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O INCRÍVEL ROGÉRIO CENI CHEGA À MARCA DE 100 GOLS

by Redação em 29 de março de 2011 | 2:34

O incrível  Rogério Ceni chega à marca de 100 gols. Todo torcedor gostaria de ter um Rogério Ceni em seu time não só por ser um goleiro goleador sem precedentes na história do futebol, mas pela paixão pelo clube que defende desde 1990.

Rogério nem pensava em ser goleiro. Quando criança, no Paraná, foi apreender a jogar tênis. Já adolescente morando em Mato Grosso, na cidade de Sinop, passou a jogar vôlei, inclusive foi campeão estadual.  A primeira vez que jogou no gol foi numa pelada com os colegas do Banco do Brasil, onde trabalhou dos 13 aos 17 anos, como auxiliar de serviços gerais. Aos 17 anos resolveu fazer um teste no Sinop como goleiro, mas só foi aproveitado no ano seguinte, porque o time estava sem goleiros. Na primeira partida profissional defendeu um pênalti e acabou sendo o destaque do Sinop na conquista do campeonato estadual no mesmo ano. Quando acabou o regional, por indicação do Presidente do Sinop, foi fazer um teste no São Paulo. Era setembro de 1990 e começava ali uma das mais belas carreiras do futebol brasileiro.

Rogério conquistou campeonatos estaduais, brasileiro, Libertadores, Mundial de Clubes. Esteve na Copa do Mundo de 2002 como terceiro goleiro. Rogério com toda sua trajetória vitoriosa não foi aproveitado na Seleção Brasileira. Na Copa de 2006 havia um clamor da torcida para que Parreira convocasse o goleiro são-paulino, mas o técnico preferiu convocar o jovem Júlio Cesar como terceiro goleiro.

Na verdade, dizem que por ter opinião formada e dar entrevistas fora do formato CBF, Rogério foi preterido muitas vezes nas convocações da Seleção Brasileira. Aliás, Rogério é um daqueles jogadores que tem e dá sua opinião sobre tudo no futebol. No domingo mesmo, nas comemorações do seu gol 100, criticou a CBF pela politicagem que acabou descartando o Morumbi, estádio do São Paulo, para ser a arena de São Paulo na Copa do Mundo do Brasil.

EU VI PELÉ JOGAR AO VIVO

by Redação em 22 de outubro de 2010 | 22:06

Eu vi Pelé jogar ao vivo no dia do seu aniversário.  Com as comemorações dos 70 anos do Rei Pelé, relembrei muito o dia em que vi o  rei jogar. Do alto da minha maturidade de 14 anos, forjada pelas dificuldades da infância pobre, já tinha completa noção do que seria assistir àquela partida para alguem como eu. Era o mítico ano de 1968, o ano que nunca acabou. Os protestos estudantis varriam o mundo, subvertendo toda a ordem existente na época. Os estudantes franceses lutavam contra os padrões vigentes na universidade; os americanos lutavam contra a guerra do Vietnam. Era tempo do movimento negro, do psicodelismo, dos festivais de rock. No Brasil era tempo de luta contra a ditadura, da passeata dos 100 mil no centro do Rio, do temeroso AI-5, que cerceava a tudo e  a todos; era ano do Tropicalismo, de Roberto Carlos, dos festivais de música. Era  o auge do futebol brasileiro, onde os vários craques desfilavam pelos gramados brasileiros, indicando ao torcedor um previsível próximo tricampeonato mundial. Iniciava-se a nacionalização dos campeonatos. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa tinha virado a Primeira Taça de Prata. O local era Porto Alegre, Estádio Olímpico. O famoso Santos de Pelé iria jogar contra o Inter, que jogava no estádio do Grêmio, enquanto contruia o Beira-Rio. Ir ao futebol em Porto Alegre, naquela época, era um evento bastante importante. A gente ia  toda arrumada. Me lembro da roupa que usei, imaginem: saia preta, acima do joelho, claro, blusa de voal amarela, cheia de babados em volta do decote e um largo cinto roxo, com uma grande fivela redonda. Havia garçons nas arquibancadas, de “summer”  (tipo um smoking de festa, só que branco) vendendo uísque em copos de vidros. Já fomos civilizados em estádio, sim. Antes do jogo, Pelé foi homenagedo  com  um enorme bolo, de três andares. Os 70 mil torcedores cantaram parabéns pelos 28 anos do Rei, que chorou de emoção. E o jogo? Ah!  Foi um show de Pelé. Fez um gol, deu passe pra outro e o Santos acabou vencendo o Inter por 3 a 1. Que jogador  incomparável! Só quem não viu Pelé jogar, pode achar que existiu ou existe algum jogador no mundo que possa ser comparado ao Rei. Ele era um jogador completo. Não havia nada num jogo de futebol, que Pelé não pudesse fazer. Foram  1281 gols   em 1375  jogos. Pelé foi amado pelo mundo, chegou a parar uma guerra. Até hoje ele é admirado. É o nome mais conhecido do planeta. Os jovens de hoje podem acreditar nos mais velhos: Pelé foi e ainda é o melhor de todos os tempos.

