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A vez dos campeonatos estaduais

by Redação em 26 de janeiro de 2009 | 21:00

A Taça Guanabara começou e já mostrou a vulnerabilidade dos quatro grandes do Rio de janeiro. Duas derrotas, de Fluminense e Vasco, uma vitória apertada do Botafogo e uma injusta do Flamengo.

No sábado, o Vasco foi lamentável. O Americano venceu facilmente um time desorganizado, sem criatividade, com os velhos problemas do ano passado, apesar de ser um elenco totalmente reformado. O técnico vascaíno, Lourival Junior, pede paciência à torcida. Avisa que haverá muitas dificuldades e que abre mão da Taça Guanabara, pois está preparando o time para o ano todo e não para o primeiro turno da competição estadual.

Já o Botafogo obteve o melhor resultado da rodada. Jogou fora de casa com o Boa Vista de Saquarema e conseguiu uma vitória no finalzinho do jogo, premiando a persistência do time, que buscou o gol da vitória até o final. O destaque deste jogo foi o juiz, que validou um gol do Botafogo, sem a bola ter entrado. Foi alertado pelo assistente que a bola saiu para fora, mas não acreditou e validou o gol. Com a insistência do assistente, que chegou a entrar no meio campo, o árbitro anulou o gol – somente depois de quatro minutos e com a interferência do quarto árbitro, que no mínimo recebeu a informação de que a TV estava mostrando que não foi gol.

No domingo, o Fluminense, com um elenco milionário, perdeu para o Cabofriense, que estava com menos um jogador, expulso no início do segundo tempo. A verdade é que a zaga tricolor foi muito mal, e a falta de Thiago Silva, vendido para o Milan, não será suprida tão facilmente.

O Flamengo de Cuca parece o time de Caio Júnior, que terminou a temporada de 2008 "devagar, quase parando". A equipe continua cometendo os mesmo erros: insistência nas jogadas pelo meio do ataque, Marcelinho Paraíba com pouca vontade, e dependência dos laterais Juan e Léo Moura, que só apareceram no segundo tempo. Neste jogo, também houve um erro primário de arbitragem, desta vez do assistente. Anulou um gol do Friburguense, dando um impedimento facílimo de desmentir: o atacante estava uns três metros antes dos zagueiros do Flamengo.

Campeonato Paulista

Os artilheiros estão arrepiando no Campeonato Paulista. Os três artilheiros do Campeonato Brasileiro, Washington, Keirrison e Kléber Pereira, foram os destaques do final de semana, juntamente com Pedrão do Barueri, que largou na frente e já está com quatro gols. E o Fenômeno ainda não estreou. O Campeonato Paulista promete ter uma chuva de gols.

Explicadinho

O Campeonato Carioca tem características diferentes dos outros campeonatos estaduais. Começa pelo nome, que deveria ser Campeonato do Rio de Janeiro, mas é chamado de Carioca por tradição. Antes da fusão da Guanabara com o Estado do Rio, havia o Campeonato Carioca, com os grandes times da cidade do Rio, e o Campeonato Fluminense, com os times do interior e de Niterói. Após virar um estado só, o campeonato continuou sendo chamado de carioca, por sua grande expressão e visibilidade no cenário nacional, já que os grandes clubes são os da capital.

Cada turno tem uma denominação: o primeiro chama-se Taça Guanabara e o segundo, Taça Rio. Cada um é comemorado como um título – tem taça e faixa. E os dois campeões dos turnos disputam, numa final de duas partidas, o título estadual.

Os maiores vencedores são Fluminense e Flamengo, com 30 títulos cada. O clube da Gávea conseguiu o empate com o título de 2008.

Em 2009, além de poder haver o desempate, o Flamengo corre atrás do quinto tricampeonato consecutivo.

O poder do dinheiro

by Redação em 19 de janeiro de 2009 | 21:00

O liberalismo econômico sem controle dos países desenvolvidos, como Estados Unidos e Inglaterra, prejudica muitas pessoas e muitas coisas belas que existem no mundo.

Se não bastasse a destruição de uma crise financeira, por exemplo, que abala as pessoas comuns com a perda de suas casas e empregos, agora o dinheiro vem tentar prejudicar o futebol no seu próprio berço.

O Manchester City, da Inglaterra, cujo dono é um sheik bilionário dos Emirados Árabes, ofereceu ao Milan, para ter Kaká no seu time, a bagatela de R$ 462 milhões e salários de R$ 45 milhões ao ano para o jogador. Vai sobrar até para o São Paulo a quantia R$ 17 milhões, por ser o clube formador do jogador.

‘A torcida do Milan pediu, gritou, cantou no último jogo do Milan para Kaká não ir para a Inglaterra, mas a vontade do jogador parece que não está contando muito

A torcida do Milan pediu, gritou, cantou no último jogo do Milan para Kaká não ir para a Inglaterra, mas a vontade do jogador parece que não está contando muito. O Milan está sentindo na pele o que sentem os grandes clubes brasileiros: não dá para resistir à grana alta. Kaká diz que dinheiro não é tudo e que gostaria de encerrar a carreira no Milan, mas os dirigentes e seu procurador estão apenas discutindo ajustes contratuais.

Dizem que o jogador, no último domingo, chorou no vestiário ao se despedir dos companheiros. A imprensa da Inglaterra dá a transferência como certa e critica a transação. Para os críticos ingleses, uma transação assim só não seria imoral caso o clube comprador gerasse esta quantia através de ingressos, publicidade, contratos com a TV. Afirmam também que esta grande oferta aparece no momento em que a Inglaterra vive seu maior nível de desemprego nos últimos 12 anos. O receio do meio esportivo é que tudo isto seja apenas um capricho de um sheik bilionário, que em pouco tempo não queira mais brincar de dono de time, e na realidade acabe com o clube e interfira na paixão do torcedor inglês pelo seu mais tradicional esporte.

