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Luxo, luxo, luxo!

by Rita Avellar em 24 de abril de 2008 | 21:00

Falaremos de um assunto conhecido de todas nós, mas que, ao mesmo tempo, parece distante da nossa realidade de mundo: o Luxo! Assim mesmo, com "L" em maiúsculo. O conceito principal que algumas pessoas ainda usam para definir o tão falado mercado de luxo já caiu em desuso há muito tempo. Quem ainda automaticamente associa luxo à ostentação pode tratar de rever suas idéias. O luxo de hoje é o "inacessível acessível", assim como define o filósofo francês Gilles Lipovetsky.

Esse maior acesso ao mundo das marcas de luxo não aconteceu por mero acaso, não. Os departamentos responsáveis pelo marketing das luxuosas grifes identificaram ao longo dos tempos mudanças fortes de valores e símbolos associados a este mítico universo, que sempre manteve (e precisava manter, é claro!) uma enorme distância dos seres humanos menos abonados. Valores como qualidade e tradição abrem espaço para uma gama de "sensações" – projetadas pelas gerações seguintes aos anos 1980 – como desejo, estilo e emoção.

‘Hoje, a construção da imagem de um produto vale mais que o próprio produto, sendo exaustivamente veiculado na mídia como algo jovem e inovador, como foi o caso da Louis Vuitton

O luxo da extravagância deu lugar ao luxo da atitude. É este luxo que vai além da "marca", e apresenta o design e o estilo, indo totalmente ao encontro com que esta geração que está aí procura: exclusividade e diferenciação. É esta sensação do "foi feito especialmente para mim" ou "para poucos" que caracteriza o nosso atual desejo, que abomina a ostentação exagerada e idolatra a "exclusividade".

Segundo ainda Lipovetsky, estamos em uma nova fase: a era do luxo de marketing. Hoje, a construção da imagem de um produto vale mais que o próprio produto, sendo exaustivamente veiculado na mídia como algo jovem e inovador, como foi o caso da Louis Vuitton com o estilista Marc Jacobs. Este foi responsável pela renovação da grife, deixando-a por dentro destes novos conceitos, mais moderna e colorida, conseguindo ainda mesclar tudo isso com o lado mais tradicional da marca: a qualidade e a logo LV usada em seus produtos. Acertou em cheio! A atitude é o que importa.

Em uma época em que comprar é mais importante que ostentar, a moda torna-se algo descartável e com prazo de validade determinado. Portanto, o processo de aquisição de um produto de luxo é sempre da realização rápida de um grande prazer. Mas que, em seguida, abrirá espaço para o chamado "vazio do consumo", que fará com tenhamos vontade de possuir outro produto para ocupar o espaço do anterior.

Os profissionais de marketing correm atrás para preservar a exclusividade da marca versus o aumento das vendas, por conta dessa desesperada busca para "tapar" esse vazio. Isso tudo diminui de alguma forma a exclusividade do produto, podendo até afastar o tipo de consumidor mais antigo de luxo, que ainda gosta de saber que são poucos os que podem consumir determinada peça.

A mágica está em acertar no desenvolvimento de produtos que possam mexer com o imaginário, mas que, logo, possam ter um substituto, que seja mais desejado ainda, criando este ciclo que move o mercado de luxo. Ah, como era mais fácil antigamente!

Sra. Laranja e Sr. Limão

by Rita Avellar em 17 de abril de 2008 | 21:00

A maioria das mulheres, em algum momento da vida, já experimentou a sensação de estar totalmente in love. É aquele período em que você acha que realmente encontrou a sua outra metade da laranja. Mas quando, em termos de estilo, a sua outra metade é na verdade um limão? Bem, no início, tudo são flores. Você acha ele lindo de qualquer jeito. Suas manias são um charme, seu jeito de andar com o cabelo desengonçado é fofo. Ah, e que gracinha a maneira como escolhe a sua roupa, tão rápido! Mas, com o passar do tempo, tudo isto vira um inferno e você tem vontade de jogar todo o armário dele fora! Por que isto acontece? Assim como as manias, o comportamento, gestos etc., o estilo também é "camuflado" no período de deslumbramento, das descobertas da paixonite.

De repente, parece que ele é a pessoa mais desleixada e sem noção do mundo ao se vestir. Quando isso acontece (e, acredite, acontece com a maioria!), a melhor solução é: manter a calma! Se você realmente o ama, tem que ter respeito. O que significa que impor à força o que você acha que é correto está totalmente fora de moda.

