Ela é louca por rugby. Quando o Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar os jogos olímpicos de 2016, logo me preocupei como ficaria nossa representação em todas as modalidades olímpicas, inclusive naquelas a serem disputadas pela primeira vez em 2016. Já temos toda dificuldade para nos prepararmos naquelas que temos um enorme potencial, como atletismo, por exemplo, imaginem naquelas verdadeiramente estranhas aos brasileiros. Não vai dar para fazer fiasco, temos que representar bem o país em todas as modalidades. Na ocasião comentei aqui que teríamos que competir até num esporte chamado rugby , inclusive no feminino. Até comecei a pesquisar sobre este esporte que é adorado por ingleses, escoceses, australianos, neozelandês e sul-africanos, estes últimos famosos pelo recente filme “Invictus”. Tinha certeza que encontraria alguns brasileiros disputando este esporte. Os brasileiros podem até não serem os melhores esportistas, mas se metem a disputar qualquer coisa. Até esporte de inverno nós disputamos. Então saí à procura de mulheres que praticavam rugby no Brasil. Dei umas perguntadas para o Sr. Google, mas com início da copa acabei jogando de lado a minha preocupação com o rugby. Foi então que recebi uma mensagem de Karlla Daves no Facebook. Karlla Daves é uma garota de Pernambuco, doutoranda em Física e louca por Rugby. Escreve em vários blogs e faz de tudo para divulgar o rugby feminino por ai afora. Conversei com ela sobre este esporte que confundimos com futebol americano e que começa aparecer na mídia brasileira.
COMO VOCÊ FOI SE APAIXONAR PELO RUGBY?
KARLLA – Eu tive o privilégio de assistir o primeiro jogo de rugby na região Nordeste. Me apaixonei de imediato pela atitude dos jogadores em campo: a superação, a coragem, o respeito mútuo e a confraternização coletiva no fim do jogo (o tradicional 3º tempo, obrigatório no rugby) foram os grandes responsáveis pelo meu amor à primeira vista. Acredito sinceramente que se todos jogassem rugby poderíamos construir um mundo melhor, baseado na lealdade, amizade e respeito.
VOCÊ PRATICA O ESPORTE OU É APENAS UMA TORCEDORA E DIVULGADORA?
KARLLA – O ano de 2010 foi um ano particularmente complicado pra mim, eu treinei até julho, fiz parte da comissão organizadora do primeiro campeonato feminino independente do Brasil. Entrei de cabeça na divulgação em sites e blogs, mas estou parada nos treinos, porque estou finalizando o Doutorado. É muito difícil viver em um ambiente de rugby sem dedicação exclusiva. Atualmente trabalho ativamente em um dos maiores sites de divulgação do rugby no Brasil (RugbyMania). Minha maior pretensão é me tornar uma árbitra de rugby qualificada. Já fiz o curso nível um da International Rugby Board e pretendo me dedicar à arbitragem de corpo e alma.
É FÁCIL PARA AS MULHERES JOGAREM RUGBY NO BRASIL OU SOFREM PRECONCEITO COMO NO FUTEBOL?
Uma das coisas que mais gostei no Rugby Feminino é que os meninos apoiam de verdade as meninas. Eles torcem, vão ao campo, ajudam, gritam. No começo eles acham estranho, mas quando se acostumam dão o maior apoio.
A nossa seleção feminina de rugby é o grande tesouro do Brasil, hexacampeãs sul-americanas e com importantes participações internacionais estão um pouco à frente dos meninos nas conquistas.
O RUGBY É UM JOGO VIOLENTO? É EM VIRTUDE DISTO QUE OS JOGADORES TEM QUE SER MAIS FORTES, MAIS CORPULENTOS?
KARLLA – Uma coisa importante a destacar é que o rugby não é um esporte violento. Sim é um esporte que permite o contato, mas as pessoas estão ali pelo esporte e não pra machucar umas às outras. No final dos jogos os times se cumprimentam e confraternizam e acreditem ou não, em geral se tornam amigos.
O Rugby é um esporte que exige bastante do físico, mas o tradicional com 15 jogadores de cada lado é totalmente democrático, permitindo que pessoas com qualquer biotipo possam participar em uma posição adequada. A modalidade olímpica (com sete jogadores de cada lado) é mais seletiva. Mas em ambos os casos, como sabiamente me ensinou meu ex- treinador português, Rui Rodrigues: – só nos divertimos jogando Rugby, quando estamos preparados fisicamente e tecnicamente, senão vira um martírio. Acredito que é o mesmo que acontece em todos os esportes.
EXISTEM CLUBES NO BRASIL ONDE SE POSSA INICIAR NO RUGBY?
KARLLA – Sim. Hoje é possível jogar rugby em praticamente todos os estados brasileiros. Eu trabalho em uma empresa que realizou um mapeamento do Rugby no Brasil (Rugby.esp.br) e o resultado é impressionante sobre a quantidade de times no território nacional. Quem tiver interesse em jogar basta mandar um email pra nós que localizamos o time mais próximo da pessoa. Mas o rugby é mais desenvolvido nas regiões Sul e Sudeste.
QUAL A DIFERENÇA DO RUGBY DE 15 E DE SETE?
KARLLA – A primeira grande diferença se refere ao número de jogadores em campo. Quando se joga com 15 jogadores em cada equipe e o jogo é jogado em dois tempos de 40 minutos. Já nos “sevens” (modalidade olímpica) os times possuem sete jogadores de cada lado e os dois tempos são de sete minutos, podendo ser 10 minutos as finais dos campeonatos.
Com esta diminuição do número de jogadores, as formações e o jogo em si muda muito, mas os princípios do jogo e a pontuação são os mesmos, nas leis do jogo existem algumas adaptações. Além destas duas temos o Beach Rugby e o Quad Rugby (para pessoas em cadeiras de rodas) como adaptações.
E O RUGBY OLÍMPICO?
KARLLA – O rugby na modalidade “7′s a side” (sete de cada lado) está com volta programada para as Olimpíadas de 2016, aqui no Brasil. Então é uma grande responsabilidade para o Brasil. Ainda não estamos preparados para as Olimpíadas, mas a política de desenvolvimento do rugby brasileiro está bastante promissora. Os recursos e as parcerias estão crescendo e a organização das entidades e o apoio forte na formação de recursos humanos capacitados também. Nossa maior preocupação com a popularização do rugby é a preservação dos valores do esporte. Seus valores e princípios é que o tornam tão especial.
RESUMA O QUE É O RUGBY PARA VOCÊ
KARLLA – O Rugby é um esporte lindo, mais do que isso é um modo de vida. A coletividade é vivida ao extremo. Não há uma estrela em um time de rugby. Um time é um time, porque ninguém faz nada sozinho e o apoio que aprendemos em campo, durante os treinos, durante os jogos, levamos conosco pra vida. Aprendemos a respeitar as pessoas, o árbitro, nossos adversários, nossos companheiros. O rugby nos ensina todos os dias a nos tornarmos pessoas melhores.
Quer saber tudo sobre Rugby? Acesse http://www.rugbymania.com.br/

lijasmim fez um comentário:
21 de fevereiro de 2011 | 7:31 #
Obrigada Isabel pelo espaço.
nadiatorquato fez um comentário:
21 de fevereiro de 2011 | 13:34 #
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Workshop de Rugby | Palmas Rugby Clube fez um pingback:
4 de março de 2011 | 15:24 #
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18 de março de 2011 | 8:49 #
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