Momento de superação para torcida Xavante

A torcida Xavante do Brasil de Pelotas-RS, uma das mais apaixonadas do Brasil, vive momentos de muita tristeza, causada pelo acidente rodoviário que matou dois de seus jogadores – o atacante Cláudio Milar, que jogou no Botafogo em 2001, e o zagueiro Régis Gouveia -, além do preparador de goleiros Giovani Guimarães. O acidente ameaça a participação do Brasil, primeiro campeão estadual do Rio Grande do Sul, no Gauchão 2009, pois além dos mortos houve uma dezena de jogadores feridos, inclusive gravemente.

O Internacional e o Grêmio estão oferecendo jogadores por empréstimo. O goleiro Danrlei, ex-Grêmio e Seleção Brasileira, contratado este ano para o campeonato estadual, falou à imprensa que os jogadores querem jogar o Campeonato Gaucho porque precisam ajudar as famílias dos jogadores vitimados.

Os melhores do ano

by Redação em 11 de janeiro de 2009 | 21:00

A FIFA anuncia hoje o resultado da eleição dos melhores jogadores de futebol do mundo (masculino e feminino). A escolha é realizada através dos votos dos técnicos e capitães de todas as seleções do mundo. Apesar de haver uma votação ampla geograficamente, somente jogadores que atuam na Europa são escolhidos para receber o prêmio.

É explicável e não é. Na verdade, os maiores campeonatos em termos de recursos financeiros são realizados no velho continente e, por consequência, os melhores jogadores do mundo acabam jogando neles. Os atletas que jogam nos outros continentes jamais tiveram chance desde que foi instituído o prêmio pela FIFA, em 1991. Dizem que Romário poderia ter sido o escolhido em 1995, quando retornou ao Brasil para jogar no Flamengo.

Nesta eleição, o que conta muito também são os títulos que o jogador obtém na temporada. Este ano, o jogador português que atua no Manchester United Cristiano Ronaldo é o favorito, porque além de ter feito uma temporada excelente tecnicamente, seu time conquistou a Premier League Inglesa, a UEFA Champions League (o mais importante campeonato europeu) e, no fim do ano, o Campeonato Mundial de Clubes.

‘Se o Brasil não dá valor ao futebol feminino, os americanos dão

O jogador brasileiro Kaká, do Milan, atual melhor do mundo, é um dos finalistas de hoje – mas, dizem, sem chances. Kaká não teve um ano muito bom: apresentou lesões e seu time fez uma péssima temporada, sem nem ter se classificado para Champions League.

Quem pode ameaçar o título de Cristiano Ronaldo é o argentino Messi, jogador do Barcelona. Além de ter jogado muito em 2008, foi campeão olímpico com a Argentina. Lembram quando ele saiu de campo aplaudido pela torcida mineira, no jogo Brasil e Argentina, este ano, pelas eliminatórias?

O Brasil domina esta premiação. Nossos jogadores já ganharam por oito vezes: Ronaldo Fenômeno (três vezes), o jogador mais jovem a ganhar; Ronaldinho (duas vezes); Romário; Rivaldo e Kaká. Em segundo, vem a França, com os três prêmios do excepcional Zidane.

Já no futebol feminino, somos super favoritos com a jogadora Marta, que ganhou em 2006 e 2007 e hoje pode conquistar o prêmio pela terceira vez, empatando com a jogadora alemã Prinz, que já tem dois títulos. Corre por fora a jogadora brasileira Cristiane, artilheira com cinco gols do campeonato olímpico feminino.

Marta nos Estados Unidos

A menina pobre de Dois Riachos (AL) está deixando o clube sueco UMEA, onde jogava desde os 18 anos, para ir jogar na rica liga feminina americana. Marta assinou contrato de três anos com o Los Angeles Sol. Com apenas 22 anos, Marta vai brilhar na terra das campeãs olímpicas, juntamente com Cristiane, que jogará a liga americana pelo Chicago Red Stars. Elas vão abrir caminho para outras jogadoras.

Se o Brasil não dá valor ao futebol feminino, os americanos dão. Quem sabe o sucesso destas meninas na terra do Tio Sam não incentive nossos cartolas e até a mesmo a iniciativa privada a erguer o futebol feminino no Brasil?

Grande jogada de marketing

by Redação em 14 de dezembro de 2008 | 21:00

Mal o São Paulo e sua torcida iniciaram a comemoração do hexacampeonato brasileiro, o Corinthians já roubou a cena ao contratar Ronaldo Fenômeno para a temporada de 2009. Imediatamente, a mídia se voltou para o "Timão" e a conquista do Tricolor paulista ficou em segundo plano. Não se fala em outra coisa: Ronaldo vai voltar a jogar bem? Vai emagrecer? Como o Corinthians irá pagá-lo?

A torcida do Flamengo ficou bastante triste com a escolha de Ronaldo. Todas as vezes em que foi entrevistado, enquanto se recuperava no Flamengo, falava de sua preferência pela equipe rubro-negra caso decidisse ficar no Brasil. Num programa de televisão, ele chegou a afirmar e confirmar seu amor ao time da Gávea – declarações dadas três dias antes de seu procurador entrar em negociações com o Corinthians, conforme relatou Luiz Paulo Rosemberg, diretor de marketing do clube paulista, no dia da apresentação do Fenômeno no Parque São Jorge.

