A vitória e a derrota do bem. A final da Copa do Brasil, na última quarta-feira foi digna daquele velho e bom futebol brasileiro. Vasco e Coritiba, dois grandes do nosso futebol, com a mesma história de recuperação, fizeram uma final emocionante, disputada até o último minuto.
Conheci a esposa de Roberto Dinamite, Presidente do Vasco, no bairro onde moro e logo percebi o quanto este casal e sua família amavam o seu clube de coração. Acompanhei a luta deles para tirar o Vasco do obscurantismo, que dominava a colina e que levava o clube a passos largos para perda do status de grande do futebol brasileiro. O Vasco contava apenas com sua torcida bem feliz, que nunca deixava o time sozinho, nos seus piores momentos: time preferido é que nem filho, não adianta gostar. Tem que participar e ajudar.
Depois de derrotas, armações e decisões judiciais, finalmente Roberto conseguiu a Presidência do Vasco, mas encontrou um clube afundado em dívidas e mesmo com muito esforço não conseguiu montar um bom time para disputar o brasileiro e acabou caindo para segunda divisão em 2008.
Para organizar o departamento de futebol na disputa da série B, Roberto trouxe do Sul, Rodrigo Caetano, que já havia feito um excelente trabalho de reestruturação no Grêmio. Embalado por sua torcida, o time conseguiu imediatamente retornar a elite do futebol brasileiro, vencendo a série B em 2009. Com a campanha ruim no brasileiro de 2010 e um início de 2011 novamente fora da disputa do título carioca, àquelas pressões da velha oposição, voltaram. No entanto, acertadamente a Roberto e sua diretoria investiram na Copa do Brasil e o que se viu foi a conquista do título inédito para o Vasco e para o Técnico Ricardo Gomes, e a conquista da tão sonhada vaga para Libertadores de 2012.
Quanto à derrota do bem ficou com o Coritiba, que a exemplo do Vasco, saiu da situação de rebaixamento em 2009, ano do seu centenário, agravada pelo quebra-quebra, promovido por torcidas organizadas na última partida do clube naquele brasileirão. Em 2010, o Coritiba conseguiu se reorganizar rapidamente e voltar 2011, apesar da perda do mando de campo em várias partidas da série B, em virtude da pancadaria geral de 2009. Da mesma maneira que o Vasco, a torcida foi o alicerce do Coritiba, que de quatro mil sócios em 2009, passou para 30 mil em 2011. Chegou à final da Copa do Brasil, como o time sensação do Brasil no primeiro semestre deste ano, batendo recordes de invencibilidade, ganhando o campeonato paranaense de ponta a ponta. O Coritiba tanto quanto o Vasco merecia o título da Copa do Brasil e a vaga da Libertadores. Fizeram uma final sensacional, mas infelizmente apenas um poderia ganhar e desta vez deu Vasco. Parabéns a torcida vascaína que comemorou como nunca pelas ruas do Rio a quebra do jejum de oito anos.
Inicio de semana emocionante. E ainda teve a despedida do Fenômeno da Seleção, mas esta história é grande e fica para o próximo post.
