» 2009 » fevereiroIsabel Kieling

Carnaval sem suor

by Redação em 24 de fevereiro de 2009 | 21:00

Já dizia o "filósofo" Vampeta, quando jogava no Flamengo: "Eles finge que nos pagam e nós fingimos que jogamos." Assim foi o Flamengo na semifinal da Taça Guanabara contra o Resende, no último sábado. A derrota para o fraco Resende só não foi pior, porque o atacante Meneghel, artilheiro do campeonato, deu um show de como se perde gol. Aliás, poderiam abrir uma exceção e inscrevê-lo no bola murcha, concurso para amadores, muito apreciado pelo público brasileiro. Não se sabe se o time rubro-negro jogou mal ou simplesmente não entrou em campo, tamanha a indolência. Não se sabe se estava se resguardando para o carnaval ou se o atraso dos salários pesou muito.

É claro que o técnico Cuca escalou mal o time. Começou com Obina, que não vem jogando nada, em vez de escalar Josiel, que, apesar dos poucos minutos que jogou na partida passada, fez gol e jogou bem. Continuou errando, quando perdeu dois jogadores expulsos e já estava perdendo de um a zero: substituiu Zé Roberto por Kleberson. Ora, Zé Roberto é um jogador mais habilidoso, que poderia resolver numa jogada individual, mas preferiu se defender do fraco e ruim time do Resende, colocando mais um volante.

‘Já é tradicional no carnaval do Rio acontecer uma partida de futebol no sábado. Nesta partida, não foi diferente dos outros anos, houve uma invasão de cabeças loiras e peles brancas. Eles vieram de toda a parte do mundo atrás da magia do Maracanã e do futebol brasileiro

Lamentável também foi a atuação do juiz. Expulsou Airton com o segundo cartão amarelo, porque já tinha levado o primeiro equivocadamente. Logo em seguida, expulsou Fábio Luciano por reclamação e deixou de marcar um pênalti para o Flamengo. Mas nem os erros da arbitragem serviram de desculpa para o Flamengo.

Na verdade, a atuação rubro-negra só veio completar a péssima qualidade do campeonato carioca enriquecido pelas lambanças da federação e tribunais, com o uso de dois pesos e duas medidas. A punição ao Vasco, excluindo o time da competição por motivação política, foi no mínimo sem cabimento e injusta. O que deu mesmo foi vergonha dos turistas estrangeiros. Já é tradicional no carnaval do Rio acontecer uma partida de futebol no sábado. Nesta partida, não foi diferente dos outros anos, houve uma invasão de cabeças loiras e peles brancas. Eles vieram de toda a parte do mundo atrás da magia do Maracanã e do futebol brasileiro. E o que viram não tem nada a ver com o nosso futebol, mas como explicar? Esperamos que, na quarta-feira, Fluminense e Botafogo façam uma boa partida que pelo menos lembre o futebol brasileiro.

EXPLICADINHO

Vampeta – Volante baiano, de Nazaré de Farinhas, começou sua carreira no Vitória da Bahia. Jogou na Holanda no PSV, voltou ao Brasil para jogar dois anos no Fluminense, retornando ao PSV, quando foi um dos melhores jogadores do campeonato holandês. Voltou ao Brasil para jogar no Corinthians, onde foi Campeão Paulista e Brasileiro em 98 e 99 e Campeão do Mundo em 2000. Seu bom futebol o levou à Seleção Brasileira, onde foi Campeão da Copa América. Voltou para Europa em 2000 para jogar no Milan e logo depois no Paris Saint German. Voltou ao Brasil em 2001 para jogar no Flamengo. Em 2002, retornou ao Corinthians onde foi Campeão da Copa Brasil e do Torneio Rio-São Paulo. Em 2002, foi convocado por Felipão para a Copa do Mundo, sagrando-se campeão.

Vampeta sempre foi um jogador de atitudes polêmicas. Em 1999, foi o primeiro jogador de futebol a posar nu para a revista "G" Magazine. O dinheiro que ganhou da revista foi utilizado para reformar um antigo teatro na sua cidade. Outra atitude que deu o que falar, e que ganhou as primeiras páginas de jornal do mundo inteiro, aconteceu quando a Seleção Brasileira chegou em Brasília, após ganhar o Campeonato Mundial de 2002, e foi recepcionada pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso na porta do Palácio do Planalto. Vampeta desceu a rampa do Planalto às cambalhotas, vestido com a camisa do Corinthians, em frente ao presidente e todas as autoridades.

