apartamento. Não sabia onde ficavam os interruptores de luz e tomava seguidos sustos ao ver meu próprio reflexo no espelho da porta do banheiro, como se a pessoa refletida – a menina no espelho – fosse um invasor ou até um fantasma.

Éramos desconhecidos – o apartamento e eu. Eu, totalmente conquistada. O apartamento teve o tempo dele e acabou me acolhendo. Em poucos dias, pegou o meu cheiro para si.

Apago.

Ao próximo morador do 808.

Não sei se a imobiliária contou, mas quando se vem morar aqui, ganha-se a Lagoa de presente, o pedaço mais bonito do Rio. Sim, a partir de hoje ela passa a ser um pouco sua – o que também significa que ela deixa de ser minha.

Você acaba de ganhar, também, uma família de micos, de rabos mais compridos do que o corpo inteiro. Eles fazem barulho de “i”, logo cedo pela manhã. Também é seu o bem-te-vi, que cantará sempre que você sair do banho. E é o mais novo colecionador de insetos inéditos, pretos, verdes, azuis, vermelhos, da cabeça roxa, das antenas prateadas. Eles entram sem pedir licença e por isso aconselho que você feche a varanda quando escurecer – eu fechava.

Apago.

Futuro morador,

Aqui morou uma mulher de 27, uma de 28, uma de 29 e uma de 30 anos, todas de 1,72 m de altura e cabelo respectivamente castanho, ruivo, preto e loiro.

Apago.

Aqui morou também Beto, o peixe Beta, que foi acidentalmente assassinado por mim.

Choro.

Caro morador,

Espero que você seja muito feliz nesse apartamento. Te garanto que fui, apesar de tudo. Cuidei desse apartamento como se fosse meu. Acariciei suas paredes, enfeitei suas janelas e finquei minhas raízes entre uma tábua e outra.

Desejo sorte na nova morada. Desejo que faça mais festas do que fiz, que convide mais seus amigos e sua família para almoços de domingo ou um suco de melancia depois de caminhar na Lagoa. Desejo que você receba crianças, se possível, bebês no apartamento – durante a minha estada, não apareceu nenhum. Que você aproveite a piscina, onde nunca fui. Jogue mais totó. E que você consiga colocar seu carro na vaga com mais facilidade que eu – antecipo que tem que ser de ré.

Apago.

Caro morador do 808,

Seja bem-vindo.

Rosana

Pego duas das três sacolas de objetos pessoais, recolho os imãs de geladeira e fecho a porta.

No meu mundo ideal

by rosanacaiado em 16 de março de 2008 | 21:00

Avanços da medicina:

Além da cura em definitivo e de imediato do câncer e da Aids, no meu mundo ideal, alguns comprimidos são distribuídos gratuitamente em bares e esquinas, como o matasaudadezil (gotas) , o fimdadordecotovelon (creme ou pomada) e o naomeencheosaconazol 35 (drágeas). Para uso externo, há distribuição de adesivos de calaabocaemebeijaagoraxon D e o meligueamanhãdeverdadicaden (em falta).

‘No meu mundo ideal, o mau cafuné reprova e a média é 8. Portanto, as aulas de cafuné têm 40 minutos de duração, depois do recreio e antes da educação física.

Cafuné como cadeira obrigatória no ensino fundamental:

No meu mundo ideal, o mau cafuné reprova e a média é 8. Portanto, as aulas de cafuné têm 40 minutos de duração, depois do recreio e antes da educação física. Só assim ficamos livres de cafunés de quinta categoria, em que a mão pousa na cabeça e os dedos fazem repetidamente o mesmo trajeto, no mesmo ritmo, por horas, provocando a sensação de que o couro cabeludo vai a qualquer momento, entrar em combustão.

Proliferação da elipse:

Porque há momentos da vida pelos quais não precisamos passar, quero dizer, cenas que poderiam ser suprimidas do nosso roteiro, isto é, fragmentos da história pessoal/profissional/amorosa que podem ficar subentendidas. Por exemplo, quando o seu par (ou a sua mãe) começa a narrar um caso que ele (ou ela) já contou inúmeras vezes, sempre com as mesmas expressões decoradas e pausas dramáticas, que só foram engraçadas para você até a terceira vez em que escutou. No meu mundo ideal, seu par (ou sua mãe) começaria a contar a história e, já na segunda frase: elipse – corta para o final da história em que todos dão risada e você se limita a sorrir sem mostrar os dentes e faz que sim com a cabeça. Exemplo 2: viagens de avião. No meu mundo ideal, teríamos a cena do avião decolando, seguida de flashes dos cartões postais da cidade destino e corta para você saindo do aeroporto arrastando um par de malas já na outra cidade. A elipses também são de grande serventia em situações como: engarrafamento na volta do feriadão, pagamento de contas, terminar um relacionamento etc.

Importação do estalinho:

Sabe festa americana de fim de ano quando todo mundo dá "Feliz ano novo" com direito à bitoquinha? Então. No meu mundo ideal, pelo menos no réveillon, o estalinho está liberado, podendo acontecer também em outras ocasiões de extrema felicidade. Exemplo: o entregador de pizza chegou e você está morrendo de fome. Que alegria: dê um beijinho nele. O amigo do amigo indicou você para um trabalho desafiador e bem remunerado. Ah, vai… Merece. E ex-namorados, de modo geral, cumprimentam-se com estalinho, exceto o meu eventual atual e sua ex – afinal, o mundo ideal é meu e não dessa sirigaita.

Martelo inflável como opcional de automóvel:

Além de direção hidráulica e vidro elétrico, os carros vêm com "martelo inflável" (nas cores amarelo, vermelho ou xadrez preto e branco) como opcional de fábrica. Assim, os motoristas barbeiros e, principalmente, os pedestres folgados recebem o que merecem: uma martelada na cabeça.

Utilização ampla e irrestrita do ctrl+alt+del:

É de conhecimento de todos que o computador não é o único a dar pau. O celular, por exemplo, com o uso diário e alguns tombos, apresenta problemas no visor e certas teclas, principalmente a do número 2, teimam em desobedecer. Solução: ctrl+alt+del nele. O mesmo em se tratando de forno de microondas, controle remoto de pilha fraca, até tesoura que não corta. Mas bom mesmo seria se homem viesse com ctrl+alt+del: o cara estava indo tão bem e, de repente, age de maneira inesperada, fica lento, parece que está com muitos programas abertos ao mesmo tempo. Ele só pode estar precisando de um orel+queix+nar.



perfil

Rosana Caiado Ferreira nasceu no Rio de Janeiro em 1977. Formada em Comunicação Social, é escritora e roteirista. Participou do livro "Como se não houvesse amanhã" (Editora Record) com um conto escrito a partir da música “Eduardo e Mônica”. Mantém o blog Complete a frase. Para entrar em contato, escreva um email para rosanacaiado@gmail.com