CADÊ A MÃE DESTAS CRIANÇAS?

by Redação em 7 de agosto de 2010 | 2:52

Cadê a mãe destas crianças? Foi o que muitos perguntaram depois do festival de besteiras protagonizado por alguns meninos da vila e exibido aos  seguidores do twitter. Realmente os clubes precisam preparar melhor esta garotada que vem ascendendo cada vez mais jovem. Outro dia Zico apontou problemas de comportamento na categoria de base do Flamengo. Agora esta brincadeira sem graça dos garotos dos Santos: eles ainda não entenderam a extensão do sucesso em campo. Outro dia não ganhavam nem para ter cachorro, quanto mais para comprar a ração e, no entanto, com a fama e o dinheiro rápido parece que já esqueceram o que eram há alguns meses atrás. Hoje com a febre das redes sociais e a facilidade e a velocidade de comunicação através da internet, a falta de privacidade está alcançando até os pobres mortais, quanto mais aos super expostos meninos da vila. A fama sobe imediatamente à cabeça e começam a achar que não podem ser criticados, que são imunes e impunes. Daí a flertar com a criminalidade é fácil, fácil. Os clubes precisam preparar estas crianças para o sucesso e para o dinheiro. Não basta apenas ser craque, porque cada vez mais o futebol depende de patrocinadores que não querem ver suas marcas associadas a comportamentos inadequados tanto dentro como fora de campo.

Mas enfim, mesmo com tudo isto, os meninos  da vila conseguiram seu segundo título no ano e a vaga na Libertadores em 2011. Realmente fica difícil para a diretoria dos Santos segurar a rédea com esta garotada talentosa.

ENFIM UM TÉCNICO, TÉCNICO

by Redação em 27 de julho de 2010 | 12:34

Enfim um técnico, técnico. Apesar de segunda opção do trapalhão Ricardo Teixeira, Presidente da CBF, Mano Menezes já mostrou que acompanha e tem conhecimento sobre todos os jogadores brasileiros aqui e no exterior. Sua primeira convocação objetiva as olimpíadas de 2012 e a renovação da seleção para Copa no Brasil. Mais do que isto a seleção de Mano contempla os melhores no momento e sem o tão famoso comprometimento de Dunga, mostra que no final de contas o futebol brasileiro pode e deve privilegiar a capacidade técnica dos nossos jogadores, na formação da seleção canarinho.

Mano mostrou muito conhecimento e tranquilidade na mais de uma hora de entrevista coletiva. O ex-treinador do Corinthians gosta de futebol e de falar de futebol. Estritamente técnico, falou das características de cada jogador. E pasmem, já definiu o esquema tático preferido, simplesmente porque, ele mesmo disse, pode escolher os melhores.

Bem vinda às entrevistas apenas para se falar de futebol, sem as grosserias, farpas e respostas “nada a ver”. Não que Mano não responda atravessado de vez em quando, mas tudo dentro da normalidade e sem aberrações.

