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Quase campeão

by Redação em 23 de novembro de 2008 | 21:00

Apesar de faltarem duas rodadas para o final do campeonato e matematicamente ainda ser possível o Grêmio ser campeão, não tem como negar que o São Paulo não perde mais o título. Precisa de dois pontos nos seis que faltam disputar. Já pode ser campeão na próxima rodada contra o Fluminense no Morumbi. Além de toda esta vantagem, a concentração, as determinações do time e do técnico do São Paulo ridicularizam as possibilidades matemáticas.

Enquanto o título está resolvido, as vagas para a Libertadores estão indefinidas. Grêmio está praticamente classificado, ficando duas vagas para serem disputadas por Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo.

‘Se o Flamengo não tivesse jogado tão mal, se não tivesse tão desorganizado na defesa, deixando os atacantes do Cruzeiro entrarem na área sozinhos, fazendo linha de passe na cara dos zagueiros, não precisaria ficar reclamando do pênalti não marcado

Com a derrota no Mineirão, o Flamengo fica na situação mais difícil para conquistar uma vaga na Libertadores. Agora não basta ganhar os seis pontos que faltam. Precisa que Cruzeiro ou Palmeiras percam pontos nestas duas últimas rodadas.

Erros dos juízes

Não tem coisa pior que um erro de um juiz nos momentos decisivos de um campeonato. Ontem, por exemplo, no jogo do Flamengo e Cruzeiro, o juiz Carlos Simon, o representante da arbitragem do Brasil na Copa do Mundo de 2010, considerado "o melhor" juiz do país, deixou de marcar um pênalti claríssimo a favor do Flamengo aos 46 do segundo tempo. Este é um juiz que comprovadamente não marca pênaltis.

Torcedores do Sul, terra do Simon, dão conta de que este juiz não marca pênalti há uns dois anos. Isto porque chega a apitar três partidas por semana. Lembram daquele pênalti que não marcou a favor do Botafogo na Copa do Brasil? Depois foi para a TV dizer que tinha errado, mas ele estava em cima da jogada, com ontem também. Na verdade, este juiz raramente marca pênaltis em partidas decisivas. Não quer assumir. Na Copa do Mundo, deixou de marcar um pênalti claro a favor da Itália. Foi mandando de volta na primeira fase.

Por outro lado, também se o Flamengo não tivesse jogado tão mal, se não tivesse tão desorganizado na defesa, deixando os atacantes do Cruzeiro entrarem na área sozinhos, fazendo linha de passe na cara dos zagueiros, não precisaria ficar reclamando do pênalti não marcado. Pois é, o "se" não ganha e nem perde jogo.

Onde estão as mães destas crianças?

Por pura preguiça, este domingo fiquei "zapeando" e me deparei com um campeonato de skate numa mega rampa em São Paulo. Nunca me liguei em esportes radicais, mas este evento realmente foi incrível e perigoso. A tal rampa foi construída no sambódromo de São Paulo, com 110 metros de comprimento e (haja anjo da guarda) 27 metros de altura. O skate chega a uma velocidade de 80 km/h. Sem contar que quando chegavam à borda mais alta, com impulso, subiam a cinco metros além da altura do "brinquedo". O recorde é sete metros de altura.

Confesso que o esporte deixa as pessoas arrepiadas e temerosas. É muito radical! Um dos concorrentes se machucou nos treinamentos e não pôde disputar o campeonato. Fiquei pensando na mãe destes rapazes. Será que elas assistem? Jamais imaginariam passar por isto ao dar o primeiro skate aos seus filhos. O vencedor do desafio da mega rampa, pela primeira vez construída no Brasil, foi o carioca radicado nos Estados Unidos, o supercampeão Bob Burnquist.

Explicadinho…

Linha de passe: É uma jogada coletiva, em que os jogadores de um mesmo time trocam de passes dentro da área sem que o adversário interrompa, com o objetivo de colocar um dos jogadores na melhor condição de fazer o gol ou deixá-lo na "cara do gol" (sozinho contra o goleiro e muito perto do gol). É uma jogada difícil de acontecer hoje em dia, porque os times marcam muito. Também exige muita habilidade dos atacantes. O time dos Santos, no tempo do Pelé, era mestre nos gols de linha de passe. Pelé, Coutinho e Pépe tinham uma capacidade técnica superior e curtiam fazer gols de tabela. Na linha de passe o jogador não pode ser famoso "fominha" (aquele que quer chutar para o gol de qualquer jeito e não privilegia o companheiro mais bem colocado). Veja aqui uma jogada do tipo.

Rubro-negro em alta

by Redação em 16 de novembro de 2008 | 21:00

Sem dúvida, o Flamengo jogou ontem sua melhor partida no Campeonato Brasileiro deste ano. A equipe rubro-negra venceu o Palmeiras por 5 a 2, de forma categórica, com excelentes atuações de Ibson e Kleberson.

