» 2009 » marçoIsabel Kieling

Seleção sem graça

by Redação em 30 de março de 2009 | 21:00

Mais uma vez a Seleção Brasileira jogou muito mal. Não dá nem para culpar a altitude de Quito. A verdade é que levamos um sufoco do time do Equador: não fosse o goleiro Júlio César e a incompetência dos atacantes adversários, poderíamos ter levado uma goleada histórica.

Depois do vexame da Copa de 2006, Dunga foi chamado para treinar a seleção com a missão de renovar o time, buscar a valorização da "amarelinha" por nossos ricos jogadores. Sem experiência nenhuma como treinador, mas com o histórico de grande capitão da seleção campeã de 1994 e vice de 1998, Dunga foi alçado ao cargo mais questionado no Brasil por sua garra, por sua força competitiva, por sua liderança, enquanto jogador.

A renovação até foi iniciada, com muitos jogadores convocados, muitos testes, mas que no final das contas acabou mantendo alguns atletas que fizeram parte da tão criticada seleção de 2006. Não que não pudessem continuar: Kaká, por exemplo, é imprescindível para seleção. Mas querer manter como titular Gilberto Silva, que não joga bem desde 2002, que teve uma passagem ruim pelo Arsenal da Inglaterra e que no momento atua no futebol grego, num time inexpressivo, é pura teimosia.

‘Estamos praticamente a um ano da Copa e não temos um time organizado, esquema tático definido, jogadas ensaiadas

Temos volantes como Lucas, do Liverpool da Inglaterra, como Hernanes do São Paulo, como Ramires do Cruzeiro, que estão jogando muito bem em seus times e que merecem uma oportunidade na seleção. No jogo de ontem não tivemos meio de campo. Ronaldinho vem sendo convocado no nome. Há muito tempo não joga bem, nem na seleção, nem no Milan. Robinho foi mal e vem sendo em outras partidas, também está mal no Manchester City, onde joga.

Dependemos demais de Kaká, que ultimamente vem sofrendo com lesões contínuas e muitas vezes não pode jogar, como ontem. Estamos praticamente a um ano da Copa e não temos um time organizado, esquema tático definido, jogadas ensaiadas, etc. Dependemos exclusivamente do individualismo dos nossos craques, que quando não estão bem expõem a seleção à pressão igual a que sofremos em Quito. Estamos em quarto na classificação das eliminatórias, com certeza vamos nos classificar, mas será que teremos chance na Copa do Mundo? Enquanto isto, a Seleção Argentina, sob o comando técnico de Maradona, arrasou com a seleção da Venezuela, jogando muito bem.

É lamentável que ainda aconteçam casos no esporte brasileiro igual ao de Jade Barbosa. Nas últimas semanas a atleta saiu pela mídia promovendo uma camiseta, que está à venda no seu site. Os recursos da venda são para financiar uma cirurgia extremamente difícil no seu pulso direito, que Jade precisa se submeter para continuar na ginástica.

A atleta é a nossa principal ginasta. Participou da recente Olimpíada de Pequim e não tem recebido nenhum apoio da Confederação Brasileira de Ginástica, a CBG, e muito menos do Comitê Olímpico Brasileiro, o COB. Em entrevistas, Jade disse que tem sofrido com o tratamento e que a CBG sabia de sua lesão desde o início de 2008 e a manteve com medicações fortíssimas para que ela pudesse disputar as Olimpíadas. A jovem decepcionada disse: "Eles te usam até o ponto que dá e depois te jogam foram".

‘Quem quiser ajudar a Jade comprando a camiseta é só acessar o www.jadebarbosa.com.br

Jade Barbosa está numa situação muito difícil para custear seu tratamento, que deveria ser feito nos Estados Unidos, onde existe tratamento de ponta, tal a complexidade da lesão. A situação da jovem atleta se agrava porque, por mais que personalidades do meio esportivo, artístico e empresarial pudessem contribuir financeiramente para custear o tratamento, não o fazem porque a responsabilidade, a obrigação, é da CBG e do COB. Essas entidades, como é de conhecimento público, recebem altas verbas federais para o desenvolvimento do esporte olímpico.