‘Que mania a que temos de achar que ainda há jogadores que amam suas camisas! Não existe mais amor no futebol

Ronaldo tem o direito de jogar onde quiser, é claro – mas que foi uma rasteira no clube do "coração", lá isto foi. Na verdade, Ronaldo preferiu o dinheiro. Pouca gente falou disto. O jornalista Renato Maurício Prado, em sua coluna "Pobre Menino Rico", foi perfeito ao traduzir o que realmente aconteceu. Falou mais alto "a força da grana que destrói coisas belas", como diz Caetano Veloso na música "Sampa". Nada contra. Mas será que um cara que já tem uma fortuna calculada em 100 milhões de euros precisaria ir para São Paulo e deixar o Rio, onde nasceu? Voltar para o Brasil e ficar longe da cidade onde vive seus pais, sua família, seus amigos, seu clube do "coração" e toda a torcida rubro-negra que o adora?

Dá até para entender Ronaldo: deve, lá no seu íntimo de menino pobre que foi, temer por deixar de ganhar no nível que sempre ganhou, temer pela perda de dinheiro.

Não se engane: Ronaldo é jogador da nova geração. Jogador que pensa na "grana", sem se interessar na cor da camisa. Ele é extremamente profissional e, com certeza, se suas lesões deixarem e se conseguir o condicionamento necessário, dará grandes alegrias à fiel torcida corintiana. E se for muito bem, não hesitará em deixar o timão e retornar para um bom time europeu.

Que mania a que temos de achar que ainda há jogadores que amam suas camisas! Não existe mais amor no futebol. Os dirigentes amadores têm que se acostumar com isso e entregar a administração dos clubes a executivos preparados, que agilizem as decisões dentro da realidade estabelecida hoje.

É evidente que os maiores culpados pela perda do Ronaldo são os diretores do Flamengo. Aliás, a lenta administração do rubro-negro, que vendeu todo o ataque do time no meio do campeonato, sem ter peças de reposição, perdendo a liderança e pontos importantes que contaram e muito para a perda da vaga na Liberadores. Ficaram esperando o quê? Ao invés de viabilizar a contratação do fenômeno, o presidente Márcio Braga estava ocupado em fazer bravatas sobre festas de comemoração de título do Brasileiro. A verdade é que não tiveram capacidade de planejar uma proposta para oferecer ao jogador. Hoje, os torcedores do "mais querido" estão lamentando a perda de Ronaldo, a perda da vaga na Libertadores e, ainda por cima, a contratação do técnico Cuca para a próxima temporada.

Deu a lógica

by Redação em 7 de dezembro de 2008 | 21:00

Finalmente temos um campeão, mas, no final, deu a lógica. O São Paulo conquistou o título merecidamente, chegando três pontos à frente do Grêmio, segundo colocado. Foi o campeonato mais disputado da era dos pontos corridos – desde 2003.

A reação do São Paulo no segundo turno foi algo impressionante: tirou a diferença de onze pontos do Grêmio, perdendo somente uma partida para o próprio tricolor gaúcho em Porto Alegre. Terminou o campeonato invicto em 18 partidas. Se a campanha deste ano não permitiu ao São Paulo ganhar com relativa folga, mostrou que o clube, mesmo com um time não muito melhor que os adversários, sobressaiu-se, contando com a estrutura e com o melhor técnico do Brasil dos últimos tempos, o Muricy.

‘O que mais vai contar para se concorrer a um título no Brasileiro será a capacidade de organização e o profissionalismo na administração de todos os setores

Orgulhamo-nos em dizer que o campeonato brasileiro é o mais difícil do mundo, que temos sempre mais de dez candidatos ao título. Os campeonatos mais ricos do mundo – Inglês, Espanhol e Italiano – não tem mais de três times que possam conquistar o título. São campeonatos quase sem graça, porque, tirando as partidas entre os reais candidatos, não se tem muita surpresa nos demais jogos. O Brasileiro, não: neste ano, 14 times ex-campeões disputaram o título. Foram vários clássicos, em todos os finais de semana.

Mas, com a supremacia do São Paulo, tricampeão seguido nesta fórmula de pontos corridos, parece que algo está mudando no futebol brasileiro: os times mais organizados, mais criteriosos nas contratações e mais estruturados estão se mantendo na disputa. Os que possuem estádios e centros de treinamento conseguem melhores resultados. Os demais, que não priorizam o planejamento, têm se mantido apenas na disputa de uma vaga na Copa Sul-Americana ou, quiçá, de uma vaga na Libertadores.

Vejamos a classificação dos quatro primeiros deste ano – São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras. Todos têm estádio, centros de treinamento. Todos os quatro estão com seus problemas financeiros resolvidos ou encaminhados, negociados. A administração de cada um, mesmo com variações de clube para clube, tem características empresariais e ações de marketing similares às grandes empresas privadas do país. Aí está o ponto: alguns clubes e seus dirigentes ainda não se deram conta, mas o que mais vai contar para se concorrer a um título no Brasileiro será a capacidade de organização e o profissionalismo na administração de todos os setores. Parabéns ao São Paulo pelo hexacampeonato, e pelo tricampeonato consecutivo.

Primeiro campeão brasileiro da Sul-Americana

Outro clube que está entre os que priorizam a administração profissional é o Internacional. É o clube brasileiro que mais se dedicou ao marketing de relacionamento, aproveitando seu estádio de maneira espetacular. Hoje, já tem 77 mil sócios pagantes mantendo uma arrecadação fixa ao clube. O Inter não chegou à vaga na Libertadores por vários motivos, entre eles as inúmeras modificações que o time sofreu, inclusive do técnico, em virtude das janelas árabe e européia.

No entanto, no momento em que identificou a dificuldade de chegar à Libertadores, o Colorado vislumbrou o grande negócio que seria ganhar a Copa Sul-Americana, nunca conquistada por um time brasileiro. Apostou todas as fichas nesta copa: eliminou o Grêmio, Arsenal (Argentina), U. Católica (Chile), Boca Juniors (Argentina), Chivas (México), e disputou uma final emocionante contra o Estudiantes (Argentina). Parabéns ao futebol gaúcho. Um título com o Inter e uma vaga na Libertadores com o Grêmio.