 

ENEACAMPEÃO

Por falar em técnico, técnico, nosso melhor não está no futebol e sim no vôlei. Bernardinho é eneacampeão da liga mundial de vôlei. Eneacampeão é uma palavra difícil, quase nunca usada por aqui, teve que sair fresquinha do dicionário para denominar este monstro do vôlei que é Bernardinho. Além de possuir todas as qualidades possíveis que um técnico precisa, ele se tornou especialista em promover renovação de seus times. Bem que o Mano podia fazer uma parceria com Bernardinho, para descobrir o segredo.

 

KAKÁ É HUMANO!

by Redação em 20 de junho de 2010 | 23:23

Sempre tive um pouco de má vontade com Kaká, apesar de reconhecer o grande jogador que é. Na verdade era uma desconfiança: nunca gostei do jeito “perfeitinho” de Kaká. Bom moço, bom filho, bom neto, bom marido, apesar do assédio. Homem de uma mulher só (fato muito repetido por ele), disciplinado, jogador de grupo, de bom relacionamento, de declarações politicamente corretas.  Caridoso, religioso e cumpridor dos seus deveres. Perfeito demais. Mas não é que o jogo contra Costa de Marfim mostrou um Kaká humano? Realmente Kaká não tem sangue de barata e tem muito sangue nas veias para lutar como lutou no jogo contra os violentos jogadores marfinenses.

Vindo de uma lesão que o atrapalhou em todo primeiro semestre, inclusive causando desconfianças no torcedor do Real Madrid, Kaká chegou à África do Sul mal fisicamente e sem ritmo de jogo. Na primeira partida contra os coreanos do norte jogou muito pouco, mas surpreendentemente nesta segunda partida foi o melhor jogador em campo. Responsável pelas jogadas de dois gols, Kaká não arrepiou, quando iniciou a pancadaria dos jogadores da Costa de Marfim. Ficou indignado com as jogadas violentas não coibidas pelo juiz. Ele parecia não acreditar que jogadores profissionais como os marfinenses, que jogam na Europa, estivessem batendo descaradamente na cara do juiz. Acabou sendo expulso injustamente.

A seleção brasileira está classificada. Deve disputar com Portugal o primeiro lugar do grupo no último jogo das finais. Este primeiro lugar do grupo “G” está se tornando indigesto para as oitavas de final. Provavelmente o segundo do grupo “H”, que é o nosso cruzamento, será a Espanha. Será que vale a pena ser o primeiro? É de se pensar: se por um lado quem quer ser campeão tem que ganhar de qualquer um, por outro, não há necessidade de correr riscos logo a seguir. Porque não se engane não: a Espanha perdeu para Suiça, mas tem muito futebol para mostrar e pode ser uma pedra no nosso sapato.

A FEBRE DA FIGURINHA

by Redação em 8 de junho de 2010 | 0:18

Alguém me perguntou se eu estava colecionando o álbum da Copa do Mundo. Disse que não. Nem estava prestando muito atenção nisto. Mas como que não? Você gosta tanto de futebol e não está fazendo o álbum? Todo mundo está fazendo, disse meu amigo. Não levei muito em conta. Tenho os álbuns de 94 e 98, que fiz junto com meu filho, que era criança na época, e até pensei em comprar este, mas o álbum já vinha com um erro: tinha ou ainda tem a figurinha do Ronaldinho Gaúcho, que nem foi convocado.

Mas este final de semana, precisei ir ao um grande shopping e vi em uma de suas praças uma multidão de crianças e adultos, correndo de lá para cá, com um álbum na mão. O local era um posto de troca. Uma loucura! Será que é a Copa, o futebol que motiva estas pessoas ou é o desafio de completar um álbum? Não sei, só sei que vou correr e comprar o meu. Não quero ficar fora da brincadeira!

 

AMISTOSO NA TANZÂNIA

 

Todos sabem que estes amistosos não acrescentam nada aos preparativos da seleção brasileira: acrescentam sim aos cofres da CBF, U$ 1, 8 milhão só da Tanzânia. No Zimbábue foi mais U$ 1,5 milhão.