‘Mas, de repente, pare em frente de alguma loja que você considere interessante e (importante!!!) tenha a ver com o estilo dele. Faça comentários, tipo: nossa que linda esta calça!

O moçoilo em questão está precisando da sua ajuda e não de uma chata reclamando do seu jeito de se vestir. Vamos ajudá-lo? Então, pegue papel e caneta e anote as dicas de como parar com este sofrimento de estilo e ponha a cabeça para funcionar:

1) Pare e analise consigo mesma (não precisa falar para ele, por favor!!!) o que lhe incomoda: é a maneira desajeitada de se vestir para sair com você, que curte uma pessoa mais arrumadinha? É a maneira de combinar as cores e formas? Ele parece que se esqueceu em que século estamos? Analisando isso tudo, você pode partir para um plano de como ajudá-lo sem ser invasiva.

2) Como ajudá-lo? Por exemplo, se ele é esse cidadão que parou no tempo no quesito estilo, que usa aquela calça meio semi-bag, com cinto fino e blusa para dentro da calça, relógio cebolão e mocassim e, ainda assim, acha que está bacana, leve-o para um shopping ou para uma rua com vitrines masculinas, com outro pretexto sem ser compras, inventando alguma coisa que tenha que fazer por perto. Mas, de repente, pare em frente de alguma loja que você considere interessante e (importante!!!) tenha a ver com o estilo dele. Faça comentários, tipo: nossa que linda esta calça! Atual e com corte que valoriza o seu corpo! Vamos experimentar? Acho que você vai ficar lindo/gostoso/alinhado… (isso vai depender de como ele é e como funciona a relação de vocês!).

3) Em um dia de chuva ou meio paradão, fale que vai ajudá-lo a arrumar o armário. Então, aproveite para olhar cada roupa e ver o que ele tem. Pegue as piores (que espantam até mosca na cozinha) e pergunte, com delicadeza, se ele gosta destas roupas. Se ele ama de paixão aquela regatinha mamãe-sou-forte laranja, explique que ela não o favorece muito, mas já venha com uma solução, viu? Não adianta apontar um problema e não trazer a resposta! Otimizar é a ordem! Para deixar o menino contente, mostre os tipos de roupas que o valorizam e aproveite para montar algumas produções para ele. Diga que já que ele gosta de se arrumar com rapidez, isto é uma maneira que facilitará muito a vida dele. Lembre-se: homens são práticos!

4) Ele acha que tudo o que você acha legal em termos de estilo é "coisa afeminada!"? Então, homens são racionais, você tem que ter exemplos: imagem é a melhor coisa. Procure em revistas, sites ou até mesmo em programas de TV e prove o contrário!

Boa sorte, Laranja!

Por baixo dos panos

by Rita Avellar em 10 de abril de 2008 | 21:00

Mulherada, eu sei, não adianta esconder! Passou por uma loja de lingerie o pescoço quase entorta! Nem que seja para pensar numa próxima comprinha para ver novidades naquele esquema "estou só olhando". Ou para se imaginar usando uma calcinha super-mega-sexy que ainda não teve coragem de usar! O que chamamos comumente de lingerie são as famosas "roupas de baixo", literalmente tudo que fica por debaixo da roupa: sutiã, calcinha, espartilhos, cintas-ligas e outras coisitas mais. Para o homem, não há como negar que quaisquer dessas peças são automaticamente associadas a sexo. Mas nós, mulheres, pensamos um pouquinho diferente! A lingerie de cada uma vai de total encontro com a personalidade da dona.

Procura conforto? Algodão e um tamanho mais larguinho é a solução. Não tem medo de seduzir? Pequenininha e com algum detalhe provocante é a procura. O mais interessante é que a mesma que gosta de conforto, de repente, pode ousar em um dia especial com uma calcinha que até stripper profissional ficaria com vergonha. A graça das roupas de baixo é esta: a brincadeira do esconde-esconde.

‘Saibam que a lingerie é assunto antigo feminino. Data do segundo milênio antes de Cristo, lá em Creta, quando as sabidas mulheres usavam uma espécie de corpete simplérrimo para sustentar os seios, projetando-os para frente

Saibam que a lingerie é assunto antigo feminino. Data do dois milênios antes de Cristo, lá em Creta, quando as sabidas mulheres usavam uma espécie de corpete simplérrimo para sustentar os seios, projetando-os para frente. Ahá! De bobas elas não tinham é nada! Milênios mais tarde, Freud apareceu afirmando que as roupas íntimas são nada mais que fetiche! Ou seja, um pedaço da alça do sutiã já faz a alegria dos homens, estes sim, bobos por natureza.