Queria não mencionar, mas me sinto obrigada. O futebol é um assunto que chama a atenção de todos no Brasil. As crianças, hoje tanto meninos quanto meninas, desde pequenas se ligam no futebol, nos seus times. Os jogadores e técnicos são ídolos da garotada.

Esta última semana em particular foi triste para as crianças e para todos que gostam de boas maneiras, de educação, do português bem falado, seja de maneira simples ou de maneira rebuscada.

‘O Muricy é o melhor técnico do Brasil, mas tem que ser informado pela direção do São Paulo que dar entrevistas faz parte do seu cargo

Começou com a triste entrevista do técnico Muricy, depois do jogo contra o Fluminense. Foi de uma grosseria, de uma arrogância com uma repórter, sem precedentes. Eu não sei se ele usou de sua posição de evidência, de sua posição financeira (ganha por mês mais que todos aqueles quase 50 repórteres juntos, que estavam naquela coletiva), ou se foi simplesmente machismo, porque a pergunta partiu de uma mulher. Deprimente…

Tanto que todos os jornalistas dos programas de esporte resolveram criticar e não achar "engraçadinho" o mau humor deste profissional. O Muricy é o melhor técnico do Brasil, mas tem que ser informado pela direção do São Paulo que dar entrevistas faz parte do seu cargo. Como que o São Paulo quer ser o time de maior torcida do Brasil com seu mais importante funcionário atualmente tratando mal a imprensa, e, conseqüentemente, quem está assistindo? Sei que esta semana ele pediu desculpas, mas deveria se desculpar diretamente àquela moça na próxima coletiva.

O grande mestre e jornalista Fernando Calazans criticou, no dia seguinte à conquista da Sul-Americana, o técnico do Inter, Tite, por usar palavras como "enfrentamento" como sinônimo de jogo. Disse que era pernóstico etc. Meu amado mestre! Longe de contrariá-lo, mas devo informá-lo que prefiro o Tite, o Celso Roth, o Parreira, até o Caio Júnior (quando diz que está tudo bem enquanto está tudo errado no Flamengo), do que aberrações como o "com nós" do Dunga. Ele pode ser uma pessoa simples, do interior, mas pode aprender a falar, como está aprendendo a ser técnico.

Essas pessoas não têm noção da posição que ocupam. São inerentes ao cargo as entrevistas, o público, a mídia, as perguntas sem graça, bobas, sem necessidade e repetitivas. Os jornalistas também erram e incomodam. Foi triste esta semana. Até o presidente Lula tem que saber: se as crianças não ligam para política, elas se ligam nele, por sua trajetória e popularidade. Coitado do nosso "português ruim", como diria Roberto Carlos.

Indefinido até o fim

by Redação em 1 de dezembro de 2008 | 21:00

É o campeonato mais disputado dos últimos tempos. Se tecnicamente não é lá essas coisas, em emoção testou e ainda está testando muitos corações.

No Morumbi, a torcida do São Paulo saiu decepcionada. A festa estava pronta para a comemoração do tricampeonato seguido e do hexa-brasileiro, mas se esqueceram de combinar com o Fluminense. O "pó de arroz" jogou muito bem, dominou o meio de campo do São Paulo e só não ganhou porque o juiz não quis dar um pênalti. Como sempre, mais uma vez, o São Paulo foi favorecido pela arbitragem.

‘O Goiás está armando a vingança: como tem direito de fixar os preços dos ingressos, está pensando em cobrar R$ 200 para quem levar um quilo de alimento para as vítimas de Santa Catarina e R$ 400,00 sem a doação

Também está sendo favorecido pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), quando marca o jogo final contra o Goiás, no Gama, no Distrito Federal (o Goiás foi punido e não pode jogar no Serra Dourada). Na periferia de Brasília, é evidente que o São Paulo terá a maior torcida – ou quase toda torcida. Claro, a CBF está defendendo seus interesses políticos, mas indiretamente beneficia o tricolor paulista. O Goiás está armando a vingança: como tem direito de fixar os preços dos ingressos, está pensando em cobrar R$ 200 para quem levar um quilo de alimento para as vítimas de Santa Catarina e R$ 400,00 sem a doação. É ridículo isto.

Ao Grêmio, só resta confiar no Goiás ou confiar uma boa "mala branca" ao time goiano. Os gremistas dizem que não costumam mandar mala branca, mas os colorados já estão dizendo que o Grêmio está vendendo o Estádio Olímpico para mandar um "malão" para os jogadores do Goiás…

Enquanto isto, na turma do rebaixamento, Ipatinga e Portuguesa já estão rebaixados. Restam duas vagas e "candidatam-se" a elas Vasco, Figueirense, Náutico e Atlético Paranaense. A situação mais tranqüila é a do Náutico, que pode fazer um jogo "de compadre" com o Santos. Vasco, Figueirense e Atlético Paranaense, porém, não dependem somente dos seus resultados: precisam contar com o tropeço dos outros.

Quanto às vagas da Libertadores, São Paulo e Grêmio já estão matematicamente classificados. Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo disputam as duas últimas vagas. O Flamengo, depois do fiasco no Maracanã (empatou em 3 a 3 com o Goiás, depois de estar vencendo por 3 a 0 no primeiro tempo), está com chances remotas. Só com um desastre, porque o Cruzeiro joga com a rebaixada Portuguesa em casa e o Palmeiras joga em casa contra o Botafogo, que está na turma de quem não quer "nada com nada" no campeonato – e naturalmente não vai querer fazer "nada" para favorecer seu arquiinimigo atual, o Flamengo. Ao Flamengo, resta somente torcer para que a Federação Sul-Americana de Futebol dê uma das vagas da Libertadores do Peru para o Brasil, porque, pela lógica técnica, a CBF dará esta vaga ao quinto colocado do Brasileirão.

