Finalmente temos um campeão, mas, no final, deu a lógica. O São Paulo conquistou o título merecidamente, chegando três pontos à frente do Grêmio, segundo colocado. Foi o campeonato mais disputado da era dos pontos corridos – desde 2003.
A reação do São Paulo no segundo turno foi algo impressionante: tirou a diferença de onze pontos do Grêmio, perdendo somente uma partida para o próprio tricolor gaúcho em Porto Alegre. Terminou o campeonato invicto em 18 partidas. Se a campanha deste ano não permitiu ao São Paulo ganhar com relativa folga, mostrou que o clube, mesmo com um time não muito melhor que os adversários, sobressaiu-se, contando com a estrutura e com o melhor técnico do Brasil dos últimos tempos, o Muricy.
Orgulhamo-nos em dizer que o campeonato brasileiro é o mais difícil do mundo, que temos sempre mais de dez candidatos ao título. Os campeonatos mais ricos do mundo – Inglês, Espanhol e Italiano – não tem mais de três times que possam conquistar o título. São campeonatos quase sem graça, porque, tirando as partidas entre os reais candidatos, não se tem muita surpresa nos demais jogos. O Brasileiro, não: neste ano, 14 times ex-campeões disputaram o título. Foram vários clássicos, em todos os finais de semana.
Mas, com a supremacia do São Paulo, tricampeão seguido nesta fórmula de pontos corridos, parece que algo está mudando no futebol brasileiro: os times mais organizados, mais criteriosos nas contratações e mais estruturados estão se mantendo na disputa. Os que possuem estádios e centros de treinamento conseguem melhores resultados. Os demais, que não priorizam o planejamento, têm se mantido apenas na disputa de uma vaga na Copa Sul-Americana ou, quiçá, de uma vaga na Libertadores.
Vejamos a classificação dos quatro primeiros deste ano – São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras. Todos têm estádio, centros de treinamento. Todos os quatro estão com seus problemas financeiros resolvidos ou encaminhados, negociados. A administração de cada um, mesmo com variações de clube para clube, tem características empresariais e ações de marketing similares às grandes empresas privadas do país. Aí está o ponto: alguns clubes e seus dirigentes ainda não se deram conta, mas o que mais vai contar para se concorrer a um título no Brasileiro será a capacidade de organização e o profissionalismo na administração de todos os setores. Parabéns ao São Paulo pelo hexacampeonato, e pelo tricampeonato consecutivo.
Primeiro campeão brasileiro da Sul-Americana
Outro clube que está entre os que priorizam a administração profissional é o Internacional. É o clube brasileiro que mais se dedicou ao marketing de relacionamento, aproveitando seu estádio de maneira espetacular. Hoje, já tem 77 mil sócios pagantes mantendo uma arrecadação fixa ao clube. O Inter não chegou à vaga na Libertadores por vários motivos, entre eles as inúmeras modificações que o time sofreu, inclusive do técnico, em virtude das janelas árabe e européia.
No entanto, no momento em que identificou a dificuldade de chegar à Libertadores, o Colorado vislumbrou o grande negócio que seria ganhar a Copa Sul-Americana, nunca conquistada por um time brasileiro. Apostou todas as fichas nesta copa: eliminou o Grêmio, Arsenal (Argentina), U. Católica (Chile), Boca Juniors (Argentina), Chivas (México), e disputou uma final emocionante contra o Estudiantes (Argentina). Parabéns ao futebol gaúcho. Um título com o Inter e uma vaga na Libertadores com o Grêmio.
Queria não mencionar, mas me sinto obrigada. O futebol é um assunto que chama a atenção de todos no Brasil. As crianças, hoje tanto meninos quanto meninas, desde pequenas se ligam no futebol, nos seus times. Os jogadores e técnicos são ídolos da garotada.
Esta última semana em particular foi triste para as crianças e para todos que gostam de boas maneiras, de educação, do português bem falado, seja de maneira simples ou de maneira rebuscada.
Começou com a triste entrevista do técnico Muricy, depois do jogo contra o Fluminense. Foi de uma grosseria, de uma arrogância com uma repórter, sem precedentes. Eu não sei se ele usou de sua posição de evidência, de sua posição financeira (ganha por mês mais que todos aqueles quase 50 repórteres juntos, que estavam naquela coletiva), ou se foi simplesmente machismo, porque a pergunta partiu de uma mulher. Deprimente…
Tanto que todos os jornalistas dos programas de esporte resolveram criticar e não achar "engraçadinho" o mau humor deste profissional. O Muricy é o melhor técnico do Brasil, mas tem que ser informado pela direção do São Paulo que dar entrevistas faz parte do seu cargo. Como que o São Paulo quer ser o time de maior torcida do Brasil com seu mais importante funcionário atualmente tratando mal a imprensa, e, conseqüentemente, quem está assistindo? Sei que esta semana ele pediu desculpas, mas deveria se desculpar diretamente àquela moça na próxima coletiva.
O grande mestre e jornalista Fernando Calazans criticou, no dia seguinte à conquista da Sul-Americana, o técnico do Inter, Tite, por usar palavras como "enfrentamento" como sinônimo de jogo. Disse que era pernóstico etc. Meu amado mestre! Longe de contrariá-lo, mas devo informá-lo que prefiro o Tite, o Celso Roth, o Parreira, até o Caio Júnior (quando diz que está tudo bem enquanto está tudo errado no Flamengo), do que aberrações como o "com nós" do Dunga. Ele pode ser uma pessoa simples, do interior, mas pode aprender a falar, como está aprendendo a ser técnico.
Essas pessoas não têm noção da posição que ocupam. São inerentes ao cargo as entrevistas, o público, a mídia, as perguntas sem graça, bobas, sem necessidade e repetitivas. Os jornalistas também erram e incomodam. Foi triste esta semana. Até o presidente Lula tem que saber: se as crianças não ligam para política, elas se ligam nele, por sua trajetória e popularidade. Coitado do nosso "português ruim", como diria Roberto Carlos.
