Que delícia de praias nesta época! Nada como esquecer os problemas e o cansaço do fim do ano nestes dias despreocupados de areia, sol e mar… Você está de consciência tranquila, fez tudo direitinho, passou filtro solar, está de viseira como mandam os dermatologistas. Mas, de repente, começa aquela coceira no pé insuportável – o que é isso?!
Pois é, uma das infecções que tiram o encanto dos dias de praia é o "bicho geográfico", cientificamente chamado de Larva migrans. Caracteriza-se por intensa coceira, às vezes desesperadora, localizada em erupção que forma um trajeto serpiginoso, como se fosse um desenho de um "riozinho". Ocorre com frequência nas regiões que ficam em contato mais prolongado com a areia, como os pés e até mesmo as nádegas dos bebês – coitadinhos!
O bicho geográfico é causado pela penetração de um verme, o Ancilóstoma, pela pele e seu posterior deslocamento. A larva vai andando dentro da pele do hospedeiro, desencadeando desconfortável coceira e até dor, quando há infecção secundária por bactérias.
Muitas vezes ocorre infestação múltipla, por várias larvas ao mesmo tempo. No início torna-se difícil o diagnóstico, pois aparecem várias bolinhas vermelhas em vários pontos dos pés ou das nádegas, confundindo-se com micose ou alergia. Dias depois, as larvas vão caminhando sob a pele e se delineiam os trajetos em forma de "caminhos" e a coceira chega a ser insuportável.
O tratamento é à base de pomadas com tiabendazol, um vermífugo e, nos casos de múltipla infestação, também com comprimidos de tiabendazol ou outros vermífugos via oral. Ajuda-se a aliviar o desconforto com antialérgicos, anti- histamínicos e aplicando pedras de gelo envoltas em um saquinho plástico, que acalmam o prurido.
Este verme está oculto em meio à areia da praia, devido à contaminação desta areia por fezes de cachorros. Por isso, é tão importante que todos se conscientizem da inconveniência de se levar animais à praia. O cão pode contaminar, assim como pode ser contaminado, mesmo que seja muito bem cuidado, faça exames de fezes periódicos e visite o veterinário com frequência. Se ele for à praia, além de estar exposto à contaminação, você estará incentivando outras pessoas a também levarem seus cachorros, muitas vezes não tão bem cuidados como o seu.
Portanto, pense bem: talvez seja melhor deixar seu querido bichinho em casa, mantendo a salvo ele e as outras pessoas, e, assim, aproveitar despreocupada as ensolaradas praias brasileiras…
