O casamento dos próprios pais é a relação homem e mulher que se pode ver mais de perto.
Mesmo antes de ter consciência, presenciei momentos mais, outros menos suaves, discussões, lágrimas, depois gargalhadas, mãos dadas e já me questionei se devia mesmo ter sabido da intimidade de vocês como casal. Hoje agradeço o aprendizado: a determinação, o companheirismo, o humor e o amor, juntos, podem vencer a batalha diária que se chama casamento.
Observando vocês, aprendi que o casamento se faz nos detalhes: na foto de beijo, nas brincadeiras de ciúme, na almofada de namorados, nos gostos em comum e nos emprestados, nas surpresas que o outro reserva e também nos rituais que se estabelecem ao longo dos anos, como os passos fortes do pai para não assustar a mãe quando chega em casa.
Pai, me comove te perceber alerta na cadeira, esperando a hora certa de levantar e ajudar a mãe a descer os degraus do restaurante ou do altar. Me comovem o seu cuidado e a sua compreensão dos receios dela, os tomando para si e fincando sua posição de homem e marido.
Mãe, me toca o modo como você se refere ao pai quando ele não está, e chora e sofre como se sentisse na própria carne as suas dores. Isso só pode ser amor, o amor que vocês alimentam um pelo outro e que, às vezes, dá, sim, lugar à impaciência e à raiva, mas no dia seguinte acorda firme há 41 anos.
Obrigada por um dia terem me feito, por estarem comigo sempre e quando mais preciso, por me nutrirem, me servirem de exemplo e também me darem esperança na solidez e na infinitude do casamento.
Um beijo e um abraço com muito amor,
Rosana – a caçula da Edith e o xodó do Fausto.
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