Violência e tapetão

by Redação em 15 de fevereiro de 2009 | 21:00

É inacreditável a vocação do futebol brasileiro para repetições dos velhos e ultrapassados erros. Nem bem as autoridades da FIFA deixaram o país, após realizar visitas técnicas às cidades candidatas a sediar os grupos da Copa do Mundo de 2014, nossos cartolas dão demonstração de total amadorismo e incompetência.

A horrível decisão no "tapetão" volta à cena. Desta vez no futebol do Rio de Janeiro: a primeira fase da Taça Guanabara já terminou e ainda não se tem a definição das semifinais. Isso porque a Federação de Futebol do Rio de Janeiro enviou denúncia ao Tribunal de Justiça, que retirou seis pontos do Vasco, por conta da escalação do jogador Jefferson na primeira da rodada da competição.

O Vasco alega que enviou a documentação do atleta a tempo, por meio de uma liminar. A Federação diz que o documento chegou num sábado, quando o escritório da entidade está fechado.

Na verdade, existe muito de politicagem debaixo dessa quebra de braço. Todo mundo sabe que a Federação era ou ainda é influenciada pelo antigo presidente do Vasco, arquiinimigo do atual, Roberto Dinamite. É evidente que a Federação faz questão de facilitar a vida do Vasco.

O julgamento do recurso vascaíno deve acontecer esta semana, ficando indefinida a tabela da semifinal. Os outros classificados são: Flamengo, Botafogo e Fluminense. Caso o Vasco não recupere os pontos, entra na sua vaga o Resende.

VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO

Já no paulistão, cartolas e dirigentes do São Paulo e do Corinthians trocaram farpas a semana inteira, acirrando ânimos e incentivando a violência. Como uma tragédia anunciada, o clássico paulistano acabou com violência: dentro de campo foram três expulsões e dez cartões amarelos; nas arquibancadas, a torcida corintiana iniciou um enfretamento com a Polícia Militar, que resultou em 31 feridos. As autoridades paulistas querem restringir mais ainda a torcida adversária. É mais fácil jogar o lixo embaixo do tapete do que melhorar a segurança e punir os infratores como fazem os europeus, que erradicaram os baderneiros dos estádios.

Deve-se temer pela Copa no Brasil. Tanto os dirigentes quanto o poder público têm que levar a sério o evento. Deixar de "oba, oba" e tratar de organizar a Copa muito bem, porque corremos risco de dar um baita atestado de incompetência e amadorismo.

Explicadinho

Tapetão – quando uma competição é decidida nos tribunais e nos escritórios de dirigentes. Fala-se tapetão, porque os escritórios destas entidades eram ou são até hoje atapetados com grandes tapetes caros. Até alguns anos atrás, resultados modificados pelo tribunal, clubes rebaixados e que não desciam para a segunda divisão, processos na justiça comum eram prática normal no futebol brasileiro. Hoje a FIFA não tolera, em hipótese alguma, a interferência da justiça comum. Caso isso ocorra, o clube ou seleção é excluído de todas as competições.

O clássico nos estaduais

by Redação em 9 de fevereiro de 2009 | 21:00

VASCO X FLUMINENSE
No primeiro clássico do Estadual do Rio de Janeiro, tivemos um Fluminense e Vasco muito fraco. Tanto que o jogo terminou em zero a zero. O Fluminense não soube aproveitar a vantagem de um jogador a mais em quase todo o segundo tempo. René Simões, técnico do tricolor, preferiu manter a equipe povoada no meio de campo com dois volantes, Fabinho e Diguinho. O clássico marcou o retorno de Thiago Neves, que não ficou na Europa nem por um ano e quase não apareceu no jogo. O Fluminense está praticamente eliminado das finais da Taça Guanabara. Existem chances matemáticas, mas são muito remotas, porque depende de várias combinações de resultados. O "tititi", que anda forte lá nas Laranjeiras, é de que Renato Gaúcho estaria de volta ao Fluminense para o lugar de René Simões. Este, por sua vez, diz que o presidente do tricolor, Roberto Horcardes, aquele do episódio "dois neurônios", garantiu sua permanência no clube.

GRENAL
Muitos dizem na imprensa e no meio do futebol que clássico gaúcho entre Grêmio e Internacional é o mais acirrado e o de maior rivalidade no Brasil. Tanto que muitos patrocinadores de expressão não ousam colocar sua marca em somente em uma das duas camisas. A rivalidade excede aos campos de futebol. Ela alcança o cotidiano dos gaúchos.