Só que neste jogo contra a Tanzânia deu para ver uma fragilidade na defesa e na saída de bola do Brasil, que pensávamos ser o nosso forte. Felipe Melo está muito mal. Errou passes, chegou atrasado a alguns lances e acabou levando amarelo. Amarelo em amistoso é dose. No segundo tempo, com a entrada de Ramires, tudo melhorou. Será que Dunga vai teimar e manter Felipe Melo? Vamos ver até quando. Do trio de volantes, somente Josué e depois Ramires jogaram bem. Gilberto Silva acompanhou Felipe Melo. Dunga está com sorte. Os problemas estão aparecendo mesmo nestes amistosos fáceis. É só voltar atrás  e consertar.

 

 

 

MINHA MELHOR COPA

by Redação em 22 de maio de 2010 | 2:43

O futebol sempre fez parte da minha vida. Desde criança aprendi a ver e a gostar de futebol.  As mulheres da minha família sempre gostaram de futebol e até hoje gostam, é uma tradição entre nós. Na verdade quem me ensinou tudo de futebol foi meu pai, e até hoje lembro com saudades dos seus comentários irados, quando nosso time não ia bem e as reclamações infindáveis durante os jogos. Mas o que ele curtia mesmo era uma Copa do Mundo e me influenciou nisto também. Era uma expectativa muito grande, nos dias que antecedia o mundial. Os mesmos dias que estamos vivendo hoje, por exemplo. A seleção reunida à espera do embarque, ou melhor, concentrada para a partida de despedida no Maracanã. Sim era importante se despedir da torcida. Hoje isto não tem mais importância e é por isto que os jogadores não teem mais aquele apego à amarelinha, como diz Zagallo.

Da Copa de 58 e 62 tenho poucas lembranças. Lembro de meu pai gritando, festejando. A de 66 já entendia mais, mas foi um fiasco, não deu tempo de prestar atenção no rádio. Brasil foi desclassificado na primeira fase.

Mas a Copa de 70 foi a melhor Copa que vivenciei. A melhor em tudo. A expectativa era geral, seria a primeira Copa transmitida pela TV, ao vivo, por satélite. E também era adolescente. Todos os programas foram feitos em torno da TV e dos jogos do Brasil, incluindo a azaração geral. Eram tempos sombrios aqueles, aos 16, lá no Sul,  já entendíamos da ditadura  e o quanto ela nos fazia mal. Alguns conhecidos evaporavam. Uns tinham a idade dos nossos pais, outros eram um pouco mais velhos que nós.  Outros eram estranhos. Chegavam e ficavam trancados em casa e não se podia falar deles e nem com eles. Mas nada interessava a não ser a Copa, aquela que ia passar na TV. E o time então? Era maravilhoso. Só tinha craque. Não se sabia como ia ser montado o esquema. O único certo no ataque era Pelé, mas o Tostão tinha que jogar, o Rivelino também e o Jairzinho nem pensar ficar de fora. Quatro números 10. Pois eles jogaram juntos e no meio de campo somente dois: o gênio Gerson e o volante Clodoaldo, centro-médio como se dizia na época. Como poderia se fosse hoje? O Dunga tiraria dois atacantes pelo menos: talvez o Jairzinho e o Tostão. Quatro atacantes, dois no meio de campo e com Piazza que era volante, mas improvisado como zagueiro. Quase todos atacavam naquela seleção. Só quem guardava posição era o lateral Everaldo, os zagueiros Brito e Piazza.  Quando o Brasil atacava era um Deus nos acuda para o time adversário. Foram gols maravilhosos; até os que não foram ficaram na história. Como aquele chute de Pelé, do meio de campo, contra o Uruguai, que passou raspando a trave. Que festas fizemos  naquele inverno de 1970!  A cada jogo entrávamos noite à dentro comemorando nos bailinhos. Até hoje tenho na memória aquelas imagens meio chuviscadas em preto e branco, do quarto do gol de Carlos Alberto, o capitão do Tri, na final contra Itália.  Sim, a Copa foi transmitida para nós em preto e branco. As imagens coloridas da Copa de 70 que passam hoje eram imagens geradas para os EUA, que já tinham TV em cores, com se dizia. Que time, que Copa, que craques, que futebol lindo! Éramos rebeldes com causa. Escutávamos Chico, Caetano, Gil, Tim Maia, Elis Regina. Éramos felizes e não sabíamos.