Muito se fala na dependência do esquema tático do Flamengo, dos laterais Juan e Leonardo Moura. Em muitas partidas o jogo do Flamengo não andou, enquanto o adversário marcava bem os avanços dos seus laterais. No jogo de ontem, O Flamengo não precisou deles, porque teve Ibson e Kleberson em tarde inspirada. Ibson finalmente parou de "se achar" e começou a jogar. Marcou muito, desarmou, movimentou-se em todos os setores do meio de campo, além de chegar sempre bem no ataque, convertendo três gols: entre eles, dois golaços. Kleberson também, finalmente voltou a ser aquele jogador da seleção brasileira da Copa de 2002. Jogou sua melhor partida depois de um ano de Flamengo. Movimentou-se por todo o campo, serviu os companheiros de ataque e logo aos dois minutos de jogo fez grande jogada pela direita, cruzando a bola pela área toda do Palmeiras, servindo de forma precisa a Marcelinho – que concluiu muito bem, fazendo o primeiro gol do Fla.

‘Dificilmente o São Paulo deixará de conquistar o título deste ano. Se não é brilhante, é um time muito equilibrado, frio e calculista na hora decisiva

Com esta vitória, o clube da Gávea deu um enorme passo para conseguir uma vaga na Libertadores em 2009. Tem chances de título, mas é muito difícil. Precisaria que o São Paulo, nas três rodadas que faltam, perdesse uma partida e empatasse outra, e que o Grêmio também perdesse uma. Claro, no momento é hora de lamentar alguns pontos perdidos em casa que poderiam lhe dar o campeonato, mas a vaga na Libertadores seria um excelente resultado, porque esta é a melhor campanha do Flamengo desde o último título, em 1992.

São Paulo firme na liderança

Dificilmente o São Paulo deixará de conquistar o título deste ano. Se não é brilhante, é um time muito equilibrado, frio e calculista na hora decisiva. É lógico que o Grêmio vai fazendo sua parte, à espera de um tropeço do São Paulo, que poderá acontecer em São Januário contra o Vasco, desesperado para escapar do rebaixamento.

Realmente o Campeonato Brasileiro deste ano é o melhor da era dos pontos corridos: melhor no suspense, na indecisão, em contradizer todas as previsões dos especialistas. Na verdade, tecnicamente, o campeonato deste ano não é bom. Muitos jogos ruins, grotescos. Não podemos apontar um "craque". Talvez o Alex do Inter, mas mais por seu chute forte do que por suas condições técnicas. É melhor reconhecer que não temos craques jogando no Brasil. É um momento tecnicamente muito ruim no futebol brasileiro. Mesmo nossos ditos craques, que jogam no exterior, estão em baixa. Não estão se sobressaindo. Pela primeira vez, na lista para eleição do melhor do mundo temos somente o Kaká.

Internacional pode salvar o ano

O Internacional está sendo considerado a maior decepção do Brasileirão, porque não confirmou em campo o favoritismo que tinha no início do campeonato. Baseados no plantel de bons e ótimos jogadores, o Inter foi apontado por muitos como o grande candidato ao título. A verdade é que o bom time "no papel" não jogou bem o campeonato. Não conseguiu nem a vaga na Libertadores, primeiro objetivo do clube, que sonhava disputar a grande competição no ano do seu centenário. Só que, ao evoluir na Sul-Americana, competição desprezada pelos grandes clubes, o Inter vislumbrou a possibilidade de conquistar um título inédito para o futebol brasileiro e, assim, salvar o ano e os altos investimentos. Até porque o campeão da competição recebe um bom dinheiro da Confederação Sul-Americana de Futebol.

Las Vegas

by Redação em 10 de novembro de 2008 | 21:00

Las Vegas – isto aqui é uma loucura! Apesar de todas as informações que já tinha, me surpreendi com a grandiosidade das coisas. Tamanho dos hotéis, tamanho dos cassinos, dos shows e da quantidade de pessoas. De todos os tipos e procedências. Realmente, os americanos sabem como ganhar dinheiro, explorando o lado lúdico do ser humano.

Estava sábado em Houston e lá deu para dar uma olhada na TV americana. Só se fala na crise econômica. E não é somente no noticiário. Em todos os programas, desde o de variedades, esportes e principalmente os humorísticos. As notícias aqui na terra do Tio Sam dão conta de 240 mil empregos perdidos em outubro. As vendas no comércio caíram a índices de 17 anos atrás. E muitos falam que depois das hipotecas, vem agora o estouro das dívidas nos cartões de crédito. As pessoas comuns aqui estão muito preocupadas, porque sabem que as coisas acontecem muito rápido na economia, tanto para o bem quanto para o mau. Em compensação, sabem que podem se recuperar rapidamente. Estão jogando todas as esperanças no presidente eleito Barack Obama, que um dia após a eleição, começou a trabalhar na transição e na formação da equipe econômica para entrar combatendo a crise imediatamente.

Já o esporte aqui fica totalmente por conta do futebol americano, pelo menos neste período. O termo "americano" é só para a gente, para eles é somente futebol. O nosso futebol eles chamam de "soccer". Pode-se ver os jogos do futebol americano em pelo menos oito canais de TV. Eles adoram o jogo. Me surpreendi: gritam com "touchdown" tal e qual a nós gritamos com o gol. Não economizam gritos. Futebol é futebol, não interessa como, nem onde. Sempre trazendo fortes emoções.

