Já dizia o "filósofo" Vampeta, quando jogava no Flamengo: "Eles finge que nos pagam e nós fingimos que jogamos." Assim foi o Flamengo na semifinal da Taça Guanabara contra o Resende, no último sábado. A derrota para o fraco Resende só não foi pior, porque o atacante Meneghel, artilheiro do campeonato, deu um show de como se perde gol. Aliás, poderiam abrir uma exceção e inscrevê-lo no bola murcha, concurso para amadores, muito apreciado pelo público brasileiro. Não se sabe se o time rubro-negro jogou mal ou simplesmente não entrou em campo, tamanha a indolência. Não se sabe se estava se resguardando para o carnaval ou se o atraso dos salários pesou muito.
É claro que o técnico Cuca escalou mal o time. Começou com Obina, que não vem jogando nada, em vez de escalar Josiel, que, apesar dos poucos minutos que jogou na partida passada, fez gol e jogou bem. Continuou errando, quando perdeu dois jogadores expulsos e já estava perdendo de um a zero: substituiu Zé Roberto por Kleberson. Ora, Zé Roberto é um jogador mais habilidoso, que poderia resolver numa jogada individual, mas preferiu se defender do fraco e ruim time do Resende, colocando mais um volante.
Lamentável também foi a atuação do juiz. Expulsou Airton com o segundo cartão amarelo, porque já tinha levado o primeiro equivocadamente. Logo em seguida, expulsou Fábio Luciano por reclamação e deixou de marcar um pênalti para o Flamengo. Mas nem os erros da arbitragem serviram de desculpa para o Flamengo.
Na verdade, a atuação rubro-negra só veio completar a péssima qualidade do campeonato carioca enriquecido pelas lambanças da federação e tribunais, com o uso de dois pesos e duas medidas. A punição ao Vasco, excluindo o time da competição por motivação política, foi no mínimo sem cabimento e injusta. O que deu mesmo foi vergonha dos turistas estrangeiros. Já é tradicional no carnaval do Rio acontecer uma partida de futebol no sábado. Nesta partida, não foi diferente dos outros anos, houve uma invasão de cabeças loiras e peles brancas. Eles vieram de toda a parte do mundo atrás da magia do Maracanã e do futebol brasileiro. E o que viram não tem nada a ver com o nosso futebol, mas como explicar? Esperamos que, na quarta-feira, Fluminense e Botafogo façam uma boa partida que pelo menos lembre o futebol brasileiro.
EXPLICADINHO
Vampeta – Volante baiano, de Nazaré de Farinhas, começou sua carreira no Vitória da Bahia. Jogou na Holanda no PSV, voltou ao Brasil para jogar dois anos no Fluminense, retornando ao PSV, quando foi um dos melhores jogadores do campeonato holandês. Voltou ao Brasil para jogar no Corinthians, onde foi Campeão Paulista e Brasileiro em 98 e 99 e Campeão do Mundo em 2000. Seu bom futebol o levou à Seleção Brasileira, onde foi Campeão da Copa América. Voltou para Europa em 2000 para jogar no Milan e logo depois no Paris Saint German. Voltou ao Brasil em 2001 para jogar no Flamengo. Em 2002, retornou ao Corinthians onde foi Campeão da Copa Brasil e do Torneio Rio-São Paulo. Em 2002, foi convocado por Felipão para a Copa do Mundo, sagrando-se campeão.
Vampeta sempre foi um jogador de atitudes polêmicas. Em 1999, foi o primeiro jogador de futebol a posar nu para a revista "G" Magazine. O dinheiro que ganhou da revista foi utilizado para reformar um antigo teatro na sua cidade. Outra atitude que deu o que falar, e que ganhou as primeiras páginas de jornal do mundo inteiro, aconteceu quando a Seleção Brasileira chegou em Brasília, após ganhar o Campeonato Mundial de 2002, e foi recepcionada pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso na porta do Palácio do Planalto. Vampeta desceu a rampa do Planalto às cambalhotas, vestido com a camisa do Corinthians, em frente ao presidente e todas as autoridades.