O Grenal, desse último final de semana, não foi exceção. Muita rivalidade, muita guerra em campo, muita marcação, muitas faltas, muita reclamação da arbitragem, dois gols de falta de atenção de ambas as equipes. No final, o Inter acabou vencendo de 2 x 1, porque conseguiu encaixar um contra-ataque, que tentou a partida inteira, após fazer 1×0, aos três minutos de partida.

O resultado foi injusto para o Grêmio, que teve várias chances de gol e até bola na trave. O técnico gremista, Celso Roth, reclamou muito de Carlos Simon, juiz da partida. Realmente com razão, pois o bandeirinha anulou um gol do Grêmio, marcando um impedimento inexistente. Já os colorados, como são chamados os torcedores do Inter, reclamaram da não expulsão de Réver, que era o último homem da defesa e puxou Nilmar pela camisa, que estava em clara situação de gol. Simon deu somente um cartão amarelo para o zagueiro do Grêmio. Simon, apesar de ser o juiz representante do Brasil na próxima Copa, anda cometendo erros graves em partidas importantes.

O diferencial deste Grenal foi a presença em número igual das duas torcidas. A partida foi realizada em Erexim, interior do Rio Grande do Sul. Quando o clássico é realizado no Beira Rio (estádio do Inter) ou no Olímpico (estádio do Grêmio), os clubes disponibilizam para a torcida adversária um número mínimo de ingressos, só para cumprir o estatuto do torcedor, porque tanto o Inter quanto Grêmio têm sócios torcedores, que, com pagamento de uma mensalidade, têm direito a assistir todos os jogos. E ambos os clubes já ultrapassaram a lotação máxima dos estádios, em número de sócios.

PALMEIRAS X SANTOS

O Palmeiras, por enquanto, é o time que mais vem se destacando no Campeonato Paulista, disputado em pontos corridos. Está com 100% de aproveitamento. Não tomou conhecimento da equipe santista e goleou por 4 X 1. Isso depois de jogar na quarta-feira passada contra o Potosi, lá no Equador, a uma altura de quatro mil metros acima do nível do mar. Confirmou sua classificação para a fase de grupos da Libertadores, vencendo o clube equatoriano por 2X0. Keirrison foi mais uma vez o destaque da equipe palmeirense, fazendo dois gols no clássico. O atacante vindo recentemente do Coritiba não precisou de adaptação nenhuma a sua nova equipe. Parece que está despontando um grande goleador no futebol brasileiro.EPISÓDIO DOIS NEURÔNIOS
É muito bom lembrar a todas as mulheres que o presidente do Fluminense, o médico Roberto Horcades, em dezembro último, ao comunicar a permanência do técnico René Simões no tricolor carioca e exaltar as qualidades técnicas do seu treinador, disse a uma rádio de grande audiência no Rio de Janeiro que: "A minha paixão antiga, que a mulher dele não sabe, é o René. Esse namoro existe desde 2004, quando ele foi treinar as meninas lá em Atenas. E conseguiu fazer com que as mulheres, com dois neurônios, fossem vice-campeãs olímpicas."

Evidente que, no dia seguinte, depois dessa infeliz declaração, o referido médico e cartola pediu desculpas às jogadoras da seleção feminina de futebol, mas sem deixar de culpar a imprensa pela repercussão "de algo que não merece ser veiculado".

ÚLTIMO HOMEM DA DEFESA
Um dos vários motivos para a expulsão direta de um jogador, sem a necessidade de um amarelo anterior, é fazer uma falta, quando se é o último homem da defesa, independentemente de ter ou não goleiro. Basta que o atacante esteja fora ou dentro da área com a evidente possibilidade de gol, ou seja: de maneira frontal, próximo ao gol. Mas esta evidente possibilidade de gol depende da interpretação do juiz, que muitas vezes para acomodar o jogo, pune o jogador faltoso apenas com o cartão amarelo.



perfil

Isabel Kieling é gaúcha, moradora apaixonada do Rio de Janeiro, e jornalista de formação. E, contrariando o senso comum, entende muito de futebol. Por isso, inaugura a nossa mesa redonda virtual para comentar os melhores lances dos esportes e dos atletas – claro. Mas ela também bate a sua bolinha – só que a de golfe! Isabel também é golfista, e atualmente luta para sair das últimas posições do ranking.