 

 

 

QUE CONVOCAÇÃO SEM GRAÇA!

by Redação em 12 de maio de 2010 | 0:08

O Brasil pode até ser campeão, mas que será sem graça nenhuma, ah, isto será. Os adeptos do futebol sem brilho estão esfuziantes: volantes, volantes, volantes. Como vamos fazer gols é que não sei. Porque uma coisa é ganhar dos times fracos que não conseguem marcar; outra é encarar as seleções da Alemanha e da Itália com aquelas marcações sem trégua, com faltas que muitos juízes europeus não marcam. Sem criatividade a seleção vai depender muito de Robinho e Kaká, que bem marcados, podem deixar Luis Fabiano amargar uma solidão no ataque, marcado por dois ou três zagueiros brutamontes.

Nossa defesa é boa, mas não se ganha copa sem gols. Que pena que Dunga não chamou nem Ganso, nem Neymar. O técnico da seleção querendo provar que tem critérios, na verdade foi medroso: não quis apostar nos meninos do Santos. Não quis arriscar, apostar num jovem talento, que poderia ser tão espetacular quanto Pelé foi na Copa de 1958. Por isto até hoje não apareceu nenhum jovem brasileiro que pudesse ser comparado a Pelé. Os retranqueiros de plantão, entre eles Dunga, não deixam o futebol brasileiro produzir novos gênios. Quanto a Adriano e Ronaldinho, não pudemos reclamar. Os próprios cavaram sua não convocação, mas o maior injustiçado de Dunga foi o goleiro do Grêmio, Vitor. Chamar Doni, que é reserva de outro brasileiro na Roma e deixar pela primeira vez a seleção sem um goleiro que jogue no país,  é demais.

Vamos torcer de qualquer maneira, mas preparados para aquele sofrimento de um a zero, empates, etc. O negócio é caprichar nos comes e bebes e investir na diversão com os amigos.

 

FOI EMBORA O MESTRE ARMANDO NOGUEIRA

by Redação em 30 de março de 2010 | 1:37

Armando Nogueira era mestre na palavra, no texto e na capacidade de fazer televisão. Nas crônicas esportivas era um poeta. Retratou nossos grandes craques, através de palavras doces e suaves.

Armando começou no jornal, mas deixou sua marca na TV. Foi o diretor de jornalismo da Globo, quando criou o Jornal Nacional, o Globo Repórter, Esporte Espetacular e o Globo Esporte. Armando quase não aparecia na telinha, a não ser nas copas e olimpíadas.

Eu que sempre amei futebol, aposentada, ficava procurando programas esportivos na TV. Então descobri na TV a cabo um programa chamado Redação Sportv. Foi nesta bancada que me apaixonei por Armando Nogueira. Toda quarta-feira era dia de escutar o mestre, mas também de dar muitas risadas nos seus embates ferrenhos e implicantes, de ambas as partes, com Telmo Zanini, comentarista do Sportv. Ria muito, me divertia para valer. Tanto que quando ele ficou doente e sumiu do programa, em 2007, me senti traída, saudosa. Nunca mais vou ter aquelas manhãs engraçadas, saborosas de quarta-feira. O futebol ficou sem graça e sem poesia. Foi embora seu maior tradutor.

 

 

 

A ética no futebol

by Redação em 24 de novembro de 2009 | 14:59

Em muitos esportes o “fair play“, a lisura nas jogadas, faz parte do jogo e os praticantes nem pensam em enganar o árbitro ou tirar vantagem de jogadas ilícitas.