Como nossas autoridades podem querer vencer a competição para realização das Olimpíadas de 2016, no Rio, se não temos cuidado com uma atleta de ponta como a Jade, moradora desta cidade e atleta do Flamengo? Seria ótimo a Jade enviar um dossiê bem ilustrado do seu caso para o Comitê Olímpico Internacional, o COI. Assim, logo desclassificariam o Rio da competição pela sede, evitando o gasto de tanto dinheiro público com projetos mirabolantes que, sabemos, não se concretizarão. Quem quiser ajudar a Jade comprando a camiseta é só acessar o www.jadebarbosa.com.br.

A vez dos atacantes

by Redação em 15 de março de 2009 | 21:00

A crise econômica está sendo ruim para todos no mundo inteiro, mas, para o futebol brasileiro, está trazendo de volta os ídolos. Enquanto os grandes clubes europeus fecharam os cofres, os brasileiros estão repatriando craques, que dificilmente seriam vistos por aqui. O Campeonato Brasileiro promete uma disputa acirrada pela artilharia, pelo menos até a janela do meio do ano, que se acredita não será tão devastadora, justamente pela crise.

Estávamos no viés de saída e agora tudo mudou. Os craques estão preferindo voltar para o Brasil, ganhando menos, mas perto do técnico Dunga, da Seleção Brasileira. É o caso de Fred, atacante brilhante, que estava no Lyon da França, mal-aproveitado, há três meses sem jogar. Desde a Copa de 2006 não era convocado e muito menos cogitado para a seleção de Dunga.

‘Assim, como o auspicioso retorno de Ronaldo ao futebol na semana passada, o retorno de Fred ao futebol brasileiro vem com certeza trazer dor de cabeça a Dunga. Ambos querem retornar à Seleção Brasileira

Fred estreou ontem no Fluminense contra um adversário dito fraco, o Macaé, mas que esteve ganhando todo o primeiro tempo por 1×0. Apesar de estar um pouco fora de forma, Fred mostrou a que veio: marcou dois gols e participou de várias jogadas de ataque, poderia até ter feito mais. Os quase 25 mil torcedores do Fluminense, no Maracanã, numa tarde de chuva, foram ao delírio e já elegeu Fred como mais novo xodó das Laranjeiras.

Assim, como o auspicioso retorno de Ronaldo ao futebol na semana passada, o retorno de Fred ao futebol brasileiro vem com certeza trazer dor de cabeça a Dunga. Ambos querem retornar à Seleção Brasileira. O Ronaldo ainda muito longe, mas Fred com certeza logo, logo, provando que pode voltar. Por enquanto, os preferidos são Luis Fabiano, Pato, em excelente fase no Milan, e ainda Adriano, que se não está numa boa fase, ainda tem prestígio junto à comissão técnica da Seleção.

Ainda temos nesta disputa o Nilmar, do Inter, Keirrison, do Palmeiras, atual goleador do campeonato paulista e grata revelação do futebol brasileiro no ano passado. E eis que surge no Santos um menino de 17 anos, chamado Neymar, que joga como gente grande e que, ao fazer seu primeiro gol, ontem, como titular do peixe, comemorou com o emblemático soco no ar de Pelé. Realmente por mais que queiram destruir nossos clubes, todos à beira de um caos econômico, não conseguem sufocar nosso talento inesgotável para o futebol. Muitos meninos jogam bola e muitos craques não param de aparecer.

Explicadinho

O jogador Fred, 25 anos – que começou sua carreira no América de Minas, e na Copa São Paulo de Futebol Junior de 2003 – marcou o gol mais rápido até hoje do futebol mundial (3,17 segundos). Já em 2005, atuando no Cruzeiro, marcou 40 gols em 43 partidas jogadas. Fred é o maior goleador de todos os tempos de uma Copa do Brasil, com 15 gols marcados numa única edição. Foi convocado para a seleção brasileira pela primeira vez em 2005 e atuou na Copa de Mundo de 2006. Com o sucesso no Cruzeiro e na seleção brasileira, a transferência para Lyon da França foi rápida. Lá foi campeão francês por três temporadas.