Muitas emoções nos aguardam no próximo final de semana.

Mala branca – É uma premiação, um incentivo dado por um clube necessitado de um resultado positivo de outro clube que não tem mais interesse na disputa. Exemplo: para o Grêmio ser campeão, além de vencer seu jogo, precisa que o Goiás ganhe do São Paulo. Claro, pressupõe-se que todo time entre em campo para vencer, mas em final de temporada, em que o resultado nada irá interferir no resultado da sua participação no campeonato, o Goiás, se for incentivado por um bom "bicho" do Grêmio, poderá se esforçar mais contra o São Paulo.

A mala branca sempre foi encarada como um mistério no futebol brasileiro. Nunca ninguém confirmava, porque é um procedimento totalmente antiético. Mas como os valores estão totalmente invertidos hoje, e o que vale é "se dar bem", e como muitas vezes os jogadores estão com os salários atrasados, muitos boleiros, dirigentes, esta última semana, se manifestaram a favor da mala branca e confessaram que receberam.

O melhor depoimento a respeito foi do ex-jogador e atual comentarista Caio. Num programa de TV, ele disse que em pelo menos duas vezes recebeu a sua parte na mala branca. Na primeira vez, era muito jovem e nem sabia o que estava acontecendo. Só se deu conta quando o capitão do time lhe deu a sua parte. Na segunda, ele já sabia e recebeu naturalmente. Caio afirmou que muitas vezes isso rola somente entre os jogadores, mas, em outras, a mala branca é combinada entre os dirigentes, que avisam sobre o prêmio que está sendo oferecido. Muitos também encaram esta premiação externa como mais um "bicho".

‘Até em Copa do Mundo já teve jogo de compadre – o problema é que o resultado de empate sempre prejudica um terceiro time

Vale dizer que mala branca recebe esta denominação porque existe também a mala preta, quando se recebe incentivo para perder, o que é considerado crime. Aliás, crime também é a denominação, porque tem uma conotação bastante racista, mas que é usada desde os primórdios do futebol e se aceita falar pela antigüidade do termo.

Bicho – No futebol brasileiro e no internacional, os jogadores, além dos seus salários, recebem por jogo, uma premiação por vitória e até por empate, chamada de "bicho". Alguns recebem por metas e grandes premiações por títulos.

Jogo de compadre – É quando dois times precisam de um empate e combinam não atacar. Muitas vezes o acordo é feito entre as direções dos clubes ou são combinadas entre os jogadores, dentro do campo. Até em Copa do Mundo já teve jogo de compadre – o problema é que o resultado de empate sempre prejudica um terceiro time. O jogo de compadre é mais antiético que a mala branca.

Vagas do Peru – O Peru foi punido pela FIFA (Federação Internacional de Futebol) e excluído de todas as competições internacionais, como Libertadores e Eliminatórias para a Copa do Mundo, porque o governo federal do país interveio na Federação de Futebol do Peru e demitiu seu presidente. A FIFA não admite interferência de governos, justiça etc. No futebol, ela é soberana.

Impedimentos à parte

by Redação em 2 de novembro de 2008 | 21:00

A cinco rodadas do término do Campeonato Brasileiro, parece que o São Paulo desponta como favorito ao título e está com "pinta" de campeão. Alguns fatores reforçam isso: são 17 vitórias, 11 empates e apenas cinco derrotas até o momento. Os empates não deixavam o São Paulo chegar, mas com a ajuda dos adversários diretos, com campanhas irregulares, o time do Morumbi conseguiu neste segundo turno tirar a diferença de 11 pontos em relação ao Grêmio, que vinha até ontem na liderança.

O São Paulo não está só com "pinta" de campeão, mas com consistência de campeão. E teve sorte: no jogo no Engenhão, no Rio, o juiz anulou um gol de empate do Botafogo, por interpretar que Wellington estava impedido, apesar de não participar da jogada. Domingo, no Morumbi, no primeiro gol do São Paulo contra o Inter, aconteceu a mesma jogada. Hugo estava impedido, na frente do goleiro, quando Borges fez o gol. Neste caso, o juiz interpretou como legal e confirmou o gol. Não digo que seja favorecimento da arbitragem ao São Paulo, mas o time de Muricy tem sofrido menos com os erros dos juízes. Num campeonato tão disputado, os erros da arbitragem começam a interferir na decisão do título, tanto quanto os erros dos zagueiros quando deixam um gol sair ou dos atacantes que estão perdendo gols incríveis.

‘A regra do impedimento é a regra mais difícil do futebol e a que mais dá discussões. Mesmo os especialistas, os juízes e a imprensa esportiva podem divergir na interpretação

Há que se reconhecer os méritos do São Paulo. A consistência do time vem do trabalho intenso de seus jogadores e de seu técnico pragmático, Muricy Ramalho, que afirma e reafirma que sua equipe é mediana, apresenta falhas, não tem craques, e, por isto, precisa de muito trabalho. Além de todos esses fatores, o São Paulo vem sendo o melhor time brasileiro desta década e da anterior. Como é um clube super organizado, com as contas em dia, mesmo sem grandes craques, leva vantagem em relação aos demais na hora de uma decisão. Não precisa enfrentar certos problemas extra-campo, como o atraso de salários que todo ano prejudica alguns times no campeonato.

Explicadinho

Impedimento - A regra do impedimento é a regra mais difícil do futebol e a que mais dá discussões. Muitas de nós, mulheres, têm a maior dificuldade de entender. Mesmo os especialistas, os juízes e a imprensa esportiva podem divergir na interpretação. Imaginem o bandeirinha, que não tem replay e precisa decidir em um segundo, estando de olho ao mesmo tempo no jogador que lança e nos jogadores que vão pegar a bola. Já se falou em acabar com a lei do impedimento, mas isto acabaria com o futebol, porque os jogadores se amontoariam perto do gol, não haveria jogo no meio de campo e as jogadas de ataque seriam impossíveis de se ver de tanta gente povoando a área.

