Insiro o tíquete de estacionamento na máquina e ela me lembra de colocar o cinto de segurança. Antes de passar a primeira, me deparo com a placa que já olha para mim faz tempo: Copacabana para a esquerda; Botafogo e Urca para a direita. Repito em voz alta o que a placa diz. Sozinha, dentro do carro, a despeito do cinto, não estou tão segura assim.
Quando mudo de endereço, é tanta coisa que se desloca e se transforma ao mesmo tempo, que não dou conta de catalogá-las. Preciso de semanas para absorver todas elas e, quando penso que consegui, descubro que tenho que aprender novos caminhos – os que usava já não servem mais.
Com o centro em outro lugar, os trajetos têm que ser lentamente reconstruídos. Até lá, faço barbeiragens, entro na rua errada e, quando distraída, ligo o piloto automático e faço a rota antiga. A saída do Rebouças é um clássico: quantas vezes entrei na Epitácio, em vez de seguir pelo Humaitá? E quantas caí no Humaitá, quando queria pegar a Borges de Medeiros?
Eu juro que sabia como ir ao shopping, como pegar o túnel, ir ao cinema e voltar. Agora, não mais. Rascunho o mapa da cidade no pára-brisa e faço cálculos aproximados de quilometragem e paisagem a fim de eleger o melhor caminho, ou simplesmente, traçar um que me leve até em casa.
É nessa hora que o motorista de trás perde a paciência e enfia a mão na buzina. Solto o freio de mão e vou pela esquerda. Não sei o percurso de cor, de modo que me valho do improviso – no que nunca me saí bem -, mas, à medida em que passo as marchas e avanço quarteirões, a ordem das ruas se desenha nas minhas lembranças como se estivessem sendo construídas naquele exato instante através do poder da minha imaginação.
Cheguei. Mas ainda não sei que caminho seguir.
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