» 2009 » novembroJose Guilherme Vereza

Na hora de nossa morte

by jose guilherme vereza em 26 de novembro de 2009 | 16:01

Pelava-se Orestes de medo morrer. Na antessala do centro cirúrgico, tinha certeza de que a súbita crise de apendicite era o sinal que sua vez havia chegado. Já estava à mercê dos primeiros efeitos de um coquetel intravenoso à base de uma substância rara e curiosa, que, além de provocar um torpor delicioso, tem a propriedade de gerar um efeito colateral esporádico, que leva o paciente a ser dominado pelas forças do inconsciente, a ponto de dizer o que não se diz, entregar rapaduras indigestas, entre outras saias das mais justas e indiscretas.

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Falta de sensibilidade

by jose guilherme vereza em 18 de novembro de 2009 | 16:26

Viviane chegou tarde no flat do namorado, ou namorido, ou eterno noivo, sei lá, esses nomes que classificam relações que se arrastam, semissérias e semi “vai levando”, onde os casais moram em casa separadas e vivem pra lá e para cá com sacolas entulhadas de mudas de roupas ligeiras e pertences utilitários, dependendo do que se vai fazer à noite.

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Um ano depois

by jose guilherme vereza em 11 de novembro de 2009 | 15:25

Estou em festa. Faço um ano de Bolsa de Mulher, escrevendo toda quarta-feira, com muito prazer. E como sou chegado a uma retrospectiva, lá vou eu exaltar o passado para enxergar melhor o futuro. Sem parecer cretino ou autobeijoqueiro, sem clamar por feriado nacional nem retiros reflexivos, quero apenas celebrar e agradecer tantos comentários energéticos, inspiradores e divertidos.

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Histórias roubadas

by jose guilherme vereza em 5 de novembro de 2009 | 16:26

Uma mulher de 40 anos se casa com um viúvo bem sucedido, pai de um filho pré-adolescente, ainda inconformado com a perda da mãe. No processo penoso e diplomático de conquista da confiança e do possível amor do enteado, acontece o inusitado, o inexplicável, o incontrolável: a mulher é surpreendida por uma ensandecida atração carnal pelo menino, que por sua vez, com a sexualidade em riste, alimenta o tesão recíproco. Parece um caso escabroso de pedofilia e perversão, daqueles em que a gente esbarra nos noticiários, e que quase sempre acabam em escândalo, quando não em tragédias acachapantes. Mas tudo isso é fruto da imaginação de Mario Vargas Llosa, expresso com requintes de poesia e erotismo no romance “Elogio da Madrasta.”

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perfil

José Guilherme Vereza é publicitário, consultor, professor, escritor, blogueiro. Também é botafoguense, ex-tijucano, sempre lebloniano, neopaulistano. Tem mulher, duas filhas, babá, cozinheira, passadeira. E faxineira que vem quinzenalmente. Tem dois filhos homens, que sempre chegam com uma nora e namoradas diversas. Além delas, tem mãe, madrasta, irmã, nora, cinco cunhadas, duas sobrinhas, uma sogra-avó, uma sogra-madrasta, 37 primas, várias alunas e um milhão de amigas. Pode-se dizer que é um Ph.D. em TPM.