Pela regra, o jogador estará em posição de impedimento se estiver mais próximo da linha de fundo que o penúltimo adversário (incluindo ou não o goleiro), antes da bola sair do pé de (ou bater em) um companheiro de equipe.

O fato de estar em uma posição de impedimento não implica que o juiz marque esta infração. Se no momento em que a bola tocar ou for jogada por um dos companheiros, o impedimento só será marcado se, na opinião do juiz, o jogador interferir no jogo; interferir nos movimentos de um adversário, ou tirar vantagem dessa posição.

Não é impedimento: se o jogador receber a bola de um tiro de meta; de um arremesso lateral ou de uma cobrança de escanteio; se o jogador sair do próprio campo; se estiver na mesma linha do penúltimo adversário ou na mesma linha que os dois últimos adversários.

Dica: é mais fácil de identificar impedimento vendo o jogo ao vivo, mesmo que seja no campinho da esquina da nossa casa. Para aprender, é só prestar atenção nos jogos na televisão, com várias repetições dos lances de impedimento, além do tira-teima, que congela a imagem. Veja aqui um vídeo engraçado e instrutivo sobre o assunto.

Altos e baixos em campo

by Redação em 26 de outubro de 2008 | 21:00

"Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é meu lugar…". Com este refrão da música "O Portão", de Roberto Carlos, os corintianos, enlouquecidos e emocionados, comemoraram no último sábado no Pacaembu e no Brasil inteiro a volta do Corinthians à série A.

O Timão está fazendo uma campanha irrepreensível no Campeonato Brasileiro da série B. Perdeu somente duas partidas em 30 jogadas e acaba de alcançar a classificação para série A, faltando seis rodadas para o término do campeonato. Está com 70 pontos, 11 acima do segundo colocado, o Avaí. Pode conquistar o título com três rodadas de antecedência.

‘O calvário do Corinthians na série B foi suave e fácil, ao contrário de outras grandes equipes, em anos anteriores, que sofreram até o final do campeonato para subirem

O calvário do Corinthians na série B foi suave e fácil, ao contrário de outras grandes equipes, em anos anteriores, que sofreram até o final do campeonato para subirem. Foi suave porque o time, muito bem armado pelo competente Mano Menezes, não deu chance a seus adversários e já na segunda rodada assumiu a liderança da competição, colocando uma diferença de pontos inalcançável.

Mano Menezes montou um time que, se foi não brilhante, teve uma defesa firme, um meio de campo sólido e um ataque marcador, com Dentinho e Herrera. Muitos dizem que o Corinthians ainda está longe de ser um time de série A. Será? Pelo que se tem visto na primeira divisão, com os altos e baixos dos times favoritos, a equipe não estaria tão mal assim.

E a indefinição continua…

Se o Brasileirão não está bom tecnicamente, se não há craques despontando neste campeonato, se os times favoritos não confirmam seu favoritismo, não podemos dizer que não há emoção na edição de 2008. Nunca na história dos pontos corridos, o Campeonato Brasileiro foi tão emocionante e imprevisível como está sendo este ano. A seis rodadas do seu final, não há como prever quais times serão rebaixados, quais vão ficar com as vagas de Libertadores e muito menos quem vai levar o título de campeão.

Cinco times têm chance de levar a taça: Grêmio, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras. Evidente que o Grêmio, líder e abrindo uma diferença de três pontos para o São Paulo, têm mais chances, mas vai jogar fora com dois concorrentes diretos – Palmeiras e Cruzeiro. Quanto às quatro vagas da Libertadores, além dos cinco que disputam o título, podemos incluir o Botafogo, ainda com alguma chance. Lá embaixo na tabela, sete times lutam para não ficar entre os quatro rebaixados.

A crise econômica atingirá o futebol no mundo todo. Já está atingido os grandes clubes europeus, principalmente os da Premier Liga da Inglaterra. São clubes privados, adquiridos por grandes investidores americanos, árabes, russos. Assim como investem em clubes de futebol, investem na bolsa. Como o futebol é um investimento com menos retorno, é o primeiro a ser descartado.

A imprensa internacional divulgou recentemente que o milionário russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, time inglês que Luis Felipe Scolari treina, teria perdido cerca de R$ 20 bilhões na bolsa. Sem contar os investidores árabes, que compraram o Manchester City, onde jogam Robinho, Jô e Elano, com a queda do preço do petróleo. O Liverpool foi comprado recentemente pelos empresários norte-americanos Tom Hicks e George Gillett, com um empréstimo de cerca de 700 milhões de euros. O financiamento foi feito pelo Wachovia, um dos bancos abatidos pela crise. A Federação de Futebol Inglesa previu que haverá falências no esporte naquele país.

As repercussões no futebol brasileiro serão muitas: talvez diminua a procura e supervalorização dos nossos jogadores e os clubes que contavam com dinheiro de vendas de jogadores para Europa, em 2009, já não venham a ter a mesma receita (ou até nem receita). Além disso, com a alta do dólar, os jogadores que estariam sendo negociados para jogar no Brasil no ano que vem aumentaram de preço, já que os direitos federativos são negociados na moeda americana. O Corinthians é o primeiro a enfrentar o problema. Estava negociando a compra dos direitos do atacante Herrera para 2009, por 3,2 milhões de dólares. No início das negociações, esta quantia estava em torno de R$ 5 milhões; hoje teria que desembolsar mais de R$ 7 milhões.