Pela internet, vi que o nosso campeonato brasileiro continua indefinido. O Grêmio teve um excelente vitória sobre o Palmeiras em São Paulo, mostrando que é candidatíssimo ao título, tanto quanto o São Paulo, que embora na frente, não pode vacilar. No mais, parece que Vasco e Fluminense talvez escapem do rebaixamento, mas está bem difícil a briga embaixo. Acredito mesmo que tudo neste campeonato somente irá se decidir na última rodada.

Impedimentos à parte

by Redação em 2 de novembro de 2008 | 21:00

A cinco rodadas do término do Campeonato Brasileiro, parece que o São Paulo desponta como favorito ao título e está com "pinta" de campeão. Alguns fatores reforçam isso: são 17 vitórias, 11 empates e apenas cinco derrotas até o momento. Os empates não deixavam o São Paulo chegar, mas com a ajuda dos adversários diretos, com campanhas irregulares, o time do Morumbi conseguiu neste segundo turno tirar a diferença de 11 pontos em relação ao Grêmio, que vinha até ontem na liderança.

O São Paulo não está só com "pinta" de campeão, mas com consistência de campeão. E teve sorte: no jogo no Engenhão, no Rio, o juiz anulou um gol de empate do Botafogo, por interpretar que Wellington estava impedido, apesar de não participar da jogada. Domingo, no Morumbi, no primeiro gol do São Paulo contra o Inter, aconteceu a mesma jogada. Hugo estava impedido, na frente do goleiro, quando Borges fez o gol. Neste caso, o juiz interpretou como legal e confirmou o gol. Não digo que seja favorecimento da arbitragem ao São Paulo, mas o time de Muricy tem sofrido menos com os erros dos juízes. Num campeonato tão disputado, os erros da arbitragem começam a interferir na decisão do título, tanto quanto os erros dos zagueiros quando deixam um gol sair ou dos atacantes que estão perdendo gols incríveis.

‘A regra do impedimento é a regra mais difícil do futebol e a que mais dá discussões. Mesmo os especialistas, os juízes e a imprensa esportiva podem divergir na interpretação

Há que se reconhecer os méritos do São Paulo. A consistência do time vem do trabalho intenso de seus jogadores e de seu técnico pragmático, Muricy Ramalho, que afirma e reafirma que sua equipe é mediana, apresenta falhas, não tem craques, e, por isto, precisa de muito trabalho. Além de todos esses fatores, o São Paulo vem sendo o melhor time brasileiro desta década e da anterior. Como é um clube super organizado, com as contas em dia, mesmo sem grandes craques, leva vantagem em relação aos demais na hora de uma decisão. Não precisa enfrentar certos problemas extra-campo, como o atraso de salários que todo ano prejudica alguns times no campeonato.

Explicadinho

Impedimento - A regra do impedimento é a regra mais difícil do futebol e a que mais dá discussões. Muitas de nós, mulheres, têm a maior dificuldade de entender. Mesmo os especialistas, os juízes e a imprensa esportiva podem divergir na interpretação. Imaginem o bandeirinha, que não tem replay e precisa decidir em um segundo, estando de olho ao mesmo tempo no jogador que lança e nos jogadores que vão pegar a bola. Já se falou em acabar com a lei do impedimento, mas isto acabaria com o futebol, porque os jogadores se amontoariam perto do gol, não haveria jogo no meio de campo e as jogadas de ataque seriam impossíveis de se ver de tanta gente povoando a área.

Pela regra, o jogador estará em posição de impedimento se estiver mais próximo da linha de fundo que o penúltimo adversário (incluindo ou não o goleiro), antes da bola sair do pé de (ou bater em) um companheiro de equipe.

O fato de estar em uma posição de impedimento não implica que o juiz marque esta infração. Se no momento em que a bola tocar ou for jogada por um dos companheiros, o impedimento só será marcado se, na opinião do juiz, o jogador interferir no jogo; interferir nos movimentos de um adversário, ou tirar vantagem dessa posição.

Não é impedimento: se o jogador receber a bola de um tiro de meta; de um arremesso lateral ou de uma cobrança de escanteio; se o jogador sair do próprio campo; se estiver na mesma linha do penúltimo adversário ou na mesma linha que os dois últimos adversários.

Dica: é mais fácil de identificar impedimento vendo o jogo ao vivo, mesmo que seja no campinho da esquina da nossa casa. Para aprender, é só prestar atenção nos jogos na televisão, com várias repetições dos lances de impedimento, além do tira-teima, que congela a imagem. Veja aqui um vídeo engraçado e instrutivo sobre o assunto.



perfil

Isabel Kieling é gaúcha, moradora apaixonada do Rio de Janeiro, e jornalista de formação. E, contrariando o senso comum, entende muito de futebol. Por isso, inaugura a nossa mesa redonda virtual para comentar os melhores lances dos esportes e dos atletas – claro. Mas ela também bate a sua bolinha – só que a de golfe! Isabel também é golfista, e atualmente luta para sair das últimas posições do ranking.