Os primeiros campeões

by Redação em 2 de março de 2009 | 21:00

O Botafogo chegou à conquista da Taça Guanabara, primeiro turno do campeonato carioca, por seus próprios méritos e acertos. É verdade que Resende é um time fraco, mas que valorizou a vitória do time do Engenhão, porque em nenhum momento apelou para a violência ou para tática de parar o jogo com muitas faltas. Foi um jogo com baixo número de faltas.

O espetáculo ficou por conta dos mais de 75 mil torcedores, praticamente de uma torcida só, mas que não deixou de vibrar muito com a conquista do título. Num momento em que há muitas discussões em São Paulo sobre acabar com os clássicos de duas torcidas para evitar a violência, o que se viu na final no Maracanã pode reforçar o desejo de algumas autoridades de São Paulo. O jogo de uma torcida só (havia uma pequena torcida de Rezende) fez com que famílias inteiras de botafoguenses, mulheres, crianças enchessem o Maracanã e festejassem na maior tranqüilidade.

‘Na verdade, a violência é grande no Sul, porque a rivalidade entre Grêmio e Internacional é uma das mais acirradas.

Não concordo com clássicos e decisões sem a torcida adversária. É muito fácil dar uma solução simplista para a violência nos estádios. A punição dos violentos e baderneiros ainda é mais difícil, mas é o correto.

No Gauchão, o Internacional conquistou o primeiro turno, vencendo o clássico contra o Grêmio, com o estádio lotado de colorados e apenas três mil torcedores do tricolor. No sul, a torcida única não se deve somente à violência, mas sim à quantidade de sócios de ambos os clubes. O Internacional ultrapassou os 80 mil sócios, que têm preferência na ocupação dos 40 mil lugares do Beira-Rio. A carga destinada aos adversários é somente para cumprir o Estatuto do Torcedor.

Na verdade, a violência é grande no Sul, porque a rivalidade entre Grêmio e Internacional é uma das mais acirradas. Recentemente houve graves distúrbios em um Grenal: a torcida do Grêmio incendiou banheiros químicos que foram colocados à sua disposição, no estádio colorado, porque os banheiros do Beira-Rio já tinham sido depredados num Grenal anterior. A preferência aos sócios foi eliminando a torcida adversária sem intenção, tornando o clássico gaúcho um jogo de uma torcida só e sem registros de violência dentro e no entorno do estádio.

Na semana passada foi realizada, na Irlanda, uma reunião da International Board para discutir algumas mudanças nas regras do futebol. A principal a mais polêmica que entrou na pauta foi a introdução do cartão laranja, que serviria para punir o atleta temporariamente (ou seja, ficaria fora do jogo por alguns minutos), mas foi vetada. No entanto, foi aprovada a utilização de mais juízes auxiliares, que foi testada na Eurocopa Sub 19 e agora será testada nas ligas profissionais.

‘A International Board é a entidade que cuida das regras do futebol e suas mudanças

Outra pequena alteração: a regra do impedimento passará a ter, no texto, o que já era uma orientação. Se um jogador deixar o campo sem autorização do juiz, ele será considerado como se estivesse na linha do seu gol, podendo dar condição legal de jogo ao atacante, até que o jogo seja parado. Quanto à permanência de treinadores na área técnica, a Internacional Board afirmou que os profissionais poderão ficar no local à beira do gramado sem precisar retornar ao banco se tiverem comportamento "responsável". Foi vetado também o aumento do intervalo de jogo e decidido que aumento de substituições na prorrogação ficará por conta da decisão da FIFA.


Explicadinho

A International Board é a entidade que cuida das regras do futebol e suas mudanças. É formada por quatro integrantes da FIFA e um de cada uma das federações britânicas: Inglesa, Escocesa, Irlandesa e Galesa. Para que uma mudança seja aprovada, a proposta deve ter os quatro votos da FIFA, mais dois dos outros quatro integrantes.



perfil

Isabel Kieling é gaúcha, moradora apaixonada do Rio de Janeiro, e jornalista de formação. E, contrariando o senso comum, entende muito de futebol. Por isso, inaugura a nossa mesa redonda virtual para comentar os melhores lances dos esportes e dos atletas – claro. Mas ela também bate a sua bolinha – só que a de golfe! Isabel também é golfista, e atualmente luta para sair das últimas posições do ranking.