Timemania – A situação financeira dos grandes clubes brasileiros já era crítica. As dívidas com a Receita Federal, INSS e FGTS são enormes e inviabilizavam qualquer tentativa de saneamento financeiro destes clubes. O Governo Federal, principal credor destas agremiações, criou uma loteria para que os clubes pagassem estas dívidas. Os clubes que aderiram à Timemania se comprometeram em renegociar as dívidas com o governo, em prestações mensais, pagas pela arrecadação desta loteria, e a pagar regularmente os tributos atuais.

Infelizmente, muito longe do previsto, a Timemania por enquanto é um fracasso em arrecadação. O maior problema é o do Flamengo, apesar de ser o mais apostado na loteria: negociou suas dívidas com o governo em R$ 700 mil mensais e só está arrecadando R$ 97 mil, tendo que completar esta prestação com sua parca arrecadação, que nem paga seu futebol profissional. E esta condição não é privilégio do rubro-negro. Todos os grandes clubes do Brasil estão na mesma situação, com exceção do São Paulo.

Vale dizer que o governo não está fazendo nenhum favor aos clubes, como sempre foi divulgado, pois arrecada mais que as equipes na Timemania: fica com 28% da arrecadação, enquanto todos os clubes recebem 22%, além de receber dívidas que jamais receberia caso os clubes falissem. Os problemas econômicos já são sentidos no campo: Botafogo e muitos outros já estão atrasando os salários dos jogadores em dois, três meses.

Faltas e expulsões

by Redação em 19 de outubro de 2008 | 21:00

Palmeiras e São Paulo protagonizaram, neste fim de semana, um dos melhores jogos do Campeonato Brasileiro. Finalmente tivemos um jogo emocionante, cheio de alternativas, mas com erros de arbitragem, que se não chegaram a interferir no resultado do jogo, causaram danos às duas equipes. O prejudicado maior foi o Palmeiras, porque perdeu seu articulador, Diego Souza, no momento em que já tinha levado um gol.

O juiz da partida, Sálvio Spínola, exagerou na expulsão de Diego e Borges, após alguns empurrões. Expulsou os jogadores, dando cartão vermelho imediatamente. Errou o juiz, porque, tentando mostrar autoridade no início, além de prejudicar o jogo, no restante da partida teve que fazer vistas grossas para faltas violentas que deveriam ser punidas com cartão vermelho.

‘Agora, o que enlouquece mesmo os torcedores é o tal de "deixar o jogo correr". Querem imitar os juízes europeus, mas não dá.

A arbitragem brasileira está num momento ruim. Não há padronização. No lance de "bola na mão e mão na bola", então, não há quem consiga prever o que o juiz vai determinar. Ontem, por exemplo, o Fluminense foi muito prejudicado pela "interpretação do juiz": não deu um pênalti que daria vitória ao time das Laranjeiras, desesperado para fugir do rebaixamento.

Agora, o que enlouquece mesmo os torcedores é o tal de "deixar o jogo correr". Querem imitar os juízes europeus, mas não dá. Fazem uma confusão: não marcam faltas claras; os jogadores começam a exagerar nas faltas, achando que não vão ser punidos, e acabam fazendo faltas violentas que ameaçam a integridade física uns dos outros.

Pior clássico do campeonato

Não vi todos os clássicos do campeonato, mas com certeza o Flamengo e Vasco de ontem foi um dos piores de todos os tempos. Os dois times erraram muito. O Flamengo esteve muito mal, errando passes a todo instante, sem jogadas de ataque, repetindo a atuação que teve contra o Atlético-MG. Chutou apenas três vezes contra o gol do Vasco. Já a equipe cruzmaltina teve mais chances de vencer, mas como erra muito, deu a vitória ao rubro-negro com um gol contra. O técnico do Flamengo, Caio Júnior, está se perdendo com sua indecisão: ontem resolveu jogar com Obina, deixando o Vandinho no banco, que na semana passada foi considerado titular pelo próprio treinador. Não mantém o mesmo time jogando. Com a derrota do líder Grêmio e o empate entre Palmeiras e São Paulo, o Flamengo volta à disputa pelo título, mas vai ter que melhorar muito para chegar lá.

O Cruzeiro corre por fora

O Cruzeiro venceu ontem o clássico mineiro com muita facilidade. Não tomou conhecimento do Atlético, que vinha de vitória expressiva no Maracanã contra o Flamengo. Com esta vitória, o Cruzeiro fica a um ponto da liderança. Só se fala nos times de São Paulo como favoritos e do Flamengo com possibilidades, mas a verdade é que a tabela do Cruzeiro lhe é muito favorável. Das oito partidas que faltam, jogará quatro em casa, sendo que duas contra concorrentes diretos – Grêmio e Flamengo.

Deixar o jogo ou a bola correr – Vários árbitros marcam muitas faltas, apenas trombadinhas, jogo de corpo, que são disputas normais no futebol. Usam está tática para controlar melhor o jogo e os jogadores, além de se pouparem fisicamente.

‘Os jogadores brasileiros estão muito acostumados a este tipo de arbitragem e até gostam. Deixam o corpo para o adversário bater e, assim, provocarem a falta. Muitas vezes preferem a falta a continuar na jogada que pode ser até um lance de perigo

Os jogadores brasileiros estão muito acostumados a este tipo de arbitragem e até gostam. Deixam o corpo para o adversário bater e, assim, provocarem a falta. Muitas vezes preferem a falta a continuar na jogada que pode ser até um lance de perigo. Para o torcedor, um jogo paralisado a cada jogada, por faltas, é muito chato. Por achar que os campeonatos anteriores estavam muito faltosos, neste ano a Comissão de Árbitros resolveu orientar os árbitros para que deixassem o jogo correr e não marcassem estas trombadinhas e disputas mais ríspidas, como fazem os juízes na Europa. Só que os nossos juízes estão se perdendo e deixando de marcar faltas feias e os jogadores vão abusando da violência em campo. Quem leva a pior são os jogadores e os técnicos, que são caçados em campo. A falta feia, quando marcada, é punida com cartão amarelo, e não com vermelho. O vermelho só é aplicado quando há agressões fora da bola ou quando o jogador recebe o segundo amarelo.

