Aos cinquenta, fui aconselhada por meu professor de ginástica a procurar um esporte onde pudesse canalizar a minha competitividade, que andava um pouco desorientada pela aposentadoria e inicio da menopausa. Ele me sugeriu o golfe. A princípio, não gostei da idéia, porque sempre vi o golfe como um esporte super elitista. Nem sabia onde jogar etc., mas resolvi encarar: procurei um professor e fui conhecer. Gostei desde o primeiro dia. Que movimentos malucos aqueles! E a bolinha pequena? Minha nossa, parecia que nunca ia acertá-la. Apaixonei-me. Mesmo sem saber jogar direito, comecei a participar de torneios. Pagava tanto “mico”, mas não interessava. Eu queria jogar e pouco me importava com a opinião dos outros. O jogo me absorvia e sempre me deixava querendo mais. Procurava tacos melhores, mas não encontrava por aqui e quando encontrava eram muito caros. Continuei participando de todos os campeonatos que me deixavam jogar: porque no golfe você precisa de um handicap mínimo para participar de determinadas competições.
Para conhecer melhor o esporte, comecei a acompanhar na televisão também. Foi na TV que fiquei fã de Tiger Woods. Que jogador! Que determinação! Um espetáculo de talento e competência. Talento que nasceu com ele. Competência forjada desde os dois anos de idade, quando começou a jogar. Tiger é um jogador que subverteu toda a ordem do golfe. Filho de um mestiço de afro-americano, chinês e nativo americano com uma tailandesa mestiça de chinês e alemão, tornou-se o maior ídolo de todos os tempos, do esporte mais praticado no Estados Unidos. O golfe tem sua história dividida em antes e depois do Tiger Woods. Tiger trouxe o interesse das minorias raciais, o marketing, o dinheiro para golfe. Com ele mais e mais patrocinadores chegaram e mais pessoas começaram a praticar o esporte. Os prêmios para os torneios se tornaram milionários. Recentemente Tiger foi considerado o esportista mais rico do planeta.
Então veio o escândalo. Tiger “pisou na bola” com a mulher. Tinha uma amante em cada torneio, mais ou menos por ai. O americano médio, muito puritano, adora estes “bafafás” com gente famosa. Para imprensa de lá é um prato cheio pra vender revistas, jornais, mídia eletrônica, etc. Na falta de tantos escândalos políticos, como os nossos, futricar a vida pessoal de celebridades é o que mais dá ibope na terra de tio Sam. Ainda mais de um esportista tão famoso, como Tiger. Claro que a mulherada com que Woods se envolveu não perdeu a oportunidade da autopromoção. Não defendo a traição de Tiger, mas criar este caso todo, a ponto de fazê-lo abandonar o golfe temporariamente e afetar tão negativamente o esporte? Imaginem aqui no Brasil se nossos melhores jogadores fossem parar de jogar, porque traíram a mulher. Nossos campeonatos seriam suspensos a todo o momento.
No caso de Tiger o que mais me irritou foi a imprensa americana arrasar sua vida profissional, em defesa da mulher, do casamento como instituição. A “pobre coitada” estava tão deprimida, que resolveu pedir 300 milhões de dólares no divórcio. A metade de fortuna de Tiger. Fortuna que ele ganhou se dedicando ao esporte, praticando desde os dois anos.
Acho que por isto ele resolveu se internar para tratar de um suposto vício em sexo. Imagina se a moda pegasse aqui no Brasil? Faltariam clinicas.
Conversando com um amigo americano, sobre a pedida da mulher de Tiger, por seis anos de casamento, ele me disse que é muito comum nos Estados Unidos. Lá, no divórcio, as mulheres são protegidas pela Justiça. Há advogados especialistas em arrancar dinheiro de maridos. Até já foram tema de filme com George Clooney. Mulheres jovens, bonitas casam com homens ricos e levam todo o dinheiro quando separam. - “Women business”, disse meu amigo, “Women business”.
Pelo bem do Golfe, Tiger esta voltando agora em Abril. Vai jogar o Torneio de Augusta, um dos mais importantes dos Estados Unidos.