Veja o basquete: é prática entre os jogadores se acusarem quando fazem faltas. O tênis, então, é um dos esportes de mais éticos na quadra. Lembro que no tempo do Guga, ele era reconhecidamente ético na quadra. Quando ele via e assinalava a bola com a raquete, o adversário considerava mais que o próprio juiz. Muitas vezes, ele assinalava contra ele mesmo. Hoje em dia, os jogadores de tênis já contam com dois pedidos por set, de um replay instantâneo da TV oficial do torneio, para confirmar as bolas mais duvidosas.

No futebol não. Pelo contrário, sempre foi cultivado, entre os boleiros, o levar vantagem, a malandragem de enganar o juiz. Tanto que há alguns anos foi instituído o cartão amarelo para quem simule pênalti, mas não surtiu muito efeito.

Com o avanço tecnológico, as transmissões das partidas de futebol contam com um número grande de câmaras que tudo veem. Hoje existe uma câmara em “slow motion” que lê todas as jogadas, de maneira clara e com requintes de detalhes. Os erros e acertos dos juízes estão cada vez mais evidentes aos telespectadores e comentaristas.

A FIFA vem ignorando os avanços tecnológicos e coloca toda a responsabilidade em cima de um único árbitro e seus dois assistentes. Por lei, por tradição, jamais se anula resultado de campo – senão por um erro de direito, jogadores não inscritos, por exemplo, ou por uma fraude, como aconteceu no campeonato Brasileiro de 2005, quando um juiz se envolveu com sites de apostas para manipular resultados.

Será que a mensagem enviada é de que enganar o juiz faz parte do esporte?

 É verdade que a FIFA, agindo de maneira tradicional, defendendo as 18 regras do futebol por tanto tempo, protege o esporte de casuísmos. Esta proteção faz com que o jogo seja jogado da mesma maneira em todas as partes do mundo.

No entanto, toda esta tradição foi colocada em cheque esta semana: o mundo do futebol está indignado com o gol da França sobre a Irlanda, que deu a classificação para a Copa à equipe francesa. O gol iniciou de uma jogada, onde o melhor e mais famoso jogador francês da atualidade, o Henry, ajeitou a bola com a mão, duas vezes, para não deixá-la fugir e passou a seu companheiro que fez o gol. Os irlandeses reclamaram veementemente na hora da jogada, mas o juiz que estava mal colocado, não viu e confirmou o gol.

O jogador não pensou, quando resolveu usar a mão para ter vantagem, que a TV registraria tudo, com todos os detalhes. Ficou tão evidente que Henry não teve como negar os fatos e reconheceu que colocou a mão na bola, mas que não era o juiz etc. e tal. A repercussão foi tão negativa que o jogador pensou até em não jogar a Copa. A FIFA, por sua vez, confirmou o resultado de campo, gerando protestos até do governo Irlandês.

Na verdade, este erro não foi um erro qualquer. Foi um erro que decidiu uma vaga na Copa de 2010. Um país de menor expressão no futebol foi prejudicado. Há muitas insinuações de que a FIFA preferiria a classificação da França, ex-campeão e com muito mais poder de mídia.

Em nome da tradição, a FIFA está ferindo a ética, a lisura do esporte. Será que a mesma tradição que protege não pode estar ameaçando o esporte futebol? E o exemplo para os jovens? Será que a mensagem enviada é de que enganar o juiz faz parte do esporte?

A FIFA está sob pressão. Acabou convocando uma reunião para discutir o assunto no início de dezembro. Parece que a ética vai prevalecer e mudanças serão propostas.

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perfil

Isabel Kieling é gaúcha, moradora apaixonada do Rio de Janeiro, e jornalista de formação. E, contrariando o senso comum, entende muito de futebol. Por isso, inaugura a nossa mesa redonda virtual para comentar os melhores lances dos esportes e dos atletas – claro. Mas ela também bate a sua bolinha – só que a de golfe! Isabel também é golfista, e atualmente luta para sair das últimas posições do ranking.