Cartão amarelo – O cartão amarelo deve ser usado pelo árbitro para advertir os jogadores. Estas advertências são as mais comuns e fáceis de se observar em um jogo. Carrinhos laterais ou frontais que atinjam ou não o adversário, dependendo da gravidade e da intensidade, merecem o cartão vermelho direto ("carrinho" é quando o jogador desliza no gramado com uma ou as duas pernas esticadas e tenta tirar a bola do adversário. Pode se fazer um carrinho por trás ou pelos lados). Há orientação da FIFA para que o carrinho por trás seja punido com o cartão vermelho, mas no Brasil isso não é muito cumprido.

Os árbitros costumam "interpretar" e dar o amarelo:

- quando o jogador agarrar o adversário pela camisa, calção ou corpo;

- no caso de retardamento na reposição da bola pelo goleiro ou outros jogadores;

- quando o jogador coloca a mão na bola intencionalmente;

- quando há simulação de pênalti;

- no caso de reclamações, desrespeito com o adversário, juiz e companheiros de time, inclusive no banco de reservas e área de aquecimento;

- quando há comemorações de gols acintosas e desrespeitosas à torcida adversária;

- nas comemorações em que o jogador tira a camisa ou levanta para mostrar mensagens na camiseta debaixo.

Se algum jogador merecer um segundo amarelo, o juiz deve adverti-lo e logo em seguida expulsá-lo com um vermelho.

Mão na bola e bola na mão – Aqui é onde os árbitros mais erram e se valem da interpretação, muitas vezes para acomodar o jogo. "Mão na bola" é quando o jogador tem a intenção de tocar com a mão na bola. "Bola na mão" é quando a bola bate na mão ao acaso, sem intenção. A colocação dos braços do jogador serve para o juiz definir se é falta ou não. Os braços abertos são indícios de intenção. Se a bola bater no jogador com os braços abaixados normalmente o juiz dá bola na mão, até porque os braços fazem parte do corpo.

Pequim: judoca faz história

by Redação em 11 de agosto de 2008 | 21:00

A garra, a luta, a determinação da mulher brasileira mais uma vez sai da periferia para ganhar o mundo, e encher de orgulho os brasileiros. A judoca Ketleyn Quadros conquistou, em Pequim, a medalha de bronze da categoria peso leve, até 57 kg, do judô.

É a primeira medalha olímpica individual feminina do Brasil.

‘Na sua trajetória de muito sacrifício, contou com ajuda dos familiares e amigos para financiar seus quimonos, treinos e viagens

Com apenas 20 anos, a judoca Ketleyn Quadros é mais uma daquelas heroínas, como tantas brasileiras, que sai em busca de seus objetivos, apenas com esforço próprio. Filha de cabeleireiros de Ceilândia, cidade satélite de Brasília, Ketleyn, quando pequena, fugia das aulas de natação do SESI para assistir às aulas de judô. Na sua trajetória de muito sacrifício, contou com ajuda dos familiares e amigos para financiar seus quimonos, treinos e viagens. Há dois anos saiu de casa, em Brasília, para treinar no Minas Tênis Clube, onde encontrou infra-estrutura (alimentação, moradia, assistência médica e financiamento das viagens e treinos). Em Belo Horizonte, ela divide uma casa com outras atletas. Além do treinamento diário de cinco horas, ela cursa a faculdade de Educação Física.

O SEGREDO DO GRÊMIO

Muito se especula sobre as virtudes que levaram o Grêmio à liderança isolada do Campeonato Brasileiro. Um time que começou a temporada sem muitas perspectivas, eliminado precocemente do campeonato Gaúcho, chegou à frente dos demais no Campeonato Brasileiro. Com isso, fechou o primeiro turno da competição mais difícil do mundo, com uma confortável diferença de cinco pontos sobre o segundo colocado, o Cruzeiro. E para sua torcida, o melhor: quinze pontos na frente do arqui-rival, Inter, considerado no início da temporada como um dos favoritos ao título.

Algumas virtudes são evidentes: é a segunda melhor defesa no primeiro turno da era dos pontos corridos. Apenas 12 gols sofridos em 19 partidas. Tem um dos melhores goleiros da competição, senão o melhor. Bons volantes que, com a volta do Tcheco, repatriado, deram um brilho, um toque mais refinado ao meio de campo. Meio de campo que fez a torcida e a diretoria esquecerem o jogador Roger, que se transferiu para o Oriente Médio.

É verdade que o time do Grêmio é um dos mais faltosos do Campeonato. É um "panzer" (tanque de guerra alemão). Destrói seus inimigos. Marcação acima tudo e a qualquer preço, favorecida pela alta estatura do time. Gols? A maioria de contra-ataques e bolas alçadas na área.

Não há como negar, o Grêmio é um time organizado e solidário. Não tem estrelas. Tem bons jogadores determinados, cientes da sua função em campo. A campanha é a melhor da era dos pontos corridos: 71 % de aproveitamento. Doze vitórias, cinco empates e duas derrotas (fora de casa). O time do Grêmio é obra do odiado e estereotipado técnico Celso Roth. Está na hora de se reconhecer os méritos e a capacidade desse treinador.



perfil

Isabel Kieling é gaúcha, moradora apaixonada do Rio de Janeiro, e jornalista de formação. E, contrariando o senso comum, entende muito de futebol. Por isso, inaugura a nossa mesa redonda virtual para comentar os melhores lances dos esportes e dos atletas – claro. Mas ela também bate a sua bolinha – só que a de golfe! Isabel também é golfista, e atualmente luta para sair das últimas posições do ranking.