Mas voltando à história da moda, a lingerie percorreu um longo caminho para chegar ao que temos hoje em termos de conforto e tecnologia. Sempre acompanhando todas as loucas mudanças que aconteciam culturalmente, a lingerie já foi composta por longas e desengonçadas vestes até depois da Idade Média, e, logo após, surgiu ainda mais cheias de fru-frus e detalhes.

Ah, e o que dizer dos famosos espartilhos, usados por mais de quatro longos séculos? Eles literalmente matavam algumas mulheres que tinham seus órgãos perfurados ou simplesmente ficavam sem ar. Até chegar o estilista com visão aguçada, chamado Paul-Poiret, que "libertou" as mulheres deste martírio. Mas, acreditem, já existe há algum tempo uma vontade desta peça voltar ao guarda-roupa feminino. Claro que sem muitos desconfortos, porém, com um pouco de apertão. Afinal de contas, quem não sofre para ficar com cinturinha de pilão?

Mas nada mais tecnológico e moderno que a invenção da Lycra® e do nylon, que possibilitou muitas mudanças na feitura da lingerie, deixando os movimentos mais livres. O que vemos hoje em dia é uma variedade absurda de modelagens, cores e tamanhos para todos os tipos de corpos e bolsos. Dá até vontade de sair por aí apenas de calcinha e sutiã, não é? Ah, claro, os homens iam adorar! Olha os bobos e agora babões de novo!

Moda e hip-hop

by Rita Avellar em 3 de abril de 2008 | 21:00

Puff Daddy tem uma, 50 cents tem desde 2003, Beyoncé recentemente lançou uma também e, para completar, Pharrell Williams encabeça esta lista… O que todos estes artistas têm em comum, além, é claro, de sucesso e muito money produzido pelo fenômeno chamado Hip-Hop? Isso mesmo, um pé na moda!

Há mais de 40 anos, música e moda andam lado a lado. Toda essa história começou com o estilo que vinha das ruas, de diversas tribos que começaram a influenciar os estilistas. O streetstyle está ligado à atitude: o que pensar, vestir e escutar. Até 1940, a moda era ditada e todos deveriam usar roupas conforme as regras da alta sociedade.

‘No final dos anos 1970, um novo som surgiu nos guetos de Nova York e deu início ao Hip-Hop, que ultrapassou as barreiras das ruas e tornou-se um movimento cultural mundialmente conhecido

Mas foi a partir dessa época que as tribos urbanas começaram a surgir, criando mais uma opção para o visual, além daquela que já era imposta. Mas o grande pulo do gato (ou seriam gatos e gatas, hã?) foi dado na década de 1960. A variedade de escolhas aumentou consideravelmente por conta do momento econômico mundial. Isso fez com que as pessoas começassem a pensar em diferentes formas de se vestir. No final dos anos 1970, um novo som surgiu nos guetos de Nova York e deu início ao Hip-Hop, que ultrapassou as barreiras das ruas e tornou-se um movimento cultural mundialmente conhecido. Mas, mesmo assim, foram necessárias décadas para que a grande indústria virasse seus olhos para o movimento atrás de inspiração para suas criações.

De olho no interesse que estas roupas despertaram nos jovens de maior poder aquisitivo, as grandes marcas começaram a explorar este filão de enormes lucros. Na onda dos big profits, artistas do meio lançaram suas grifes ou se aliaram às grandes grifes para fazer uma coleçãozinha aqui, outra acolá. Além das luxuosas Versace, Jill Sanders, D&G e Marc Jacobs se inspirarem no Hip-Hop para fazer suas coleções, o contrário também ocorreu: rappers como Jay-Z e Notorious B.I.G. citam Versace em suas rimas, como símbolo de status.

É… radicais de plantão agora não tem mais jeito. O mundo da moda se rendeu ao mundo deste som empolgante e vice-versa. Nesta união não tem briga, nem disputa e, melhor, todos saem ganhando… e comprando.



perfil

Rita Avellar é formada em Design de Moda e Figurino e atua na área de marketing e comunicação de moda desde 1999. Ministra cursos e palestras sobre o tema, pesquisas de tendências e visual merchandising em instituições como Senai Cetiqt e Universidade Estácio de Sá. Presta também consultoria de marketing de varejo de moda, além de desenvolver trabalhos como personal stylist e produtora na área.