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Eu também

Preciso dizer uma coisa. Estou apaixonada por você.

by rosanacaiado em 30 de agosto de 2010 | 20:52

- Aí eu disse que estava apaixonada por ele.

- Eu falei para você não fazer isso!

- Eu sei. Mas não consegui não fazer.

- Como foi?

Em um livro de capa dura, tracei uma linha embaixo da frase “não é sinal de fraqueza mas de segurança  ser o primeiro a verbalizar sentimentos”. O livro mencionava pedidos de desculpas e declarações de amor, e foi o que me encorajou a dizer, naquela tarde, na cama, que estava apaixonada por ele.

- Acabei dizendo de costas.

- De costas?

- É, ele estava deitado por cima de mim. Os dois de bruços, sabe?

- Durante?

- Não. Depois.

- Eu teria falado durante.

- Por que eu nunca te escuto?

Tentei olhando em seus olhos, mas fiquei com vergonha. Tentei sem usar palavras, mas não foi o suficiente. Até que, quando ele estava deitado, molhado, sobre o meu corpo, ambos de bruços, recitei o seu nome e fiz a introdução:

- Preciso dizer uma coisa.

(Era de fato uma necessidade)

- Estou apaixonada por você.

Como ele não disse nada, repeti com mais ênfase:

- Estou completamente apaixonada por você.

- Eu disse: “estou apaixonada por você”.

- E ele?

- Deu um suspiro forte.

- E você?

- Repeti: “estou completamente apaixonada por você!”

- E aí?

- Aí aconteceu a pior coisa que pode acontecer quando você toma iniciativa de falar que está apaixonada por alguém.

Ele soltou um suspiro na minha orelha, desses que nunca sabemos o que quer dizer, mas intuímos o que não quer dizer.

- Ele me deu um beijo.

- Então não foi tão ruim assim.

- Claro que foi. Um beijo é o que você faz quando não sabe o que fazer. Você vai lá e beija. Repete uma coisa que vocês já fizeram dezenas de vezes e ignora a coisa nova que vocês nunca tinham feito antes.

Diante da declaração sem resposta – o que, especialmente nesse caso, é uma negativa -, o mal estar tomou o quarto, coloriu as minhas bochechas e roubou centímetros da minha altura. Tudo o que ele falava, ainda que fosse gentil, perdeu a importância, uma vez que só me saciariam duas palavras que não vieram em seguida nem depois: “eu também”.

- Esse beijo não queria dizer que ele estava apaixonado por você?

- Não. Se ele tivesse apaixonado por mim, teria dito “eu também”.

- Eu disse para você não fazer isso!

- E agora?

Se antes meus pensamentos se repetiam na frase “estou apaixonada por você, estou apaixonada por você”, a partir dali resumiam-se a “ele não está apaixonado por mim”. E, com raiva do livro de capa dura e um pouco de dor, fui me juntando aos poucos enquanto me afastava dele devagar, me defendendo em silêncio até sarar.

Leia também: O primeiro Eu te amo

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Últimos comentários (14)

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  1. anakessler fez um comentário:

    31 de agosto de 2010 | 11:02 #

    Amei!!!

  2. Ju Nina fez um comentário:

    1 de setembro de 2010 | 20:14 #

    Eu sempre tenho muito medo deme declarar, exatamente por isto: não ser correspondida!! :(

  3. Janyvirgo fez um comentário:

    1 de setembro de 2010 | 20:15 #

    é triste mas amei!!

  4. Kesynha88 fez um comentário:

    2 de setembro de 2010 | 10:59 #

    Muitooo bom

  5. Rô Chagass fez um comentário:

    2 de setembro de 2010 | 12:24 #

    Amei… estou passando por uma situação parecida, e a gente sempre acha que essas coisas só acontecem com a gente… que fantasiamos de mais…

  6. lilica_pa fez um comentário:

    3 de setembro de 2010 | 16:56 #

    Acho que vale a pena correr o risco. Não ser correspondida é apenas uma das possibilidades, a outra… a outra é ser feliz! =)

  7. IsaBela_PI fez um comentário:

    3 de setembro de 2010 | 19:57 #

    Comigo aconteceu exatamente igual….mas como diz no trecho ‘não é sinal de fraqueza mas de segurança ser o primeiro a verbalizar sentimentos’,e mesmo diante da resposta negativa isso não me faz sentir medo de expor meus sentimentos, e sim continuar bem segura.
    Adorei o texto!!!

  8. dhyna fez um comentário:

    6 de setembro de 2010 | 15:54 #

    O amor quando é verdadeiro não exige nada nem mesmo ser correspondido porque é tão maravilhoso amar assim, eu amo e sei que muitas das minhas conquistas devo a esse amor que faz com que meus dias tenham mais alegria pelo simples fato dele existir.

  9. fernandamoreira_capricorniana fez um comentário:

    15 de setembro de 2010 | 12:06 #

    Eu me identiquei muito com o texto uma vez que tbm não acho sinal de fraqueza verbalizar os sentimentos… apesar da negativa de quem está escutando. Não tenho um bom realcionamento com a dúvida. Prefiro expor o que sinto e pagar por isso . Ótimo texto .

  10. claudia-alter81 fez um comentário:

    16 de setembro de 2010 | 9:55 #

    Dvemos dizer o que sentimos!!!Apenas acho que devemos encontrar o momento apropiado para isso.
    Quanto a não sermos correspondido,é uma pena mais pode acontecer fazer o que né é a vida.
    Vamos em frente.

  11. lilawicka fez um comentário:

    17 de setembro de 2010 | 21:19 #

    É… o bom da história é que sara.

  12. nany49 fez um comentário:

    24 de setembro de 2010 | 18:03 #

    é melhor colocar para fora o que desejamos do que colocar para dentro de nós aquilo que repudiamos, falar do amor mesmo platônico uma dia fará quem fala sentir o real sentido do que de fato vale apena.

  13. rcdomdcrj fez um comentário:

    25 de setembro de 2010 | 7:21 #

    E melhor esperar um tempo, e ter certeza do que vc realmente sente , fora que vc corre o risco de ficar no vacuo, nao ser correspondida.

  14. edlin fez um comentário:

    20 de outubro de 2010 | 11:32 #

    Gostei de saber que não sou a unica a cometer essa loucura de se declarar rsrsr. Fiz isso mas deixei bem claro que nao queria estar apaixonada e por isso terminei com ele kkkkk.

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perfil

Rosana Caiado Ferreira nasceu no Rio de Janeiro em 1977. Formada em Comunicação Social, é escritora e roteirista. Participou do livro "Como se não houvesse amanhã" (Editora Record) com um conto escrito a partir da música “Eduardo e Mônica”. Mantém o blog Complete a frase. Para entrar em contato, escreva um email para rosanacaiado@gmail.com